SOLAR, PAINEIRAS
O anúncio da voz cruza teu rosto branco.
As tardes se evocam em ti, guirlandas e arcos de sol.
Observo a casa engastada nas pedras.
Também quis curvar-me sombra aos temores do vento,
esconder-me nos homens. Também quis curvar-me
aos desígnios da luta: eu e o mundo.
Mas o ocaso da tarde inclina-me as sombras duras do corpo.
O anjo sem equilíbrio da tarde risca no ar
denso azul de chuva.
As águas então se afeiçoam a mim, súbito
uma poça se forma em meus pés,
prende-me os passos.
Mas miro-me nas ladeiras da tarde que se erguem de ti.
Miro-me na veste luminosa que se dobra em teu peito:
na íntima claridade do nome.
E vejo que uma chuva fria transborda
um verde seguro na margem de teu olho.