QUESTÕES DE PORTUGUÊS
Texto para as questões 1 a 3.
"... Mas que me seja permitido sonhar com outra vida e outro
mundo, em que um homem batesse à porta do outro e dissesse: 'Vizinho, são três
horas da manhã e ouvi música em tua casa. Aqui estou.' E o outro respondesse:
'Entra, vizinho e come de meu pão e bebe de meu vinho. Aqui estamos todos a
bailar e cantar, pois descobrimos que a vida é curta e a lua é bela.'..."
(Rubem Braga)
1. Assinale a alternativa correta:
a) O texto propõe a criação de uma sociedade alternativa, livre e desocupada, cuja
preocupação primordial seja a educação a partir da arte, especialmente da
dança, do canto e da música.
b) A expressão "... a vida é curta e a lua é bela" refere-se à
consciência da efemeridade da vida e de que o homem deve aproveitar ao máximo
os seus dias, enquanto a mocidade dura, tal como os poetas do movimento barroco
concebiam a arte de usufruir os prazeres.
c) A impertinência dos vizinhos deve ser perdoada, uma vez que é melhor
convivência pacífica que nutrir desconfiança em relação aos moradores de um
mesmo edifício.
d) O texto revela-se como um misto de certo idealismo cristão com o paganismo
do carpe diem; mesclando-os com um discreto anarquismo, possibilitando
a criação de um mundo poético, particular e utópico.
e) O texto faz menção à concepção bíblica de o homem saber compartilhar os
prazeres com seus semelhantes, irmanando-se aos outros, atitude que o autor crê
verdadeira e perfeitamente realizável.
2. "... em que um homem batesse à porta do
outro e dissesse..."
O termo assinalado é:
a) um elemento de coerência textual em que o termo mundo é retomado
anaforicamente.
b) um termo referencial que antecipa o substantivo casa.
c) um elemento de coesão textual em que a expressão outra vida e outro
mundo é retomada anaforicamente.
d) um termo relacional, referindo-se cataforicamente à expressão que finaliza o
fragmento.
e) um termo de coesão textual em que a expressão come do meu pão e bebe
do meu vinho é antecipada.
3. Em "... come do meu pão e bebe do meu
vinho..." os termos grifados:
a) são exemplos de objetos indiretos que complementam os
verbos comer e beber, respectivamente.
b) apresentam-se como elementos partitivos, sem função sintática definida,
apenas com função semântica.
c) exemplificam um caso de predicativo do sujeito, referido pelos imperativos
come e bebe, respectivamente.
d) são clássicos exemplos de objetos diretos preposicionados.
e) são clássicos exemplos de partículas expletivas, portanto, sem função
sintática.
Texto para as questões 4 a 6.
"Tu que me lês, se ainda fores viva, quando estas
páginas vierem à luz, -- tu que me lês Virgília amada, não reparas na diferença
entre a linguagem de hoje e a que primeiro empreguei quando te vi? Crê que era
tão sincero então como agora; a morte não me tornou rabugento, nem injusto.
-- Mas, dirás tu, como é que podes assiim discernir a verdade daquele tempo, e
exprimi-la depois de tantos anos?
Ah! indiscreta! ah! ignorantona!"
4. Em "... não reparas na diferença entre a linguagem
de hoje e a que primeiro empreguei quando te vi? ..." o narrador:
a) questiona o entendimento de Virgília, achando-a imatura para captar a
essência de seu pensamento.
b) supõe existirem diferentes formas de linguagem na evolução da vida de uma
mulher, daí tentar explicar a ela a diferença de seu comportamento na juventude
e na velhice.
c) acredita existirem diferenças na essência da linguagem com que se referiu à
mulher outrora e a maneira como se refere a ela após a morte.
d) questiona a insensibilidade de Virgília, uma vez que a mulher foi incapaz de
perceber as palavras apaixonadas com que ele se referia a ela na mocidade.
e) pressupõe que, durante a vida, o homem evolui juntamente com sua linguagem.
5. As formas verbais da fala de Brás Cubas, se colocadas em
discurso indireto, deveriam ser substituídas, respectivamente:
a) pelo futuro do pretérito, pretérito imperfeito, pretérito
imperfeito, infinitivo.
b) pelo futuro do pretérito, pretérito imperfeito, futuro do pretérito,
infinitivo.
c) pelo futuro do presente, pretérito imperfeito, pretérito imperfeito,
infinitivo.
d) pelo pretérito imperfeito, pretérito imperfeito, futuro do pretérito, futuro
do pretérito.
e) pelo pretérito imperfeito, pretérito perfeito, futuro do presente e futuro
do pretérito.
