O Mito da Caverna
Nilo Odália
Universidade Estadual Paulista, Unesp, câmpus de Araraquara

Ganhamos um novo companheiro lá no sítio, é o Lucas, primeiro priminho da Júlia. Com ele a vida mudou bastante, pois, se antes era a Júlia que impunha suas fantasias e desejos, agora, é o Lucas que impõe suas impossibilidades. Como sua presença, desde que esteja acordado, monopoliza todas as atenções, procura-se fazer coisas de que ele possa participar, senão ativamente, pelo menos por seu silêncio.

Uma das brincadeiras que mais o entretém é a de se fazer silhueta na parede. Todos vocês devem conhecê-la, é muito simples e bastante engenhosa. Apagam-se todas as luzes da sala e com um farolete ou mesmo um pequeno abajur projeta-se um facho de luz sobre a parede, então com as mãos a sua frente procura-se formar figuras. A brincadeira está não somente em se conferir a habilidade e criatividade de cada um, mas também em se perguntar o que representa cada figura. As vaias, os aplausos e os risos se sucedem a cada erro e a cada figura mal feita.

Outro dia, enquanto brincávamos entusiasmados com as belas figuras que se estava conseguindo, o burrinho Pedrês comentou:

- Parece que estamos vendo a caverna do Platão.

O galinho garnizé que se divertia muito, não deixou por menos:

- Lá vem mais patacoada idealista -, dando um sorrisinho matreiro em direção ao burrinho.

Como ninguém sabia o que era a caverna de Platão, todos se voltaram para o burrinho Pedrês, e a Júlia foi a primeira a falar:

- Querido, meu muito querido, sábio, o senhor poderia me explicar o que é a caverna desse Platão tão seu amigo.- Como na sua voz havia um quê de censura e de gozação, o burrinho não respondeu logo. Abaixou seus olhos, quase chorando, porque entendeu que seu comentário havia interrompido a brincadeira e o Lucas ameaçou chorar.

Quem procurou salvar a situação foi o porquinho da índia, o Juquinha, que tomou a defesa do burrinho, dizendo:

-Vocês são, com o perdão da palavra, ignorantes, o mito da caverna(encheu o peito, olhou para todos os lados - sentia-se muito importante) é um dos mais famosos textos desse pensador grego. É como que uma síntese de sua filosofia.- Tomou ar e antes que pudéssemos dizer qualquer coisa concluiu - Mestre burrinho Pedrês não perca sua sabedoria com quem não é capaz de apreciá-la. Lembre-se das palavras da Bíblia: "Não atire pérolas... etc,etc.".

A ofensa fora maior do que sua causa, todos se revoltaram com a interferência do Juquinha e o que mais se agitava era o galinho garnizé, o Factualdo, que não podia conter sua indignação.

- Ignorante, ignorante - não encontrava palavras para exprimir sua raiva. - Ignorante é a porcaria do seu existencialismo. Pronto, havia desabafado e antes que o Juquinha pudesse responder, o burrinho Pedrês disse:

- Deixem de discussão que agora eu vou tentar responder à pergunta da nossa Julinha. - Todos concordaram e assentiram com a cabeça. A voz calma e pausada do burrinho era como um bálsamo e, depois, a discussão servira para aumentar a curiosidade de todos sobre esse famoso mito. Até o Lucas silenciara, não se ouvia mais os seus ahahahahahas intermináveis.

- Platão, como disse o nosso Juquinha, foi um famoso filósofo grego, criador da teoria das idéias. Foi ele o primeiro filósofo a tentar fundir numa única teoria o mundo dos sentidos, o mundo do sensível, com o mundo das idéias. - Quando ele disse isso, subiu um murmurinho na sala, até o Lucas resmungou. A criançada aproveitou a oportunidade para arreliar e gritar:

-Nós não entendemos nada. - O Factualdo se divertia e engrossava o coro:

- Idealismo, idealismo. Idealismo barato. -ele se divertia com a má acolhida que tiveram as primeiras palavras do burrinho. Mas o burrinho Pedrês, embora um pouquinho decepcionado, não perdia sua pose de professor paciente e carinhoso.

- Calma, calma, disse ele, eu explico. O que um filósofo faz?- olhou em torno de si e antes que o Juquinha e o Factualdo, ou um de nós respondesse, continuou:- Ele procura compreender e explicar o mundo. Isto é, ele busca dar uma resposta às grandes questões do homem: a vida(Por que vivemos?), a morte(se vivemos, por que a morte? o que ela significa?); o que é o homem? por que ele é diferente dos outros animais? por que ele pensa e raciocina? A justiça, os valores morais e éticos, estes os seus problemas. A sua missão é indagar e procurar por uma resposta para as grandes questões que o homem se propõe.

- Resposta que nós devemos aceitar, disse a Júlia, certa de ter dito algo profundo e correto.

