Ajuntamento de pessoas em Ratmalana, Sri Lanka

Ratmalana, 15 de Dezembro: Cerca de 800 agricultores, pescadores, trabalhadores industriais, pessoas afetadas por um super projeto de auto-estrada, ambientalistas, ativistas dos direitos humanos, feministas e pacifistas, mães contra a subnutrição dos filhos, grupos preocupados com a atual decadência espiritual e cultural juntaram-se para exigir o não pagamento de dívidas iniciais para um bilhão de pessoas e a resposta a 15 perguntas. Estas incluíram: "Aceitam as propostas do Banco Mundial que permitem o sector privado a mercantilizar a água, incluindo a rega, estabelecendo ‘direitos de propriedade da água’?", "Tencionam alterar as políticas de mercado que nos levam à destruição de viveiros de arroz, batata, cebola, vegetais e outros produtos domésticos que os agricultores produzem?", "Tencionam deixar que os nossos bens florestais à mercê e deixarão que multinacionais pilhem as nossas plantas medicinais, sementes, material genético e conhecimento indígena? Quais são as vossas medidas para prevenir tais perdas?", "Tencionam continuar o plano de construção da super auto-estrada para uso das grandes companhias, destruindo 16000 terrenos incluindo aldeias, campos, cursos de água e alojamentos?"

Cada grupo deu voz aos seus problemas e ao impacto destas políticas na sua comunidade. Isto ajudou a que as pessoas tivessem conhecimento do que se passa noutras partes do país. Uma declaração comum foi lida em voz alta e todos a aclamaram consentindo de mão levantada, e confirmou-se que a solidariedade entre todos os grupos deveria ser estabelecida de modo a se poder continuar a luta das vítimas do chamado "desenvolvimento". Uma petição com 3000 assinaturas exigindo o cancelamento da dívida internacional foi entregue a representantes do Banco Mundial. O programa terminou com determinação e grande convicção que, em conjunto, a luta deve continuar.

Movimento pela Reforma Agrária Nacional (MONLAR); PGA convenors Asia 43, Wanatha Road, Gangodawila, Nugegoda Sri Lanka, telefone/fax: +94-74-302311, email: [email protected]

 

Adivasis Ocupam Prédio do Banco Mundial em Nova Delhi

Mais de 300 Adivasis (povo indígena) do estado da Índia Madya Pradesh, representando todos os movimentos de massa Adivasi, pularam a cerca do prédio do Banco Mundial dia, 24 de Novembro, às 12:00h. Eles bloquearam o edifício, cobrindo-o com cartazes, grafitti, cocô de vaca e lama, cantado slogans e canções tradicionais no portão, e só pararam após o Sr. Lim, diretor rural do Banco Mundial na Índia, sair para receber uma carta aberta assinada por todos os movimentos Adivasi. A carta claramente situa a posição deles em relação a estas instituições: "Nós lutamos contra a Grã Bretanha e nós lutaremos contra a nova forma de colonialismo que você representa de todas as formas que pudermos". As tentativas do diretor rural do Banco Mundial para falar foram recusadas pelos Adivasis, que afirmaram que depois de falarem com funcionários do Banco Mundial durante os últimos 5 anos haviam concluído que tais ‘diálogos’ tiveram o único objetivo de trair e enganar os Adivasis enquanto eram empurrados por interesses comerciais e industriais.

Organizações Adivasis em Madhya Pradesh denunciaram por diversas vezes a alta destrutibilidade dos chamados programas de ‘eco-desenvolvimento’ que o Banco Mundial tem promovido durante os últimos cinco anos nas florestas dos Adivasis. Esses programas envolvem a saída forçada e violenta de Adivasis das suas terras (sendo usados todos os meios de força inclusive várias mortes), o qual como tantos outros aspectos dos programas de ‘eco-desenvolvimento’ do BM, vai contra as Diretrizes Operacionais do Banco, como também uma combinação mal formulada de proibições das atividades nas quais os Adivasis têm baseado sua sobrevivência desde milênios (cultivo sazonal, pesca, extração de produtos da floresta, etc.) em ‘bases ecológicas’, combinado com o liberalização de atividades comerciais para ‘fazer da preservação um bom negócio’. Um grande negócio não para os Adivasis, mas para o corrupto sistema administrativo que explora a floresta e os interesses comerciais e industriais que estão atrás deste tipo de ‘eco-desenvolvimento’. Conseqüentemente, as comunidades Adivasi se vêem forçadas a comprar do mercado os produtos que não lhes são mais permitidos extrair das suas florestas.