6. Entre as características do estilo de Machado de Assis
presentes no texto anterior, podem-se observar as seguintes:
a) distanciamento dos problemas de seu tempo, escapismo, superficialidade na
criação de personagens.
b) quebra da temporalidade na estrutura romanesca, ceticismo, ironia em relação
ao ser humano, idealização.
c) intromissão do narrador no seio da narrativa, diálogo com o leitor, purismo
de linguagem, romance de costumes.
d) quebra da estrutura linear da narrativa, refinada ironia na composição de
personagens, pessimismo e humor.
e) preocupação com a análise detalhada do meio ambiente, atavismo e crítica
social.
7. Analise os três enunciados seguintes:
I. Se você gosta, mas gosta mesmo de cinema, você tem de
assistir Patrícia Pillar e Marco Nanini em "Amor e Cia", filme de
Helvécio Ratton inspirado em obra de Eça de Queirós.
II. Como é uma comédia de costumes, o filme realça as cenas com pitadas de
ironia e humor.
III. O pior é que o cineasta se irritou a tal ponto, que foi preciso abandonar
o set de filmagem.
Assinale a alternativa em que se identificam, correta e
respectivamente, as relações entre seqüências presentes nos enunciados:
|
|
I |
II |
III |
|
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a) |
condição |
conformidade |
conseqüência |
|
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b) |
adversidade |
causa |
condição |
|
|
c) |
condição |
causa |
conseqüência |
|
|
d) |
adversidade |
conformidade |
conseqüência |
|
|
e) |
adição |
causa |
explicação |
|
Texto para a questão 8.
Transforma-se o amador na cousa amada,
Por virtude do muito imaginar;
Não tenho logo mais que desejar,
Pois em mim tenho a parte desejada.
Se nela está minha alma transformada,
Que mais deseja o corpo de alcançar?
Em si somente pode descansar,
Pois consigo tal alma está liada.
Mas esta linda e pura semidéia,
Que, como o acidente em seu sujeito,
Assim com a alma minha se conforma,
Está no pensamento como idéia;
E o vivo e puro amor de que sou feito,
Como a matéria simples busca a forma.
8. Assinale a alternativa em que há uma análise correta do
lirismo amoroso quinhentista, levando-se em conta a concepção do amor presente
nesse soneto e, de modo geral, na obra de Camões.
a) Para o poeta, o amor é um sentimento tão arrebatador que acaba enganando a
quem o sente.
b) Os paradoxos utilizados pelo poeta servem para estabelecer, com certa
clareza, uma referência do que é sentir amor.
c) O poeta, influenciado pelo racionalismo em que se vê envolvido, procura
antes uma definição científica do amor que mostrar ao leitor a sua mágoa
amorosa.
d) Para o poeta, é impossível atingir a plenitude do amor, pois tal sentimento
é somente idéia: o puro amor não admite a concretude da matéria.
e) O poeta julga-se incapaz de se entregar ao amor devido ao fato de a mulher
ser inatingível em sua perfeição.
9. Encontre, entre as alternativas, aquela em que o termo
grifado em "Ele chegou com o rosto todo manchado"
apresenta-se com o mesmo significado:
a) "Ai! por que todo ser nasce chorando?"
b) "Todo homem é um ser desconhecido.
c) "Nem todo o credo merece ser respeitado.
d) "Saiu do acidente com corpo todo ensangüentado."
e) "Ao sair avisou a todo o mundo que não voltaria cedo."
10. No verso de Eugênio de Castro: "Fogem fluidas,
fluindo à fina flor dos fenos..." temos um exemplo de aliteração, marcada
pela repetição do fonema f. Em qual das alternativas abaixo não é possível
encontrarmos a mesma figura?
a) "Boi
bem bravo, bate baixo, bota baba, boi berrando" (G. Rosa)
b) "E
fria, frouxa, fluente claridade,
flutua como as brumas de um letargo" (Cruz e Sousa)
c) "No
vale a vila de Olívia
vela a vida
no seu violão vivida
e por um violão levada" (Cecília Meireles)
d) "Em
primeiro lugar, durante o tempo em que as paredes estiverem
sendo construídas, os homens que se aproximarem, deverão
vir com roupas apropriadas."
e) "Eu
faço versos como quem chora
De desalento... de desencanto..." (M. Bandeira)
11.
"Por fim, os críticos condenam a miríade de discos que o pianista
registrou. De fato, ele gravou muito. Mas o caso de Peterson é um dos raros em
que quantidade e qualidade foram além da rima."
