CAPITAL INTELECTUAL - GESTÃO DO CONHECIMENTO
Artigo
publicado no Jornal Folha de São Paulo
O maior patrimônio dos relacionamentos humanos é a
amizade. O maior capital é o conhecimento. O capital
financeiro guardado estagna e desvaloriza-se; assim também é
com o conhecimento. Só tem valor quando investido. Rende
dividendos, se bem aplicado.
Como nas bolsas de valores, assim é a bolsa dos
conhecimentos. Nada valem se ficarem no egoísmo pessoal.
Como “dinheiro atrai dinheiro”, conhecimento atrai
conhecimento, se investido no interesse de outros, à
disposição das comunidades, com sabedoria e humildade.
Um dos pontos fundamentais na Gestão do
Conhecimento é a liderança. Muitas pessoas demonstram nada
possuírem de líderes ao negarem o conhecimento de outros. O
conhecimento, se multiplicado de forma organizada, sem
sonegação, prospera e faz prosperar, associando-se a
empreendimentos vitoriosos. Quem sonega impostos comete
crime; quem subtrai conhecimentos, pratica injustiça;
bloqueia talentos, impede o desenvolvimento; fere
princípios, direitos e ética humana.
Neste mundo moderno gerir conhecimento, como
capital intelectual, sem valorizar o ser humano e motivá-lo,
é o mesmo que aplicar dinheiro bom em ação sem valor. A
Gestão de Conhecimento, ao utilizar o capital intelectual,
deve definir como fator preponderante a velocidade e o
encantamento com a novidade dos benefícios. Passamos as
épocas demoradas e enfadonhas das circulares, dos
comunicados, das mensagens via telex. Hoje, somos movidos
pelas mudanças dentro das próprias mudanças, cuja única
certeza é a mudança. Portanto, os processos da Gestão de
Conhecimento de modo algum poderão ser lentos; devem ser
ágeis, embora refletidos e amadurecidos.
Assim, seguindo esse caminho – o da velocidade –
para evitar incorrer no erro de chegar depois, a pessoa na
gerência de conhecimentos, sejam pessoais ou coletivos, deve
possuir a condição indispensável da serenidade e do poder
desenvolvido da intuição. As mais importantes decisões que
beneficiaram a Humanidade foram tomadas em segundos.
As idéias brotam no espírito humano e são como
tumores no físico que precisam sair. Idéias fantásticas,
quando brotam do espírito de pessoas igualmente fantásticas
necessitam ser postas em prática imediatamente. No dizer de
Shaskepeare, ação é eloqüência. Há muita gente sonegando
idéias e protelando decisões. Vão pagar pelo crime de matar
no nascedouro a fonte do saber. Infelizmente, muitos
“chefes” agem assim com receio de perder o posto, em virtude
do que jamais se tornarão líderes e continuarão ser pesos
para as suas corporações...
Ao contrário, na Gestão de Conhecimentos, onde
estiverem presentes o respeito, o amor, a confiança, a
solidariedade, o espírito de parceria, a consciência formada
no “nós”, distanciada do “eu”, o líder vai fomentar o maior
banco de talentos. Porque o talento é como a água, quanto
mais se usa mais a fonte dispõe para oferecer.
Profissionais de Recursos Humanos lembrem-se de
que a qualidade total, tão apregoada em nossos tempos, sem a
qualidade pessoal é verdadeira falácia, é um engodo, que se
esconde atrás de algumas formas de ISO. Qualidade é efeito,
conseqüência de algo que a precede. A preocupação exagerada
com a qualidade final pode transformar-se em psicose
coletiva, em detrimento do essencial que é a qualidade
pessoal.
Antes do profissional e do produto, até mesmo da
própria empresa, está a pessoa humana, em todos os níveis.
Qualquer programa de recursos humanos que descuide dela está
bem distante de alcançar resultados duradouros. Cuidado com
imensas listas de como gerir conhecimento ou administrar
capital intelectual, se permanecerem alheios à Motivação
Humana. Se desse jeito o for, o Capital Intelectual fica
como semente esmagada, seca ou mofada e sem água. Para gerir
o conhecimento humano é preciso que os líderes despertem
para a magia do elogio, para o trinômio milagroso da
eficiência.
Quem se descuida da pessoa, perde o profissional.
A pessoa e o profissional são inseparáveis. Malgrado sejam
uma só, quem se apresenta primeiro é a pessoa. Tanto no
vendedor quanto no diretor; tanto nas funções mais simples
quanto nas mais complexas. Tanto nos poderes temporais
quanto nos religiosos, a pessoa está acima de tudo; muito
antes do produto que nasceu em seu espírito criativo e
transformador.
Está também no cliente, que antes de ser
consumidor ou usuário de serviços, é pessoa humana. Está nos
cargos públicos, nos ministérios, na magistratura, no
professorado, na polícia e nos campos de esportes. De igual
maneira, nos religiosos, e em todas as atividades.
O caráter é indelével e indissociável da pessoa.
As características pessoais agregam-se às do profissional.
Vale ressaltar mais uma vez, um e outro estão no mesmo ser,
sem se apartarem. Devem estar unidos, intrinsecamente
ligados. Desconhecer essas premissas é o mesmo que afirmar
nada saber acerca de gerenciar ou administrar. A vida é uma
escola e o ser humano é uma universidade e os mestres
deveriam estar na área de Recursos Humanos.
Se a pessoa é dotada de boa índole, de caráter bem
formado, de estrutura familiar sólida, de amor à vida, de
vontade de servir, de garra, com evidência, esforça-se para
ser profissional de renome.
Professor João Beserra da Silva
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