Página
principal
|
Beatriz Bissio
1º O poder e o papel dos
meios de comunicação de massa na sociedade moderna são um dos temas mais estudados
nos últimos anos. O escritor uruguaio Eduardo Galeano, autor do clássico As veias abertas da América Latina, qualifica
o monopólio mundial das comunicações de uma “ditadura eletrônica”da qual é
difícil escapar.
2º De
fato, o impacto que os meios exercem, principalmente os eletrônicos, é objeto
de crescente preocupação não só em círculos de especialistas, mas em amplos
setores sociais e políticos. Ninguém desconhece hoje em dia a influência da
televisão, rádio, imprensa escrita e inclusive cinema, na formação da opinião
pública.
3º No
mundo do pós-Guerra Fria, a ampliação e
o aprofundamento da democracia
constituem numa das mais importantes aspirações dos povos. Mas o exercício da
democracia exige o acesso a uma informação confiável.
4º Em
boa parte dos países ocidentais, entre os quais se incluem quase todos os da
América Latina, os maiores jornais e revistas são empresas privadas, enquanto
rádios e canais de televisão são concessões do Estado exploradas pela
iniciativa privada (à exceção das TVs Educativas, que geralmente são estatais).
5º Como os meios de
comunicação de massa são encarados como empresas privadas, não escapam ao
objetivo último de gerar lucros aos que os controlam. Também por isso, a
programação não está pensada com fins educativos ou informativos: está
determinada por interesses comerciais.
6º Por essa razão, mesmo
quando não há nenhum tipo de
interferência do Estado nos meios de comunicação, não necessariamente existe liberdade
de imprensa, se utilizarmos essa
expressão para definir a capacidade de qualquer setor social ou de qualquer
cidadão ter acesso à mídia para expressar seus pontos de vista.
7º Os patrocinadores ou
anunciantes e os proprietários das
concessões são os que têm, em última instância, o poder de determinar que tipo
de programação vão veicular e de impor sua ótica aos noticiários.
8º O anunciante manda -
Segundo o psiquiatra Sérgio de Paula Ramos, dez por cento da receita da
televisão brasileira vêm de anúncios de bebidas alcoólicas, cigarros e medicamentos.Mas
os problemas causados à saúde por essas drogas lícitas consomem 7,9% do Produto
Interno Bruto (PIB) do país, em tratamentos e internações hospitalares,
acidentes de trânsito e aposentadorias precoces.
9º “Por isso – afirma o
psiquiatra - , os meios de comunicação fazem tanto estardalhaço em relação à
cocaína e à maconha, que não são tão consumidas no Brasil, mas deixam de
informar sobre problemas muito mais graves
provocados pelo alcoolismo, o vício de fumar e o consumo de medicamentos
sem orientação médica e em excesso.”
10º Em um sistema como este,
onde a informação deve atender ao interesse do dono do veículo e do anunciante,
o fato em si perde importância; o que vale é a versão do fato divulgada pelos meios de comunicação ao grande
público. Ao desfrutar desse direito de
fato de divulgar a versão dos fatos
que mais lhe convém, os que controlam os meios passam a deter um imenso poder político, maior inclusive dos que os
poderes constituídos do Estado. Por essa razão, os meios de comunicação são
chamados de o quarto poder.
11º A sociedade à mercê da mídia – Na verdade, poucos ou nenhum são os
mecanismos de que dispõe a sociedade para intervir na definição dos conteúdos
programáticos dos meios de comunicação ou para assegurar o direito a uma informação
democrática.
12º Na
América Latina, o poder político dos donos dos meios de comunicação também é
notório. Na Colômbia, cinco dos presidentes que governaram o país nos últimos
50 anos pertenciam a um dos seis grupos de famílias que dominam 75% da circulação
de jornais e revistas no país. Na
Venezuela, segundo a senadora Lolita Aniyar de Castro, criminalista e estudiosa
da legislação sobre a mídia, a maioria dos membros do Parlamento está vinculada
a algum dos grupos que dominam a comunicação no país.
13º Em uma série de artigos
publicados este ano em um dos jornais mais importantes do país, dom Lucas
Moreira Neves, cardeal primaz do Brasil e arcebispo de Salvador, afirmou que o
objetivo da televisão brasileira tem sido “deseducar camadas inteiras da população”
e sentenciou: “Se não forem mudadas rapidamente as regras de jogo na televisão, este país nunca poderá ser
democrático.”
14º Um problema ético – Esse tremendo poder de manipulação da realidade
exige um debate sobre a ética nos meios de comunicação. Quais devem ser os
limites da liberdade de expressão?
15º Ao se falar em ética nos
meios de comunicação é importante analisar outro tipo de violência exercido por
eles: o abuso do poder de julgar as
pessoas antes que a Justiça tenha condições de fazê-lo.
