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A Psicologia Espírita e a Medicina Integral
Devido
às suas conexões com a Filosofia Holística, a Psicologia Espírita acaba
guardando importantes relações com uma Nova Medicina, também conhecida como Medicina
Holística ou Integral: ramo de conhecimento resultante da evolução do
pensamento e da filosofia médica que, superando as limitações e o
condicionamento da medicina analítica comum acadêmica e compreendendo as bases
dialéticas da teoria e da prática da medicina natural, definiu-se como uma fusão
ou síntese que reuniu elementos antagônicos.
Considerada
como uma “Medicina Alternativa”, ela seria melhor classificada como uma Medicina
Complementar e Preventiva. A Medicina natural integral, então, deve ser
conceituada como “a moderna ciência que sintetiza e harmoniza as várias
escolas e tendências da medicina natural comum e reúne vários tipos de
recursos terapêuticos naturais simultaneamente, num só tratamento, visando a
recuperação mais ampla possível da saúde. É a área médica alternativa
atual que, aliada à verdadeira medicina de vanguarda, tem contribuído para uma
medicina global mais coerente e para a filosofia da Nova Medicina” (Bontempo,
1994).
Segundo
Bontempo (1994), curiosamente, as novas descobertas da ciência também têm
contribuído para a formação de uma nova mentalidade médica. Estas
descobertas, ao contrário do que se imaginaria, ajudam a diminuir as distâncias
resultantes da polarização ocorrida na medicina (de um lado a medicina oficial
e do outro a medicina alternativa, ou “oficiosa”), como característica da
situação de algumas décadas atrás. Dentre estas descobertas destacam-se,
segundo o autor, (1) as transmutações físico-biológicas a baixa energia, do
cientista francês Louis Kevran, (2) a neo-hematologia do médico japonês Kikuo
Shishima e do russo Lepenshiskaya, e (3) o efeito kirlian, entre outros.
A
Psicologia Espírita corrobora essa conclusão através dos estudos de Psicobiofísica
(ciência nascida da Parapsicologia, e que integra a Psicologia, a Biologia e a
Física) do Dr. Hernani Guimarães Andrade, e sua teoria dos Modelos
Organizadores Biológicos. Recentemente, a Drª Ercília Zilli, em seu livro, O
Espírito em Terapia, trouxe ao público novos estudos científicos –
que serviram de tese de mestrado no curso de Pós-Graduação em Ciências da
Religião na PUC de São Paulo - que apóiam essas observações, como: (1)
A Teoria Gênica das Pulsões do médico, neurologista e psiquiatra Leopold
Szondi, e sua Teoria da Fé, (2) a Teoria dos Campos Morfogenéticos e da Ressonância
Mórfica do biólogo Rupert Sheldrake, e (3) a Teoria dos “Campos Eletrodinâmicos”
ou “Campos da Vida” do anatomista da Universidade de Yale, Harold
Saxton-Burr, incluindo (4) a convergência de todas essas pesquisas com os
estudos do autor espiritual André Luiz, em seu livro Evolução em Dois
Mundos (Zilli, 2001).
Outro
campo correlato de conhecimento holístico também está passando pelo mesmo
processo: segundo o Dr. Uberto Gama, e a Drª Elisabeth Yamada, ambos formados
pela Universidade Federal do Paraná, em Filosofia e Educação Física,
respectivamente, e pós-graduados no exterior, e também segundo o Prof. Dr.
Harbans Lal Arora, PhD em Física, e autor do livro Ciência Moderna sob a
Luz do Yoga Milenar, o desenvolvimento da Física moderna durante as
primeiras décadas deste século – através das teorias da Relatividade e Quântica,
e ainda, nas recentes décadas, através da teoria da Sinergética, das
estruturas dissipativas, da totalidade impacta, do Bootstrap e da teoria de
campos unificados está chegando a conclusões bastante convergentes com as
conclusões da ciência milenar do Yoga. Os cientistas estão
verificando na escala de laboratório, através de metodologia científica, a
autenticidade e eficácia das diversas técnicas do Yoga (como por exemplo, as técnicas
de meditação, alongamento, respiração, gestos psicomagnéticos, etc) sendo
que as aplicações práticas destas técnicas têm comprovado a sua eficácia
na prevenção e manuseio do estresse, tratamento complementar das doenças
psicossomáticas, redução sensível da violência e manutenção do bem-estar
geral (Gama e Yamada, 1996).
