Psicossomática e Espiritismo: Descubra como as emoções afetam a sua saúde. 

            As pessoas de uma forma geral, não imaginam o quanto as emoções afetam a saúde do corpo, ou seja, não sabem que muitas doenças que, supõem se desenvolverem  apenas nas estruturas físicas, são na verdade, comprovadamente originárias também de fatores psíquicos, portanto, segundo o saber espírita, originárias da alma. Para esse grupo de doenças cunhou-se o termo distúrbios psicossomáticos.

            A Psicossomática é um campo de pesquisa relativamente novo na área de saúde, especialmente na Medicina e na Psicologia, e que estuda as relações entre a mente e o corpo, no contexto de uma compreensão integral (holística) do ser humano, transcrevendo para uma linguagem psicológica o dinamismo dos sintomas corporais. Na ciência oficial, os autores de destaque que levantaram as primeiras questões sobre a relação mente-corpo foram Freud (na Psicanálise) e Jung (na Psicologia Analítica). Indo mais além, a Psicossomática tem se constituído em importante matéria de interesse para a Medicina Chinesa (em especial para a Acupuntura), para a medicina homeopática, e para a ciência  Espírita.

            No caso do Espiritismo, segundo Jorge Andréa dos Santos, a ocorrência do fenômeno psicossomático representa o próprio campo Espiritual, “de estrutura energética específica, a transcender  na imortalidade a faixa de mortalidade do corpo físico” (Santos, 1991). Esse autor expõe que as doenças psicossomáticas (portanto, fortemente determinadas pelo psicodinamismo da mente e do espírito) podem estar ligadas:

            1. à pele (urticária, prurido, acne); 2. aos músculos (dores na nuca, nas costas), cujas contraturas produzem comumente dor de cabeça; 3. ao aparato respiratório (crises asmáticas, rinite alérgica, hiperventilação pulmonar); 4. ao aparelho circulatório (taquicardia, extrassístoles, hipertensão com oscilação, enxaqueca); 5. ao aparelho digestivo (vômitos, dores gástricas, colites, constipação crônica); 6. ao aparelho urinário (variações do volume de urina); 7. e até mesmo ao mecanismo endócrino (certas doenças da tireóide). Se somarmos a  esse conjunto os distúrbios de alimentação (anorexia, obesidade), o estresse, a depressão e diversos quadros psicopatológicos, observaremos a importância da saúde das emoções, da mente e do espírito, sobre a saúde do corpo.

            Para muitas pessoas é difícil compreender como as emoções e conteúdos mentais podem afetar tanto o corpo, por se tratarem de "elementos  abstratos" sem "realidade palpável" aos sentidos. Esse, porém, é um raciocínio muito simplista e equivocado. Primeiro, porque, do ponto de vista neuropsicológico, as emoções e os pensamentos possuem uma base neurofiosiológica envolvendo diversas áreas do cérebro (córtex cerebral, sistema límbico, glândula pineal, etc), com um impacto concreto sobre o corpo, que inclui o controle do metabolismo hormonal. Segundo porque, de acordo com o saber Espírita, o sistema nervoso funciona como (a) um sistema receptor das irradiações da alma através do perispírito (ou corpo psicossomático, na terminologia de André Luiz), e (b) como depositário[i] dessas mesmas irradiações sobre o corpo biológico, num sistema tríplice de integração (alma-perispírito-corpo físico).

            O conhecimento Espírita também ensina que a alma não é "um nada", mesmo porque o "nada não existe". Como não sabemos exatamente o que é a alma, costumamos associá-la com algo abstrato, sem qualquer nível de realidade concreto, já que se trata de um ente imaterial. Porém a menção à alma como sendo imaterial quer dizer apenas, que não lhe podemos fazer uma analogia com qualquer coisa que conhecemos como sendo material, e não que ela se trate de "um nada abstrato sem ação na realidade prática". A alma é portanto, "alguma coisa", que no estágio evolutivo em que nos encontramos , é desconhecido aos nossos sentidos e do qual temos uma compreensão apenas parcial, mas que nem por isso, deixa de ter uma ação real sobre a nossa vida. A alma é, então, percebida por seus efeitos e manifestações, como é o caso dos fenômenos psicossomáticos.

            Observemos então, o quanto é importante cuidarmos de nossas emoções, pensamento e espírito. A doença é na verdade, uma forma do corpo e da mente, juntos, chamarem a atenção do indivíduo para a necessidade de se descobrir o que está errado com a vida, buscando-se a correção dos hábitos desequilibrantes a originarem mau-estar, descréscimo da qualidade de vida, e enfermidades. A doença psicossomática é um sinal de alerta para o seu portador, informando que o indivíduo está realizando algo que prejudica a ele próprio. Pode estar abusando de sua dieta alimentar desequilibrada, pode estar envolvido com dificuldades afetivas e psicológicas diversas, desajustes familiares, no trabalho, e em outros setores da sua vida social, etc. As tensões psíquicas resultantes também abrem espaço para a ação de agentes invasores (micróbios) ao frágil campo energético do corpo. Tudo isso paralisa o processo evolutivo do Espírito, que pede por "socorro" através da enfermidade psicossomática. Outros fatores complicadores nos distúrbios psicossomáticos são (1) os distúrbios advindos de encarnações passadas e (2) a ação de Espíritos Obsessores sobre o psiquismo do portador de uma patologia psicossomática. Nesses casos, também, há uma lição evolutiva a ser descoberta pelo sujeito afetado.

            Concluindo, há a necessidade - para cada caso particular - de uma investigação dos componentes psicogênicos deficientes que partem da alma e desajustam os campos somáticos. Também procuramos saber, onde o processo está ligado a atual encarnação, e onde está ligado a etapas pregressas, a fim de equacionar com justeza a conduta a ser adotada. A maioria dos casos, apresentando multiplicidade de fatores, poderá se beneficiar de tratamento médico e psicológico, coligado ao recurso do tratamento espiritual (Santos, 1991).

 

Referência Bibliográfica

     

Santos, Jorge Andréa dos. Psicologia Espírita. Rio de Janeiro: Soc. Ed. Espiritualista F. V. Lorenz, 1991.

           



[i] Depositar é um termo técnico usado na psicologia e na psicanálise, com o significado de colocar e deixar um determinado conteúdo em algo ou alguém. É um conceito ligado a projeção de um conteúdo psíquico interno a um objeto externo. Aqui, esse termo é tomado de empréstimo para descrever um processo energético dinâmico.

 

Adalberto Ricardo Pessoa
Psicólogo Clínico e Analista Junguiano e Transpessoal formado pela USP
Membro da Associação Brasileira de Psicólogos Espíritas (ABRAPE)

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