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MARTIN
LUTHER KING, líder do movimento civil
pelo direito dos negro nos E.U.A.
Martin Luther King Jr. era o segundo de três filhos do reverendo Martin
e de Alberta Williams King
Em 1948, aos 19 anos, formou-se bacharel em Sociologia na Morehouse
College. Continuando seus estudos formou-se em Teologia, em 1951, no
Crozer Theological Seminary. Martin Luther King assumiu em 1954, na
cidade de Montgomery, a posição de pastor na Igreja Batista. No ano
seguinte, doutorou-se em Filosofia na Boston University e liderou um
boicote, de duração de 381 dias, contra a segregação racial no ônibus,
conseguindo a revogação da proibição através da Corte Suprema.
Com base nos princípios cristãos e em Gandhi, Martin Luther King
defendia a ação não-violenta como forma de atingir seus objetivos.
Em 1960, conseguiu a liberdade, para os negros, do uso de bibliotecas,
parques e lanchonetes. Em 28 de agosto de 1963 realizou com mais de 200
mil pessoas a famosa "Marcha para Washington", onde proferiu
seu mais famoso discurso, "I have a dream", pedindo uma
sociedade com igualdade racial. Sua luta pelos direitos civis dos negros
teve continuidade com a aprovação da lei que garantia a igualdade
racial de direitos (Lei dos Direitos Civis) em 1964 e no ano seguinte
com a aprovação da Lei dos Direitos de Voto para os negros.
No início de 1964 foi o primeiro negro a ser considerado o "Homem
do Ano" pela revista Time. No mesmo ano foi agraciado com o Prêmio
Nobel da Paz, se transformando no mais jovem a conquistá-lo.
Em 1968, foi assassinado por James Earl Ray.
A história está repleta de casos de violações dos direitos humanos.
Contra tais injustiças, lutaram homens e mulheres que, em comum,
tiveram a disposição de combater destemidamente a desigualdade. Martin
Luther King Jr. era uma dessas pessoas. A exemplo do pai da independência
da Índia, Mahatma Gandhi, Luther King tornou-se defensor da filosofia
da não-violência e liderou, a partir de 1955, uma campanha pacífica
pela justiça para o povo negro americano.
A idéia era derrubar os preconceitos que a abolição da escravatura
conseguida por Abraham Lincoln em 1863, durante a Guerra Civil
Americana, não havia sido capaz de destruir. A liberdade obtida pela
nova Constituição não livrou os negros da discriminação,
especialmente nos estados do sul dos EUA, onde a divisão racial era
amparada pela lei. Naquela época, nenhum negro podia freqüentar um
restaurante reservado a brancos ou sentar em lugares reservados a eles.
Após a Guerra Civil americana, a situação piorou. Todas as terras
eram de propriedade dos brancos e, na prática, embora livre, a população
negra manteve-se pobre e perseguida. Seis décadas depois, nascia Martin
Luther King (15 de janeiro de 1929, em Atlanta, no estado da Geórgia,
cidade do extremo sul dos EUA). O pai era pastor da Igreja Batista
Ebenezer. Por isso, Luther King passou a infância memorizando versículos
da Bíblia e cantando gospels para a congregação. E, como toda criança
negra, cresceu marcado pelo preconceito racial. Ainda assim, freqüentou
umas das melhores faculdades da comunidade negra do país, a Morehouse
College, onde eram incentivadas as discussões sobre problemas sociais.
Lá, por influência do presidente da faculdade, que acreditava que a
Igreja teria um papel decisivo a desempenhar na sociedade americana,
Martin deixou de lado a idéia de ser médico ou advogado. Assim, aos 17
anos, foi ordenado e tornou-se pastor assistente da igreja de seu pai.
Mas não parou de estudar. Dois anos depois, graduou-se em Sociologia na
Morehouse College e ingressou no Seminário de Crozer, na Pensilvânia,
no norte dos EUA, onde leu trabalhos de famosos teólogos e filósofos,
entre eles Henry Thoreau, um abolicionista. Formou-se em Teologia como o
melhor aluno de sua classe e, depois, iniciou o doutorado na
Universidade de Boston.