Observamos claramente que o avanço das Terapias Holísticas e Integrais
é, realmente, um fenômeno mundial. Com o crescimento da consciência planetária,
que se manifesta através dos movimentos ambientalistas, das atividades
pacifistas, do retorno ao respeito à natureza e às suas leis, dos movimentos
sociais em busca da integração da humanidade, etc, a medicina do mundo inteiro
vem sofrendo enorme influência desse novo campo dimensional. Por outro lado, o
grande questionamento que a opinião pública mundial faz quanto às limitações
da medicina oficial, quanto ao problema da imperícia e do erro médico, quanto
ao mercantilismo da medicina, quanto aos efeitos colaterais e à ação limitada
dos remédios alopáticos (a medicina oficial, hoje, muitas vezes, apenas injeta
drogas alopáticas que removem apenas sinais e sintomas distantes, sendo
aplicadas sem um conhecimento pormenorizado de cada doente, sem nenhum
conhecimento exato das causas e sem conhecer todos os efeitos possíveis do
medicamento aplicado), contribui muito para que se anseie por uma medicina
oficial mais humana e respeitosa.
Não
tem adiantado muita coisa, a medicina oficial simplesmente ignorar esses
protestos, como continua algumas vezes a insistir. Assim, há alguns anos surgiu
nos Estados Unidos um movimento médico que criou o termo “medicina ecológica”
para caracterizar a nova consciência médica que valoriza a necessidade de se
restaurar o equilíbrio profundo do organismo para evitar o crescimento das doenças
crônicas e interferir dinamicamente contra o processo de degeneração biológica
e energética da raça e da biosfera em geral. Entendendo a importância da
interação entre meio ambiente, o ambiente interno do corpo humano e a genética
constitucional, os novos clínicos procuram aplicar recursos também naturais,
tais como (1) ervas medicinais, (2) remédios homeopáticos, (3) dietas
naturais, integrais e orgânicas, (4) terapias alternativas, (5) hidroterapia,
etc., com o objetivo de incrementar uma prática médica que ajude a evitar o
colapso que a degradação bioenergética pode provocar. Nesse contexto temos
visto também o renascimento da (6) medicina ayurvédica na Índia e a grande
difusão da (7) Acupuntura e de outros ramos da medicina chinesa no mundo
ocidental. A América do sul, principalmente o Brasil, contribui também para
esse processo graças à identificação do povo com (8) a medicina indígena, a
medicina popular e com o surgimento no meio médico oficial da medicina integral
e a difusão em larga escala da homeopatia em todos os países. O conjunto de
terapêuticas holísticas não param por aí. Podem ser citados ainda, a ampla
difusão mundial (9) dos Florais de Bach, (10) da aromaterapia, (11) da terapia
pelos cristais, (12) da geoterapia (tratamento pela argila), (13) da
talassoterapia (tratamento pelos recursos do mar), (14) da musicoterapia, (15)
das dietas naturistas, (16) da macrobiótica, (17) da iridologia, (18) do
Shiatsu, do Do-in, e da Calatonia de Pethö Sandor, todas técnicas bioenergéticas
psico-corporais de autoconhecimento e relaxamento, etc. – são os prenúncios
do surgimento de uma nova medicina no planeta.
A
alimentação equilibrada e pura, livre de produtos químicos e tóxicos,
baseada em produtos integrais selecionados, segundo variados padrões dietéticos,
é o mais importante recurso terapêutico hoje utilizado pelas principais
escolas de medicina natural. Segundo a “ecologia clínica” e a macrobiótica,
a mais nova especialidade médica nos Estados Unidos, mais de oitenta por
cento das doenças atuais são causadas pela “alimentação poluída”
(alimentos artificializados e repletos de aditivos químicos). A linha
de argumentação para essa afirmativa é baseada em dados estatísticos e científicos
muito consistentes (Bomtempo, 1994; Gama e Yamada, 1996; Fajardo, 1997). A
“alimentação poluída” aparece até mesmo como um elemento importante na
etiologia das doenças mentais, junto com outros fatores estudados pela
psicopatologia clássica, pois uma alimentação muito artificializada e pobre
em nutrientes pode atuar contra o bom funcionamento dos neurônios,
especialmente do seu processo de mielinização, nutrição e até, oxigenização,
debilitando o processo global de funcionamento cognitivo, e abrindo caminho
(junto com outros fatores) para patologias psíquicas diversas, dificuldades de
aprendizado, etc. Levando-se em conta o paradigma Espírita de integração Cérebro-Mente-Corpo-Espírito,
uma vez que a alimentação pode afetar até mesmo o comportamento psíquico,
pode-se arrolar que existe correlação entre uma espiritualidade sadia, e a adoção
de uma alimentação saudável. Podemos observar esse fato, por exemplo, entre
praticantes de Yoga, e entre adeptos de várias religiões que adotam em suas
doutrinas a cultura da alimentação natural como um modo de vida saudável.
