O
BRASIL EM PERIGO
As elites dominantes, no nosso país, estão conseguindo
desmoralizar, destruir, arrasar com todas as instituições. A credibilidade vai
sendo sepultada, o comportamento de todos vai sendo nivelado por baixo, a
chamada "classe política" é uma das mais podres de que se tem notícia,
enfim, o Brasil está sendo encaminhado para o caos, mergulhando na desordem e não
há quem tome a menor providência. Apesar disso, o programa eleitoral do
presidente Fernando Henrique Cardoso(PSDB-SP), candidato à reeleição, exibe
imagens inteiramente diferentes da realidade das ruas, mascarando uma situação
que não se tem mais como esconder, por melhor que seja a intenção ou por pior
que seja o desejo.
A realidade do Brasil de hoje é inteiramente oposta àquela
que estamos observando no horário eleitoral gratuito: são famílias inteiras
"tomando conta" de automóveis em cada esquina, assaltos e homicídios,
praticados em número alarmante, desemprego, miséria, prostituição em todos
os níveis e analfabetismo pleno. Até quando iremos suportar esse drama? Até
quando a nação irá conseguir manter o frágil equilíbrio, impedindo uma
guerra civil generalizada, o total descontrole? Diariamente, o governo federal
pratica as piores ações, destrói o patrimônio nacional, amplia o desespero
da população e ninguém faz nada, não se toma a menor providência.
Onde está o dinheiro obtido com as estatais, empresas que
dizem estar sendo vendidas, mas que, na verdade, estão sendo entregues de
maneira graciosa? Quem é que se lembra da Companhia Siderúrgica Nacional e da
Usiminas, dois gigantes do patrimônio público? Quando a Escelsa, do estado do
Espírito Santo, foi vendida (cerca de 250 milhões de dólares), os recursos
arrecadados serviram, apenas, para pagar três ou quatro dias de juros, vejam só,
juros, da dívida interna. E agora? Essa dívida, hoje, é muito maior do que na
época em que a Escelsa foi "vendida", com o agravante de que várias
pessoas foram demitidas, como conseqüência da "privatização", num
elaborado plano de "enxugamento" das despesas, enquanto que o estado
ficou no prejuízo: não mais dispõe do dinheiro da "venda" e nem
mais possui a empresa que lhe propiciava rendimentos.
Onde é que está o dinheiro da Companhia Vale do Rio Doce?
Aquela empresa, cujo preço de venda, inicialmente, segundo estimativas do próprio
governo federal, ultrapassaria a casa dos 80 bilhões de dólares, mas que foi
encolhendo, encolhendo e terminou atingindo a ridícula soma de três bilhões e
338 milhões de dólares? A Vale, de acordo com analistas imparciais, custaria
algo em torno de quase dois trilhões de dólares(é impossível o exato alcance
de números precisos!). Uma "negociação" dessas, como a que foi
efetuada, tem de ser adjetivada como criminosa, não existe nenhuma outra
palavra que a qualifique mais apropriadamente. Anuncia-se, que, se reeleito, o
presidente Fernando Henrique Cardoso irá privatizar a Petrobrás e,
possivelmente, o Banco do Brasil. Isso, sem contar com a já anunciada privatização
da Previdência, baseada na argumentação de que "dá prejuízo".
Essa história de prejuízo, causado pela Previdência, é uma das maiores
mentiras que se busca impor ao povo brasileiro. Nos últimos dez anos, a Previdência
só deu prejuízo duas vezes: em 1984 e em 88. "A Previdência é uma
estrutura altamente lucrativa e essa é a principal razão de se querer privatizá-la".
Nós podemos, juntos, dar uma basta a essa situação, nas eleições do próximo
dia quatro de outubro. Devolver o Brasil aos brasileiros, retomar as empresas
doadas, punir os responsáveis pelos desmandos, acabar com a roubalheira, gerar
empregos, eliminar a impunidade e impedir que a violência se torne
institucional, destruindo nosso país. Manter a situação que aí se encontra
é insistir nos mesmos erros, é referendar as falcatruas que se praticam em
nome da moralidade, é inverter o significado das palavras. O Brasil, que detém
situação ímpar e privilegiada no nosso planeta, dispõe de todos os recursos
necessários e indispensáveis à sua independência e grandeza. O que nos falta
é vergonha, é vontade política, é organização e amor à pátria.
14/08/98