(Folha de S. Paulo, 30/10/98).
Destaque a alternativa em que há um sinônimo do termo assinalado:
a) Havia na praça uma profusão de cores.
b) As jóias estavam dispostas em confortáveis vitrines.
c) O músico compunha com incalculável dificuldade.
d) Poucos pombos pousavam no telhado.
e) Os críticos condenaram a escassa criação do artista.
Texto para
a questão 12.
"Hoje
é uma noite fraca. A banda não é conhecida, e o concorrente está fazendo baile
a R$ 1. A época de ouro foi dos anos 60 até o comecinho dos 80. Até
saía nas colunas sociais".
"É um mundo fascinante que poucos conhecem. Tinha uma namorada dançarina e
passei a freqüentar todos os bailes. Foi um ano agitado. Até tive um
enfarto..."
(Folha de S. Paulo, 03/10/98)
12. Nos
textos, a orientação semântica introduzida pelo termo até estabelece
uma relação de:
a)
duração, exclusão, inclusão
b) intensidade, exclusão, inclusão
c) duração, inclusão, inclusão
d) temporalidade, exclusão, exclusão.
e) temporalidade, inclusão, exclusão.
13.
Assinale a única alternativa em que a ordem de colocação das palavras não
produz ambigüidade.
a) "Casal procura filho seqüestrado via Internet."
b) "Duas pessoas foram espontaneamente ao Departamento de Homicídios e
Proteção à Pessoa, onde está preso Francisco de Assis Pereira, e disseram tê-lo
reconhecido como seu agressor na TV e em fotos."
c) "Alice pediu à mãe para namorar Adriano."
d) "Em primeiro lugar, durante o tempo em que as paredes estiverem sendo
construídas, os homens que se aproximarem, deverão vir com roupas
apropriadas."
e) "... Universidade de Mogi das Cruzes, instituição que estaria recebendo
órgãos tirados de mortos sem a autorização das famílias."
14. Se
reescrevêssemos o texto: "Um painel da nave se soltou após o lançamento,
mas a Nasa negou risco.", começando com "Embora a Nasa..., obteríamos
a seguinte forma verbal:
a) esteja
negando
b) tivesse negado
c) fosse negado
d) tinha negado
e) negaria
15. "Não
só o argumento é falso, como todo o discurso é falacioso".
A mesma noção expressa pelo par sublinhado também está em:
a) Ele
relatou de tal forma os fatos que convenceu a todos.
b) Ele mais esbravejou que elucidou os eleitores.
c) Aquela criança tanto chorou que conseguiu o que queria.
d) Ou você aperfeiçoa seus conhecimentos, ou o mercado de
trabalho ficará incalculavelmente fechado para você.
e) O eremita duvidava tanto da razão, quanto do coração.
Texto para
a questão 16.
"Três
trabalhadores soviéticos estão conversando em um campo de trabalhos forçados, e
surge entre eles a curiosidade de saber as razões que os levaram àquele local.
Trava-se entre eles o seguinte diálogo.
Primeiro trabalhador.
- Eu era um trabalhador exemplar, semprre chegava ao meu emprego meia hora antes
do início, acabei sendo acusado de espião da produção socialista e condenado a
alguns anos de prisão.
O segundo trabalhador.
- Eu era de uma pontualidade exemplar, chegava sempre na hora exata de começar
a trabalhar, fui acusado de comodismo pequeno burguês e condenado a alguns anos
de prisão em regime de trabalho forçado.
O terceiro trabalhador.
- Eu sempre chegava atrasado, fui acusaado de sabotador da produção socialista e
condenado a alguns anos de prisão."
(Paulo Bezerra, Revista USP, SP, dezembro/fevereiro 1997-98)
16. O
texto ironiza:
a) a instabilidade da condição do ser humano à mercê de um de regime
autoritário.
b) a dificuldade de o ser humano entender as relações trabalhistas.
c) o processo desastroso que acomete o ser humano ao ter o regime social
mudado.
d) a situação vivida por trabalhadores em um campo de concentração nazista.
e) a descrença na possibilidade de mudança de perspectiva social.
Textos
para as questões 17 a 19.
