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UTILIZAÇÃO
DE RECURSOS AUDIOVISUAIS
Fernando
Lincoln Mattos
Universidade
de Fortaleza
e-mail:
[email protected]
Podem ser apresentados estímulos a
uma pessoa, mas as suas necessidades e experiências prévias é que determinam se
ela os aceitará ou rejeitará - se uma mensagem recebida será bem ou mal
interpretada...
Edgar Dale
Os recursos
audiovisuais representam poderosos elementos de apoio à aula. Entretanto,
utilizados sem critério ou competência técnica necessários, tornam-se
contraproducentes. Muitos professores não os utilizam, sob o argumento de que
induzem ao "tecnicismo" o que muitas vezes revela mais um medo diante da
tecnologia que propriamente um conjunto de razões bem justificadas. Em outro
extremo, encontramos aqueles que fazem uso extensivo de recursos audiovisuais,
empobrecendo vários aspectos da relação didática e "queimando" o recurso, via
superexposição.
O objetivo
deste artigo é descrever algumas providências importantes no trato de alguns
recursos audiovisuais, desde o venerável quadro-de-giz (também conhecido por
"lousa" ou "quadro-negro") até o moderno projetor LCD ("datashow"), sem,
contudo, realizar a apologia da utilização do recursos pelo
recurso.
Quadro-de-giz
e quadro branco
Quadro-de-giz
e quadro branco devem ser utilizados para demonstrações. Por este motivo, o
professor deve evitar sua utilização para escrever textos longos. O quadro
presta-se a esquemas simples (cujos tópicos devem ser escritos à medida em que
forem explicados), demonstrações de cálculos e desenhos simples. Evite “encher”
o quadro de informações. Outras providências úteis:
·
Escreva com
letras de tamanho suficiente para que sejam distingüidas pelos alunos do fim da
sala;
·
Evite
escrever falando. Como as frases serão curtas, não há motivo para isto. Fale
sempre de frente para os alunos;
·
Ao mudar de
assunto, apague as referências ao assunto anterior;
·
Durante a
explicação, evite ficar na frente do que escreveu;
·
Antes de
utilizar o quadro branco, observe:
·
Se os
pincéis contêm tinta;
·
Se são
apropriados para utilização com quadro branco.
·
Se utilizar
o pincel inadequado ao escrever (a marca não sai com o apagador), não use álcool
para remover a tinta. O álcool destrói a película que recobre o quadro,
dificultando os apagamentos posteriores. Se a área for pequena, passe o pincel
apropriado por cima das marcas, apagando imediatamente. Caso seja uma área
grande, utilize um pano umedecido em água;
·
Após a
sessão, apague o quadro e deixe a mesa limpa para o próximo professor;
·
Imediatamente
após escrever, tampe o pincel pois sua tinta seca facilmente. Guarde-o sempre na
posição horizontal.
Retroprojetor
A
transparência deve ser usada no momento certo e com um objetivo pedagógico
definido:
·
Visualizar
um conceito;
·
Recapitular
pontos essenciais.
Preparo das transparências
Existem três tipos básicos:
1)
Simples: Você pode desenhar na transparência simples utilizando canetas
hidrográficas especiais ou até lápis cera. Na maioria dos casos, prefira
utilizar os outros tipos de transparências, mais práticas e com melhores
resultados;
2) Para
fotocópia: Possui preço baixo e praticidade, aliados a resultados esteticamente
bem aceitáveis. Na transparência para fotocópia você prepara o original em papel
e depois fotocopia diretamente na transparência (em preto-e-branco ou colorido,
conforme as características da máquina fotocopiadora);
3) Rugosa:
Própria para impressões em cores nas impressoras eletrônicas a jato de tinta,
custa o dobro daquelas para fotocópia, vendida em lojas de artigos para desenho,
suprimentos para computador e papelarias. No tipo rugoso, você prepara o
original em computador e imprime diretamente na transparência. Os programas de
computador para PC mais utilizados são o PowerPoint (Microsoft), o Presentations
(Corel) e o Harvard Graphics (Software Publishing). Opcionalmente, pode-se
utilizar as planilhas eletrônicas como o Quattro Pro (Corel) e o Excel
(Microsoft) ou mesmo um bom Processador de Textos, como o WordPerfect (Corel),
StarOffice Writer (Sun) e Word (Microsoft). Em todos os casos, utilize letras
de, no mínimo, 18 pontos (tipo Arial), de preferência em negrito, e evite
gráficos ou figuras excessivamente detalhadas.
