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DIABESTES
O
diabetes melito (presença de altas taxas de glicose no sangue) é uma dos
mais importantes fatores de risco para doença coronariana e pode-se até
quase afirmar que todos os diabéticos serão coronariopatas. (Esta afirmação
é tão real que faz sentido recomendar-lhes que tenham sempre, além do
endocrinologista, o acompanhamento de um cardiologista.)
O
coronariopata diabético tem características especiais. Nele, a doença
costuma ser mais difusa, acometendo praticamente todas as artérias ou ainda
(associada ou isoladamente) a microcirculação (artérias de pequeno calibre
que não conseguem nem mesmo ser visualizadas pela cineangiocoronariografia).
No
caso de a doença atingir as coronárias difusamente e/ou a microcirculação, o
diagnóstico torna-se mais difícil, pois exames têm mais dificuldade em
mostrar sinais positivos da presença da doença e, na ausência do sintoma
dor, algumas vezes só detectamos a diminuição de contração do músculo
cardíaco como um todo.
O
diabético é um dos poucos pacientes que podem infartar sem a presença de
angina, ao ponto de um número razoável de infartos ser diagnosticado em
exames de rotina, por meio de relatos de mal-estar, sudorese intensa,
cansaço, dor abdominal etc., que foram confundidos com sintomas de
modificações nos níveis de glicose do sangue mas que aparecem como cicatriz
de infarto no eletrocardiograma. Portanto, não é fato raro um diabético
infartar e não ter consciência disso, vindo a descobrir tal fato em exame de
rotina.
Em
mulheres diabéticas, a presença de angina e/ou infarto é três vezes maior do
que nas não diabéticas. Entre os homens, essa presença é duas vezes maior.
Os diabéticos desenvolvem insuficiência coronariana dez a doze anos mais
cedo que os não diabéticos.
Pessoas
com intolerância à glicose - antigamente diabetes químico ou subclínico -
,ou seja, as que possuem exame em jejum normal, porém curva glicêmica
positiva, correm os mesmos riscos do diabético declarado, principalmente a
mulher, que só com essa alteração já apresenta mudanças significativas nos
lipídeos, com aumento dos triglicerídeos, aumento do LDL colesterol e baixa
de HDL colesterol. Portanto, quem tem intolerância à glicose deve se
considerar portador de fator de risco isolado na mesma proporção de
diabéticos declarados.
Como
em diabéticos observamos muitos outros fatores de risco (dislipidemia,
hipertensão arterial, obesidade) e como o controle do diabetes não melhora o
prognóstico da doença coronariana, é de suma importância que esses outros
fatores presentes sejam controlados da maneira mais rigorosa possível,
perseguindo níveis de excelência para todos.
No
tratamento invasivo com angioplastia ou cirurgia de revascularização, os
resultados com diabéticos são piores. As drogas utilizadas para o controle
da doença coronariana e/ou hipertensão arterial em diabéticos podem induzir
um descontrole, um aumento dos níveis de açúcar no sangue ou mesmo
interferir nos sinais clínicos da queda da glicemia. Não se pode esquecer
que a hipoglicemia é mais deletéria ao coração que a hiperglicemia, pois
aumenta o consumo de oxigênio. Na fase aguda da doença coronariana, é
aconselhável evitar-se uma taxa de glicose muita baixa.
Os
diabéticos desenvolvem aterosclerose mais rapidamente, a qual pode atingir
todas as artérias (cardíacas, cerebrais, renais), os membros inferiores, as
carótidas etc.
É
importante que pacientes com história familiar de diabetes (principalmente
se bilateral), com exame de glicose de jejum normal, realizem o de curva
glicêmica, para que façamos um controle rigoroso de prevenção ao diabetes
declarados.
Existem
dois tipos de diabetes: o insulinodependente, que aparece na infância, e o
que surge já na idade adulta, mais relacionado com a doença coronariana.
Este pode ser controlado ás vezes só com dieta, com diminuição da obesidade
em direção ao peso ideal, ou com administração de hipoglicemiantes orais ou
insulina. É sempre bom lembrar os sintomas clássicos do diabetes: ingestão
excessiva de água, micção constante, vontade de comer alimentos doces e,
apesar disso, às vezes emagrecimento. A obesidade piora o diabetes.
É
necessário ter cautela na administração de drogas para os fatores de risco
da doença coronariana. Os diuréticos, por exemplo, aumentam a taxa de
glicose do sangue. Diabéticos fumantes têm risco redobrado de eventos
coronarianos, sendo que aproximadamente 2/3 das mortes por doenças
cardiovasculares em diabéticos podem ser atribuídos ao tabagismo. Existe,
entretanto, pouca evidência de que um melhor controle da hiperglicemia
reduza o risco individual de doença coronariana. Também em relação à
isquemia silenciosa, esta parece ser mais comum em diabéticos e em pessoas
idosas. Aproximadamente metade das pessoas com diabetes pode ter infarto sem
dor.
Os
diabéticos costumam ter pressão arterial mais alta e o controle desta é mais
difícil que nos não diabéticos. Exercícios físicos podem ter efeito protetor
para o diabético, porém não devem ser muito vigorosos, e melhor hora para
praticá-los seria de uma a três horas após refeições, quando a glicose está
mais alta.
O
paciente diabético necessita de tratamento especial e acompanhamento mais
frequente, que avalie com bastante zelo a sua sintomatologia. Deve
submeter-se a exames periódicos de rotina, mesmo sem sinais ou sintomas de
doença coronariana, além daqueles específicos da glicemia, os
eletrocardiogramas de repouso e de esforço e/ou a cintigrafia miocárdica com
tálio, apesar de todos poderem fornecer resultados negativos se a doença
coronariana for difusa. Alguns diabéticos têm dificuldade em submeter-se ao
teste de esforço, pois freqüentemente apresentam doença de circulação
arterial nas pernas. Como opção, existe a cintigrafia estimulada com uma
droga chamada dipiridamol.
Muitos
casos de diabetes são deflagrados em níveis clínicos durante situações de
estresse (febre, gravidez, infarto) e a regressão se dá por meio de dieta e
de cessação do mecanismo desencadeante. Em outros casos, há necessidade de
tratamento constante, sendo que na fase aguda a melhor terapêutica é com
insulina, sem que isso signifique gravidade do quadro ou necessidade de seu
uso para sempre. |