Prolegômenos
Observamos que a Psicologia Científica Contemporânea, organizada a partir das 4 Grandes Forças, evoluiu gradativamente do estudo materialista do comportamento medível e observável, para uma posição atual que está vendo emergir sistemas teóricos cada vez mais interessados no estudo das experiências espirituais, em seu caráter mais subjetivo. Nesse estudo propõe-se que todas essas abordagens psicológicas em conjunto formam um verdadeiro Movimento Transpessoal, num conceito mais amplo que envolve não só a Escola Teórica da Psicologia Transpessoal, propriamente dita, mas uma série de outras escolas que consideram a realidade da Alma Humana, tais como a Psicologia Szondiana, a Psicanálise Integral de Norberto Keppe, e outras. Nesse sentido, a própria Psicologia Espírita – que toma literalmente a Alma Humana como seu objeto de estudo expressamente privilegiado - é também uma Psicologia Transpessoal, ou seja, num sentido mais amplo, uma psicologia que procura apreender a legitimidade dos aspectos que transcendem a individualidade do ser encarnado.
Paralelamente, vimos que a Física tem vivido descobertas revolucionárias que colocam a ciência cada vez mais próxima do Misticismo e da Espiritualidade. Na verdade, algo muito interessante pode ser exposto nesse momento: antigamente ciência, religião e espiritualidade eram campos de conhecimento bastante inter-relacionados nas mais diferentes culturas. Assim, a Medicina Chinesa Tradicional e a Acupuntura mantiveram seus desenvolvimentos científicos integrados com o desenvolvimento de filosofias espiritualistas. O mesmo pode ser dito (1) das diferentes tradições Hindus do Yoga Antigo e moderno, (2) da ciência dos gregos antigos cujo desenvolvimento se deu, lado a lado com as questões metafísicas de sua filosofia clássica, (3) do xamanismo nas tribos indígenas de vários povos, (4) entre os egípcios antigos – especialmente quando consideramos a complexidade de conhecimentos como os que envolviam a “mumificação”, etc. Apenas, em nossa sociedade ocidental, com o dualismo cartesiano, houve uma separação mais rígida entre ciência e religião, e mesmo assim, como vimos, ocorreu no contexto de uma “distorção” do paradigma proposto. Essa separação teve a sua providência politicamente estratégica para o momento, uma vez que grande parte do desenvolvimento da cultura ocidental se encontrava nas mãos da Igreja Medieval, que paralisava especialmente o progresso da ciência. Com a separação política que definia o estudo da matéria nas mãos da ciência, e do espirito nas mãos da religião, a ciência pode se desenvolver mais livremente. Por exemplo, a Medicina, enquanto estava subordinada à Igreja Medieval, não podia realizar o estudo clínico e anatômico de cadáveres. Com a separação política citada, a Medicina ficou relativamente livre para realizar esse tipo de pesquisa.
O que a Física vem mostrar hoje, porém, é que a separação entre espírito e matéria que foi providencial na transição da Idade Média para a Idade Moderna, nos tempos contemporâneos de hoje é um obstáculo ao desenvolvimento da ciência quando tomada de forma muito radical. E ao aproximar ciência e espiritualidade, diferente do que alguns possam pensar, a Física não está realmente fazendo algo novo, pois como foi salientado, a interação entre ambas é uma realidade antiga.
Junto com o desenvolvimento das Psicologias da Alma Humana e da Física, vimos que a Filosofia – cumprindo a sua função de oferecer o rigor epistemológico que fundamente tais estudos – também tem vivido um momento de grande revolução.
A Parapsicologia, vem paralelamente se somar a esse quadro, com todo o seu repertório de exemplos de observação e experimentação, que complementam toda a fenomenologia espírita estudada por Allan Kardec, em seu tratado científico – O Livro dos Médiuns – ao mesmo tempo em que coloca em evidência a necessidade da Física, da Biologia e da Psicologia reverem os seus paradigmas de construção do conhecimento e apreensão da realidade.
A Ciência Espírita oferece a sua contribuição enquanto ciência integradora, sendo em outras palavras, um elemento-chave para oferecer um caminho de integração e assimilação de todo esse material, de forma dinâmica e lógica, quando a sua leitura se processa em um contexto filosófico-paradigmático realmente fenomenológico e holístico. Aqui, o neopositivismo, a hermenêutica clínica interpretativa, a fenomenologia e o holismo (ou seja, as quatro principais epistemologias ou formas/metodologias principais de construção de conhecimento científico) podem se integrar numa grande síntese dialética.
É nesse contexto que, podemos nos referenciar à Psicobiofísica, a ciência que integra as mais recentes pesquisas da Psicologia, Biologia e Física para explicar as relações de Integração entre Cérebro, Mente, Corpo e Espírito, em nível microcósmico. O material de pesquisa aqui examinado foi retirado do curso de Pós-Graduação Lato-Sensu “Bases Biofísicas e Epistemológicas da Integração Cérebro-Mente-Corpo-Espírito” do Professor Sérgio Felipe de Oliveira, incluindo as suas observações sobre Neuropsicologia, Psiquiatria e Medicina Espírita. Vejamos então, como as descobertas das neurociências (ou das ciências do cérebro) interagem com as ciências do Espírito, no corpo teórico da Psicobiofísica, para explicarem as complexas relações entre corpo e Alma.
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