|
DEFINIÇÃO DE SISTEMA ECONÔMICO Nas sociedades modernas, onde é produzido um grande número de bens e serviços, podemos observar que o consumo de uma pessoa é composto por bens e serviços produzidos em áreas de atividade econômica diferentes daquela em que exerce seu trabalho. Um operário que trabalhe numa metalúrgica, por exemplo, produz chapas de aço, mas necessita de alimentos, roupas, uma casa, transporte etc. Entretanto, na economia em que esse operário vive, é permitido que ele troque sua força de trabalho (um fator de produção que concorre para a produção das chapas de aço) por um salário que lhe permita adquirir os bens e serviços de que necessita. Isto ocorre em razão do funcionamento daquilo que chamamos de sistema econômico. Um sistema econômico pode ser como a reunião dos diversos elementos participantes da produção de bens e serviços que satisfazem as necessidades sociedade, organizados não apenas do ponto de vista econômico, mas também social, jurídico, , institucional etc. Observe que os elementos integrantes de um sistema econômico não são apenas pessoas, mas todos os fatores de produção: trabalho, capital e recursos naturais. Entretanto, para que esses fatores façam parte do processo produtivo, eles precisam estar organizados de tal forma que a sua combinação resulte em algum bem ou serviço. As instituições onde são organizados os fatores de produção são denominadas unidades produtoras. Uma fábrica de automóveis, um banco e uma fazenda são exemplos de unidades produtoras, pois em cada uma delas os fatores trabalho, capital e recursos naturais estão organizados para a produção de algum bem ou serviço. No entanto, não devemos pensar que tudo aquilo que for obtido pelas unidades produtoras será destinado diretamente ao consumo pelas pessoas. Uma fábrica de chapas de aço, por exemplo, não tem as pessoas, em geral, como consumidores diretos dos seus produtos, da mesma forma que uma empresa de processamento de dados. As chapas de aço e os serviços de computação são apenas um bem e um serviço que entram na produção de outros bens e serviços. Essa complexidade da produção é uma característica fundamental dos modernos sistemas econômicos e explica como as pessoas que desempenham uma tarefa específica, como o operário de quem falamos anteriormente, podem adquirir as coisas necessárias à satisfação de suas necessidades. A produção econômica pode ser classificada em três categorias, de acordo com a sua destinação :
- bens e serviços intermediários: são os bens e serviços que não atendem diretamente às necessidades das pessoas, pois precisam ser transformados para atingir sua forma definitiva. Como exemplo, podemos citar as chapas de aço, que serão empregadas na produção de automóveis; os serviços de computação, que preparam folhas de pagamentos para as empresas etc. - bens de capital: também não atendem diretamente às necessidades dos consumidores, mas destinamse a aumentar a eficiência do trabalho humano no processo produtivo, como as máquinas, as estradas etc. COMPOSIÇÃO DO SISTEMA ECONÔMICO No sistema econômico de uma nação, encontramos um grande e diversificado número de unidades produtoras, cada qual organizando os fatores da produção para a obtenção de um determinado produto ou para a prestação de um serviço. Entretanto, apesar da diversidade de objetivos das inúmeras unidades produtoras, podemos classificálas de acordo com as características fundamentais de sua produção. Utilizando esse critério, veremos que as unidades produtoras podem ser agrupadas em três setores básicos, que compõem o sistema econômico: · Setor primário: constituído pelas unidades produtoras que utilizam intensamente os recursos naturais e não introduzem transformações substanciais em seus produtos ( o beneficiamento de certos produtos agrícolas, como o arroz, que é descascado e polido, constitui um caso de transformação que não altera substancialmente o produto ), Neste setor estão as unidades produtoras que desenvolvem atividades agrícolas, pecuária e extrativas, sejam minerais, animais ou vegetais. · Setor secundário: constituído pelas unidades produtoras dedicadas às atividades industriais, através das quais os bens são transformados. Caracterizase pela intensa utilização do fator de produção capital, sob a forma de máquinas e equipamentos. Indústrias de automóveis, de refrigerantes e de roupas são exemplos de unidades produtoras incluídas no setor secundário. · Setor terciário : este setor se diferencia dos outros pelo fato de seu produto não ser tangível, concreto, embora seja de grandeimportância no sistema econômico. E composto pelas unidades produtoras que prestam serviços, como os bancos, as escolas, as empresas de transporte, o comércio etc. Poderemos ter uma idéia do grau de desenvolvimento de um país se observarmos a importância relativa dos três setores em seu sistema econômico. Uma economia em que o setor primário tem maior peso revela, quase sempre, um nível de desenvolvimento não satisfatório, enquanto aquelas em que o setor secundário é preponderante apresentam maior grau de desenvolvimento.