"Convém
dizer-lhes que, desde que ficara só, não olhara uma só vez para o espelho. Não
era abstenção deliberada, não tinha motivo; era um impulso inconsciente, um
receio de achar-me um e dois, ao mesmo tempo, naquela casa solitária; e se tal
explicação é verdadeira, nada prova melhor a contradição humana, porque no fim
de oito dias, deu-me na veneta olhar para o espelho com o fim justamente de
achar-me dois. Olhei e recuei. O próprio vidro parecia conjurado com o resto do
universo; não me estampou a figura nítida e inteira, mas vaga, esfumada,
difusa, sombra de sombra. A realidade das leis físicas não permite negar que o
espelho reproduziu-me textualmente, com os mesmos contornos e feições; assim
devia ter sido. Mas tal não foi a minha sensação. Então tive medo; atribuí o
fenômeno à excitação nervosa em que andava; receei ficar mais tempo, e
enlouquecer..."
(Machado de Assis, "O Espelho" in Onze Contos, ed.
Núcleo, SP, 1992)
"Foi
num lavatório de edifício público, por acaso. Eu era moço, comigo contente,
vaidoso. Descuidado, avistei... Explico-lhe: dois espelhos - um de parede, o
outro de porta lateral, aberta em ângulo propício - faziam jogo. E o que
enxerguei, por instante, foi uma figura, perfil humano, desagradável ao
derradeiro grau, repulsivo senão hediondo. Deu-me náusea, aquele homem,
causava-me ódio e susto, eriçamento, espavor. E era - logo descobri... era eu,
mesmo! O senhor acha que eu algum dia ia esquecer essa revelação?"
(João Guimarães Rosa, "O Espelho" in Primeiras Estórias,
Liv. José Olympio Ed., 1978)
17.
Indique o trecho em que Machado de Assis passa do plano real para o metafísico:
a) "Mas tal não foi a minha sensação."
b) "Olhei e recuei."
c) "O próprio vidro parecia conjurado com o resto do universo"
d) "A realidade das leis físicas não permite negar que o espelho
reproduziu-me textualmente (...) assim devia ter sido."
e) "Convém dizer-lhes que, desde que ficara só, não olhara uma só vez para
o espelho."
18. Em
"Convém dizer-lhes que, desde que ficara só, não olhara uma só
vez para o espelho." os termos grifados:
a) exercem a mesma função sintática e equivalem a sozinho.
b) exercem funções sintáticas diferentes e equivalem a sozinho.
c) exercem a mesma função sintática e não têm sentidos equivalentes.
d) exercem funções sintáticas diferentes e não têm sentidos equivalentes.
e) ambos são partículas expletivas.
19. Em
relação aos dois textos apresentados, é possível afirmar que:
a) Há uma nítida ligação entre os textos, o que permite concluir que Guimarães
Rosa envolveu-se na magia do conto machadiano, plagiando-o em algumas de suas
partes mais densas.
b) Observa-se em Machado de Assis uma postura nitidamente mística, enquanto
Guimarães Rosa analisa o espelho do ponto de vista físico, valendo-se de
conceitos da óptica.
c) Guimarães Rosa relê o conto de Machado de Assis, analisando-o sob a óptica
do movimento modernista, utilizando-se do que os críticos costumam chamar de
intertextualidade.
d) Machado de Assis e Guimarães Rosa são escritores de movimentos literários
diferentes, sendo um realista e outro moderno, não tendo, portanto, afinidades
quer temáticas, quer lingüísticas.
e) Embora baseado na obra machadiana, o conto de Guimarães Rosa é de difícil
leitura, pois a densidade e a complexidade de seus argumentos não permite que
se estabeleça uma relação seqüencial característica deste gênero narrativo.
Texto para
a questão 20.
|
- |
Chega
mais perto e contempla as palavras. |
20. Esses
versos de Carlos Drummond de Andrade fazem referência:
a) ao erro de se querer estabelecer um único referencial de leitura para uma
obra de arte.
b) à necessidade de o leitor necessitar recorrer ao dicionário, uma vez que
textos literários são, na maioria das vezes, de difícil intelecção.
c) ao caráter ideológico das palavras, que oprimem o artista tanto quanto
oprime o leitor.
d) ao poder que as palavras e a linguagem têm de surpreender e revelar seus
mais recôndidos significados.
e) à importância da leitura unívoca de um texto, uma vez que uma leitura
biunívoca pode embaralhar o leitor, confundindo-o.
21. Leia o
texto:
"O 22 olhou pra ele, feroz, imaginando que o 35 propunha rachar o galho.
Mas o 35 deu um soco só de pândega no velhote, que estremeceu socado e
cambaleou três passos. Caíram na risada os dois. Foram andando."