Existem
ainda as transparências para impressora laser, mas são pouco utilizadas, devido
ao alto custo deste equipamento e aos resultados aceitáveis produzidos pelas
impressoras a jato de tinta.
·
Não utilize
mais que seis linhas por transparência. Jamais fotocopie páginas de livros ou
tabelas detalhadas. Sua audiência nada verá...
·
O texto deve
ser direto, expressando uma idéia por linha. Quanto menos texto, maior o
impacto;
·
As letras
devem ser grandes. Enfatize aqui e ali utilizando cores diversas. Evite o rosa,
o amarelo-ouro e o verde-limão;
·
O tamanho
indicado da transparência deve ser de 8,5 x 11 polegadas (21,59 x 27,94
centímetros - tipo Carta). Utilize-a deitada (modo paisagem, landscape). Observe que as margens
suficientes para o conteúdo da transparência caber todo na área do retroprojetor
são de 2,5 centímetros em cada lado (esquerda, direita, topo e rodapé). Atente
para a qualidade gráfica: ela atrai mais.
A apresentação
A aula não
deve ser toda realizada com transparências. Resista a esta tentação... Elas se
prestam apenas a momentos curtos, como um meio de quebrar o ritmo e centrar
momentaneamente a atenção do grupo para os pontos principais do assunto
enfocado. Por isso utilize, no máximo, quatro ou cinco delas. Quanto maior o
número, maior a dispersão e menor a fixação do que é apresentado. Lembre-se: A
transparência é um suporte visual para o discurso, no verdadeiro sentido do
termo, não um discurso visual;
·
Deixe as
luzes acesas, para os alunos fazerem anotações. No máximo, feche uma janela ou
apague a lâmpada próxima à tela. A transparência bem feita não necessita de
ambiente escuro;
·
Explique a
partir do retroprojetor e não da tela, utilizando uma caneta ou outro objeto
pontiagudo para enfatizar algum ponto, na própria transparência. Opcionalmente,
pode-se utilizar o ponteiro a laser (laserpoint) direto na tela ou uma
caneta telescópica. A utilização do ponteiro, entretanto, exige treino, sendo
mais recomendada para apresentações com projetor de slides ou datashow;
·
Durante a
exposição, fique sempre de frente para o grupo e não passe na frente da tela nem
deixe que o braço ou mãos apareçam no foco;
·
Posicione os
alunos de forma a não ficarem atrás do retroprojetor. Faça o ajuste de altura da
imagem deslocando o espelho superior em torno de seu eixo, evitando inclinar o
aparelho colocando livros embaixo;
·
Desligue o
retroprojetor quando não estiver usando, sem retirar o plugue da tomada, para
não prejudicar a ventilação do aparelho. A lâmpada interna queima com
facilidade. Por isto, nunca a deixe acesa sem uma transparência;
·
Ao trocar de
transparências, desligue sempre o retroprojetor;
·
Não coloque
livros ou outros objetos embaixo do retroprojetor, para “levantar” o foco.
Ajuste a altura do foco movimentando a cabeça do retroprojetor na
vertical.
Opcionalmente,
você pode utilizar transparências superpostas, obtendo aos poucos a composição
do tema abordado. Outra técnica é utilizar o recurso strip-tease, encobrindo parte dos dados
de uma transparência, para revelá-lo aos poucos, conforme o desenvolvimento do
tema. Para tanto, coloque uma folha de papel embaixo da transparência, de
modo que você possa ver qual o próximo tópico abordado.
Videocassete
A utilização
do vídeo como recurso didático vem sendo realizada com sucesso nas empresas,
escolas e universidades. Entretanto, por desconhecimento de técnicas didáticas
adequadas, vários colegas instrutores e professores não vêm explorando
convenientemente esta importante ferramenta. Aqui estão algumas recomendações
que possibilitam a utilização mais ampla e adequada do vídeo em aula.
Quando
utilizar o videocassete
O
videocassete deve ser utilizado nas seguintes situações:
·
Quando
trouxer uma contribuição efetiva à aula. Assim como os outros recursos
audiovisuais, videocassete e videocâmera são instrumentos, ferramentas de
trabalho, não uma panacéia para "preencher" aulas, sem um objetivo claramente
definido;
·
Como
ilustração, ampliação do conteúdo ou síntese de uma unidade do conteúdo
programático.
·
Utilizado no
início de uma aula, o vídeo deverá ser instigante, um convite ao debate, à
discussão e análise; inversamente, porém, ao final da aula o vídeo deverá se
caracterizar por situações conclusivas, que sintetizem os conteúdos aprendidos
durante a aula.
