A
FARSA DO PLANO REAL
O
Plano Real trouxe a paz do cemitério: destruiu, arrasou a economia nacional,
acabando com o emprego e mergulhando nossa nação na miséria. Na seqüência,
o governo de Fernando Henrique Cardoso deu início à doação do patrimônio
brasileiro, entregando as principais empresas estatais aos grupos estrangeiros.
Todos estão sentindo na pele o resultado dessa bandalheira. Desde o início, o
que se deseja saber, a respeito do Plano Real, é o seguinte: que plano é esse,
que só funciona se ninguém comprar nem vender, se ficar desempregado e não se
mexer? Além do mais, como a miséria aumenta a fome e, por conseguinte, o
desespero, a violência, as pessoas não devem, também, sair de casa, para
evitar a possibilidade de sofrer um assalto ou seqüestro. Como se pode ver, o
Plano Real é "fenomenal", verdadeira "idéia de jerico".
A "entrevista" que se segue foi montada,
seguindo, com fidelidade, informações a partir da cartilha intitulada, "O
BRASIL EM PERIGO," de autoria de Enéas Ferreira Carneiro.
Dr.
Enéas, como é que eles estão conseguindo manter a inflação em níveis tão
baixos?
A inflação
é um processo em que os preços vão aumentando, progressivamente, em função
de diversos fatores. No Brasil, como dois terços da população vivem numa
economia de subsistência, é completamente falsa a tese de que a inflação
brasileira é uma inflação de demanda, de consumo. Os preços não estão
subindo porque a população está comprando muito e, conseqüentemente,
aumentando a procura e pressionando o aumento dos preços. A inflação
brasileira é uma inflação de custos. Como, no custo final de um produto,
estão sempre embutidos os impostos e as taxas de juros, é teoricamente impossível
acabar com a inflação, mantendo-se tão elevados os impostos e tão
gigantescas as taxas de juros.
Qual
é, então, o milagre do Plano Real?
Que projeto maquiavélico, diabólico, foi esse que, sem mexer nas
verdadeiras razões da inflação - taxas de juros e impostos elevadíssimos
- está conseguindo mantê-la em níveis próximos de 1% ao mês? O governo, num
passe de mágica, fez o real valer mais do que o dólar. Diminuiu as tarifas de
importação e, com o dólar barato e tarifas baixas, inundou o mercado com
produtos importados, verdadeiras quinquilharias. A indústria nacional foi
obrigada a manter os preços baixos, para poder concorrer com os preços dos
produtos importados. Se os custos das empresas tivessem sido repassados para
os produtos, elas perderiam o mercado, que se encontra cheio de importados. Esse
é o primeiro ponto, o primeiro item, no processo de contenção da inflação,
destruindo a indústria nacional. Nesse primeiro item, note bem, o câmbio puxa
a inflação para baixo. Tudo artificial, sem sustentação.
E a
questão salarial, porque os salários são tão baixos?
Pois é, esse
é o segundo ponto. Houve uma perda salarial, desde o momento da instalação do
Plano Real, avaliada em torno de 30%. Isso aconteceu na virada da URV para o
Real. Como os salários não aumentam (apesar do preço dos produtos subir), a
inflação é também puxada para baixo, porque não existe dinheiro em circulação.
Dá para se notar a falta de dinheiro no bolso de todo mundo. Quase ninguém está
podendo pagar suas contas. As pessoas estão indo à falência. E ainda há um
terceiro elemento…
…qual
é?
Com as taxas de
juros mantidas lá no alto, na estratosfera, ficou quase impossível, para os
agricultores, o pagamento dos empréstimos contraídos. Quem é que não se
lembra da carreata de protesto, que os produtores agrícolas fizeram até Brasília?
Se os agricultores repassassem os custos para os produtos agrícolas, perderiam
o mercado, não iriam vender nada, porque o governo, também, importou
alimentos, baixando as tarifas para o nível daquelas existentes na Argentina.
Como se percebe, facilmente, o terceiro elemento é este: os preços agrícolas
puxando a inflação para baixo. Então, são três os elementos de sustentação
fictícia do Plano Real: câmbio, salários e agricultura. O governo não tocou,
nem de leve, nos impostos e no ponto nevrálgico da situação, que são as
taxas de juros. A questão crucial da inflação brasileira, escondida pela
Imprensa, é a alta taxa de juros com que se pagam os títulos da Dívida Mobiliária.
