Gascon, Gascon, companheiro (és galego,
não?), já suspeitava eu que ia sair esta:
"A respeito
do ceceio de certos (duros e truculentos) galegos, e com
vistas a sermos admitidos e aceitados na Lusofonia com todo o
respecto, eu proporia um programa de encerramento de galegos
suspeitos de vivirem do lado errado da issoglosa que nos
concerne, para lá receberem um adoctrinamento sobre a
conveniencia de renunciar a tal perniciosa prática dialectal.
Se isto nom resultasse bem sucedido, poderiamos entom passar a
pensar em medidas mais expeditivas. Nom queremos é que a
Lusofonia possa pensar que somos casteláns ou moldavos e nos
pechem as portas."
Perde cuidado, camarada, não está
isso nesta mente que aqui tecleia. Nada disse eu nem
remotamente parecido; mas talvez tenhas agora um pequeno sabor
do que se sente sendo sesseante neste mar cada vez mais
ceceante: discriminação laboral, racismo, insultos, etc.; sim,
já sei, está "muito bem" em certos contextos (lúdicos, p.ex.),
até é engraçado como adubo na conversa, etc., etc., mas que
não entre em contextos "cultos", ah! isso sim que não... Pois
eis o "challenge", mate! Utilizá-lo sem pejo nesse terreninho;
que "levanta pústulas"? Pois que levante; se não arremetemos
com esta, não damos feito, my man!
E, please, tenhamos
cortesia com os nossos visitantes (pessoalmente agradeço
imenso o Marcelo e o Miguel estarem aqui conosco a debater
estas cousas, assim, com "ou", na nossa Língua).
Registrado em: 29 Mar 2009Mensagens: 61Local/Origem: São
Paulo, Brasil
CDurao escreveu:
Caro Marcelo: grande obrigado pela
iniciativa, à que penso contribuir na medida das minhas
capacidades e tempo (vou estar fora a próxima semana, mas “je
reviens”...). Prefiro, pelo menos no início, uma transcrição o
menos técnica possível (e acho que é “possível”!), e
aproximada; para evitar confusão, ponho com maiúscula a vogal
acentuada. E finalmente: transcrevo no galego “ocidental” que
eu conheço, quer dizer com “sesseio” mas sem “gheada”. Animo
a/os meus colegas a fazer o mesmo.
Prezado Carlos:
Muitíssimo obrigado pela atenção. Baseado no
Dicionário Berlitz Português-Holandês/Holandês-Português (cuja
pronúncia figurada é lusitana), no Oxford Portuguese
Minidictionary (cuja figurada é brasileira) e na sua ótima
transcrição fonética, eu comecei a preparar ontem à noite uma
lista com as pronúncias de Portugal e do Brasil. Eu espero
postá-la mais tarde para enriquecer a nossa discussão.
Para mim e muitos brasileiros, no
Brasil se fala brasileiro. Esta é a nossa verdadeira língua
(nem galego nem português)!
Errou de
novo, amigo brasileiro. Citando ao Senhor Anderson, “the
reason your latest upgrade has failed to hack into my program,
or to even make a single ripple in it, refers to the rents of
your cupped hands. The tongue escapes through them, you should
line your hands, Mr Smith, otherwise you are doomed to fail
again, you won’t be able to drink from IT. You cannot claim
that the brogue, the patois you speak is THE TONGUE. It is
just too pretentious. I feel extremely hurt and demand a
prompt and adequate apology”
“You can speak it and
even write it as you wish, Mr Smith, but should respect your
elders. Otherwise, your children won’t respect you either in
your ripen old days. They will rise up against you, the same
way you rebelled against their grandparents. You’re last days
will be your saddest: you will look at your empty hands to see
how your precious has vanished only to rest in your own
children’s hands, and in their covetous eyes you will see with
great discomfort the same unquenchable fire that consumes your
obstinate dreams. They will cut it up, they will wave and
fling slices of it at each other, hoping that their bit is as
big and whole as the real thing, THE TONGUE. Some fragments
will dry, in the same way the Galician fallacy will, because
of their self-denial and demented narcissism. Others, those
who keep linked to THE TONGUE, will prosper.”
Compadre Carlos, na minha opiniom a criaçom
de umha norma prosódica ou proepia ou como se chame
especificamente galega, sim é fundamental. O galego oficial
simplesmente se limitou a consagrar os usos acastelanados, e
agora achamo-nos numa situaçom tal que a intercomprensom entre
locutores galegos e portugueses parece ter o espanhol como
toda referência. Eu creio que essa norma que estandes a
debater (mesmo criar?) neste e noutros fios e foros, deveria
ser umha das tarefas da AGLP. A norma oral AGAL (ela existe,
ou nom?), os usos rurais galegos, os trasmontanos (já quase
que desaparecidos de todo: basta ver na RTP quando falam os
trasmontanos, que nem se lhes reconhece como tais), deveriam
ser as referências, e nom o espanhol. No caso dos cultismos,
ou criandes umas novas pautas, ou simplesmente agarrar no
padrom de lisboa, por que nom?