Quando utilizar a videocâmera
A câmera de
vídeo pode ser utilizada, para fins didáticos, de várias maneiras. Aqui vão
algumas:
·
Gravação de
aulas-chave da disciplina ou treinamento, proporcionando o posterior estudo
individual ou de pequenos grupos de alunos, minimizando problemas de ritmo de
aprendizagem ou perda de informações devido a faltas;
·
Gravação de
aulas sobre conhecimentos que constituam pré-requisitos para a disciplina ou
treinamento, a serem repassados em videocassete aos alunos a qualquer momento,
fora do horário normal de aulas, sem necessitar da presença do professor;
·
Em aulas que
envolvam trabalho com o corpo ou ergonomia, para estudo posterior dos
movimentos;
·
Em
treinamento didático para professores e instrutores, para análise das
habilidades didáticas. Neste caso ressalte-se que a filmagem é apenas um
indicador de performance, não uma cópia fiel do desempenho didático do
professor/instrutor.
Características da produção em vídeo
Didaticamente,
a produção em vídeo deve ter as seguintes características:
·
A duração
não pode ser longa. No máximo, 30 minutos. Mais do que isto torna-se cansativo
para vários alunos, iniciando-se a dispersão;
·
Deve
enfatizar a imagem em movimento, razão de ser desta ferramenta. Evite a
apresentação, em vídeo, de longas conferências que, em muitos casos, seriam
melhor compreendidas se seu conteúdo fosse apresentado aos alunos por escrito.
Preparo da aula com vídeo
·
Em primeiro
lugar, antes da aula, o professor deve checar as condições para a aula: Cadeiras
em quantidade suficiente (quando soltas, às vezes são levadas por alunos a salas
vizinhas...); videocassete e fita em perfeitas condições (mesmo que tenham sido
utilizados no dia anterior...); disponibilidade da sala de vídeo naquele horário
(reservar formalmente com o setor responsável); iniciar a aula no horário
previsto (dependendo da técnica utilizada, as aulas com vídeo podem reduzir a
flexibilidade do tempo disponível);
·
Preveja a
forma como será conduzida a aula após a sessão. Não é suficiente a mera
apresentação da fita e a posterior promoção de um debate sobre o que os alunos
"acharam" das idéias emitidas. É importante o planejamento cuidadoso sobre a
técnica adequada a este momento e sua condução. Caso hajam questionamentos que o
professor deseje fazer aos alunos sobre a projeção, elaborá-los com
antecedência. Escolha a fita adequada a seus objetivos para a aula e a unidade.
Às vezes, uma fita é muito interessante em si, mas não se presta para uma
determinada situação. Dependendo da técnica utilizada, o professor deve saber os
pontos exatos da fita em que deve fazer observações, anotando-os, para não
esquecer os pontos-chave de intervenção.
·
Preparar os
alunos para a sessão de vídeo: quais os pontos básicos em que devem concentrar
suas atenções; orientá-los a tomar nota de suas observações; contextualização
histórica da produção em foco.
Técnicas para dinamizar as aulas com
vídeo
Aqui estão
algumas sugestões de técnicas didáticas para aproveitar ao máximo os recursos do
vídeo, especialmente videocassete. O objetivo maior destas técnicas é impedir a
passividade do aluno frente ao vídeo, tentação que encontra paralelo no ato de
ligar um aparelho de TV e aquietar-se passivamente diante dele, tão freqüente em
nossos dias.
·
A produção
em vídeo para fins didáticos não pode ser vista à maneira das produções
comerciais, de lazer. Portanto ao passar uma fita em vídeo, é didaticamente
saudável repeti-la, "congelar" determinadas cenas, repetir cenas específicas
(selecionadas previamente...), desligar o som. Tudo isto para favorecer apartes
do professor ou instrutor, no sentido de enfatizar ou complementar uma
informação imediatamente após sua exposição na tela da TV, ajudando a fixar
melhor o conteúdo.
·
Trabalhos em
grupo para analisar o conteúdo do vídeo. O vídeo pode, por exemplo, mostrar uma
determinada situação da realidade, sem apontar solução. A isto chamamos
caso-problema. O caso-problema seria analisado pelos grupos com o objetivo de
propor soluções. Na mesma linha teríamos o caso-análise, que difere do
caso-problema por já trazer soluções explícitas para um determinado problema. Os
grupos, então tentariam analisar a forma como o problema foi resolvido no vídeo;
·
Estudo
dirigido para verificar a compreensão de pontos importantes;
·
Questionários
abrangendo aspectos demonstrados no vídeo;
·
Debates em
pequenos grupos ou no "grupão", neste sob a coordenação do professor, envolvendo
os pontos essenciais levantados pela fita (previamente organizados pelo
professor).