- Não necessariamente, disse o Factualdo. Eu não aceito nada do que diz esse tal de Platão. Meu mestre, vocês todos já sabem, é August Comte - e antes que ele continuasse, ouviu-se a voz do Juquinha:

- E o meu, Sartre.- Acho que pretendiam fazer uma disputa de quem era capaz de citar mais nomes de filósofos e antes que a coisa prosseguisse por esse caminho, fui obrigado a intervir.

- Tudo bem, todos nós sabemos de suas preferências, mas o que queremos saber agora é o que o burrinho Pedrês tem a nos contar.

- Muito bem, muito bem, disseram os que estavam interessados no que o burrinho contava e ele prosseguiu:

- O mundo sensível é aquele que nós podemos apreender através dos nossos sentidos. Todos sabem que temos cinco sentidos: a visão, que nos é dada pelos nossos olhos; o olfato, que nos permite sentir os odores, bons e maus, do mundo; o ouvido, por onde somos capazes de captar os sons; o tacto, pelo qual podemos nos deliciar com tudo que é macio e sofrer com o áspero; e o paladar, com o qual nos deliciamos ao comer uma torta de maçã e fazemos cara feia quando temos que tomar remédio amargo.

- Isso me lembra a piada do caipira, disse a Lurdinha, uma amiguinha da Júlia, e emendou depressa: Zóio, Zoreia e Zunha.

- Me lembra mais uma boa macarronada.

- Só podia ser você, Gorducho, para dizer uma coisa dessa, falou a Júlia meio brava. "Ele só pensa em comida, esse gorducho" me disse em voz baixa o Tancredo, um bom e pacato tatu, cuja inteligência não era das mais louváveis, mas a bondade imbatível.

O burrinho mais uma vez juntou toda a paciência de que era capaz e continuou:

- Contudo, os sentidos não esgotam as possibilidades de conhecimento.

- Lá vem o besteirol idealista, emendou rapidamente o Factualdo. Fui obrigado a intervir novamente, pois senão temia que iria assistir a mais um sangrento combate filosófico, cujo resultado seria todos se salvarem.

- Seus comentários, senhor Factualdo, neste instante são desnecessários. Numa democracia, espero que o senhor não esteja aqui para defender uma ditadura positivista, da ordem e do progresso, numa democracia, repito, ouve-se, primeiro, e depois contesta-se. Continue senhor burrinho Pedrês.- Esta intervenção judiciosa e ponderada foi minha. Obrigado.

- A aritmética, por exemplo, a música, são coisas abstratas. As palavras mesmo que usamos são abstratas, são conceitos, são categorias, que não se confundem com as coisas que elas nomeiam. Quando eu digo árvore vocês sabem do que estou falando, no entretanto, não creio que a árvore particular que cada um tem na cabeça coincide com as dos demais. Eu posso pensar num eucalipto, vocês, num abacateiro, numa laranjeira, e assim por diante. Quando pensamos são essas categorias, esses conceitos, que temos em nossa cabeça. Esse é um mundo diferente do mundo sensível que captamos pelos sentidos. Os filósofos chamam a esse mundo o mundo inteligível.

O Factualdo não se agüentou.

- Nihil in intellectus quod non primus in sensus, ele berrou, acrescentando: Nada existe na mente que não tenha passado primeiro pelos sentidos.

- Shshshshshshsh, silêncio, silêncio, seu galinho rabugento, gritou a Júlia.

- Queremos ouvir o burrinho e não você seu presunçoso, disse alto a Cristina.

O mais calmo era o burrinho, não se dignou olhar para o galinho e satisfeito com a reação da platéia, retomou seu discurso.

- São esses dois mundos, o sensível e o inteligível, que Platão buscou integrar, harmonizar, em sua teoria das idéias. Antes dele, os filósofos se distinguiam porque uns achavam que só se podia conhecer através dos sentidos, outros que o conhecimento só era possível pela inteligência, pela razão.

- Mas o que tem que ver essa teoria com a caverna. Não estou entendendo, disse a Júlia. Tudo bem, ela continuou, eu posso conhecer pelos meus sentidos. Eu passo a mão no fofinho do meu primo e sinto prazer e sei que ele está pertinho de mim. Quando estou longe dele, posso me lembrar dele. Na escola, eu faço com minhas mãos uma estátua com barro, mas tenho na minha cabeça o modelo que quero fazer. Tudo bem e daí, como é que ele faz essa ligação e o que tem isso tudo com a caverna.

- Acho que a Júlia entendeu o que eu estava tentando dizer, mas mais do que isso ela está propondo o problema que propuseram ao Platão. Vamos ver. Se no mundo sensível tudo muda, uma árvore, hoje, tem frutos, amanhã, não mais; hoje, estou velho, mas ontem, eu era jovem...