Entre as igrejas cristãs poderíamos citar as Igrejas Adventistas e a Igreja
dos Mórmons, como duas posições favoráveis a essa visão. A própria profeta
da Igreja Adventista, conhecida pelo nome de Ellen G. White, escreveu sobre os
benefícios espirituais de uma alimentação saudável.
A
alimentação poluída não deve ser entendida como causa isolada das doenças. Cigarro,
bebidas e drogas, também estão entre os grandes males arrolados em várias
doenças, especialmente as imunodepressoras. Pesquisas mostraram que a
Acupuntura, enquanto técnica terapêutica, oferece alta taxa de sucesso (27%)
sobre diversas outras técnicas terapêuticas, incluindo medicação alopática
e terapia comportamental, estando abaixo apenas das técnicas de psicoterapia em
grupo, e programas pedagógicos de bem-estar, prevenção e educação (entre
28% e 35%). Quando todas essas técnicas são utilizadas em conjunto (inclusive
as técnicas tradicionais), o sucesso terapêutico de cada uma, potencializa os
resultados umas das outras, segundo pesquisas (Fajardo, 1997). Há um consenso
global de que fatores emocionais conscientes e inconscientes são fatores
presentes na maioria das doenças, bem como importantes variáveis sociais, políticas
e econômicas.
Segundo
Bomtempo (1994), a grande difusão das terapias alternativas no mundo inteiro é
um sinal de que a consciência coletiva tem buscado soluções para a questão
da saúde precária dos habitantes do planeta. A princípio essas terapias foram
combatidas (e ainda o são nos países menos desenvolvidos), mas com a crescente
adoção dessas técnicas não ortodoxas pelos médicos oficiais (veja o caso da
homeopatia, da acupuntura, da fitoterapia, etc), a própria medicina oficial tem
se transformado. De fato, não há como manter uma oposição ao que é inexorável.
Essas terapias antigas pertencem historicamente ao patrimônio cultural
ancestral e ao inconsciente coletivo da humanidade, e sua maior difusão atual
deve-se à ampliação do discernimento humano, que ajusta o conhecimento do
passado com o que há de melhor na ciência moderna.
Não
se trata de abolir o uso de remédios, vacinas e cirurgias. Eles são necessários
em casos agudos ou emergenciais. Trata-se de chamar a atenção para a
necessidade de parâmetros diagnósticos mais precisos para o seu uso, mais
parcimonioso, inteligente e eficaz. A Medicina Integral entra nesse contexto
como Terapia Complementar, procurando remover o elemento mórbido
essencial ou central e reequilibrando o organismo, harmonizando-o com a
natureza. No caso de doenças crônicas, como o câncer, por exemplo, a medicina
comum contribuirá com cirurgia, radioterapia e na aplicação de drogas
antineoplásicas potentes para combater o tumor. Apesar do seu sucesso parcial
em deter os sintomas do câncer, esses métodos sozinhos, não
removem o processo mórbido causador do tumor e, colateralmente, destroem células
saudáveis, agredindo mais ainda o organismo. Podemos dizer, assim, que
circunstancialmente, pode-se eliminar o tumor, mas não o câncer, quando
ataca-se o tumor como efeito do problema, mas negligencia-se a pessoa e o seu
desequilíbrio bioenergético central, que é a causa. Um processo
de Psicoterapia poderia ser um passo adicional aqui, pois como afirmam médicos,
bioquímicos e fisiologistas, “qualquer coisa que afete a mente afeta o
corpo”. A Psicologia Espírita, aqui, também desempenha o seu papel, pois
cada vez mais pesquisadores têm descoberto que a abertura espiritual da pessoa
se constitui num dos principais fatores ocultos para a cura.
Toda doença é multifatorial, multideterminada e multivariada. Um tratamento integral, composto por vários recursos aplicados simultaneamente, é fundamental para se trabalhar a maior quantidade possível de dimensões, causas, veículos e agentes determinantes possíveis. Por isso, todas as ciências de saúde e da vida, precisam trabalhar dentro de um paradigma interdisciplinar, onde cada disciplina potencialize os resultados terapêuticos umas das outras. Para a filosofia Holística e para o Saber Espírita, saúde, felicidade e sabedoria não coisas isoladas, mas uma só e mesma realidade.
Texto
produzido por:
Adalberto Ricardo Pessoa
Psicólogo Clínico e Analista Junguiano e Transpessoal formado pela USP
Membro da Associação Brasileira de Psicólogos Espíritas (ABRAPE)
E-mail: [email protected]
- Site: www.psicologiaespirita.rg3.net
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