A ANGÚSTIA DO DESEMPREGO
Não
existe situação mais desesperadora, mais humilhante, para qualquer pessoa, do
que aquela causada pelo desemprego. Não ter o que fazer, ficar zanzando à toa,
no auge da capacidade produtiva, sentindo-se impotente e inútil. A mãe de família,
o chefe de família, a jovem, o jovem, as pessoas que precisam de prover seu
sustento, que dependem, fundamentalmente, de sua atividade profissional, na luta
pela sobrevivência diária, sofrem horrores com a falta de trabalho remunerado,
com a "cassação" desse sagrado direito: o de ganhar a vida "com
o suor de seu rosto". A ociosidade imposta aniquila o cidadão. O Brasil,
por sua dimensão continental, por sua condição de país em desenvolvimento,
por ser o gigante que é, com vastos e quase que inesgotáveis recursos
naturais, não deveria, de maneira alguma, estar sofrendo os problemas que
sofre, com altíssimas taxas de desemprego, marginalizando uma população
inteira. Estamos na pátria do analfabetismo, da falta de especialização
tecnológica.
O
problema brasileiro diz respeito, unicamente, ao tipo de modelo econômico que
se decidiu adotar: uma fórmula predadora, deliberadamente criminosa, dirigida
ao favorecimento do capital estrangeiro e ao empobrecimento do nosso país.
Assim é que vamos presenciando, em pleno limiar do século XXI, a reversão do
Brasil à degradante condição de colônia. Estamos entregando nosso patrimônio,
nossos recursos, nossas riquezas, enquanto que os meios de comunicação,
capitaneados pela Rede Globo de Televisão, divulgam, cinicamente, que esse
programa de destruição da nação nada mais é do que um "salutar"
princípio de "modernização". As estatais são "vendidas"
(doadas), os funcionários são postos na rua da amargura e o dinheiro
arrecadado desaparece no ralo da especulação financeira.
O que o presidente Fernando Henrique Cardoso (nosso imperador de proveta) está
fazendo, não encontra qualificação em termos de traição e perfídia. Em
qualquer país independente, onde as pessoas tivessem o mínimo de consciência
de sua cidadania e de seus direitos, Fernando Henrique Cardoso já teria sido
deposto e encarcerado! Se o que está acontecendo atualmente no Brasil,
estivesse ocorrendo em qualquer um dos países considerados de primeiro mundo, o
imperador de proveta teria de responder na Justiça, sem contemplação,
submetendo-se a longas penas pelos seus vis atos de programada bandidagem, seus
tresloucados desmandos. Por menos do que isso, muito menos, o então presidente
João Goulart foi deposto, no dia 1°
de abril de 64, enquanto que
Fernando Collor de Mello foi afastado através de processo de
"impeachment".
Na seqüência dessa incompreensível tragédia, o que fazer com os milhões de
jovens que chegam, anualmente, às portas do mercado de trabalho? Para onde
canalizar toda essa energia, essa força, a indispensabilidade da educação e o
desejo de profissionalização? É certo que, a Rede Globo de Televisão, tem se
esforçado em prender e desviar a atenção, com uma programação cada vez mais
pornográfica, imoral, que vai destruindo os valores e os laços de família,
com cenas de sexo explícito em novelas carregadas de depravação. A Rede Globo
de Televisão é a grande responsável pela alienação e arraso de nossa
juventude. Pela deformação de nossa infância. Criando um vácuo de reflexão,
no que se relaciona aos seus mais legítimos questionamentos, e conduzindo
nossos jovens para um lodaçal em que o debate nada mais é do que a manifestação
da sexualidade mais abjeta. Tudo o que a Rede Globo toca, no nosso país, vai se
transformando em mentira e sendo jogado no esgoto mais fétido, mais podre. Essa
emissora é nosso Rei Midas às avessas.
Veja-se a importância de um processo eleitoral como esse, que ora estamos
vivendo, e o verdadeiro papel de vilão que é exercido por essa emissora. Façamos
pequena comparação: na Copa do Mundo do corrente ano, quando o Brasil enviou
sua Seleção de Futebol para a França, o Jornal Nacional da Rede Globo
destinava, mais da metade do seu "precioso" tempo, à divulgação de
informações colhidas junto a nossos jogadores, catalogando detalhes sem a
menor importância. O Brasil inteiro se via bombardeado, diariamente, por notícias
das mais diversas, com declarações de familiares dos jogadores, relatórios a
respeito da saúde de nossos craques e acompanhamento, inclusive, de visitas a
shopping centers e os desdobramentos de relacionamentos afetivos.
Falava-se a respeito da namorada de Sicrano e de Beltrano, de cenas de ciúme,
de dramas familiares e de enredos sem sentido. A nação inteira mobilizada,
como se a decisão futebolística fosse capaz de redefinir os rumos nacionais.
Mas, agora, quando iremos participar da importantíssima decisão de escolha do
próximo presidente, e quando vivemos a maior crise de que se tem registro em
toda a história brasileira, a Rede Globo escamoteia os fatos, surrupia verdades
e insiste no manjado jogo de fazer a população de idiota. Não debate a crise,
não analisa as falcatruas de um presidente que destinou bilhões para os
banqueiros, não aborda a questão da compra de votos para a emenda da reeleição
(nas gravações que motivaram a renúncia de dois deputados federais, Ronivon
Santiago e João Maia, ambos do Acre), não enfatiza roubalheiras, praticadas à
luz do dia e que envolve, diretamente, pessoas ligadas ao presidente da República,
Fernando Henrique Cardoso, conhecido como nosso imperador de proveta.
O banditismo, no Brasil, irá aumentar, não tenham dúvida. Cultivado na grave
irresponsabilidade de nossos atuais dirigentes. Vão aumentar os assaltos, a
fome, a miséria, os assassinatos, o desespero. Hoje, os jovens se organizam em
gangues: com uma educação falha, porque o Estado faliu, vagueiam sem emprego,
porque o Estado não cumpre seu papel e, sem família, porque a Rede Globo está
cuidando de proclamar a imoralidade como regra. A evolução desse banditismo
deverá conduzir a focos de guerrilha, dentro da insatisfação crescente,
ampliando-se no tráfico de drogas, na prostituição infantil e adulta (já
incontrolável) e na desobediência civil, pela impossibilidade de se honrarem
os tributos. Daqui a alguns anos, a história irá registrar a passagem
criminosa de FHC, à frente de um Estado desvirtuado e desmoralizado, respaldado
na ação arrasadora de uma emissora de televisão, a Rede Globo, símbolo, por
excelência, da gênese do caos que se aproxima.
28/09/98