- Põe bastante ontem nisso, ironizou o Juquinha.

- Essas mudanças que ocorrem no mundo sensível parecem impossibilitar o conhecimento. Como conhecer o que está sempre mudando? Mas, por outro lado, nós queremos precisamente conhecer esse mundo. Para Platão, esse mundo imutável, era exatamente o mundo das idéias, dos conceitos, das categorias, ao qual deveríamos ter acesso. Para ele, a primeira maneira de conhecer era o representado pela sombra, pelo reflexo, como na brincadeira das silhuetas. A sombra de uma árvore, de um homem, não é nem a árvore, nem o homem. Quando deixamos de ver a sombra para ver diretamente a árvore, ou o homem, o nosso conhecimento já é diferente, é mais próximo da realidade.

- É a realidade, ajuntou o galinho. Como ninguém respondeu à sua provocação, calou-se.

- Mas dizia Platão existe um outro plano do conhecimento ao qual podemos ter acesso, é o do mundo inteligível. Neste o primeiro nível é o das categorias, dos conceitos. Lembrem-se o conceito de árvore, de homem, de animal, de justiça, de bem, etc. Neste mundo nada se transforma e nada se modifica, portanto, é possível o conhecimento. Isso é o que se chama de pensar conceitualmente. Platão acima desse primeiro nível colocava ainda a idéia de um Supremo Bem, a idéia das idéias, o que permitia dar realidade à própria realidade.

- Mas como era isso possível? Como uma idéia podia dar realidade à própria realidade? Me explica isso, por que senão eu vou pensar que esse tal de Platão era um bom maluco, isso sim. - O comentário era da Júlia, secundada por todas as suas amigas.

- Vocês perceberam que nós fomos passando de um nível de conhecimento para o outro, das sombras fomos para o objeto; depois passamos para o inteligível, isto é passamos do objeto para a idéia do objeto, para o seu conceito, e depois chegamos à idéia suprema. Pois bem, segundo Platão, não teria sentido ficarmos apenas na contemplação do mundo das idéias, porque o que desejamos é conhecer o mundo em que vivemos. Existe, em conseqüência, um retorno ao mundo do sensível, da mesma maneira que houve um movimento de subida ao mundo do inteligível, há o movimento de descida ao mundo sensível. Segundo ele, os dois mundos se integram porque as coisas concretas participam do mundo inteligível e por isso elas podem ser conhecidas, mesmo quando a mudança é uma de suas condições. Muitos séculos depois, um filósofo alemão chamado Hegel retomou e sintetizou muito do que tinha dito Platão cunhando a frase: Todo real é racional.

Silêncio. Nem mesmo o Factualdo fez qualquer comentário depreciativo. Ele era sensível às palavras do burrinho, não porque estivesse de acordo com elas, mas porque admirava no sábio sua honestidade, sua paixão, seu desinteresse, a agudeza de seu espírito. Eram atributos do seu espírito científico.

O tatu Tancredo observava aquela cena, olhava cada um dos rostos que ali estavam e matutava: "Não entendi nada. O que tem tudo isso a haver com a caverna". De buraco, poucos entendiam como ele, por isso estava muito interessado em saber, afinal, onde era essa caverna, como tinha sido construída. Ele estava sempre interessado em novas técnicas. "Talvez, pensava ele, eu aprenda uma nova técnica, mais rápida, mais segura". No fundo, ele estava pensando no campeonato de buracos, uma competição, realizada anualmente e da qual participavam todos os tatus da região de Campinas. Sua grande mágoa, nunca fora o vencedor. "Hum, quem sabe se não está nesse Platão a minha chance de vencer". Com esse pensamento em mente, ele arriscou sair de seu silêncio e muito tímido e gaguejante disse:

- Compadre burrinho Pedrês, cada vez mais admiro sua inteligência e sua eloquência. Tudo ouvi, mas(meneou, várias vezes, a cabeça da direita para esquerda) não tenho certeza se compreendi o que o amigo e compadre quis dizer. Mas, me dá licença de perguntar, como é que esse seu amigo Platão sabia de tudo isso e - era isto que ele queria mesmo perguntar - onde fica essa caverna dele e como ele a fez.

O burrinho Pedrês sorriu de mansinho da ingenuidade do Tancredo; o Factualdo quis responder bravo, porém ele não deixou; mas o que não conseguiu foi impedir, depois das palavras do Tancredo, que quase todos caíssem na risada. Este ficou encabulado e quase se enfiou para dentro da terra. Não o fez, porque não podia, estava deitado na varanda. Mais uma vez o burrinho Pedrês veio em seu auxílio.

