Importante: O material à seguir tem por finalidade auxiliar o observador classificar o seu céu de acordo com o Nível de Poluição Luminosa local, de forma a fazer um melhor proveito de suas sessões de observação usando o Catálogo do Projeto Deep Sky. Aconselhamos uma leitura completa e cuidadosa deste documento.
A escala Bortle Dark-Sky
Tradução e adaptação: José Agustoni (Zeca)
Johm E. Bortle fez uma escala para avaliar a escuridão do céu baseada em diversos aspectos e não apenas na magnitude limite porque esta varia muito de um observador para outro em função da sua acuidade visual e também porque uma pequena quantidade de poluição luminosa degrada muito mais a visão de objetos de céu profundo que a visão de estrela. É como se as estrelas conseguissem furar melhor a poluição luminosa, mas objetos difusos como nebulosas e galáxias desaparecem facilmente. Bortle usou sua experiência de 50 anos de observação para elaborar esta escala onde ele classifica o céu em 9 classes:
NT: lembrem-se que para avaliar corretamente as condições do céu é necessário primeiro a completa adaptação ao escuro com um tempo mínimo de 30 minutos na escuridão. Nunca usar lanternas sem uma proteção vermelha (celofane ou qualquer outro material que reduza e torne vermelha a luz da lanterna).
Classe
1:
Excelente local de céu escuro. A luz zodiacal e a faixa zodiacal
(aquela faixa que é vista na região da eclíptica)
é facilmente visível se estendendo por todo céu.
M48 é um objeto óbvio a olho nu (NT: M48 no texto
original é: M33, que foi substituído para adaptar o
texto a nossa realidade no hemisfério sul). A região
da Via Láctea em Escorpião e Sagitário provocam
óbvias e difusas sombras no chão (NT: !!!). A olho nu
a magnitude limite fica entre 7.6 e 8.0 com esforço; a presença
de Vênus ou Júpiter no céu parece degradar (perturbar)
a adaptação ao escuro. O brilho da atmosfera (um brilho
natural muito fraco que ocorre naturalmente até uma altura
de 15° do horizonte) é bem aparente. Com um telescópio
de 320 mm podemos detectar as estrelas de magnitude 17.5 com esforço,
enquanto um 500 mm usado com ampliação moderada alcança
mag. 19. Se você está observando em um campo gramado
com árvores nas bordas seu telescópio, companheiros
e automóveis são quase totalmente invisíveis.
Este é o Nirvana dos observadores!
Classe
2:
Local tipicamente escuro. O brilho da atmosfera pode ser fracamente
aparente ao longo do horizonte. M48 é ainda facilmente visível
com visão direta. No inverno, a Via Láctea apresenta
várias estruturas ao olho nu e suas partes mais brilhante parecem
com um mármore com riscas, ao binóculo comum. A luz
zodiacal ainda brilha o suficiente para provocar fracas sombras logo
antes do alvorecer ou após o por-do-sol e podemos distinguir
sua cor amarelada quando comparada com o brilho branco-azulado da
Via Láctea. Qualquer nuvem no céu é percebida
apenas como um buraco negro ou vazios no fundo estrelado. Você
pode ver seu telescópio e arredores apenas vagamente exceto
quando projetados contra o céu. Muitos dos aglomerados globulares
Messier são objetos fáceis a olho nu. A magnitude limite
a olho nu fica entre 7.1 e 7.5, com um tele 320 mm alcançamos
mag. 16 ou 17.
Classe 3:
Céu rural. Algumas indicações de poluição
luminosa são evidentes no horizonte. Nuvens parecem fracamente
iluminadas nas regiões mais brilhantes do céu próximas
ao horizonte mas são negras no zênite. A Via Láctea
ainda apresenta estruturas complexas, aglomerados globulares como
M4, M5, M15 e M22 são distinguíveis a olho nu. M48 é
fácil de ver com visão periférica. A luz zodiacal
é visível na primavera e outono (quando se estende por
60° sobre o horizonte depois do por-do-sol ou antes da alvorada)
e sua cor é apenas perceptível. Seu telescópio
é vagamente aparente a uma distância de 7 a 10 metros.