O outro objetivo da ação era o regime da OMC, uma cada vez mais importante ferramenta dos interesses que estão destruindo as vidas dos povos indígenas no mundo inteiro. As tentativas para incluir, no sistema da OMC, um novo acordo direcionado a impulsionar a extração e o comércio de madeira foi destacado, e os Adivasis expressaram sua determinação para lutar contra este fato.

A carta aberta para o Presidente do Banco Mundial conclui: "Para o Banco Mundial e a OMC, nossas florestas são uma mercadoria comerciável. Mas, para nós, as florestas são um lar, nossa fonte de vida, a habitação de nossos deuses, o chão que enterra nossos antepassados, a inspiração de nossa cultura. Nós não precisamos de vocês para salvar nossas florestas. Não deixaremos vocês venderem nossas florestas. Portanto vão embora de nossas florestas e de nosso país".

Fotos e mais informação sobre a ação estarão logo disponíveis no website da AGP (http://www.agp.org).

 

 

Ação contra a OMC e a represa Maheshwar em Nova Delhi

Quinhentas mulheres e homens da região de Maheshwar, do vale de Narmada, chegaram no dia 29 de Novembro em Nova Delhi para participar em um Dharna (protesto passivo) de 3 dias em Raj Ghat, o lugar onde as cinzas de Mahatma Ghandi foram enterradas. Eles foram para Nova Delhi para protestar contra o modelo capitalista destrutivo chamado ‘desenvolvimento’. As ações tiveram dois alvos específicos: a conspiração de interesses industriais indianos com diversas corporações multinacionais e com estado alemão para construir um repreza em Maheshwar que teria impactos locais devastadores, e o regime da OMC, pela igualmente vandalística e insidiosa exclusão que cria globalmente. Eles organizaram duas ações diferentes em 30 de Novembro. A primeira aconteceu do lado de fora da embaixada alemã, debaixo da forte vigilância da polícia. O Governo alemão está estudando agora a aprovação de uma garantia de Hermes para a represa Maheshwar, o primeiro projeto hidroelétrico privatizado na história da Índia independente. A aprovação de tal garantia tiraria todo o risco das corporações estrangeiras (como Siemens, ABB, etc) que estão investindo em sua construção; conseqüentemente, esta mega-represa, além de ser uma tragédia humana, cultural e ambiental, iria acabar sendo um desastre financeiro (como tantas outras mega-represas), as perdas iriam ser pagas com o dinheiro dos contribuintes alemães. Se a garantia for aprovada, as corporações estrangeiras e as da Índia envolvidas, darão prosseguimento, indubitavelmente, a este podre projeto, apesar da forte resistência popular, apesar do fato de que suas terríveis conseqüências sociais e ecológicas tenham sido reconhecidas até mesmo pelo recente relatório do Ministério Ambiental indiano sobre o projeto.

Um grupo de 10 representantes da Narmada Bachao Andolan, além de outros militantes, foram à embaixada alemã pela manhã entregar os mais que 11.000 cartões postais de protesto escritos por pessoas da região de Maheshwar. Eles foram detidos por 2 horas, enquanto 100 outros ativistas da NBA protestaram do lado de fora da embaixada. No mesmo dia, às 15:00, o grupo completo dos 500 representantes da NBA e outras organizações fizeram um protesto simbólico contra a OMC perto de Raj Ghat, o lugar onde estão enterradas as cinzas de Mahatma Ghandi e onde o protesto passivo de 3 dias da NBA ocorreu. As mulheres queimaram uma estátua simbolizando a OMC e foram feitas várias falas.

Para maiores informações por favor entre em contato com Narmada Bachao Andolan <[email protected]> e a Aliança Nacional de Movimentos Populares <[email protected]>

 

 

Manifestação de carro de boi em vale Narmada contra a OMC

Uma manifestação anti-OMC com carros de boi foi organizada, em N30, na aldeia de Anjar, por Rewa Ke Yuva (Juventue por Narmada), a recentemente formada filial do Narmada Bachao Andolan (NBA Save the Narmada Movement). Mais de 1000 pessoas, de aproximadamente 60 aldeias, participaram na colorida procissão, protestando contra os acordos anti-humanos e instituições que estão empurrando a Índia e o resto do mundo no destrutivo processo de globalização capitalista. "Países do Terceiro Mundo terão que lutar contra os poderes capitalistas globais para sua própria sobrevivência", afirmou Medha Patkar, um dos ativistas sociais mais proeminentes na Ásia e principal ativista da NBA. Na sua fala, ao término da manifestação, acrescentou que a "NBA tem apresentado um exemplo, desalojando o Banco Mundial do vale de Narmada".

