EFICIÊNCIA E EFICÁCIA
Em determinada oportunidade este consultor foi convidado a
participar de uma reunião de diretores da Administração
Pública com o intuito de implantar sistemas e métodos que
conduzissem o Serviço Público à eficiência e à eficácia.
Para nossa completa decepção, a Diretora da Secretaria de
Planejamento sugeriu que fosse consultado o dicionário sobre
o sentido de ambas as palavras. Tivemos que conter o riso e
ao mesmo tempo indignamo-nos ao perceber que falta a muitos
dirigentes o devido preparo para a gestão pública e privada.
Embora discordemos do princípio de que se deva estudar o
tema em epígrafe à luz do dicionário, reproduzimos a seguir
os termos do Aurélio:
•
EFICIÊNCIA
- Ação, força, virtude de produzir um efeito; eficácia.
•
EFICÁCIA
- Qualidade ou propriedade de eficaz; eficiência.
•
EFICAZ
- Que produz o efeito desejado; que dá bom resultado; que
age com eficiência.
Segundo nossos estudos, e a vivência como Consultor e
Facilitador, EFICIENTE é alguém – homem ou mulher – que
executa com acerto, que faz bem feito; que é capaz,
competente, apto; que sabe o que é certo e o que é errado. O
que ainda é insuficiente o bastante. É necessário mais: que,
além de bem feito, seja rápido, que produza o resultado
esperado no tempo certo, que faça o que precisa ser feito, a
coisa certa, útil, necessária; isso é EFICÁCIA.
Portanto, eficiência se completa com eficácia; uma segue a
outra; jamais podemos ser apenas eficientes, pois ser
eficiente é o mínimo que se espera de cada um de nós;
sobremodo no mundo de hoje, de profundas e tão rápidas
mudanças. É bom, contudo, saber que o eficiente pode demorar
um dia para executar certa tarefa e, mesmo assim, poderá ser
tida como desnecessária; enquanto que o eficaz pode fazer em
meio dia aquilo que deva realmente ser feito. O que é inútil
é deveras ineficaz
Podemos falar de tarefas, de pessoas, de atos, de atitudes,
de comportamentos, de decisões, de uma série de atos e de
atitudes em diversos níveis. O caminho é simples, mas sempre
o mesmo para tarefas, comandos, ordens, decisões,
resoluções, planos, estratégias, visão, missão, valores e
objetivos. Na vida pessoal, na social e na profissional.
O binômio – eficiência e eficácia – com vistas à otimização
e à busca dos resultados desejados, promove inovações dentro
do processo natural de mudanças; gera a tomada de
consciência voltada para a excelência com foco na qualidade
– pessoal, do produto e dos serviços a ser prestados.
Otimizar é melhorar o resultado, atingindo estágio mais
elevado do que o anterior, a cada dia, em todos os níveis,
com melhorias sucessivas; para tanto, é imprescindível que
sejam seguidos os seguintes passos:
1. DECISÃO – decidir eliminar diariamente os
desperdícios de toda natureza, nos diversos campos e nunca
se contentar com menos do que está habituado a executar.
Como também decidir pelo que é necessário realmente.
2. CONCENTRAÇÃO – a própria palavra remete o
interessado à disciplina necessária para entender que deve
estar centrado no foco da ação; daí a aprender a compreender
o que nos leva a executar determinada tarefa (objetivo e
missão). Concentrar-se nas finalidades e nas razões das
mesmas. Saber o “porquê”, “para quem” e “como”.
3. SATISFAÇÃO PESSOAL – a gratificação maior,
independentemente da remuneração auferida, advém do
entendimento íntimo para quem trabalha; ao tomar consciência
de que qualquer tipo de trabalho que se realize, o primeiro
destinatário é você mesmo, com efeito, vai executá-lo
melhor, com maior prazer, sem desperdício de tempo e de
material. Em suma, você trabalha para você mesmo; portanto,
deve realizá-lo sempre com acerto, oferecendo a você o
melhor e o necessário. (eficiência e eficácia, com gosto e
prazer; paixão e muito tesão).
4. RECURSOS – aprender que “os recursos de que
precisamos para transformar nossos sonhos em realidade estão
dentro de nós mesmos”, à nossa disposição, de tal modo que
para os descobrir é imprescindível comprometermo-nos com
vida melhor, de qualidade, sobejamente útil e, por
conseqüência, com melhores serviços para a comunidade. O que
deve ser iniciado na empresa à qual dedicamos o nosso tempo
e a nossa vida.
