A
obra psicológica do espírito Albert Camus
Paulatinamente
o conhecimento Espírita se encontra entrando em um novo estágio de evolução
com o progresso de uma inovadora forma de se pensar e se praticar a Psicologia
Moderna: reconhecendo a espiritualidade e a universalidade de cada Ser, a
Psicologia Espírita desponta como mais uma contribuição de humanização,
responsabilidade social e busca de paz e felicidade, por parte do homem.
Textos, artigos e livros sobre Psicologia Espírita começam a surgir, como as obras do espírito Joanna de Ângelis psicografadas por Divaldo Pereira Franco, ou ainda os textos científicos produzidos por diversos pesquisadores encarnados, como o parapsicólogo espírita Hernani Guimarães Andrade. Entretanto, uma obra bastante modesta, escrita em uma linguagem simples e de fácil entendimento, mas de uma profundidade e sabedoria surpreendentes, é o livro “Pensamentos sobre o Ser” do espírito Albert Camus (1995), psicografada pela médium Nora T. M. N. Sakamoto. Quando esteve encarnado entre nós, Albert Camus trabalhou como Jornalista e desenvolveu um trabalho literário de cunho social que lhe rendeu o prêmio Nobel de literatura. Esse grande gênio cujos principais trabalhos foram realizados na França, escreveu livros como “A Peste”, traduzido no Brasil por Graciliano Ramos, e ainda “O Mito de Sísifo” e “O Homem Revoltado”. Através das habilidades mediúnicas de Nora Sakamoto, bióloga graduada pela USP, e professora da Unicamp, Albert Camus através da dimensão espiritual continua a oferecer à humanidade sua contribuição reflexiva e crítica, agora no vasto campo intermediário entre a Psicologia e o Espiritismo.O seu livro publicado pela Casa Editora O Clarim, “Pensamentos sobre o Ser”, é uma obra recomendável, e eu diria indispensável, para todos aqueles que quiserem compreender de forma fácil e motivadora, a Psicologia Espírita.
Nesse livro, Albert Camus questiona como o ser humano erroneamente procura a paz, a alegria e a felicidade apenas na pessoa, corpo e psique, quando deveria acrescentar que o Universo que interage com ele, desde a sua criação, também deveria ser considerado na busca da totalidade e desenvolvimento do Ser e do Si-Mesmo (ou do Self, na linguagem dos psicólogos junguianos). Para o autor, não se deve trabalhar o individual isolado do todo, pois os distúrbios psíquicos, em sua efetiva condição, são na verdade, alterações no ponto de equilíbrio Universal da criatura, sendo necessário acompanhar os processos evolutivos do próprio planeta, em seus aspectos físicos, psicológicos e sociais, nessa nossa Era, psíquica por excelência. Albert Camus adverte que “... se as criaturas que tratam com a psique não a dilatarem para parâmetros espirituais e Universais, não a compreenderão, como já acontece, as desarmonias e ansiedades de seus pacientes e as próprias”.
Para o autor espiritual, o psicólogo espírita é um profissional que “deve perceber que cada indivíduo traz em si as aquisições de encarnações variadas e emoções fragmentadas de um passado delituoso e não refeito”, sendo preciso considerar os aspectos cármicos das lesões psíquicas ou físicas. Ele reconhece que “jamais poderemos dar o que ainda não conquistamos”, e recomenda que o profissional deve conhecer-se e buscar, incessantemente, valores espirituais e harmonizações. Essa era a mesma concepção de Carl Gustav Jung, um dos principais nomes da psicologia moderna no século XX e XXI.
Albert Camus considera que a psicoterapia espírita é um importante campo de aprendizagem onde o paciente é levado a reconhecer o conceito de progresso ilimitado da Alma, que não se faz aos saltos, mas sim na forma de aquisições lentas, porém seguras. Sua abordagem do sintoma psíquico, à semelhança de Jung, é uma abordagem prospectiva: ou seja, considera ser preciso retirar das situações, problemas e crises, o aprendizado que elas impõem e não simplesmente rejeitá-las como desconfortos inúteis.
Por fim, declara que a principal inspiração do trabalho de um psicólogo espírita deve ser a ajuda realizada por amor, numa relação não de superioridade, mas sim de igualdade com o paciente, em que o trabalho é feito por uma causa maior em que todos estamos envolvidos, e que é a Evolução da Centelha Divina, o desabrochar da Essência, pois como disse Jesus Cristo, todos somos deuses em potencial.
Assim, o objetivo de uma psicoterapia espírita não é apenas o tratamento dos desajustes da Alma, das deficiências mentais ou dos sofrimentos psíquicos, mas muito mais profundamente, o objetivo é a colaboração facilitadora para o desenvolvimento espiritual e a realização transpessoal, através do autoconhecimento como ferramenta propiciadora da Reforma Íntima.
Em termos teóricos e práticos, o ser humano – segundo o espírito Albert Camus – é um Universo em si mesmo, e este Universo (que está imerso em tantos outros maiores), deve se harmonizar com todos eles pela lei fundamental universal: a Lei do Amor.
Quando alguma célula física ou psíquica do indivíduo (que também é um universo, assim como cada átomo que o constitui) se desarmoniza por qualquer motivo, essa freqüência se reflete de forma mais restrita ou mais ampla no sujeito, no ambiente ou na sociedade em que vive, dependendo da intensidade da desarmonia. Muitas vezes, as pequenas desarmonias não são detectadas pelo indivíduo e se acumulam, gerando males maiores, agora sim, detectáveis. O trabalho da psicologia espírita pode assim, ser também, de âmbito preventivo, ao permitir ampliar cada dia mais a percepção dos seus atendidos, para que sejam capazes de detectar sinais cada vez mais iniciais de suas desarmonias e de suas causas.
Albert Camus é um autor espiritual pouco citado citado no movimento espírita, apesar de sua grandiosa contribuição durante o seu período como encarnado, mas o seu saber profundo pode contribuir a todos, especialmente agora que seu saber se encontra apliado pelo Conhecimento Espiritual. Esse autor conclui, assim, a partir de todas as idéias expostas, que os fenômenos apresentados pela matéria densa são, na maioria das vezes, tentativas de expurgar desequilíbrios de esferas mais sutis, na conseqüente tentativa de buscar harmonia novamente para o Ser Humano Integral. Essa é uma das linhas mestres de pensamento de qualquer escola de psicologia do Espírito, a ser considerada. O convite para conhecer a obra de Albert Camus acaba de ser feito.
Adalberto Ricardo Pessoa
Psicólogo clínico e Analista Junguiano formado pela
USP
Membro da Associação Brasileira de Psicólogos Espíritas
(ABRAPE)