PARA ONDE IREMOS ?

Foi também em junho, na altura do dia 17, que aconteceu a chacina de número 46, registrada na região da Grande São Paulo. Onze pessoas foram fria e brutalmente assassinadas, dentro de um bar, em Francisco Morato, com 91 tiros disparados por três encapuzados. Já não existe a menor segurança. É uma temeridade, circular pelas ruas. A violência é fruto da miséria, a miséria é fruto do desemprego, do abandono, da corrupção, do roubo generalizado (nos altos escalões), dos péssimos exemplos, da impunidade, da ausência completa do Estado, da falta de educação. São milhões de desocupados pelas ruas, correndo, enlouquecidos, atrás do sustento, da sobrevivência, desperdiçando energia numa luta sem sentido, humilhados e oprimidos.

Apesar de todo esse caos, de todo esse agravamento, o circo de horrores na nossa vida pública, continua. É como se nada estivesse acontecendo. Monta-se o espetáculo principal, a cada nova eleição, a cada rodízio do comando. Nos discursos dos que se revezam, eternamente, as culpas, não assumidas, são jogadas ao acaso e no vazio. Candidatos e detentores de mandatos falam e fazem pregação, como se nada tivessem a ver, jamais, com tudo de ruim que acontece. Os que saíram do governo, ainda ontem, buscam voltar aos antigos postos, culpando os atuais detentores. Os que se encontram no poder, agarrando-se de forma desesperada, culpam os antecessores pela crise. Passada a disputa, reencontram-se na divisão de cargos, até que as próximas eleições os separem, "definitivamente." Pois a briga é apenas pela maior fatia, pelo comando das ações, sem nenhum compromisso com a nação brasileira.

        Esse "modelo," é fácil perceber, não irá resistir muito tempo. Porque a violência não será resolvida, apenas, com medidas paliativas, com campanhas que preguem "paz e amor," com leis que proíbam o porte de armas. Esse problema, só será resolvido, com um programa de educação, com o soerguimento da nação, com a punição dos corruptos, com os bons exemplos partindo de cima, com a lei sendo aplicada de maneira equânime. Nós só iremos reverter, o quadro de desespero que vai se abatendo sobre nosso país, no instante em que todos forem, exatamente, iguais diante da lei, gozando dos mesmos privilégios, responsabilizados, sem discriminação, pelos seus atos. Essa tarefa não pode ser executada, unicamente, por uma pessoa, um só cidadão, mas há de ser posta, em prática, por todos aqueles que têm consciência de seus deveres e compromisso inadiável diante do futuro e da história.

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