COMO TORNAR AS MUDANÇAS NO AMBIENTE DE TRABALHO UM PROCESSO
ÚTIL
Quais as empresas que estão atentas às mudanças?
Quantos estão preparados para elas? As
corporações visam o lucro; mesmo porque, sem ele, como se
manterem? O lucro é conseqüência de boa prestação de
serviços, de bons produtos, de ambiente feliz, de bom fluxo
de caixa e de boa administração. E, desse modo, sê-lo-á
perene. Tanto o serviço quanto o produto depende do ser
humano. Máquinas, tecnologias e avanços da ciência da
informática são apenas instrumentos.O ser humano pode deter
em suas mãos o melhor equipamento e, mesmo assim, produzir o
pior produto ou prestar péssimos serviços. Hoje as empresas
buscam a certificação das diversas formas de ISO. Que
adianta trabalhar com a qualidade total e esquecer a
pessoal? O profissional deve se especializar cada vez mais.
Em técnicas de trabalho, e muito mais aperfeiçoar a
sensibilidade. Além do uso da razão ou do coração, é preciso
ouvir a intuição. Ela gera a sensibilidade
As
empresas podem favorecer as mudanças realizando-a, em
primeira mão, no alto escalão. Deve começar na mentalidade
de quem está liderando. O líder que extorquir, enganar,
mentir, pisar, sonegar informações e conhecimentos,
tripudiar estará agindo contra o crescimento natural da
empresa que dirige. Jamais deve depender totalmente de
outros, mas estimular o espírito de equipe, em contínua
interdependência. Sem usar a força, mas pelo exemplo, pela
atitude, deve arrastar os seus subordinados e os seus pares.
Toda palavra terá valor e sentido se os atos e as ações
seguirem o que foi dito. É preciso que os dirigentes saibam
que na mudança do layout da disposição da linha de produção,
por exemplo, quem vai acionar as máquinas, manusear a
matéria prima, a embalagem, estocar, carregar o caminhão e
levar para a loja é o ser humano, que, por sua vez, deve ter
consciência de que faz parte daquele produto, daquela
empresa e que, por conseguinte, deverá ser ouvido. Além de
ser uma parte, ele faz parte.
Para driblar as adversidades encontradas no ambiente
corporativo à implantação e à conclusão de um processo
de transição cada profissional precisa aprender a se
autogerenciar. Muitos ainda são submissos a ordens, regras e
comportamentos que lhes são impostos, sem a explicação do
porquê de determinada ação; muitas vezes em desalinho com a
missão e o foco da organização. Lá no final da linha, quando
o produto estiver acabado, estará um cliente esperando o que
ele deseja e não o que se quer lhe oferecer. Só que antes de
chegar ao cliente final, há clientes que estão um ao lado do
outro, dentro da própria empresa. Em uma corporação todos
contribuem para que o resultado final seja o esperado. Todos
são clientes. Se dependem de você, são seus clientes. Se
você depende dele, você é o cliente. Os diretores e gerentes
querem que cada um encante o seu cliente e o trate como
Deus, mas fomentam ou permitem a desarmonia entre as pessoas
pelo mau exemplo entre eles mesmos. Maltratam a secretária e
os de níveis tidos como baixos. Alimentam conflitos entre si
e relutam em mudar. Como driblar as adversidades e os
contratempos? Sabendo que todos somos resistentes às
mudanças devido à incerteza e porque precisamos saber as
suas razões. Tudo se tornará melhor pela conscientização,
pela preparação, pela mudança das atitudes e da própria
consciência, quebrando paradigmas, alinhando-se em torno dos
objetivos comuns.
Para que profissionais e instituições se entendam nesse
sentido é imprescindível que todos conheçam o foco da
empresa com oportunidade de autogestão. Há empresas que
escondem a missão, deixam os valores velados e obscuros os
seus objetivos. De acordo com Stephen R. Covey, que
entrevistou em 21 anos, mais de 5 milhões de pessoas, apenas
15% conheciam o foco das respectivas empresas. Há um
paradoxo quando dizem "autogerencie-se" e intervêm. A
ingerência desmedida quebra o encanto da autogerência. Mas
todos têm que ser preparados para se autogerenciarem. O
entendimento vem da consciência clara do "seja gerente de
você mesmo" e da posse desse compromisso pessoal. Para
demonstrar que pode, é preciso que trace seus próprios
objetivos e seus planos individuais. Que saiba administrar o
seu salário, o seu desenvolvimento pessoal, a sua evolução;
porque tudo é conseqüência de sua própria visão. Assim todos
entenderão a visão da corporação e estarão firmes no seu
foco. Algumas empresas aboliram o cartão de ponto, o que
permite ao colaborador gerenciar todo o seu tempo, sem
perder o foco da tarefa. Esses fundamentos afirmam "seja
você mesmo", mas com responsabilidade, pois deve entregar a
sua tarefa, cumprindo a sua missão, como parte eficiente do
todo eficaz.
O
ambiente é estimulante quando agradável. Quando as
pessoas são transparentes, sinceras, leais. Ao mudar o
layout, os processos e os procedimentos, para que haja
aceitação e comprometimento, cada pessoa deve adequar aos
mesmos a sua postura interna; isto é, a atitude interior
pessoal. A estrutura principal é a interior, onde cada qual
se fundamenta na autoconfiança, a qual um funcionário só
pode exercer se detiver retaguarda. Esse suporte estimulante
é fornecido pelo líder, ao declarar: "Vá em frente", "estou
com você". Se você cair, estender-lhe-á a mão. O verdadeiro
líder não é o que faz a tarefa do outro; é o que faz com que
o outro execute a tarefa bem feita, sem obrigação; mas, por
amor, por dever, com entusiasmo.
A
maior parte das pessoas é bastante resistente a qualquer
tipo de mudança, por medo do desconhecido. Como também
há fatores que podem se tornar prejudiciais para o processo.
Normalmente quando cada um quer fazer a sua mudança pessoal.
É necessário sinergia entre os dirigentes. Quando entenderem
que a mudança é um propósito coletivo, com evidência, vai
dar certo. Se existe um consenso, por que dar errado? Dentro
de determinado setor há pessoas que jogam contra. Estão com
a mesma camisa, mas fazem gol contra. Pessoas que fazem tudo
para que o projeto dê errado simplesmente porque a idéia
partiu de outra cabeça. É recomendável que se estabeleça um
processo de conscientização geral que, normalmente, só terá
efeito com alguém de fora, usando linguagem e métodos
diferentes dos domésticos, já conhecidos e tão
insistentemente batidos, sem a psicologia apropriada; até
mesmo, sem exemplos pessoais. A mudança é o único fato real
que está sempre presente na vida das pessoas e das empresas,
em todo o mundo.
Professor João Beserra da Silva
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