Enfim, é
importante lembrar, no caso da produção local de um vídeo, a participação dos
alunos em todas as fases da produção, juntamente com o professor. É um momento
rico para todos que contribui decisivamente para o melhoria da
aprendizagem.
Flipchart
O
flipchart, ou quadro-papel, consiste em folhas avulsas de aproximadamente um
metro de comprimento por meio metro largura, montadas em um cavalete apropriado.
Deve ser utilizado em turmas pequenas, de até 20 alunos. É bastante parecido, na
utilização, com o quadro-de-giz ou com o quadro branco, mas difere destes pelo
fato de permitir utilizar a “memória” do que foi escrito, pois as folhas podem
ser repassadas, revelando anotações anteriores.
O pincel
utilizado é o comum (impróprio para quadro branco), por isto preste atenção para
não se enganar de pincel, ao utilizar simultaneamente o flipchart e o quadro
branco. Escreva com letras grandes o suficiente para que todos vejam, evitando
“encher” a folha, o que causa perda de impacto na apresentação.
Álbum
Seriado
Álbum
seriado é uma variação do flipchart. Embora ambos se utilizem do mesmo cavalete
de suporte, o álbum seriado é feito com antecedência, com desenhos e letras mais
caprichados. Procure colocar sempre uma folha em branco no início, para
resguardar o elemento-surpresa da apresentação.
Projetor de
Slides
Ao contrário
do retroprojetor, que não deve ser utilizado como discurso visual (embora muita
gente o faça desta maneira...), o projetor de slides presta-se a isto. Alguns
elementos concorrem para reforçar esta idéia de discurso visual:
·
Deve ser
utilizado com luz apagada, para maior efeito de brilho e contraste;
·
Presta-se
melhor à projeção de gráficos e fotografias;
·
Pode ser
utilizado em série, automaticamente.
Os slides
podem sem preparados a partir do computador (principalmente no caso de
gráficos), fotografando-se diretamente da tela, ou com a utilização de fotos
externas. Em ambos os casos, é recomendável o uso de tripé para apoio da câmera.
Evite
colocar slides que não tenham importância significativa para o assunto em
questão, somente porque são visualmente atraentes, ou para “preencher o
carrossel”;
·
Utilize um
apontador quando for o caso de destacar partes do slide. O apontador mais
utilizado para slides atualmente é o laserpoint;
·
Eventualmente,
para dinamizar ainda mais a aula, você pode sofisticá-la, utilizando mais de um
projetor, alternando imagens divididas por categorias diferentes;
·
Para tomada
das fotos, experimente as câmeras digitais. A qualidade vem melhorando muito e a
praticidade dos modelos facilita o processamento das imagens no computador.
Prefira os modelos da Sony (série Mavica), Kodak, Canon, Fuji e Epson.
Uma boa
sessão de slides não deve durar mais que vinte minutos.
Projetor LCD
(“Data Display”, “Datashow”)
O Projetor
LCD ainda é pouco utilizado, principalmente pelo seu alto preço, mas é um
recurso didático poderoso e que não pode passar despercebido do professor. Outro
motivo complicador para sua utilização é o fato de exigir conhecimentos de
computação, para o preparo das apresentações em programas adequados e o manuseio
competente da máquina (em geral um notebook). Muitas vezes o professor tem
de recorrer a terceiros para a operação do equipamento, o que exige perfeita
sincronia entre operador e expositor.
A principal
vantagem do Projetor LCD é a interatividade. É possível modificar-se rapidamente
um determinado conteúdo apresentado, a partir de solicitações dos alunos, apenas
com alguns toques no computador. Portanto se a apresentação não comportar
interatividade, torna-se desnecessário o uso do Projetor LCD.
Existem
vários modelos no mercado, mas três tipos predominam: os modelos que projetam
somente em preto-e-branco, os modelos que simulam cores e os modelos mais caros
que permitem apresentações em high color
(64 milhões de cores). Para boa visualização, todos necessitam de ambiente
escuro. A tela oferece imagem de aproximadamente 1,5 x 1,5 metros.
Uma forma
mais barata e viável para uso em salas de aula ou salas de vídeo é a utilização
de uma placa de circuitos para transcodificação de sinais digitais do computador
para os sinais de TV. Isto possibilita a ligação do computador a uma televisão
grande, de 29 polegadas ou mais, resultando em efeitos semelhantes ao Projetor
LCD, com grande redução de custos e maior operabilidade.