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Francisco Bittencourt |
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Dois
Poemas do Cairo
I.
Teu nome é esmagadora
primavera de jasmins,
centrífuga, circular e amena
esperança de todos os dias
nos sete círculos da minha vida.
Teu nome é sublime porta
onde minhas lágrimas
batem com punhos de aço,
rosa clandestina
da minha insatisfação.
Teu nome é balcão do oriente
onde minha alma se abastece
de todos os perfumes
e condimentos
para a festa das horas.
Teu nome é junco do Nilo,
fruto da terra olhando a noite.
És o ungido, o piedoso,
o terror de existir,
a própria vertigem da primavera.
II
Não canto a bravura nem a raça
Ou os plácidos pés a repousarem,
Nem mesmo canto o ouro dos espaços
que move teu corpo em suaves passos.
Não canto a cruel face e o ventre
púbere ou as pernas galgas,
ou aquela triste praça do Cairo
onde nos encontramos entre pássaros.
Antes canto os teus abraços
mais fraternos que de amante
e essa doce melancolia
do teu sorriso de infante.
Canto a insuperada alegria
do dia a dia ao teu lado.
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