Bruno Ribeiro

    1.

    Parte de mim é o que eu sinto
    E outra parte é o que eu faço
    A metade melhor é a que eu minto
    E a outra metade eu não mostro

    É franca a lição da vida que eu estudo
    E limpo o meu discurso em sua contradição
    Sou do tipo emotivo que se entrega ao mundo
    E também um conformado escondido na razão

    Sou de um lado a água da represa estacionada
    E de outro o mar revoltado e o tufão
    Tenho em mim metade da maçã mordida
    E também metade da tentação

    (Uns dias acordo Serpente;         
    Em outros, acordo Adão)

    Posso tanto ser Apolo
    Como posso ser Dionísio
    Trago mil personagens a tiracolo
    E na lapela, um ramo de narcisos

    Parte de mim é o que eu sei
    E outra parte é o que eu acho

 

 

    2.

    Todo poeta se quer eterno.
    Ser como uma idéia
    que, mesmo incompreensível,
    resiste na voz do vento.

    Dobrando as esquinas do tempo
    faz do infinito um quarto de visitas
    enegrecido pelo fumo,
    silencioso como uma lágrima.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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