A Matemática do Perispírito
A
doutrina Espírita compreende o ser humano a partir de um sistema tripartite,
que entretanto funciona sincronisticamente como uma unidade formada por: (1º) corpo
físico, estruturado a partir do aglomerado celular, e que põe a Alma
em relação com o mundo exterior, (2º) Alma,
que na psicologia é chamada de psique, e constitui o princípio formador
de nosso pensamento e de nossa individualidade e (3º) Perispírito,
constituído de uma complexa rede de organização psico-energética, que
aproxima e intermedia as qualidades vibracionais do corpo físico e da Alma (Facure,
1999).
Embora
a Física e a Psicologia tenham avançado muito, do ponto de vista filosófico
os físicos ainda não chegaram a um acordo sobre a “essência” da matéria,
assim como os psicólogos não sabem o que é em “essência” a psique (ou
Alma). Há, porém, um número crescente de pesquisadores que concordam que espírito
e matéria, ao mesmo tempo que são conceitos distintos, num certo nível são
também manifestações
complementares de um mesmo fenômeno global, provavelmente de natureza vibratória
(Argollo, 1994). São faces opostas, porém complementares, estando a matéria
visível num extremo vibratório, e a alma em outro extremo oposto (tornando-se
neste estágio uma entidade “imaterial”, o que não significa que a alma se
torne um “nada”, mas apenas, que pela natureza extrema de seu caráter
vibratório, a Alma não guarde mais analogia com nada que possa ser considerado
como matéria).
Para
o físico David Bohm, haveria uma relação de continuidade entre o mundo físico
e o mundo mental (ou espiritual), ou entre matéria e Alma. Outros físicos
parecem compartilhar dessa idéia como Fritjof Capra, Danah Zohar, Amit Goswami
e o brasileiro Dr. José Pedro Andreeta (2004). Muitos psicólogos junguianos e
transpessoais também concordam com a existência de uma relação de
continuidade entre matéria e espírito (psique).
Para
o Espiritismo, a ligação entre o corpo físico e a Alma se processa na
intimidade das ligações de partículas subatômicas ao nível das quais não
se distingue os limites precisos onde termina o corpo material e onde se inicia
o corpo espiritual. Da organização em rede dessas partículas subatômicas
formadoras da matéria atômica e organizadora da matéria detectável, abstraímos
o conceito de perispírito.Nessa linha de pensamento, a natureza do perispírito
é dita "semi-material", pela falta de terminologia mais adequada, e não
difere dos mesmos elementos fundamentais que organizam nosso mundo físico. A
diferença em comprimentos de onda em que se expressa a matéria física e a matéria
espiritual é que as expõe em "realidades diferentes" (Facure, 1999).
Esse
fato pode ser expresso matematicamente (Pessoa, 2003), segundo sugere o médico
psiquiátra e psicanalista, Dr. Sérgio Felipe de Oliveira, mestre em ciências
pela USP, e dirigente da Associação de Médicos Espíritas e do Instituto
Pineal-Mind.
No
átomo da matéria física visível, os elétrons vibram a velocidades próximas
a 960 km/seg., e prótons e nêutrons percorrem o núcleo de um lado para o
outro a velocidades de cerca de 64.000 km/seg (Capra, 1983). Apesar da
"aparência sólida" da matéria, seus componentes vibram a altas
velocidades. Além disso, mais de 98% do átomo é composto de "espaço
vazio" (vácuo) , onde partículas subatômicas oscilam em alta velocidade.
Segundo uma interpretação possível da física Einsteniana, podemos relacionar
massa, Energia e a velocidade dessas partículas atômicas segundo a fórmula:

Assim,
energia (E) é diretamente proporcional ao produto da massa (m) pela velocidade
da luz (c) ao quadrado, dividido por raiz quadrada de um menos a velocidade da
partícula estudada sobre a velocidade da luz ao quadrado, com a velocidade da
partícula tendendo para a velocidade da luz (300.000 km/seg), mas ainda
inferior a essa.
O
resultado da equação vai expressar um padrão de energia elevada e detectável
por nossos aparelhos, como por exemplo, a bioenergia ou as radiações
bioeletromagnéticas do nosso corpo, observáveis em um eletroencefalograma, ou
em um eletrocardiograma. Segundo o Dr. Sérgio Felipe, essa fórmula retrata a
energia do nosso universo biológico, do corpo físico e de adjacências do
nosso Duplo Etérico (Pessoa, 2003).
Como
essa equação é de função quadrática, ela fornece outra "fórmula
variante". O vácuo atômico não é realmente formado de
"vazio", mas sim de algo que pode ser chamado Energia Quântica Flutuante.Baseando-se nos trabalhos do físico
Paul Dirac, supõe o Dr. Sérgio Felipe que essa energia é formada de uma mar
de partículas subatômicas virtuais, não-detectáveis por qualquer
equipamento, mas previstas por esta fórmula variante, que seria a seguinte:
![]()
Aqui, a velocidade (v) da partícula (virtual subatômica) estudada
tenderia ao infinito, e poderia ultrapassar até a velocidade da luz
(contrariando aparentemente a teoria da relatividade). A energia resultante
seria muito pequena, muito sutil, e hipoteticamente poderia corresponder à
energia bioplasmática do perispírito. Essas partículas subatômicas teriam
uma vibração tão intensa que se tornariam indetectáveis aos nossos aparelhos
atuais de medida, porém por serem o "esqueleto" do átomo, e ao mesmo
tempo constituirem o que a Doutrina Espírita chama de perispírito (cf. Kardec),
psicossoma (cf. André Luiz) ou ainda Modelo Organizador Biológico (cf Hernani
Guimarães Andrade), tais partículas confirmariam que o perispírito possui
também a função de modelar a forma externa do corpo físico ou da matéria
visível macroscopicamente (Pessoa, 2003). Essa hipótese, se for confirmada
por outros estudos, abrirá um novo campo para a compreensão científica
do Espírito.
Referências Bibliográficas
Facure, Núbor O. Muito
além dos neurônios, Conferências e entrevistas sobre Mente e Espírito.
Associação Médico-Espírita de São Paulo, 1999.
Argollo, Djalma Motta. Possibilidades
Evolutivas. São Paulo: Mnêmio Túlio Editora, 1994.
Pessoa, Adalberto
Ricardo. A Quinta Força - Uma nova visão
da Alma Humana. São Paulo: DPL, 2003.
Capra, Fritjof. O
Tao da Física. São Paulo: Ed. Cultrix, 1983.
Andeeta, José Pedro. Quem
se atreve a ter certeza? A realidade quântica e a filosofia. São
Paulo: Mercuryo, 2004.