134 JOURNAL OF THE ATMOSPHERIC SCIENCES VOLUME 20

Um esquema conveniente para a computação automática é a avaliação sucessiva de Xi(n+1), Xi((n+2)), e Xi,n+1 de acordo com (9), (10) e (14). Utilizamos este procedimento em todos os cálculos descritos neste estudo.
   No espaço da fase uma solução numérica de (1) deve ser representada por uma partícula que pula em lugar de uma partícula continuamente em movimento. Além disso, se um computador digital for instruído para representar cada número em sua memória por uma quantidade de bits fixa predeterminada, somente certos pontos individuais no espaço da fase serão ocupados. Se a solução numérica é limitada, eventualmente devem ocorrer repetições, de modo que, estritamente falando, toda solução numérica é periódica. Na prática esta consideração pode ser descartada se o número de diferentes estados possíveis for muito maior que o número total de iterações possíveis de ser realizadas. A necessidade de repetição poderia ser evitada totalmente pelo procedimento algo anti-econômico de deixar a precisão da computação aumentar conforme n aumenta.
   Considere agora soluções numéricas para equações (4), obtidas pelo procedimento da diferença de avanço (11). Para essas soluções,

Consideremos que S' é qualquer superfície de Q constante cujo interior R'  contém a elipsóide E  onde dQ/dt  desaparece, e que S é qualquer superfície de Q constante cujo interior R'  contém S'.
  
Como ∑Fi2   e  dQ/ dt ambos possuem limites superiores em R', podemos escolher ∆t tão pequeno que Pn+1  fique em R se Pn ficar em R'. Da mesma forma, como ∑Fi2 possui um limite superior e dQ/dt possui um limite superior negativo em R-R', podemos escolher ∆t tão pequeno que Qn+1<Qn se Pn ficar em R- R'. Então ∆t pode ser escolhido tão pequeno que qualquer partícula que pula, que tenha entrado em R, permaneça aprisionada dentro de R, e a solução numérica não exploda. Uma explosão pode ainda ocorrer, porém, se inicialmente a partícula é externa a R.
  
Considere agora o procedimento de dupla aproximação (14). Os argumentos prévios implicam não só que P(n+1) fica dentro de R se Pn fica dentro de R, mas também que P((n+2)) fica dentro de R se P(n+1) fica dentro de R. Como a região R  é convexa, segue que Pn+1, como dado por (14), fica dentro de R se Pn fica dentro de R. Então se ∆t é escolhido tão pequeno que o procedimento de diferença de avanço não explode, o procedimento de dupla aproximação também não explode.
   Notamos por sinal que se aplicamos o procedimento de diferença de avanço a um sistema conservativo onde dQ/dt=0  por toda parte,

Neste caso, para qualquer escolha fixada de t a solução numérica finalmente vai para infinito, a menos que esta esteja assintoticamente

alcançando um estado estável. Um resultado similar se obtém quando o procedimento de dupla aproximação (14) é aplicado a um sistema conservativo. 

5. As equações de convecção de Saltzman 

Nesta seção apresentaremos um sistema de três equações diferenciais ordinárias cujas soluções representam o exemplo mais simples do fluxo não periódico determinístico do qual o autor tem conhecimento. O sistema é uma simplificação de um derivado de Saltzman (1962) para estudar a convecção de amplitude finita. Embora nosso presente interesse esteja na natureza não periódica de suas soluções, mais do que em suas contribuições ao problema da convecção, nós descreveremos brevemente seu ambiente físico.
   Rayleigh (1916) estudou o fluxo que ocorre em uma camada de fluido de profundidade uniforme H, quando a diferença de temperatura entre as superfícies superior e inferior é mantida a um valor constante ∆T. Tal sistema possui uma solução de estado estável na qual não há movimento, e a temperatura varia linearmente com a profundidade. Se esta solução é instável, a convecção poderia se desenvolver.
   No caso onde todos os movimentos são paralelos ao plano xz, e não ocorrem variações na direção do eixo y, as equações dominantes podem ser escritas (ver Saltzman, 1962)


Aqui ψ é uma função do fluxo para o movimento bi-dimensional, θ é a saída de temperatura que ocorre no estado de não convecção, e as constantes g, α, v, e κ denotam, respectivamente, a aceleração da gravidade, o coeficiente de expansão térmica, a viscosidade cinemática, e a condutividade térmica. O problema é mais tratável quando os limites superior e inferior são tomados como livres, em cujo caso ψ e Ñ2ψ desaparecem em ambos os limites.
   Rayleigh encontrou que os campos de movimento da forma

Se desenvolveriam se a quantidade

Agora chamado o número Rayleigh, excedesse um valor crítico

O valor mínimo de Rc, quer dizer, 27p4/4, ocorre quando a2=½.
  
Saltzman (1962) derivou um conjunto de equações diferenciais ordinárias expandindo ψ; e θ na dupla série Fourier em x e z, com as funções de t só para coeficientes, e

 
     
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