Holanda legaliza eutanásia, sob protestos
A nova legislação permite aos médicos holandeses recorrerem à eutanásia sob condições muito restritas. Primeiro deverão assegurar-se de que o doente passa por "sofrimentos insuportáveis" devido a uma doença medicamente diagnosticada, que não tem nenhuma esperança de sobrevivência e que deseja efetivamente pôr fim à vida.
Mesmo assim, deverão ser submetidos ao controle de comissões regionais especializadas, encarregadas de velar pelo respeito a tais condições.
O texto da lei já tinha sido aprovado por ampla maioria de deputados, em novembro passado.
A nova legislação sobre o assunto pode entrar em vigor dentro de três ou quatro meses, esclareceu um porta-voz do Ministério da Justiça.
Para que a eutanásia seja levada a cabo, os médicos devem estar certos de que o paciente padece de "sofrimentos insuportáveis", que não tem nenhuma esperança de sobrevivência e que, também, esteja lúcido. O paciente precisa manifestar claramente o desejo de pôr fim à sua vida.
Em seguida os médicos devem submeter o caso ao controle de comissões regionais encarregadas de fiscalizar se condições foram seguidas. Essas comissões serão integradas por um médico, um jurista e um especialista em ética.
Os menores de idade, entre 12 e 16 anos, também terão a possibilidade de recorrer a eutanásia, com o consentimento de seus país.
Antes de a lei ser votada, cerca de 8.000 pessoas manifestaram silenciosamente em Haia contra o projeto de legalização da eutanásia.
Os manifestantes desfilaram pelas ruas do centro, próximas ao prédio do Senado.
A manifestação foi convocada pela organização "Cuidado da Vida", que agrupa 30 associações religiosas.