A CRIANÇA SAGRADA E A COMUNICAÇÃO

          Cada um de nós guarda em si uma criança feliz. Uma criança divina, sagrada, dotada de todo o poder e de toda a força para vir a ser realmente afortunada. Um ente que, mesmo adulto, nunca deveria deixar de ser criança - criança feliz...

          Criança que brinca, que se diverte e que, acima de tudo, em sua inocência e pureza, confia e ama. Essa criança, contudo, impedida de ser ela mesma, tolhida nos movimentos e nos impulsos, vai se sentindo podada, embotando-se-lhe potencialidades. Assim, torna-se sofrida, ferida e machucada. Podendo até mesmo transformar-se em ser revoltado e mau, arquitetando planos de vinganças. Até mesmo, inconscientes.

          Fica sem crescer. Nem se desenvolve como deveria Ficou incompleto como pessoa, embora lograsse atingir à maioridade e alcançar o desenvolvimento físico pleno. É como animal capado, sem integridade. Psíquica e espiritualmente necessita progredir. Assim como mental e emocionalmente carece chegar ao equilíbrio, para ser feliz e bem-sucedida.

          O mundo de hoje apresenta paradigmas diversos dos valores da vida, de maneira inversa. Em conseqüência das sociedades tidas como avançadas e modernas terem se descuidado desse fator tão importante, como é a criança. Pela falta de amor e de carinho a todas as crianças. A exemplo de jardineiros ou de lavradores que se desvelam em cuidados e em atenção às sementes e aos brotos, os pais e educadores, como governantes, deveriam agir.

          Para que vivamos num reino onde haja sucesso e felicidade é preciso consagrar especiais desvelos à criança que habita as nossas almas. E às crianças de modo geral, como lei fundamental inserida em nossas consciências e em nossos corações.

          Os adultos que guerreiam e acionam a guerra, que promovem a violência, que comandam a corrupção e que criam fórmulas para enganar e aproveitarem-se de outros pertencem ao rol das crianças feridas. Ou receberam o exemplo dentro de casa, por ser filhas de pais que também se revelaram crianças machucadas. Assim, a maior parte de chefes em geral que se brutalizam na profissão.

          Felizmente há crianças sofridas que passaram para o lado de cá sem aumentar o rol dos que são responsáveis por tantos desmandos. Todavia, permanecem distantes da plenitude do sucesso, sem alcançar os graus mais elevados da bem-aventurança ou da realização pessoal. Continuam a se machucarem, inconscientemente se julgando imerecedoras de tudo quanto é bom. Por falta da grande lição do perdão aos pais e àqueles que as impediram de ser elas mesmas vivem a agredir a quantos surjam diante de si.

          A sua concepção de mundo é a de modelo infeliz e mau. Por conseguinte, para comprová-la vivem em mundo assim, por força de atração. Ou forjam-no para si, em função da sua atitude mental negativa, atrelada ao sofrimento e àquilo que o provoca.

          Algumas chegam ao sucesso, na forma como pensam ser sucesso. Mas, permanecem a meio caminho do estado pleno. O sucesso em seu conjunto global requer a união com vários níveis e classes. Essa ligação realiza-se por meio de pontes firmes e indestrutíveis. Quatro delas são fundamentais para a jornada humana pela Terra, como passagens obrigatórias e imprescindíveis.

          Nos caminhos da vida a trajetória do ser humano, como chispa desprendida do Eterno, necessariamente passa por essas quatro pontes:

 A ponte que liga o indivíduo a ele mesmo.

 A que o une aos pais e aos ancestrais.

 Aquela que o conecta à vida.

 Aquela que interage com Deus.

          Quebrada uma delas, rompe-se também o fluxo da abundância e o da prosperidade, advindo a depressão. Pode continuar rico, sem se tornar próspero. Feliz quem nunca rompeu com os pais!

          Os próprios textos sagrados de todas as grandes religiões consagram as pessoas que honram os genitores. Mesmo que alguém pense nada guardar contra os pais, é necessário aferir essa convicção em nível de subconsciente. Poderá estar oculto. Como saber, pois? - Analisando o seu crescimento em todas as áreas. Sobremodo na financeira e na material; na profissional e na conjugal. De igual forma, na saúde física, na dos filhos e na do consorte.

          É preciso restabelecer a harmonia interna para com os pais. Deve-se reatar a ligação mental, mudando-se a atitude interior em relação aos genitores, atravessando-se a ponte da compreensão.

          Essa transformação ultrapassa os atos externos de simples abraços. Vai muito além de meros atos de perdão. É mister que haja lavor interno. Em estado inconsciente e subconsciente. Pela mudança de padrões de pensamentos, comportamentos e sentimentos. É imprescindível alterar os quadros e os registros antigos para que todos os canais para o sucesso e para a felicidade sejam desobstruídos. 

          Professor João Beserra da Silva

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