MARCH 1963 EDWARD N. LORENZ 131

ordinárias novamente, embora um conjunto muito mais simples do que aquele que governa os movimentos moleculares individuais.
Em qualquer sistema hidrodinâmico real a dissipação viscosa está ocorrendo sempre, a menos que o sistema esteja se comportando como um sólido; e a dissipação térmica está ocorrendo sempre, a menos que o sistema esteja a temperatura constante. Para certos propósitos muitos sistemas podem ser tratados como sistemas conservativos, nos quais a energia total, ou alguma outra quantidade, não varia com o tempo. Ao procurar o ultimo comportamento de um sistema o uso de equações conservativas é insatisfatório, já que o último valor de qualquer quantidade conservativa teria que igualar o valor inicial arbitrariamente escolhido. Esta dificuldade pode ser ultrapassada incluindo os processos dissipativos, através disso tornando as equações não conservativas e também incluindo forçamentos externos, mecânico ou térmico, assim, evitando que o sistema finalmente alcance um estado de repouso. Se o sistema deve ser determinístico, as funções de forçamento, se não constantes com o tempo, devem variar de acordo com alguma função determinística.
Neste trabalho, portanto, lidaremos especificamente com sistemas finitos de equações diferenciais ordinárias determinísticas, criadas para representar os sistemas hidrodinâmicos dissipativos forçados. Estudaremos as propriedades das soluções não periódicas destas equações.
Não é óbvio que essas soluções possam existir. Na verdade, em sistemas dissipativos governados por conjuntos finitos de equações lineares, um forçamento constante leva finalmente a uma resposta constante, enquanto um forçamento periódico leva a uma resposta periódica. Então, o fluxo não periódico às vezes tem sido considerado como o resultado de forçamento randômica ou não periódica.
O raciocínio que leva a estas conclusões não é aplicável quando as equações dominantes são não lineares. Se as equações contêm termos que representam a convecção – o transporte de alguma propriedade de um fluido pelo movimento do fluido em si – um forçamento constante pode levar a uma resposta variável. Nos experimentos de vaso giratório já mencionados, tanto o fluxo periódico quanto o não periódico resultam do forçamento térmico que, dentro dos limites do controle experimental, é constante. Soluções periódicas exatas de sistemas simplificados de equações, representando o fluxo participativo com forçamento térmico constante, têm sido obtidas analiticamente pelo autor (1962a). O autor (1962b) também achou soluções não periódicas de sistemas similares de equações por meios numéricos. 

2. Espaço da fase

Considere um sistema cujo estado pode ser descrito por M variáveis  X1... XM. Permita que o sistema seja governado por um conjunto de equações 

onde o tempo t é a única variável independente, e as funções Fi possuem derivadas primeiras e parciais contínuas. Tal sistema pode ser estudado por meio do espaço de fase−


 

 um espaço euclidiano M-dimensional Γ cujas coordenadas são X1, … , XM. Cada ponto no espaço de fase representa um possível estado instantâneo do sistema. Um estado que varia de acordo com (1) é representado por uma partícula em movimento no espaço de fase, deslocando-se ao longo de uma trajetória no espaço de fase. Para completar, a posição de uma partícula estacionária, representando um estado estável, é entendida como uma trajetória.
O espaço de fase tem sido um conceito útil para tratar sistemas finitos, e tem sido utilizado por matemáticos como Gibbs (1902) em seu desenvolvimento da mecânica estatística, Poincaré (1881) em seu tratamento das soluções de equações diferenciais, e Birkhoff (1927) em seu tratado sobre sistemas dinâmicos.
Com base na teoria das equações diferenciais (por exemplo, Ford 1933, ch. 6), segue, como as derivadas parciais ∂Fi/∂X1 são contínuas, que se t0 é qualquer tempo, e se X10, …,XM0  é qualquer ponto em Γ, as equações (1) possuem solução única

válida durante algum intervalo de tempo contendo t0, e satisfazendo a condição

As funções fi são contínuas em X10,…, XM0 e t. Assim, há uma única trajetória através de cada ponto de Γ. Duas ou mais trajetórias podem, porém, se aproximar do mesmo ponto ou a mesma curva assintoticamente como t→∞ ou como t→-∞.  Além disso, como as funções fi  são contínuas, a passagem de tempo define uma deformação contínua de qualquer região de Γ em outra região.
No caso familiar de um sistema conservativo, onde alguma quantidade Q positiva definida, que pode representar alguma forma de energia, é invariável com o tempo, cada trajetória é restrita a uma ou outra das superfícies de constante Q. Estas superfícies podem tomar a forma de carapaças concêntricas fechadas.
Se, por outro lado, há dissipação e força, e se, sempre que Q iguale ou exceda algum valor Q1 fixado, a dissipação produz a diminuição de Q mais rapidamente então a força pode aumentar Q, então (-dQ/dt) tem um limite menor positivo onde Q ≥ Q1, e cada trajetória deve finalmente ficar aprisionada na região onde Q < Q1. As trajetórias que representam o fluxo dissipativo forçado podem então diferenciar-se consideravelmente daquelas que representam o fluxo conservativo.
Sistemas dissipativos forçados deste tipo são tipificados pelo sistema

onde ∑aijkXiXjXk desaparece identicamente, ∑bijkXiXj  é positivo definido, e c1,…, cM são constantes. Se

 
     
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