16º A sociedade civil, em maior
ou menor medida, segundo os países, tem reagido diante do poder avassalador da mídia. O conceito de liberdade de imprensa está sendo
repensado, por se achar que nos dias atuais essa expressão é inadequada. Na
prática, lembra o especialista no assunto José Salomão Amorim, “a liberdade de
imprensa acaba por se transformar em liberdade de empresa” devido ao poder
exercido pelos grandes grupos econômicos.
17º Na opinião de Salomão,
“estamos assistindo ao nascimento de um outro conceito, capaz de expressar o
ideal de uma comunicação democrática: o
direito à informação. Nele, o cidadão é o centro das preocupações, e o que
antes era definido como liberdade torna-se um direito”.
18º O que falta, então para que
isso aconteça? Falta vontade política de enfrentar os interesses econômicos que
estão por trás do modelo tradicional. E para isso é necessário que a sociedade
organizada assuma a bandeira do direito à informação e lhe dê total prioridade.
19º Pela importância da mídia
no mundo moderno, sua democratização é, sem dúvida, um dos grandes desafios dos
partidos social-democratas, que lutam pela construção de uma sociedade mais
justa e igualitária.
(Caderno
do Terceiro Mundo – 179, adaptação do texto,p.23-29. Rio de Janeiro, Editora
Terceiro Mundo Ltda, 1995).
Questões:
1. O texto “o quarto
poder”tem como propósito(s)
01)alertar
o leitor para a influência dos meios de
comunicação na sua vida diária.
02)denunciar
a manipulação de informações que os patrocinadores e os proprietários dos meios
de comunicações fazem.
04)apresentar
informações sobre os meios de comunicação da América Latina.
08)alertar
o leitor sobre as alterações de comportamento que os meios de comunicação
realizam.
16)informar
o leitor sobre a obra de Eduardo Galeano, direcionada,exclusivamente, aos meios
de comunicação.
32)informar
o leitor sobre a não existência na prática e na realidade, da “liberdade de
imprensa”.
2. Do texto, pode-se depreender que
01)a programação dos meios de
comunicação tem mais fins lucrativos do que culturais.
02)o
anunciante, nos meios de comunicação, passa a ter mais poder do que o Estado.
04)os
meios de comunicação eletrônicos não influenciam tanto quanto a comunicação escrita.
08)a
“ditadura eletrônica”, à que Eduardo Galeano se refere, ocorre apenas na
América Latina.
16)a
ética, nos meios de comunicação, influencia a vida dos cidadãos, em alguns
casos, gravemente.
32)a
“liberdade de imprensa” é, na realidade, um conceito latino.
64)
a população brasileira está à mercê dos objetivos da televisão.
3.
O título desse texto permite depreender que os meios de comunicação de massa
01)são
o poder principal do Estado.
02)são
comparados ao poder da polícia
04)são
comparados com o Executivo, Legislativo e Judiciário.
08)são
chamados assim por determinarem, como os demais poderes, a vida dos cidadãos.
16)são
o poder do Parlamento brasileiro.
32)detêm
força semelhante à do Estado.
64)detêm
força semelhante ao PIB do Brasil.
4. O texto “o quarto poder”, além de informar, dá
ênfase à argumentação. Por isso, caracteriza-se como um texto
dissertativo-argumentativo.Esse tipo de texto apresenta uma estrutura
específica que se organiza em parágrafos. Dentro dessa estrutura, cada parágrafo,
tem o seu papel. No primeiro parágrafo, Beatriz Bissio
01)faz
uma afirmação, preparando as personagens para aquilo que vai defender ou
atacar.
02)cria
uma expectativa, apresentando as personagens de uma história real.
04)situa
o leitor no assunto, estabelecendo um compromisso de discuti-lo.
08)descreve
o cenário em que se desenvolverá uma história real.
16)avisa
o leitor que vai discutir o assunto sem, ainda, deixar evidenciado o seu ponto
de vista.
32)vale-se
das palavras de um escritor uruguaio para apresentar a sua premissa.
5.
(UNIMAR) – Considere as frases abaixo.
I.
Aquilo foram sonhos impossíveis.
II.
Vossa Majestade fostes muito bondoso.
III.
Santinha era dois olhos míopes.
Quais
as frases corretas quanto à concordância.
a)
I e II
b)
I e III
c)
I, II e III
d)
II e III
e)
Todas estão incorretas.
6. (FAC. FRANC. SP) – Assinale a alternativa
que completa correta e respectivamente as lacunas do período seguinte.
Elas
________________ providenciaram os atestados, que enviaram ____________________ às procurações, como
instrumentos ____________________ para os fins colimados.
a)
mesmas – anexos – bastantes
b)
mesmo – anexo – bastante
c)
mesmas – anexo – bastante
d)
mesmo – anexos – bastantes
e)
mesmas – anexos – bastante
7.