Durante o processo de produção, em que são obtidos bens e serviços, as unidades produtoras remuneram os fatores de produção por elas empregados: pagam salários aos seus trabalhadores, aluguel pelas instalações que ocupam, juros pelos financiamentos obtidos e distribuem lucros aos seus proprietários. Essa remuneração é recebida pelos proprietários dos fatores de produção e permitelhes adquirir os bens e os serviços de que necessitam. Este é um aspecto fundamental do sistema econômico, e que garante sua eficiência: as unidades produtoras, ao mesmo tempo em que produzem bens e serviços, remuneram os fatores de produção por elas empregados, permitindo que as pessoas adquiram bens e serviços produzidos por todas as outras unidades produtoras. Uma pessoa que trabalha numa fábrica de roupas, por exemplo, não vai adquirir apenas o produto de seu trabalho (as roupas) com o salário que recebe. Precisa, também, comprar alimentos, alugar ou comprar uma casa, tomar condução etc. E através da remuneração de sua força de trabalho (fator de produção que concorreu para a produção das roupas) que ela poderá adquirir as coisas de que necessita para viver. Podese dizer, portanto, que num sistema econômico existem dois fluxos. O primeiro é o fluxo real, formado pelos bens e serviços produzidos no sistema econômico, que também recebe o nome de produto. O segundo é o fluxo nominal ou monetário, formado pelo pagamento que os fatores de produção recebem durante o processo produtivo, também denominado renda. Esses dois fluxos têm um significado muito importante para a teoria econômica. O fluxo real, formado pelos bens e serviços produzidos, constitui a oferta da economia, ou seja, tudo aquilo que foi produzido e está à disposição dos consumidores. O fluxo monetário, formado pelo total da remuneração dos fatores produtivos, é a demanda ou procura da economia, ou seja, aquilo que as pessoas procuram para satisfazer suas necessidades e desejos. A oferta e a procura são as duas funções mais importantes de um sistema econômico. Essas duas funções formam o mercado onde as pessoas que querem vender se encontram com as pessoas que querem comprar. importante observar que o termo mercado, na Teoria Econômica, não significa apenas o lugar físico onde as pessoas estão localizadas, como uma feira livre, por exemplo. Seu significado é mais amplo. O termo mercado se refere a todas as compras e vendas realizadas no sistema econômico, tanto de bens de consumo, intermediários e de capital como de serviços. Em suma, sintetiza a essência do sistema econômico, em que as necessidades são satisfeitas através da venda e da compra de mercadorias e serviços.
No item anterior, foram apresentados os elementos fundamentais do sistema econômico: o fluxo real, o fluxo monetário e o mercado, para onde os fluxos se dirigem. Falaremos, agora, a respeito do funcionamento do sistema econômico, que se caracteriza pelo permanente trânsito dos fluxos real e monetário, tanto no sentido do mercado como no sentido contrário. Entretanto, para discutir melhor esse fenômeno, que corresponde à circulação no sistema econômico, é necessário que se introduzam mais alguns conceitos importantes. Inicialmente, vamos admitir que o nosso sistema econômico é fechado, ou seja, não mantém relações econômicas com outros sistemas. Como um sistema econômico corresponde a um país, o que estamos dizendo é que esse país não importa nem exporta bens e serviços de outros países. Admitamos, ainda, que este sistema econômico não possui setor público, ou seja, governo. Essa suposição não é de natureza política, mas econômica, pois o governo tem um papel importante no sistema econômico. E a sua exclusão, assim como a das relações com outros sistemas econômicos, tem apenas a finalidade de tornar mais simples o raciocínio. Convém dizer, ainda, que nesse sistema econômico toda a renda recebida pelos proprietários dos fatores de produção é gasta em bens e serviços de consumo e toda a produção das empresas é vendida, não havendo formação de estoques. Dessa forma, o nosso sistema econômico será formado pelas empresas e pelas familias. As empresas e as famílias são entidades econômicas, formadas pelas unidades produtivas, no caso das empresas, e pelas pessoas que consomem bens e serviços e possuem os fatores de produção, no caso das famílias. Normalmente, um sistema econômico é formado por mais duas entidades: o setor público, ou governo, e o resto do mundo, ou setor externo. Entretanto, para facilitar o raciocínio, consideraremos apenas as empresas, cujo conjunto vamos chamar de aparelho produtivo, e as famílias. Agora, podemos recolocar a discussão do sistema econômico em termos dessas duas entidades econômicas. O aparelho produtivo contrata, junto às famílias, os fatores de produção, trabalho, capital etc., originandose aí o fluxo monetário. Por outro lado, o aparelho produtivo organiza os fatores de produção de que agora dispõe e estabelece o fluxo real, que equivale à oferta de bens e de serviços produzidos. Esses dois fluxos se encontram no mercado, onde as famílias trocam sua renda (ou fluxo monetário) pelo produto (ou fluxo real) para satisfazer suas necessidades. Entretanto, o funcionamento do sistema econômico não termina aqui. Observemos que, no mercado, os fluxos trocam (1e mãos: o fluxo real passa para as mãos das famílias, onde será consumido, pois se trata de bens e serviços, enquanto o fluxo