 

N30 em Bangalore, Índia

Bangalore (Índia), 30 de novembro de 1999 - Vários milhares de fazendeiros de todos os distritos de Karnataka se reuniram-se hoje em Bangalore para protestar contra a Terceira Conferência Ministerial da OMC que está começando agora em Seattle. Juntaram-se a eles ativistas de várias organizações de esquerda e sindicatos. No final da manifestação eles emitiram uma notificação entitulada ‘Saiam da Índia!’ dirigida à Monsanto, pedindo à companhia para deixar o país ou então encarar a ação direta não violenta contra suas atividades e instalações. Fazendeiros de KRRS se sentaram em frente da estátua de Ghandhi com enormes cartazes e bandeiras declarando "Nós não queremos a merda da Monsanto", "Mantenha o Orgânico Livre da Engenharia Genética", etc. Representantes de todos os distritos de KRRS, de sindicatos e outras organizações de esquerda discursaram. O Sr. Kodihally Chandrashekhar, Secretário Geral de KRRS, declarou: "Nós já experimentamos o impacto do ‘livre’ comércio em nossas vidas, por isso exigimos que o Governo da Índia rejeite o regime da OMC e se retire dele". Mr. Shankarappa, presidente do KRRS no distrito de Mandya, declarou: "Nós estivemos sob as regras britânicas por mais de 200 anos. Depois, nós começamos a viver sob as regras de nossos próprios políticos corruptos e capitalistas. Gostaríamos de lembra-los que se vocês estão vivos hoje, é somente a nossas custas. Vocês têm dinheiro, máquinas, muita propriedade, mas vocês não podem comer essas coisas. Minha mensagem para vocês é "Matem a OMC - caso contrário ela matará você’".

 

Destruição de sementes da empresa Monsanto em Karnataka, Índia

O Economic Times (edição Karnataka), informou, em primeira página, que 18 toneladas de sementes de sorgo (melaço) da variedade c-17 da Monsanto foram destruídas, na quarta-feira, 17 de Novembro de 1999, em Bellary (Karnataka), em cumprimento a uma ordem judicial. Este foi o final feliz de um litígio iniciado pela KRRS há quase um ano.

Não foi possível colher nada nas plantações de 12.000 hectares desta variedade, o que arruinou mais de 1.000 famílias. Os ativistas da KRRS apanharam os restos das sementes que não tinham sido vendidas (à volta de 18 toneladas) e apresentaram queixa contra a Monsanto. Aconteceu que esta misteriosa variedade, que tinha acabado de ser introduzida, não havia sido testada de acordo com as leis indianas. A Monsanto declarou que as sementes foram infectadas por um vírus e o tribunal ordenou a destruição do resto das sementes. No entanto, no dia marcado para a destruição, os responsáveis da Monsanto tentaram destruir outras sementes que não as da variedade c-71, mas foram impedidos pelos ativistas do KRRS, que denunciaram a sua tentativa para desrespeitarem a decisão judicial. Agora, as sementes restantes desta variedade foram finalmente destruídas, mas a Monsanto ainda tem que pagar indenizações aos agricultores afetados. Apesar do Departamento de Agricultura ter estimado o prejuízo de 30.000 Rs por acre (0,40 hectares), a Monsanto só queria pagar 5.000 Rs, como pagamento "ex-gratia", o que eles consideram um "gesto caridoso" para com as famílias afetadas. Continuaremos a lutar até que uma compensação decente seja paga pela Monsanto. O Sr. Veeranna, presidente da KRRS no distrito de Bellary, disse, numa manifestação em Bangalore, no dia 30 de Novembro: "Já alertamos os que se alimentam do negócio agrícola, quando destruímos o escritório da Cargill, em Bangalore, em 1993. Lembrem-se que, se não saírem rapidamente da Índia, vamos expulsar vocês fisicamente." O Sr. Kalmath, representante da KRRS no distrito de Raichur, declarou: "Em Novembro de 98, quando ficamos sabendo que a Monsanto estava com problemas legais em Karnataka, no meu próprio distrito, decidimos queimar as culturas, na ação ‘Cremation Monsanto’. Continuaremos com nossas práticas de ação direta até estas multinacionais saiam daqui".

Contato: KRRS - Karnataka State Farmers Association; 2111, 7-A Cross, 3rd Main, Vijayanagar 2nd Stage Bangalore 560 040 India; tel +91-80-330 09 65; fax: +91-80-330 21 71.

e-mail: [email protected]

 

voltAr


railtong@g.com

 

 

1