(UFPR)
–
1.
Ele se comportou com muita discrição.
2.
Como era mais fraco escolheu a caixa mais leviana para carregar.
3.
Apesar da boa atuação dos goleiros, houveram muitos gols nesta partida.
4.
O que me dói é ver cada vez mais ódio e menos compreensão.
5.
Sentia-me feliz em vê-la assim, tão disposta apesar da doença.
6.
Bastantes vezes reviram o trabalho, não obstantes estarem bastante cansados.
7.
Ela mesma fará o serviço, eu mesmo supervisionarei-o.
8.
O pessoal sabem que os japoneses são grandes eletricistas.
Considerando
os períodos acima, é correto afirmar que:
01
– Há erro de concordância nominal nos períodos 4 e 6.
02
– Há erro de concordância verbal nos períodos 3 e 8.
04
– Há um substantivo empregado de maneira imprópria no período 1.
08
- Há um substantivo empregado de maneiraa imprópria no período 2.
16
– O erro do período 5 é de regência; o do período 7 é de colocação.
32
– No período 6, bastantes é advérbio e bastante é
adjetivo.
64
– No período 7 poderia ocorrer mesóclise do pronome.
8.
(UFSM)
Observe o período:
"Há alguns anos, eu ajudava um
colega a corrigir provas de alunos do curso de engenharia civil."
De acordo com o padrão culto da
língua, a correta substituição dos elementos "Há" e "um
colega" encontra-se na alternativa:
a)
Fazem alguns anos, eu ajudava ele a corrigir provas de alunos do curso de
engenharia civil.
b)
Fazem alguns anos, eu lhe ajudava a corrigir provas de alunos do curso de
engenharia civil.
c)
Faz alguns anos, eu o ajudava a corrigir provas de alunos do curso de
engenharia civil.
d)
Faz alguns anos, eu ajudava ele a corrigir provas de alunos do curso de
engenharia civil.
e)
Fazem alguns anos, eu o ajudava a corrigir provas de alunos do curso de
engenharia civil.
9. (UPF) Considere este período: "O livro recebe muitas
críticas, porque há evidentes falhas em sua argumentação."
A alternativa que reescreve, com
correção gramatical, o período dado, mantendo-lhe o mesmo sentido, é:
a)
Como houveram evidentes falhas em sua argumentação, o livro recebeu muitas
críticas.
b)
Por haverem evidentes falhas em sua argumentação, o livro recebe muitas
críticas.
c)
Por haver evidentes falhas em sua argumentação, o livro recebe muitas
críticas.
d)
Por ter havido evidentes falhas em sua argumentação, o livro recebeu muitas
críticas.
e)
Como houve evidentes falhas em sua argumentação, o livro recebeu muitas
críticas.
10. (FURG) – Marque a alternativa incorreta quanto à
concordância verbal.
a)
Se houvesse mais leitores críticos, existiriam novas e animadoras perspectivas,
no que se refere à cultura e ao lazer.
b)
Deve haver razões para tão alarmante falta de leitura.
c)
Nesta discussão, trataram-se de assuntos da maior relevância e interesse
geral.
d)
Na investigação, houve detalhes desconsiderados pelos pesquisadores.
e)
Durante o debate, apresentaram-se argumentos compatíveis com as propostas de
renomados cientistas.
11. (UFSM) – “Em épocas de paz (se as há) nunca se viu ninguém
ridicularizando ninguém."
Assinale a alternativa incorreta em
relação à frase destacada.
a)
O verbo "haver" poderia ser substituído por "existir", sem
nenhuma outra alteração na sintaxe da frase.
b)
O pronome oblíquo "as" é um elemento de coesão que retoma a expressão
"épocas de paz".
c)
A substituição do primeiro "se" por "desde que" manteria a
relação de condição, mesmo provocando alteração na forma do verbo.
d)
Caso o segundo "se" fosse colocado após a forma verbal
"viu", ocorreria um erro de colocação pronominal.
e)
A pontuação ficaria igualmente correta, caso fossem trocados os parênteses por
virgulas para separar a oração "se as há".
12. Dê a soma das alternativas que apresentam erro de
concordância nominal.
01
– Repetirei bastantes vezes essa questão, pois ela aparece em bastantes exames.
02
– É necessário, agora, muita atenção.
04
– As custas do transporte estão inclusas no total.
08
– Percorreu tortuosos caminho e veredas.
16
– Percorreu tortuosa vereda e caminho.
32
– As hortaliças estão meio caras.
64
– Ela tinha carro e bicicleta azul-celestes.
13.
Dê a
soma da(s) alternativa(s) que apresente(m) concordância correta.
01 – Aqueles animais presos estão bastante nervosos.