- O meu amigo tatu tem razão e o que ele pergunta foi o que perguntaram a Platão. Quando este filósofo grego elaborou essa teoria poucas pessoas nela acreditaram e lhe perguntavam como era esse reino das idéias e como nela se chegava. Perguntavam isso com deboche e gozação. Para lhes responder, Platão criou o chamado mito da caverna, era uma resposta à incredulidade de todos.

- Então, conte logo esse mito. Nós estamos há mais de meia hora ouvindo você falar e até agora nada - disse meio zangada uma das amigas da Júlia.

- Não seja malcriada, Cristina, disse o Factualdo. Ele gostava de brigar com o burrinho, mas não admitia que outros pudessem de alguma maneira ofendê-lo. Era seu amigo.

- Pois bem, agora eu posso contá-lo, vocês poderão entendê-lo. Como sua teoria provocava muitas dúvidas e, mesmo, muito deboche, Platão contava a seguinte história:

"Imaginem uma grande e profunda caverna"(tão grande e profunda quanto dez Tancredos pudessem fazer, acrescentou sorrindo o burrinho), "com apenas uma abertura. Imaginem também que lá nessas profundezas houvesse um povo, que nascia, vivia e morria ali, sem nunca ter a oportunidade de conhecer o mundo exterior. Eles o conheciam, mas apenas por suas sombras, por suas silhuetas, projetadas na parede da caverna".

- Não entendi, disse a Júlia, me explique melhor esse negócio de imagens projetadas.

- Eram como as silhuetas que vocês estavam fazendo ainda há pouco. A caverna tinha uma abertura, não tinha? Por ela se infiltrava a luz, então cada objeto, pessoa ou animal que se interpunha entre a luz e a caverna, produzia uma sombra que era lançada lá no fundo.

-Ah, agora entendi.

- Como esse povo estava preso ao fundo da caverna, para ele a realidade do mundo exterior é o que dele viam projetado em sua parede. Esse mundo não era um mundo de corpos concretos, sólidos; era um mundo sem cor, ou melhor, era um mundo em preto. Os animais, as coisas, os seres vivos, tinham uma forma distorcida, mas isso era a realidade para eles, porque eles não conheciam nenhuma outra. Agora, vejam bem, suponham que um dos membros desse povo consegue vencer as dificuldades, se desvencilha dos grilhões que o prendem a esse subterrâneo e consiga sair da caverna. O que acontece?

- Ele vai ver que o mundo exterior não é feito de sombras.

- Ele vai ver que existem flores coloridas.

- Que elas cheiram.

- Que existe o sol.

- Exatamente, disse o burrinho. Ele percebe que o mundo que via projetado na parede da caverna não era um mundo verdadeiro, era um mundo de sombras, um mundo do fazer-de-conta. Ele ficou muito alegre e se deliciou em sentir na pele o calor do sol, de sentir o perfume das flores, de se refrescar nas águas frias do rio, de ver os pássaros voando, das mil e uma pequenas e grandes coisas que formam este nosso mundo. Depois de muito se refestelar com esse mundo, lembrou-se do seu, dos seus amigos, daqueles que haviam ficado naquele mundo sombrio e distante. Ficou triste ao lembrar da ignorância deles e da sua própria antes de subir ao mundo exterior. Tomou a decisão de retornar e assim fez. Voltou para o mundo de sombras e contou todas as maravilhas que havia visto. Chorava de alegria ao contar as coisas que havia visto. Quando terminou, exausto e contente, certo de que todos iriam agradecer-lhe, recebeu em troca um grande silêncio. Uns e outros olhavam-no e olhavam entre si, trocavam pequenas risadas de comiseração e diziam: "Coitado, voltou louco. Está falando de um mundo que não existe. O único mundo que existe é esse que está perto de nós. Este é real. Podemos vê-lo, podemos pegá-lo, podemos cheirá-lo. Ele exala o perfume de nossas pedras e de nossa terra. Esse é o mundo real". O nosso amigo ficou triste, mas não desanimou porque sabia o que tinha visto. E continuou a contar a sua história, apesar da descrença de todos. Tinha certeza de que, um dia, iriam acreditar em suas palavras. E assim termina o mito da caverna.- O burrinho estava bastante cansado, porém muito feliz. Era a sua vida dizer essas coisas.

- Puxa, que história bonita, disse a Cristina.

- Acho que o Platão queria dizer que as mãos e a cabeça devem se auxiliar para que possamos conhecer o mundo, falou a Júlia, muito séria e compenetrada.

- Ele nada disse sobre como construíram essa caverna tão grande, pensou o Tancredo, mas não se atreveu a dizer qualquer coisa.

Factualdo e Juquinha ficaram quietos e pensativos, eles conheciam o mito, gostariam de dizer alguma coisa, especialmente o Factualdo que não estava de acordo, porém preferiram ficar quietos. Sentiam a mesma emoção que todos estavam sentindo.

Alguém disse:

- Acho que o Platão era esse sujeito que fugiu da caverna.

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