O limite a olho nu fica entre as mag. 6.6 e 7.0, com um refletor 320
mm alcançamos mag. 16.
Classe 4:
Transição rural/suburbano. Domos de poluição
luminosa são bem aparentes sobre regiões habitadas em
diversas direções. A luz zodiacal é claramente
evidente mas não se estende a meio caminho do zênite
no começo ou fim dos crepúsculos. A Via Láctea
quando acima do horizonte ainda impressiona mas faltam as estruturas
mais óbvias. M48 é um objeto difícil mesmo com
visão periférica detectável apenas quando estiver
alta no céu. Nuvens nas direções de poluição
luminosa são iluminadas levemente mas ainda são escuras
no zênite. Você pode ver seu telescópio claramente
à distância. A magnitude máxima a olho nu fica
entre 6.1 e 6.5, um refletor 320mm usado com magnificação
moderada alcança mag. 15.5.
Classe 5:
Céu suburbano. Somente traços da luz zodiacal é
observada nas melhores noites da primavera ou outono. A Via Láctea
próxima ao horizonte é muito fraca ou invisível
e se apresenta bastante desbotada no zênite. As fontes de luz
são evidentes em praticamente todas as direções
do horizonte. Em todo ou quase todo o céu as nuvens são
mais brilhantes que o próprio céu. O limite a olho nu
fica entre 5.6 e 6.0, com um refletor de 320 mm alcançamos
mag. 14.5 a 15.
Classe
6:
Céu claro suburbano. Nenhum traço da luz zodiacal pode
ser visto mesmo nas melhores noites. Qualquer indício da Via
Láctea só é aparente no zênite. O céu
brilha num branco acinzentado até 35° acima do horizonte.
Nuvens em qualquer ponto do céu aparecem bastante brilhantes.
Você não tem problemas para visualizar as oculares e
acessórios numa mesa auxiliar. M48 é impossível
de observar sem a ajuda de um binóculo. O limite a olho nu
fica em 5.5, um refletor de 320 mm com aumento moderado mostra estrelas
de mag. entre 14.0 e 14.5.
Classe 7:
Transição suburbano/urbano. Todo o fundo do céu
tem uma coloração levemente acinzentada. Fontes luminosas
fortes são evidentes em todas as direções. A
Via Láctea é totalmente invisível ou quase isso.
Nuvens são bem luminosas. Mesmo em telescópios de tamanho
moderado os objetos Messier são um pálido fantasma da
realidade. A magnitude limite a olho nu está em 5.0 com esforço,
um refletor 320 mm mal alcança mag. 14.
Classe 8:
Céu de cidade. O céu brilha cinzento ou alaranjado e
você consegue ler as manchetes de jornais sem dificuldade. Só
os objetos Messier mais brilhantes são detectados num telescópio
de tamanho modesto. Algumas estrelas que fazem parte de constelações
familiares são difíceis de ver ou estão ausentes.
A olho nu vemos estrelas até mag. 4.5 no máximo se você
souber para onde olhar e o limite para um refletor de 320 mm é
um pouco mais de 13.
Classe 9:
Céu de centro de cidade. Todo o céu está fortemente
iluminado mesmo no zênite. Muitas estrelas familiares que formam
constelações são invisíveis e constelações
fracas como Cancer e Pisces não são visíveis.
Sem considerar as Pleiades nenhum objeto Messier é visível
a olho nu. Os únicos objetos celestiais que proporcionam uma
boa observação são a Lua, os planetas e alguns
dos mais brilhantes aglomerados abertos (se você os encontrar).
O limite a olho nu fica em 4.0 ou menos.
Fonte:
http://skyandtelescope.com/resources/darksky/article_81_1.asp