A VERDADE E A FELICIDADE
Para
assimilar bem os conceitos acerca de felicidade e verdade é
preciso refletir atentamente sobre as ponderações do outro
texto nosso sobre “Conhecimento e Sabedoria” Observe quão
valiosa para a vida de cada um é essa reflexão. Sem ela
muitos correm atrás da felicidade e muitas vezes defendem
certas verdades, sem objetivo.
Busca-se a felicidade fugindo da verdade.
É
possível? A felicidade pode existir sem a verdade? O que vem
primeiro, a verdade ou a felicidade? O que é uma e outra?
Por que viver fugindo de uma, almejando a outra? Se uma é
polaridade da outra? Se é preciso que a verdade venha
primeiro para que a outra se revele?
A
verdade carece estar manifesta para que sirva de luz, a fim
de que a felicidade se apresente. Quantas vezes o sofrimento
é mero fruto da ignorância que incita o buscador da verdade
a lutar por ela cegamente, vivendo na dúvida? A suspeita
falta-lhe poder para tornar alguém venturoso. Somente a
verdade. É comum se fugir dela.
“A
verdade é sempre mais importante que o dogma”. - Henri
Lefebvre
Assim
fez Pilatos. Lavou as mãos como símbolo de sua consciência
em conflito. Estava diante da Luz - a Verdade - que poderia
dar-lhe Vida e indicar-lhe o Caminho e voltou-Lhe às costas.
Como ser feliz assim?
Desse
modo, anda-se na escuridão. Vive-se de ilusão. Ou dela
alimenta-se. A verdade, mesmo dolorosa, só pode proporcionar
o bem. De onde vier, de qualquer ponto cardeal ou de todos
ao mesmo tempo, só causará benefícios.
Então, por que buscar tanto a felicidade? Que surja primeiro
a verdade, que oferece ao detentor a serenidade e a paz
interior. Ela habita o profundo do ser de cada um. "Eu Sou o
Caminho, a Verdade e a Vida!". Nessa busca depara-se com
dois outros valores extraordinários, tantas vezes esquecidos
por muitos – o amor e a fé.
O
Amor e a Fé
Por
ela – a sabedoria, no seu sossego, descobre-se o amor, cuja
polaridade é a fé. Como o binômio anterior, uma é requisito
da outra. Daí, quem surge primeiro? O amor ou a fé? São dois
atributos da alma que reverberam em corações pacíficos. Que
se infiltram com o calor e com a energia da outra. É muito
difícil, muito mais do que a relação verdade-felicidade,
apontar qual é a primeira.
Sem
fé inexiste o amor.
Seria
o mesmo que garantir que sem amor, a fé perde a razão de
existir. É preciso refletir bastante. Contudo, é lógica a
premissa de que o amor sem a fé - confiança, fidelidade - é
uma energia sem vida, improfícua.
A fé
(a fides latina) é luz que revela a poderosa energia do
amor. É hipocrisia afirmar-se: “eu tenho uma fé cega em
você!”
Como
pode a fé ser cega?
Quem
assim age, é míope espiritualmente. Portanto, sem condições
de perceber o amor. Ambos são luzes. Mas, o amor necessita
da fé para gerar a sua luz. É como se o amor fosse imenso
reservatório de azeite ligado a um pavio que carece de fogo
para produzir a luz. Por exemplo, do fogo de um palito de
fósforo. A partir daí a fé e o amor se fundem e jamais
hão-de se separar.
Para
deixarem de ser apenas duas energias latentes que inexistem
objetivamente, é evidente que haja a fusão da fé no amor.
Como água e açúcar. Ou como água e sal. Diferente de água e
óleo.
A sua
existência passa a ser realidade quando o pavio do amor
entra em contato com o fogo da fé.
Quem
vem primeiro?
Ah!
Eu amei antes e depois é que passei a acreditar.
O que
você pensa ser amor é mera atração para estudo e análise de
quem julga amar. Era simples paixão, atração pelo físico,
apenas na aparência, no invólucro, no frasco exterior, sem
haver descoberto o vaso interno. O convívio e as observações
de outros fatores, como caráter, pessoa, virtudes, gostos,
hábitos, atitudes, posturas, sintonia, despertaram-lhe
interesse e confiança. Aí descobriu o amor, que é essência;
está no interior. Por conseguinte, é invisível, mas emana de
dentro.
Equivocadamente há pessoas que julgam amar ao se sentirem
atraídas por outras. Até mesmo de forma irresistível. À
primeira observação nem sabem quem são elas. É difícil se
conhecer alguém de forma total, vendo-a simplesmente. O
conhecimento verdadeiro vem do intrínseco. É no secreto da
alma de cada um que estão os caracteres que fazem com que em
si se creia. As características externas raramente têm algo
a ver com as internas, como fatores de crença.
O
mundo dos sentidos, da carne, do sexo desenfreado, onde
predomina a promiscuidade - troca de parceiros e a
leviandade - é todo escuro. Está ausente o amor, sem as
luzes da fé, que produz a fidelidade. Esta gera o amor que
causa a felicidade, cujo princípio está na verdade que
habita o sacrário de cada um.
Por
que no nosso atual mundo esses valores estão tão escassos e
invertidos? - Porque é mister que outras forças atuem em
consonância com essas imprescindíveis energias. São elas: o
conhecimento e a sabedoria, sobre o que já tratamos antes.
Igualmente, polaridades que se completam. Uma atrai a outra.
Uma delas é esquecida; até mesmo negada, apesar de ser forte
luz. Talvez a mais possante de todas. Até mesmo do que o
amor.
-
Como? Há energia maior do que a do amor?
A
resposta simples seria uma negação. Mas, na verdade, o amor
precisa de luz. Tanto da fé como da sabedoria para ser
descoberto e revelado.
Pense! Reflita bastante sobre o que acabou de ler.
Volte
ao princípio desta leitura e leia agora com muito mais
atenção, procurando desvendar a fonte fundamental de tudo e
vai perceber que está flagrantemente clara em todo o texto a
insondável Presença de Deus e o manso, mas irresistível
convite do Seu Filho para que você se volte para Ele, sem
restrições.
Professor João Beserra da Silva
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