02 – Entrada, a quem não é funcionário, é proibido.
04 – Fui eu que saiu bem cedo daquela fatídica festa.
08 – Amanhã, alguns de vós ireis à cidade comprar os mantimentos para
nosso acampamento.
16 – Seus olhos pareciam ser as portas abertas do castelo.
32 – Aquelas paredes pareciam caírem sobre nós e os convidados.
14. (UCPEL) –
“A
autora apresenta razões __________ para a acomodação das pessoas. Demonstra que
elas ________ procuram justificativas para
a resignação. Mas é ________ muita luta. Senão a vida se perde de si
mesma."
As palavras que preenchem
corretamente as lacunas são:
a)
bastante, mesmo, necessário.
b)
bastantes, mesmas, necessário.
c)
bastantes, mesmas, necessária.
d)
bastante, mesmo, necessária.
e)
bastantes, mesmo, necessária.
15. A concordância nominal correta
está em:
a) A bebida alcoólica é
proibido.
b) É meio-dia e
meio.
c) Eles próprios
resolveram os seus problemas.
d) Seguem anexo as
fotografias.
e)
Hoje são dia quinze de maio.
16. (CAT/SALV) – Assinale a alternativa em que a concordância
está correta.
a) Já estava incluso na
matrícula a despesa com material escolar.
b) Seus pais estavam
alertas com sua educação.
c) Excetos os amigos de
Sérgio, todos temiam o Aristarco.
d) Ninguém se preocupou
com as pseudos-ilusões do adolecente.
e)
Bastantes lágrimas o menino verteu naquele dia.
17. Assinale a alternativa que contém erro de
concordância nominal.
a)
Importada ou desenvolvida localmente, estas tecnologias aumentam a
produtividade e prolongam o uso dos recursos naturais.
b)
O recém nascido e a parturiente, que os médicos achavam idosa, estão passando
bem.
c)
"Zombo de mim própria, desprezo-me, abomino-me, sou uma poça de lama
amassada em lágrimas."
d)
O técnico e o bancário que eu julgava competentes não foram aprovados.
e)
As tecnologias tornam-se mais eficazes e limpas de variadas maneiras.
18. (SIMU/ZH) – “Paulo começou a receber um salário muito bom,
cujo dobro é igual ao de João" - De acordo com esta frase,
a)
João ganha a metade do salário que Paulo começou a receber.
b) Paulo começou a
receber o dobro do salário de João.
c) Paulo começou a
receber a metade do salário de João.
d) O dobro do salário
que Paulo começou a receber é igual ao dobro do salário de João.
e)
A metade do salário de Paulo é igual é igual ao salário de João.
19. (UFSM) – Dentre as variações de uma
mesma frase apresentadas a seguir, escolha a correta em relação às normas do
padrão culto da lingua.
a) Podem existir alunos
que tornam-se totalmente dependentes da indústria do treinamento para os vestibulares.
b) Pode existir alunos
que se tornam totalmente dependentes da indústria do treinamento para os
vestibulares.
c) Pode haver alunos
que tornam-se totalmente dependentes da indústria do treinamento para
vestibulares.
d)
Podem haver alunos que se tornam totalmente dependentes da indústria do
treinamento para vestibulares.
e)
Podem existir alunos que se tornam totalmente dependentes da indústria do
treinamento para os vestibulares.
Texto para as questões 20 e 21
De
todos esses periquitinhos que tem no Brasil, tuim é capaz de ser o menor. Tem
bico redondo e rabo curto e é todo verde, mas o macho tem umas penas azuis para
enfeitar. Três filhotes, cada um mais feio que o outro, ainda sem penas, os
três chorando. O menino levou-os para casa, inventou comidinhas para eles; um
morreu, outro morreu, ficou um.
(Rubem Braga)
20. (FUVEST) – Neste excerto de Tuim
criado no dedo,
a) o
narrador em terceira pessoa emprega o discurso indireto para assimilar o ponto de
vista do menino.
b)
repetições, diminutivos, simplicidade sintática introduzem no discurso a
perspectiva do menino.
c) a
escassez de adjetivos torna concreta a visão substantiva, própria da infância.
d) o
narrador em primeira pessoa utiliza o discurso direto para recriar a visão
infantil.
e)
diminutivos, predomínio da subordinação e sinestesias recriam o registro da
percepção infantil.
21. (FUVEST) – Das afirmações sobre o
verbo assinalado em “que tem no Brasil”, qual a única INCORRETA?
a) É
um uso típico da variante popular da língua.
b) Pode
ser corretamente substituído por há.
c) Seu
valor semântico difere daquele que apresenta nas demais ocorrências.
d) É um verbo
impessoal cujo objeto direto é o pronome que.
e) Pode
ser corretamente substituído por existe.