O sesseio, polo seu
valor simbólico, sim que o tomo a sério. Mas insisto: na
gramatica Cunha & Cintra aparece o ceceio como proprio dos
dialectos galegos do portugues (sim, ja sei que os dialetos
galegos nom som dialetos do portugues, mas do romance iberico
occidental)
Umha vez criado esse padrom oral, ainda
ficará tudo por fazer!
Ora, eu acho que a norma AGAL
ainda tem umha funçom e lugar nesta loita. Com AO ou sem ele,
com brasileiro aparte do português ou nom, o que
verdadeiramente conta som os contatos entre os locutores e o
intercâmbio de escritos e de todo tipo de actividades
culturais. É assim que entendo eu que o galego tem
viabilidade.
E se tais contatos se fizerem mais
prolíficos, entom também seria inevitável umha certa
"lisboetizaçom" do galego, e mesmo umha certa espanholizaçom,
via galego, do português, nom nos enganemos. Esse é o preço a
pagar. Veremos quem está disposto a pagá-lo, quem é
espanholista (por anti-lusista) e quem é verdadeiro ou falso
amigo.
Mas por enquanto, jaora que que os usos orais
imperantes na Galiza, a todos os níveis, fazem um grande dano:
na Lusofonia, ou som percebidos como próprios de espanhois, ou
portunholes, ou dificultam a comunicaçom e alimentam o mito do
galego ser umha língua distinta do português.
É umha
situaçom crítica, e de nom fazermos algo e já, estamos
f*******!
“achamo-nos numa
situaçom tal que a intercomprensom entre locutores galegos e
portugueses parece ter o espanhol como toda referência”
Falache! Isto é um desastre como uma catedral. Para
essa “viagem” era melhor passar duma p. vez ao castelhano, e
pronto!
“Eu creio que essa norma que estandes a
debater (mesmo criar?) neste e noutros fios e foros, deveria
ser umha das tarefas da AGLP”
E por quê não botas uma
mão, hó?
“A norma oral AGAL (ela existe, ou nom?)”
Não existe, e fogem de a definir, nem sequer falar no
“hot potato”!
“os usos rurais galegos, os trasmontanos
[...] deveriam ser as referências”
Concordo. “No
caso dos cultismos, ou criandes umas novas pautas, ou
simplesmente agarrar no padrom de lisboa, por que nom?”
E por quê a pronúncia dos cultismos não se pode basear
na do parágrafo anterior? Em todo o caso não vejo por quê
haveria que recorrer a Lisboa: a Lusofonia é imensa (já nem
menciono o evidente Brasil!). Avonda com expor (com humildade)
os olhos e os ouvidos às escritas e falas dos demais
lusófonos.
“na gramatica Cunha & Cintra aparece o
ceceio como proprio dos dialectos galegos do portugues”
Caro: estes dous valentes gramáticos queriam arroupar
as nossas falas na Lusofonia (e bem que fôram criticados por
isso, como o grande Lapa); foi, digamos um gesto de “bons e
generosos”, se me permites o pondalismo); agora temos que nós
ser tb “bons e generosos” e aceitar o que é tão evidente que
deslumbra...
“Umha vez criado esse padrom oral, ainda
ficará tudo por fazer!”
Pois! Convido-te a trabalhar!
“Ora, eu acho que a norma AGAL ainda tem umha funçom e
lugar nesta loita”
Mmmm, não che sei (e olha que sou
acusado de paciençudo!...)
“também seria inevitável
umha certa "lisboetizaçom" do galego, e mesmo umha certa
espanholizaçom, via galego, do português”
Pois não
vejo por quê!
“os usos orais imperantes na Galiza, a
todos os níveis, fazem um grande dano: na Lusofonia, ou som
percebidos como próprios de espanhois, ou portunholes, ou
dificultam a comunicaçom e alimentam o mito do galego ser umha
língua distinta do português.
É umha situaçom crítica,
e de nom fazermos algo e já, estamos f*******!”
Agreed, mate!
(Se não volto por aqui é que já
iniciei uma viagem que me vai levar uma semana: mas volto,
perde cuidado, this is very close to my heart!)