O início da luta
Foi nessa época que conheceu Coretta Scott, uma estudante de Música,
com quem se casou em 18 de junho de 1953. No ano seguinte, aceitou o
convite para pastorear a Igreja Batista da avenida Dexter, em
Montgomery, no Alabama, estado situado no Sul, foco dos maiores
conflitos raciais do país. Em 1955, já doutor em Teologia (quando
passou a ser conhecido como o "reverendo" King), Martin via a
comunidade negra totalmente submissa, com medo de lutar contra as
injustiças raciais. Os ônibus da cidade eram guiados somente por
motoristas brancos, e só os últimos bancos eram permitidos aos negros.
No dia 1º- de dezembro de 1955, uma garota negra chamada Rosa Parks
embarcou num ônibus e se recusou a dar lugar para um passageiro branco.
A prisão de Rosa levou Luther King e seus seguidores a iniciar, no dia
5 de dezembro, um boicote contra os serviços rodoviários de
Montgomery. Com a manutenção do boicote por quase um ano, as
autoridades racistas usaram uma velha lei antiboicote para acabar com o
movimento e prender 89 pessoas, incluindo Martin Luther King. Inspirados
pelo sucesso do boicote em Montgomery, outros movimentos começaram a se
espalhar, protestando contra a discriminação racial no Sul, e
tornaram-se o ponto de partida da cruzada de Luther King, que usava o
amor, a oração e o discurso como uma ação direta contra a violência
física. No lançamento de seu livro A Caminho da Liberdade, sofreu um
atentado durante uma sessão de autógrafos. Uma mulher negra, de
meia-idade, com passagens em vários hospitais psiquiátricos, cravou um
abridor de cartas em seu peito. Levado às pressas para o hospital, King
sofreu uma cirurgia extremamente delicada e sobreviveu. Participou de várias
marchas de protesto e, como resultado, aos poucos foi somando
conquistas.
Ajudou a acabar com a segregação racial nas escolas, restaurantes,
bares e outros locais, e sua ação foi fundamental na decisão do
governo dos EUA de tornar prioritária a questão dos direitos civis. Em
28 de agosto de 1963, King reuniu 250 mil pessoas na Marcha sobre
Washington. Deixando de lado suas anotações, fez, das escadarias do
Lincoln Memorial, aquele que foi tido como o maior discurso do movimento
pelos direitos civis: "I had a dream" ("Eu tive um
sonho"). Orador apaixonado e persuasivo, considerado por muitos
como o melhor dos Estados Unidos, Luther King tornou-se capa da revista
Time de 3 de janeiro de 1964, recebendo o título de Homem do Ano de
1963. Os atentados a bomba, as execuções de negros e outros atos de
violência continuaram, mas a história tomou um rumo sem volta. No dia
2 de julho de 1964, o presidente americano Lyndon Johnson assinou o Ato
dos Direitos Civis e foi à televisão. "Aqueles que antes eram
iguais perante Deus serão agora iguais nas seções eleitorais, nas
salas de aula, nas fábricas e nos hotéis, nos restaurantes, cinemas e
outros lugares que prestem serviços ao público", disse Johnson.
Em outubro de 1964, King recebeu o Prêmio Nobel da Paz e iniciou uma
nova luta: uma campanha de registro nas juntas eleitorais. Para garantir
o direito, o governo federal interveio e presidente Lyndon Johnson
assinou, em 1965, a Carta dos Direitos do Voto. Em abril de 1968, em
meio a diversas manifestações violentas do movimento Black Power
(Poder Negro) em cidades como Chicago, Boston, Los Angeles e Filadélfia,
Martin Luther King foi a Memphis para dar apoio a trabalhadores negros
que lutavam pela igualdade salarial.
No dia 3 de abril, na véspera do protesto, ele proferiu seu último
discurso, profético - "I see the promise land" ("Eu vejo
a terra prometida") - na sede da Igreja de Deus em Cristo, a maior
denominação pentecostal americana africana dos EUA. No dia 4, à
noite, King estava no terraço do hotel, quando foi atingido no pescoço
por um tiro disparado do telhado de um prédio vizinho. Gravemente
ferido e levado às pressas para o hospital, Martin Luther King, aos 39
anos, morreu uma hora depois. Seu funeral, realizado no dia 8 de abril,
foi acompanhado por sua mulher e seus quatro filhos, e assistido pela TV
por 120 milhões de americanos. Sobre a sepultura, gravadas na lápide
de mármore, as palavras de uma velha canção de escravos: "Free
at last, free at last/Thank God Almighty/I´m free at last"
("Finalmente livre, finalmente livre/Obrigado Deus
Todo-Poderoso/Finalmente sou livre).
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