Qual expressão melhor definiria a atitude revelada pelo protagonista no trecho anterior?
a) solidariedade
b) emoção do reencontro
c) solidão
d) luta pela sobrevivência
e) necessidade da velhice
22. Em Morte
e Vida Severina, João Cabral de Melo Neto
a) retrata a retirada do migrante nordestino, na dura mas lírica caminhada rumo
à esperança de um futuro melhor.
b) imprime ao poema um tom sombrio, reflexo da situação vivida pelo personagem,
mas que gradativamente é enriquecida com o contato solidário de outros
personagens que vivem o mesmo drama.
c) constrói um poema longo, com versos preferencialmente curtos, equilibrado na
forma e no conteúdo, voltando-se para a temática social.
d) utiliza direrentes tipos de discurso para retratar com fidelidade as
diferentes classes sociais com que convive o retirante.
e) preocupa-se com a confecção do verso alexandrino, afetando a leveza e a
espontaneidade da produção teatral.
Texto para
as questões 23 e 24.
"Foram
de estrada acima. O mestre meio tonto. Passaram pela casa do seu compadre
Vitorino e havia luz acesa. Lá estaria a sua mulher, com ódio medonho contra
ele. Ia para a cadeia como um assassino. Que fizera para merecer tudo aquilo?
Não tinha quem o protegesse. Só esperava alguma coisa do Capitão Antônio
Silvino, que só ele era homem para ajudar um pobre em sua situação. Onde estava
àquela hora? Os soldados andavam com uma velocidade incrível. Para
acompanhá-los botava a alma pela boca." (José Lins do Rego)
23. No
texto há:
a) o predomínio da narração e do discurso direto livre.
b) o predomínio da narração e do discurso indireto livre.
c) o predomínio da descrição psicológica e do discurso indireto.
d) o predomínio da dissertação e do discurso indireto livre.
e) o predomínio da descrição psicológica e do discurso indireto livre.
24. Quanto
ao personagem que está sendo levado à prisão, é possível afirmar:
a) sofre a humilhação de ser tomado como bandido, está abalado porque sua
mulher o abandonou, sente-se desprotegido por se saber sem o amparo do
poderosos e não vislumbra a ajuda imediata do cangaceiro chefe Antônio Silvino.
b) sofre porque assassinou em legítima defesa e não sabe como provar sua
inocência, mas, mesmo assim espera ansiosamente a ajuda do missionário Antônio
Silvino.
c) está humilhado porque não soube reagir à voz de prisão, sente-se
desprotegido e desamparado porque não conta mais com o apoio da esposa, não
vislumbra possibilidades de ajuda nem por parte de seu protetor e líder Antônio
Silvino.
d) remói a desgraça de ser pobre, desprotegido, abandonado da justiça e,
sobretudo, inocente, não merecendo, portanto, ir parar em uma prisão.
e) sente-se solitário, por não ter o amparo da esposa, sente-se desprotegido
porque a justiça é somente para os poderosos, sente-se desolado por saber-se
condenado à morte.
Texto para
as questões 25 e 26.
|
- |
Oh!
Bendito o que semeia |
Oh! Bendito o que semeia
Livros... livros à mão cheia...
E manda o povo pensar!
O livro caindo n'alma
É germe - que faz a palma,
É chuva - que faz o mar.
25. Castro
Alves é figura exponencial do Condoreirismo. Nos versos lidos, essa geração
romântica é lembrada por:
a) seu incondicional amor à Liberdade, à Arte e à Cultura, possíveis somente em
uma sociedade letrada e igualitária, como apregoou os ideais da Revolução
Francesa.
b) ser o canto dolorido de um poeta que pressente um desmoronamento em seus
ideais libertários.
c) um anseio irreverente de cantar o progresso, a máquina, a velocidade, tal
como era ideado pelo Futurismo de Marinetti.
d) um doloroso apelo à igualdade social, um canto de liberdade do escravo negro
e, principalmente, um desejo incontido de se entregar a causas impossíveis.
e) ser um brado em favor dos desajustados sociais, negros, índios e mestiços,
que sofriam então não pouca perseguição cultural.
26. Muitos
dos recursos estilísticos comuns em Espumas Flutuantes estão presentes no texto
anterior. Entre eles, é possível citar:
a) linguagem grandiloqüente, apego a metonímias ousadas e onomatopéias.
b) uso constante da metáfora, presença obrigatória em todos os textos do poeta.
c) utilização do discurso oratório, inflamado e hiperbólico, tal como apregoa o
Condoreirismo.
d) intensificação da oralidade, utilização do verso livre e popular.
e) uso de interjeições, reticências ou travessões, que permitem a interrupção
da leitura linear e acentuam as idéias presentes no texto.