Registrado em: 29 Mar 2009Mensagens: 61Local/Origem: São
Paulo, Brasil
REPRESENTAÇÃO FONÉTICA
chi= “chi” castelhano ou
galego (= “tchi” no Brasil); dji = “gi” italiano;
j = “j” francês ou
“ll” argentino; w =
“u”; z = “z”
inglês; A(r) = “á”
na língua falada e geralmente /ar/ ou /ah/ em leitura ou na
fala de apresentadores de telejornais; E(r) = “ê” na língua falada e
geralmente /êr/ ou /êh/ em leitura ou na fala de
apresentadores de telejornais; I(r) = “í” na língua falada e
geralmente /ir/ ou /ih/ em leitura ou na fala de
apresentadores de telejornais;
[1]= pronúncia típica do Rio
de Janeiro e das regiões Norte e Nordeste; [II] = pronúncia típica do
Centro-Sul (composto pelos Estados do Centro-Oeste, Sudeste e
Sul *). [III] =
pronúncia típica do Nordeste, com exceção de partes da Bahia
(em Salvador, o “s” é sempre sibilado e o “te” no final de
palavras e o “ti” são pronunciados “chi”/“tchi”); [RJ]= típica do Rio de
Janeiro.
*Obs.: Em partes do Sul , as vogais “o” e “e”
também se pronunciam “ô” e “ê” . Isso ocorre sobretudo na fala
dos nativos de Curitiba e de outras cidades do Estado do
Paraná.
Pronúncia de “ão”
O
Dicionário Berlitz representa o “a” de “ão” como um schwa com
um til, seguido de “u” (/ãu/). O Minidicionário Oxford, por
outro lado, representa o “ão” brasileiro de maneira quase
semelhante ao Berlitz, porém “like ow in English how but nasalized” – /ãw/.
Há uma diferença na maneira como os portugueses e os
brasileiros pronunciam “ão”. Na minha opinião, o “ão”
português soa mais próximo de um how nasalizado; o “ão”
brasileiro soa “âung” (o “g” indicando apenas a nasalização de
“n”). Como no Alfabeto Fonético Internacional “ão” brasileiro
é representado como /ãw/ (exatamente como no Minidicionário
Oxford), eu optei por “ãu” tanto na transcrição brasileira
quanto na portuguesa.
Outras pronúncias nasais
“Ẽ” também representa o ditongo “Êĩ” (=“Êing”), típico
da cidade de São Paulo e de algumas outras partes do Brasil.
O Dicionário Berlitz apresenta três distintas
pronúncias figuradas para “en” lusitano: /ẽ/ (em encher, p. ex.), /ẽn/ (em
excêntrico) e /ẽŋ/ (em
encontro). Eu optei
pelo uso de “ẽ” porque a ditongação de “en” também ocorre em
Portugal (ainda que eu desconheça o grau) e porque certas
pronúncias portuguesas de “en” não são tão diferentes de
algumas brasileiras.
Como (aparentemente) as
diferentes nasalizações das vogais (isto é, de vogais + letra
“n” ) não constituem um problema no Brasil e em Portugal,
todas foram representados apenas com o til.
Eu ainda não
apresentei a segunda lista porque eu não sei como os
portugueses pronunciam a maior parte das palavras dela.
Finalmente, parece que esta questão interessa apenas ao
Carlos.
Editado pela
última vez por Marcelo Pereira em Ter Mai 19, 2009 6:23 am,
num total de 4 vezes
Eu
ainda não apresentei a segunda lista porque eu não sei como os
portugueses pronunciam a maior parte das palavras dela.
Finalmente, parece que esta questão interessa apenas ao
Carlos.
Caro Marcelo, a questão
interessa-nos a muitos. E encorajo à gente a que participe
nela, debata e proponha como se vinha fazendo no fio anterior.
Opino ser cousa de primeira necessidade para a Galiza
estabelecer um padrão oral culto. A nível pessoal não tenho
conhecimentos para fazer nenhuma achega, além da opinião.
Colo, isso sim, uma interessante ligação com arquivos
sonoros de todo o âmbito lusófono:
Nos arquivos da Galiza, espontâneos, às vezes são
frequentes os castelhanismos. Até onde cliquei resultou-me
curioso que há menos nos arquivos do Leste do que nos do
Oeste.
Concordo com Serna. Acho o tema do maior
interesse. Os meus conhecimentos são poucos, e sempre me
resulta mais fácil detetar os diferentes sotaques num registo
sonoro.
Por certo, há pouco falei com um brasileiro de
Pernambuco, e, achei o seu sotaque muito claro e mais
semelhante ao galego, que o de outros paisanos seus.
E falando de sotaques galegos, eu que sou de perto
de Santiago, sempre achei fascinante o de Maçaricos. É
foneticamente riquisimo e acho que um bom modelo 100% galego
que pode ser reconhecido também como propriamente lusofono.
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