O estranho Mundo Trouxa
Diversão à moda Trouxa
Diversão é um assunto levado à sério por bruxos e trouxas, embora suas formas de diversão sejam bem díspares. Um tipo de lugar muito apreciado por eles é o que se chama de 'Parque de Diversões'. Existe uma grande variedade deles, com temas diversos, para faixas etárias variadas e geralmente regado a generosas quantidades de guloseimas algodão doce, pipoca, cachorro quente e muito refrigerante.
Mas antes de enfiar o pé na jaca e cair de boca na comida, eu sugiro ao amigo bruxo interessado na cultura trouxa, avaliar quais dos 'brinquedos' irá
freqüentar. Digo isso porque a maioria se resume em girar em alta velocidade, ser sacudido de lá para cá, comprimido ou virado de ponta cabeça. Prue Shidou, a analista do mundo trouxa de plantão, mais uma vez foi
in loco conferir!
Carrossel

Minha primeira experiência foi indicada por um amigo filho de trouxas, ele achou melhor eu pegar leve no primeiro brinquedo e me indicou o carrossel. É realmente um belo brinquedo, e havia ali desde os clássicos
cavalinhos, até carruagens e naves espaciais. Depois de quase ser atropelada por uma maré de crianças correndo em direção aos seus lugares favoritos, me sobrou um unicórnio alado. Além de uma grande coincidência, era engraçado ver a mistura que os trouxas faziam nos animais mágicos.
Lá estava eu, sentada no cavalinho de madeira, caprichosamente entalhado e lindamente adornado, subindo e descendo, girando e girando, subindo e descendo, girando e girando... e o mais incrível de tudo... não chegando a lugar nenhum!!! Alguém precisa apresentar uma firebolt aos trouxas, não sei se é justo deixá-los achar que isso é diversão!
Carrinho Bate Bate

Saindo ligeiramente zonza da garupa do cavalinho, lá fui eu, seguindo o roteiro traçado por meu amigo, para o próximo
brinquedo. Depois de minutos extenuantes na fila, onde bebi quase meio litro de refrigerante, chegou minha vez. Escolhi um carrinho rosa bebê e me sentei ao volante me sentindo uma piloto do que os trouxas chamam fórmula-1. Que emocionante! Será que
iríamos apostar corrida? Animadíssima afivelei o tal cinto de segurança e esperei que dessem a partida. Um zunido elétrico logo anunciou o início da ação! Meti o pé no acelerador e comecei a contornar a pista circular velozmente até que TUM TUM TUM um enxame de carrinhos em cima de mim! O que era aquilo?! Que bando de gente louca, imagina que temeridade aquele tipo de gente dirigindo carros de verdade, e eu que nunca havia entendido sobre o problema da alta periculosidade do trânsito trouxa! Humf... resumindo eu não saí do lugar.
Montanha russa

Roteiro na mão e cara amarrada, segui para o próximo desafio: Montanha Russa. Ao dar de cara com o tal brinquedo, uma construção metálica gigantesca, me fez desejar ardentemente que ela fosse sustentada por magia. Mesmo sabendo que os trouxas desenvolveram muitas habilidades para viver sem magia, era difícil acreditar que aquela teia metálica de muitas voltas e reviravoltas se
mantivesse de pé sozinha.
Apalpando o bolso para me certificar que a varinha estava lá, me sentei no trenzinho que nos conduziria pelos trilhos em alta velocidade. Me agarrei no banco e ensaiei um sorriso amarelo para a pessoa sentada ao meu lado. O barulho das engrenagens metálicas do início da viagem é aterrorizante e sei que habitará meus pesadelos até o final dos meus dias. É a lembrança mais vívida que tenho do trajeto de curvas, loops e mais loops que se passaram no meu caminho. Eu não vi nada, confesso, estava de olhos fechados pensando onde estaria eu com a cabeça na hora que aceitei fazer essa bendita matéria.

Trem Fantasma

Tendo o conteúdo do meu estômago (o meio litro de refrigerante lá da fila dos carrinhos) misturado ao meu
cérebro, devidamente miscigenados pelo liquidificador (um invento trouxa também muito engraçado) gigante, eu caminhei mais um desafio da noite. Pelo nome parecia que seria uma interessante oportunidade de apreciar qual a visão dos trouxas sobre os resquícios de magia de inundavam seu inconsciente coletivo.
Uma sucessão de bonecos grotescos, teias de aranha falsas e gritos histéricos se seguiu numa penumbra onde eu pude vislumbrar muito pouca coisa na verdade. Mas na saída ocorreu uma o meu verdadeiro choque, depois de pensar em me esconder aos gritos de 'bruxa, bruxa' eu finalmente percebi que eles falavam de uma figura grotesca, de pele esverdeada e verruga na ponta do nariz, que voava em uma vassoura dando rasantes na nossa cabeça. Que coisa mais revoltante! ¬¬
Roda Gigante

Zangadíssima eu parti para o último item da lista, roda gigante! Esperava que fosse um brinquedo um pouco mais calmo, pois estava munida de um enorme algodão doce que mal me permitia ver alguma coisa na minha frente. Dentro da gondolazinha, dando voltas e voltas no nada, meu pareceu um tanto quanto monótono. Foi quando a minha
gôndola parou bem lá no alto, meu doce havia se reduzido a metade e eu pude apreciar a vista, enquanto sentia o doce balançar devido a brisa noturna. Era tudo tão
pequenino e pontilhado de luzinhas brilhantes, e essa visão fez valer a pena todo o transtorno da noite e entender o porque dos trouxas gostarem tanto dos Parques de Diversões.