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Sobradinho
(Sá
e Guarabira).
O homem chega já desfaz a
natureza,
Tira a gente põe represa, diz que tudo vai mudar
O São Francisco lá prá cima da Bahia,
Diz que dia menos dia vai subir bem devagar.
E passo a passo vai cumprindo a profecia
Do beato que dizia que o sertão ia alagar,
O sertão vai virar mar, dá no coração,
O medo que algum dia o mar também vire sertão.
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Vai virar mar, dá no coração,
O medo que algum dia o mar também vier sertão.
Adeus Remanso, Casa Nova, Santo Sé,
Adeus Pilão Arcado, vem o rio te engolir,
Debaixo d'água lá se vai a vida inteira,
Por cima da cachoeira o gaiola vai subir.
Vai ter barragem no salto do Sobradinho
E o povo vai se embora com medo de se afogar,
Remanso, Casa Nova, Santo Sé, Pilão Arcado, Sobradinho adeus, adeus. |
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Águas de Março
(Tom
Jobim)
É pau, é pedra, é o fim do caminho,
É um resto de toco, é um pouco sozinho.
É um caco de vidro, é a vida, é o sol,
É a noite, é a morte, é um laço, é o anzol.
É peroba no campo, é o nó da madeira,
Caingá candeia, é o matita-pereira.
É madeira de vento, tombo da ribanceira,
É o mistério profundo, é o queira ou não queira.
É o vento ventando, é o fim da
ladeira,
É a viga, é o vão, festa da cumeeira.
É a chuva chovendo, é conversa ribeira
Das águas de março, é o fim da canseira.
É o pé, é o chão, é a marcha estradeira,
Passarinho na mão, pedra de atiradeira.
É uma ave no céu, é uma ave no chão,
É um regato, é; uma fonte, é um pedaço de pão.
É o fundo do poço, é o fim do caminho,
No rosto um desgosto, é um pouco sozinho.
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É um estepe, é um prego, é uma conta, é
um conto,
É um pingo pingando, é uma conta, é um ponto.
É um peixe, é um gesto, é uma prata
brilhando,
É a luz da manha, é o tijolo chegando.
É a lenha, é o dia, é o fim da picada,
É a garrafa de cana, o estilhaço na estrada.
É o projeto da casa, é o corpo na cama,
É o carro enguiçado, é a lama, é a lama.
É um passo, é uma ponte, é um sapo, é uma rã,
É um resto de mato, na luz da manhã.
São as águas de março fechando o verão,
É a promessa de vida no teu coração.
É uma cobra, é um pau, é João, é José,
É um espinho na mão, é um corte no pé.
São as águas de março fechando o verão,
É a promessa de vida no teu coração.
É pau, é pedra, é o fim do caminho,
É um resto de toco, é um pouco sozinho.
É um passo, é uma ponte, é um sapo, é uma rã...
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Planeta Água
(Guilherme
Arantes)
Água que
nasce na fonte serena do mundo
E que abre um profundo grotão
Água que faz inocente riacho
E deságua na corrente do ribeirão
Águas escuras dos rios que levam
A fertilidade ao sertão
Águas que banham aldeias
E matam a sede da população
Águas que caem das pedras no véu
Das cascatas, ronco de trovão
E depois dormem tranqüilas
No leito dos lagos, no leito dos lagos
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Água dos igarapés, onde Iara,
A mãe d'água é misteriosa canção
Água que o sol evapora,
Pro céu vai embora, virar nuvem de algodão
Gotas de água da chuva,
Alegre arco-íris sobre a plantação
Gotas de água da chuva, tão tristes,
São lágrimas na inundação
Águas que movem moinhos
São as mesmas águas que encharcam o chão
E sempre voltam humildes
Pro fundo da terra, pro fundo da terra
Terra, planeta água
Terra, planeta água
Terra, planeta água
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