Por exemplo, em 1996, pagou-se, de juros, a cifra espantosa de 23 bilhões e 600
milhões de dólares. São cerca de 2 bilhões de dólares por mês,
correspondentes a 66 milhões de dólares por dia, ou 2 milhões e 700 mil dólares
por hora. Esses números são astronômicos! Nenhuma nação pode suportar
tamanho encargo!
É
por isso que o povo é tão pobre?
Olhe, note bem:
se uma pessoa ganhar 300 reais por mês, bem mais do que um salário mínimo,
precisará trabalhar, "apenas", 750 anos, quase 1000 anos, para ganhar
o que o Brasil paga, de juros, em uma hora. Veja bem, refiro-me apenas aos
juros. Aí vem o governo e diz que vai privatizar as estatais, para diminuir a
"dívida interna." Acontece que já se venderam inúmeras estatais,
incluindo-se dois gigantes nacionais - a Companhia Siderúrgica Nacional e a
Usiminas, - mas, apesar disso, a "dívida interna" continua crescendo.
Em 1994, a "dívida interna" era de 50 bilhões de dólares. Em
1997,ela estava em cerca de 180 bilhões de dólares. Desses 180 bilhões de dólares,
60 bilhões foram transformados em dívida, junto a bancos estrangeiros,
passando a constituir uma parte da Dívida Externa do Brasil.
Então,
Dr. Enéas, de que adiantou vender as estatais?
Venderam a
Escelsa, do Espírito Santo, por 250 milhões de dólares, que serviram para
pagar, unicamente, 3 a 4 dias de juros. Veja bem, só juros!!! Venderam,
também, a Vale do Rio Doce, detentora de um patrimônio incalculável, dona do
subsolo mais rico do planeta O controle da Vale do Rio Doce foi entregue por 3
bilhões, 338 milhões de dólares, o que não deu para pagar nem dois meses
de juros. Estão vendendo, entregando, doando, de mão beijada, toda a
riqueza que é de nossos filhos, de nossos netos. E a "dívida" só
faz aumentar. Hoje, ela ultrapassa, em muito, 220 bilhões de dólares!
E os
bancos estaduais, Dr. Enéas?
O Plano Real,
esse plano diabólico, conseguiu, também, quebrar os bancos estaduais. E lá se
vão o BANERJ, o BANESPA e outros, muitos outros, que não conseguem pagar os
juros, só os juros, sempre os juros!!! Querem, até, privatizar a Previdência,
dizendo que ela só dá prejuízo. Mas, isso também é mentira. Nos últimos
10 anos, a Previdência só deu prejuízo duas vezes: em 1984 e em 1988. É uma
estrutura altamente lucrativa e, por isso, eles querem privatizá-la. É apenas
mais um lugar, para onde o polvo quer estender mais um de seus tentáculos,
deixando a população à míngua.
E as
taxas de juros?
Eles dizem que
as taxas de juros têm que ser mantidas altas, para atrair capitais,
porque existe um déficit público. Mas não dizem que só existe déficit
público, em função do pagamento das altas taxas de juros. É o
cachorro correndo atrás do próprio rabo. Baixando-se as taxas de juros,
baixando-se o serviço da "dívida", não há déficit. Mas, isso, a
Imprensa não comenta. Deixo, aqui, as seguintes questões:
1. Até
quando a Agricultura irá agüentar?
O
que não se sabe, porque a Imprensa não deixa saber, é que a situação atual
está sendo artificialmente mantida. Mais à frente, sem nenhuma sombra de dúvida,
o Plano Real vai estourar, vai para o espaço. Não dá para precisar em que
momento isso irá acontecer, mas que vai acontecer, não resta a menor dúvida,
infelizmente. Vai ser terrível, terrível! O mais triste de tudo é saber que a
maioria de nossa população é desinformada, analfabeta e aceita tudo com
passividade, habituou-se a sofrer, é fácilmente manipulada. Em cima da miséria,
a criminalidade aumenta, o número de homicídios, também, justamente em função
desse desespero, dessa miséria crescente.
E
a Agricultura?
Eles
já quebraram a Agricultura. Criaram uma inadimplência monstruosa, ninguém tem
dinheiro para pagar as contas, levando a um nível absurdo, inacreditável, os títulos
protestados, as concordatas e as falências. E não se coloque a culpa nos
devedores. As pessoas deixam de pagar, simplesmente, porque não têm dinheiro.
Existe uma impossibilidade absoluta, de quem trabalha, de quem produz, de
concorrer com a agiotagem institucionalizada pelo governo e aplaudida pela
Imprensa. O Plano Real é destruidor, cínico e desumano!
1. Destruidor, porque está deteriorando toda a atividade produtiva do país.
15/08/98