Manlio
Moretto tem como pintor, um interesse particular para o nosso país, neste
findar de século e de milênio.
Ao longo de cinco séculos de existência, o Brasil foi acumulando
história, traduzida no seu estilo de vida do cotidiano, nas fazendas
do interior, nos monumentos que foram surgindo através das idades, nos
cruzamentos de raças, etc.
O século passado teve em Debret, um cuidadoso retratista dos tipos humanos
e do cotidiano da sociedade brasileira.
Neste século, o Brasil tem em Manlio Moretto o grande pintor do seu acervo
histórico-monumental, bem como do bucólico interiorano tão
bem refletido em suas composições. Perante os nossos olhos perpassam
igrejas barrocas, velhos casarões coloniais, perspectivas encantadoras
de recantos de pequenas cidades, paisagens cheias de céu ou de água,
tudo tingido e realçado por composição e cor, que nos transportam
para outros tempos e lugares.
Independente do interesse pictórico da sua obra - que é enorme
- toma corpo o valor, digamos, histórico-didático dos seus quadros,
enquanto dão a conhecer belezas insuspeitadas por esse Brasil afora e
recolheu, "in requiem", muitas belezas do passado, alteradas ou destruídas
pelo passar dos anos.
O Projeto Abertura vê neste pintor o seu valor de elo perante o passado
e o futuro, que tão necessário é para um desenvolvimento
harmônico das novas gerações.