Solidariedade

Companheiros zapatistas,

Não se trata apenas de solidariedade aos Zapatistas. A opção feita pelos índios e pelos excluidos do sul do México será a curto prazo a opção dos excluídos do resto da humanidade. Escrevo daqui de Florianópolis como alguém que viu seus pais sendo explorados, foi e é explorado e que agora vê seus filhos tambem sendo explorados e de uma forma cada vez mais bestial. Desde garoto ouço falar de Zapata e o nome de Zapata hoje representa o grito de de esperança de milhões de vozes nos quatro cantos da terra, hoje no hemisfério Sul e amanhã também no hemisfério Norte. O nome Zapata representa o brilho nos olhos de todos aqueles que anseiam por justiça, que amam a liberdade e o fim dos privilégios a quem quer que seja. Assim como pipocam comitês de solidariedade aos zapatistas em todo o mundo, logo se dissiminarão não apenas comites de solidariedade, mas grupos identificados com a proposta zapatista e em plena ação. Que a idéia, a ação e a adesão aos zapatistas se alastre como fogo em todo o mundo e que finalmente se dê o último golpe, o golpe de misericórdia nestes nefastos capitalismos estatais ou privados concebidos por mentes egoistas e insanas. Viva a liberdade e a justiça. Viva Zapata! Roberto Carlos Schrenk - Florianópolis, Santa Catarina

CUT, CUT pela Base e Zapatistas

Companheiros,

Quero manifestar minha solidareidade à luta do EZLN e FZLN. Estou, há dias, estudando a documentação disponível na Internet e, a cada momento, fico mais encantado com o que vejo. Nos finais da década de 79 e começo dos anos 80 houve no Brasil uma tentativa de formação de um movimento muito semelhante à FZLN, que aqui denominamos CUT pela Base, uma forma de organização sindical e social de baixo para cima. Contudo, com o fim da ditadura e o advento da anistia, começaram a chegar de volta ao Brasil, muitos exilados políticos que trouxeram suas mochilas abarrotadas de catecismos maoístas, trotsquistas, marxistas-leninistas. Nosso projeto revolucionário CUT pela Base acabou sendo destruído por eles e em seu lugar foi imposto outro, o da CUT (pelo tôpo). Conforme prevíamos, organizado de cima para baixo acabou se tornando um amontoado de políticos e sindicalistas profissionais que até hoje não fazem outra coisa a não ser enriquecer e mentir aos trabalhadores. 6. Lendo as resoluções do congresso de fundação da FZLN, verifiquei uma grande semelhança com os nossos pontos de vista que defendíamos na CUT pela Base há vinte anos atrás, e que defendemos até hoje. Esperamos que autoritários da linha marxista-leninista, ou outros, não venham, como fizeram aqui no Brasil, minar, destruir, desviar a FZLN dos caminhos da liberdade, da igualdade e da justiça. E tem mais. Penso que nunca é tarde e, inspirados no exemplo da FZLN e do EZLN, aproveito para tecer as seguintes considerações: O problema dos mexicanos pobres e o problema dos índios mexicanos, não é um problema local, específico. É o problema dos pobres e dos índios de toda a América Latina. Penso que palavras de solidariedade ao EZLN e à FZLN não são suficientes, é necessário muito mais de nossa parte. O mexicano Emiliano Zapata, como o ucraniano Nestor Machnó ou o espanhol Durutti, estão além do México, da Ucrânia e da Espanha, todos estes 3, como muitos outros, ultrapassam os limites territoriais, são cidadãos do mundo. O EZLN e a FZLN do México vão crescer em número e em qualidade. De 1500 até nossos dias, mais de duzentas nações indígenas foram aniquiladas no Brasil. E os pouquíssimas índios que restaram, continuam a ser destruidos pela fome, pobreza, doença ou brutalmente assassinados pelo fuzil dos latifundiários. Existem latifundiários aqui no Brasil que possuem terras do tamanho do México, enquanto no nordeste brasileiro algumas famílias sobrevivem comendo cactus, recolhendo restos de alimento no lixo ou enviando filhas menores à prostituição. Aqui, na cidade de São Paulo, segundo dados oficiais, estamos chegando perto de dois milhões de desempregados. A situação parece não ser diferente na maioria das capitais dos países latinoamericanos. Na periferia das grandes cidades as drogas e a violência tornaram-se corriqueiras. Os pobres estão se viciando e se matando uns aos outros, apenas em um fim de semana em São Paulo ocorreram 68 assassinatos, enquanto os barões vivem como modernos faraós. O inimigo do EZLN e da FZLN é também o inimigo dos pobres da América Latina. O inimigo da maioria do povo mexicano é também o inimigo dos pobres da América Latina. Nós, pobres do México, Brasil, Chile, Argentina, Paraguai, Bolívia, Equador, Guatemala, Uruguai, toda a América Central, temos um inimigo em comum. Penso na necessidade de ser criada uma Frente de Libertação Latino-americana nos mesmos moldes da FZLN. Claudio Nogueira Dobelli - São Paulo, Capital

v o l t A r



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