A ORIGEM DA CULTURA ALTERNATIVA
A cultura alternativa é comumente associada ao rock. Ele é o principal gênero curtido pelo público que não se sujeita às ideologias dominantes. Mas na cultura alternativa temos outros gêneros musicais, como jazz, música brasileira, música eletrônica etc.. Mas às vezes os estilos ou gêneros considerados alternativos, uma vez que se tornam modismos, deixam de ser curtidos pelos alternativos, cuja essência é fugir do lugar comum.
GERAÇÃO BEAT
A origem da cultura alternativa remete ao movimento beatnik do início dos anos 70, nos EUA. Diversos escritores daquele país não se identificavam com a ideologia consumista, familiarista e alienada do chamado american way of life e todos os seus estigmas, e decidiram, em suas obras, criar um novo estilo de vida que, ainda que inclua drogas e álcool, incluíam também as reflexões existenciais, a valorização das filosofias orientais, as viagens de carro sem destino desejado, apenas pelo simples amor à liberdade. Esses escritores curtiam também jazz e música negra em geral. Seus expoentes principais foram Jack Kerouac, William Burroughs, Allen Ginsberg, Norman Mailer e Charles Bukovski. A obra mais significativa da geração beat é o livro On The Road (1957), escrito por Jack Kerouac, lançado no Brasil com o título de "Pé na estrada".
A literatura beatnik transformou drasticamente o comportamento da juventude norte-americana e do resto do mundo. Os rebeldes sem causa que praticavam brigas entre gangues rivais deram lugar aos jovens pacíficos em crises existenciais, contestando a tirania dos pais, dos governos, enfim, do mundo considerado "sério" e "organizado". Musicalmente, a utopia romântica da música popular ou a ingenuidade do rock and roll dos anos 50 deram lugar a novas sonoridades que iriam adquirir caraterísticas mais precisas na segunda metade dos anos 60, com o psicodelismo.
PSICODELISMO
O psicodelismo ou psicodelia, tão confundido hoje em dia, com simplesmente delírio e porra-louquice, era uma forma dos jovens buscarem a ampliação da mente. Claro que o uso de drogas (como o ácido lisérgico, o LSD) e seus efeitos colaterais gravíssimos deram em efeitos contrários, recentemente alguns músicos de rock que eram jovens nos anos 60 hoje admitem ter lapsos de memória. Mas naquela época era até uma utopia buscar novas expressões da mente, ainda que fossem simplesmente alucinações imaginativas, imagens irreais ou surreais, sons inexistentes que são ouvidos, impressões daquilo que não existe mas é percebido.
Paralelamente ao psicodelismo, havia a Contracultura, que era um movimento de jovens do mundo inteiro pela transformação de valores sociais, pela liberdade política e pelo rompimento com o moralismo vigente até então. As estratificações sociais se manifestavam, desde negros até operários, de mulheres até homossexuais, enfim, de pessoas das mais diversas que eram excluídas dos padrões sociais vigentes. Um exemplo de ação política era o movimento Panteras Negras, que lutava contra o racismo nos EUA. Outro exemplo era o movimento organizado por estudantes universitários em Paris, França, que montavam barricadas e ocupavam universidades para exigir reformas educacionais e políticas, em 1968.
Descendentes diretos dos beatiniks, os hippies começaram a se afirmar pela metade da década de 60, inicialmente concentrando-se em São Francisco, L.A.
Em geral, eram jovens brancos, de classe média, com idade entre 17 e 25 anos, instruídos e bem cuidados, mas que também repudiavam a sociedade industrial e o sistema capitalista, detestavam a ordem, o poder e as autoridades. Jamais canalizaram a sua energia para as formas de luta política até então conhecidas.
Muitos hippies, a bem da verdade, simplesmente buscavam a satisfação de seu hedonismo, no abuso drogas e do sexo livre, estes, eram insaciáveis, bebiam, fumavam, buscavam qualquer tipo de prazer a qualquer custo. Eles eram adeptos da não-violência, do gozo, do misticismo, do altruísmo, da vida em comunidade e voltada ao contato com a natureza, daí a criação de várias comunidades rurais alternativas em vários lugares do mundo. Tornaram-se um grupo indefinido já que vários outros grupos haviam se agregado, e disso surgiram novos grupos, tais como: grupos ecológicos, feministas, negros, pacifistas, etc.
Não havia organização ou liderança central, o movimento expandiu-se espontaneamente, como resposta à vida cada vez mais mecanizada da sociedade tecnocrata. A maior parte da filosofia, estética, música é derivada do uso de alucinógenos, principalmente o LSD. Essas drogas, chamadas de psicodélicas, propiciam um estado mental de deslumbramento, visões incríveis, percepção e instintos aguçados e sublimados.
Especialmente no que se refere aos EUA, toda a movimentação em torno das várias manifestações da cultura jovem, indo do flower power - poder da flor - aos estudantes intelectuais da Nova Esquerda que se formava, passando pelo movimentos como o gay power ou woman's lib, é acompanhada de perto pelo surgimento e pela consolidação do black power, o poder negro, cuja luta teve como ponto de partida e ponte de articulação com a revolta de outros grupos a difícil batalha pelos direitos civis que marcou, desde o início, a década de 60 nos EUA.
Com a participação do líder e ativista: Martin Luther King desde pequeno se preocupava com questão dos direitos civis e percebeu o poder que a igreja tinha para modificar as pessoas. Ordenado a pastor da igreja de seu pai (Batista) inicia o boicote às linhas de ônibus que discriminavam negros. No sul do Estados Unidos os negros tinham lugares reservados na parte traseira do ônibus e eram obrigados a levantar e ceder lugar aos brancos caso o ônibus estivesse lotado, em estações de trem haviam salas de espera e toaletes separados para brancos e negros, em alguns restaurantes simplesmente não eram servidos. Uma série de atentados e ameaças contra a comunidade negra e à vida de King começaram a ocorrer.
Unidos pela força de King estudantes negros, iniciam a prática do Sit Inn , uma forma de protesto pacífico em que se sentava num lugar proibido para os negros até que a polícia viesse os retirar dali ou os prendesse.
Anos depois, 62 e 63, são marcados por protestos e manifestações ainda mais violentas reunindo milhares de pessoas , como é o caso da manifestação organizada por King em 28 de agosto de 1963 reunindo mais de cem mil pessoas fazendo seu famoso discurso "Eu tenho um sonho" ( I have a dream ). A partir disso, é aprovada a Lei dos Direitos Civis integrando a segregação de brancos e negros em diversos locais públicos.
Mas King foi morto em 68 a tiros por um branco, James Earl Ray na sacada de um hotel em Memphis. Com sua morte, aumenta ainda mais a revolta dos negros que travaram uma luta em prol da comunidade negra tomando novas direções porém mantendo- se eficaz.
Crescia a resistência ao serviço militar e à Guerra do Vietnã. No mundo inteiro eram feitas manifestações nas universidades e nas ruas. Protestos durante a convenção do Partido Democrata em Chicago, se transformaram numa batalha entre jovens e policiais.
Surge os Panteras Negras, uma organização de traços que beiravam o terrorismo, mas também vivia- se experiências culturais como o soul music (música da alma), que explodiu com a gravadora Motown que ficava em Detroit, só de artistas negros. O verdadeiro palco de distúrbios raciais com a destruição de diversos quarteirões. Era o nascimento do Black Power, que nos anos 70 viveria seu auge, inclusive com o lançamento de livros, filmes e minisséries de grande impacto para a tv, mudando o enfoque dos filmes policiais em que os negros apareciam geralmente apenas como foragidos.