5. Ser agente multiplicador de eficiência e eficácia,
tornando a motivação um círculo positivo, procurando ser
modelo, abrindo caminhos, oferecendo soluções, inteiramente
aberto às mudanças e às inovações, com espírito de
criatividade, iniciativa e disposição de servir.
6. MUDANÇAS - uma constante da vida e das sociedades;
portanto, é preciso MUDAR;
a) A si mesmo, interessando-se em primeiro plano pela
eficiência pessoal, aprimorando a priori a sua própria
maneira de se comunicar;
b) Os padrões antigos e quebrar os velhos paradigmas;
disposto a sair da era industrial para entrar no período
brilhante do conhecimento.
c) Convicções limitadoras – as pessoais e as de terceiros;
principalmente com as que vêm de cima, que são esmagadoras e
impedem que imperem eficiência e eficácia; mesmo porque a
maioria do corpo gerencial é carente desses recursos.
d) Estratégias (“muita gente sabe o que fazer, mas poucos
são aqueles que realmente fazem o que sabem”) ; é bom tomar
consciência de que no mundo de hoje “saber” é muito
diferente de poder: o poder está em saber aplicar o que
sabe, com eficiência e eficácia;
e) Acabar com a burocracia e com os desperdícios de tempo e
de material, evitando serviços inúteis ou em dobro; o que
gera retrabalho, despesas indevidas, insatisfação e
mal-estar organizacional e quebra de relacionamento.
f) Tornar as reuniões mais eficientes – despende-se grande
parte do tempo com reuniões sem resultado algum, que
dificilmente começam no horário certo, sem pauta, sem
domínio e sem administração da mesma e sem hora para
terminar (expediente dessa monta passa a idéia de que o
respeito pelo outro e por seu tempo acabou);
g) Aprimorar os relacionamentos – É impossível alguém ser
feliz sozinho , como se tornar bem-sucedido;
conseqüentemente é imperioso desenvolver relacionamentos de
qualidade, trocar experiências e tomar decisões por
consenso;
h) Aprimorar a comunicação – interna/pessoal e interpessoal;
intradepartamento e entre departamentos e externamente, da
mesma forma, com fornecedores e clientes; além de aprender a
desenvolver o Carisma da Linguagem, para adquirir o maior de
todos os poderes – o poder da palavra bem posta.
i) Desenvolver o espírito de parcerias – parcerias
eficientes e eficazes entre os colegas, seções,
departamentos, com a empresa, com tudo que seja útil e
necessário. Muito se tem perdido por falta desse espírito.
j) Administrar bem o tempo - (o seu, o dos seus e o de
terceiros – é falta de caridade e de respeito tomar o tempo
do outro e lhe recusar o retorno necessário. Aí está um
fator primordial da eficácia – o tempo bem utilizado, o
tempo gasto em uma tarefa, o tempo na tomada de decisões
importantes; o tempo, e sempre o tempo que deveríamos
aproveitar melhor, sem desperdício; por que ele jamais volta
e é irrecuperável...
k) Ter noção básica dos públicos – em qualquer situação
temos dois públicos - interno e externo – daí porque o
cliente interno deve ser bem tratado para que esteja
motivado a tratar o externo com eficiência e eficácia – bom
atendimento .
l) Princípios gerenciais de DEMING – dentre os 14 princípios
de Deming, destacamos como necessários os seguintes:
I. Aplicação imediata dos métodos modernos de
treinamento,
II. Eliminar o medo e encorajar a comunicação nos dois
sentidos,
III. Remover todas as barreiras que impeçam todos os que
trabalham de ter orgulho do que executam,
IV. Instituir um vigoroso programa de educação e
treinamento para que as pessoas estejam atualizadas no
que se refere ao desenvolvimento de novos métodos e
tecnologias,
V. Definir claramente o comportamento da alta
administração com qualidade e produtividade, ou seja, em
realizar todos os pontos anteriores.
m) Repensar todos os modelos antigos – com o propósito de
estarmos vigilantes quanto aos erros do passado, é preciso
analisar as seguintes citações:
•
O
que é passado, é prólogo. – Shakespeare
•
Os
que não podem recordar o passado estão condenados a
repeti-lo. – George Santayana
•
Tudo
o que é sábio já foi pensado; somente podemos procurar
pensá-lo uma vez mais. Von Goethe
Professor João Beserra da Silva
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