nominal passa para as mãos do aparelho produtivo, como pagamento pelos bens e serviços vendidos. Quando as famílias tiverem consumido os bens e serviços adquiridos no mercado, precisarão oferecer novamente os seus fatores de produção ao setor produtivo, para receber em troca a renda que lhes permitirá dirigiremse novamente ao mercado. Neste ínterim, as empresas podem contratar novamente os fatores de produção com as famílias, pois agora estão de posse do fluxo monetário, que foi obtido no mercado com a venda de sua produção de bens e de serviços. Tivemos, portanto, uma volta completa dos fluxos monetário e real, que saíram, no primeiro instante, das mãos das famílias e empresas, dirigiramse ao mercado, trocaram de mãos e, novamente através da contratação dos fatores de produção, estão nas mãos das entidades originais, ou seja, o fluxo monetário com as famílias e o real com o aparelho produtivo. A partir daí, eles se dirigem novamente para o mercado, onde o processo é reiniciado. É importante observar que, na realidade, os fluxos monetário e real estão, ao mesmo tempo, tanto com as famílias e empresários como no mercado, não sendo necessário haver uma volta completa para que os mesmos se reiniciem. Portanto, cumpre destacar o caráter dinâmico do sistema econômico, em que todos os agentes econômicos exercem seu papel ininterruptamente. Essa movimentação dos fluxos é o processo de circulaçao do sistema econômico, que é importantíssimo para que o sistema econômico cumpra o seu papel, produzindo bens e serviços e fazendoos chegar às pessoas para satisfazer suas necessidades. O processo de circulação no sistema econômico está esquematizado na figura a seguir, onde os fluxos reais são representados por linhas contínuas e os fluxos monetários, por linhas segmentadas.
Quando se estuda a história do Brasil, particularmente do ponto de vista econômico, notase que o país esteve, desde o princípio, empenhado em atividades econômicas do setor primário. Esse aspecto é mais evidente durante a época em que o Brasil foi uma colônia portuguesa, que vai do seu descobrimento até a independência política, em 1822. De fato, Portugal proibia terminantemente qualquer atividade manufatureira em sua colônia, permitindo apenas as atividades agrícolas e extrativas. Dessa forma, a vida econômica do Brasil baseouse em ciclos de produtos agrícolas e minerais, como o ciclo da canadeaçúcar, o ciclo da mineração e o ciclo do café, este o mais recente. O café, como atividade econômica, talvez tenha sido o ciclo mais importante na economia brasileira. Iniciouse por volta de 1850, quando o país já tinha autonomia política, e estendeuse, como a atividade econômica mais importante, até o inicio da década de 30, quando o país iniciou uma profunda modificação na estrutura do seu sistema econômico. A modificação a que nos referimos é Q início da industrialização, processo que significou a modernização da economia brasileira, com o declínio da importância da agricultura como atividade econômica e o crescimento das atividades industriais. Até o momento, não falamos do setor terciário, por uma razão simples. Tradicionalmente, esse setor costuma acompanhar a evolução dos outros setores, o primário e o secundário, nos quais se fundamenta o sistema econômico. Em outras palavras, o setor terciário surge como conseqúência dos outros setores, desenvolvendose juntamente com eles, apesar de contribuir para o seu crescimento isso numa etapa em que o sistema econômico como um todo já se encontra estruturado. A seguir, apresentaremos um quadro que mostra a evolução da composição do sistema econômico brasileiro a partir de 1950. Esse quadro mostra o quanto cada setor contribuiu para a formação do total de bens e serviços que o país produziu nos anos apresentados. Cabe, aqui, uma observação, para melhor entendimento dos dados apresentados. A 50-ma dos bens e serviços expressos em valor monetário recebe o nome de Produto Interno Líquido a custo de fatores, um conceito que será explicado no capítulo 5. Por enquanto, basta saber que os números apresentados equivalem à contribuição de cada setor na formação do total de bens e serviços produzidos.
Fonte: Fundação Getúlia Vargas. Analisemos, agora, a evolução da contribuição de cada setor no decorrer do tempo. Em 1950, o setor primário contribuiu com Cr$ 24,4 bilhões, num total de Cr$ 91,8 bilhões, o que equivale a aproximadamente 26,6%. Enquanto isso, o setor secundário contribuiu com Cr$ 21,6 bilhões, equivalentes a 23,5%, e o setor terciário contribuiu com Cr$ 45,8 bilhões, que significaram 49,9(¼> da produção total de bens e serviços naquele ano. Passando para o ano de 1980, vemos que a situação mudou consideravelmente em termos de importância relativa de cada setor. O setor primário contribui, agora, com apenas 9% da produção total de bens e serviços, enquanto o setor secundário elevou sua contribuição para 38,7%. O setor terciário foi praticamente o único que não apresentou alteração substancial, contribuindo com 52,3%. As variações observadas em termos de contribuição de cada setor para a produção total de bens e serviços no Brasil, durante o período em questão, refletem a mudança estrutural pela qual passou o sistema econômico brasileiro nas últimas décadas, quando o país se industrializou e aumentou a importância relativa do setor secundário, enquanto diminuía a do setor primário. |
MVM Design :: www.designmvm.hpg.com.br