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               CUSTOS DE PRODUÇÃO


PRODUÇÃO E CUSTOS

II -- CUSTOS DE PRODUÇÃO

1. Introdução

O objetivo básico de uma firma é a maximização de seus resultados quando da realização de sua atividade produtiva. Assim sendo, procurará sempre obter a máxima produção possível em face da utilização de certa combinação de fatores.

A otimização dos resultados da firma poderá ser obtida quando for possível alcançar um dos dois objetivos seguintes:a) maximizar a produção para um dado custo total ou b) minimizar o custo total para um dado nível de produção. Em qualquer uma das situações, a firma estará maximizando ou otimizando seus resultados. Estará, pois, em uma situação que a Teoria Econômica denomina equilíbrio da firma.

Uma observação importante: nas curvas de custos que veremos a seguir, são considerados também os custos de oportunidade, que são custos implícitos, e não apenas os custos contábeis, que são explícitos, pois envolvem desembolso monetário. Por exemplo, é considerada nas curvas de custos, no sentido econômico, uma estimativa do aluguel que uma firma, que possui prédio próprio, eventualmente pagaria se precisasse alugá-lo. Ao final deste tópico discutiremos um pouco mais detalhadamente essa questão.

2. Custos totais de produção

Conhecidos os preços dos fatores, é sempre possível determinar um custo total de produção ótimo para cada nível de produção. Assim, define-se custo total de produção como o total das despesas realizadas pela firma com a utilização da combinação mais econômica dos fatores, por meio da qual é obtida uma determinada quantidade do produto.

Os custos totais de produção (CT) são divididos em custos variáveis totais (CVT) e custos fixos totais (CFT):

CT = CVT + CFT

* Custos fixos totais (CFT) -- Correspondem à parcela dos custos totais que independem da produção. São decorrentes dos gastos com os fatores fixos de produção. Por exemplo: alugueis, iluminação etc. Na contabilidade empresarial, são também chamados de custos indiretos.

* Custos variáveis totais (CVT) -- Parcela dos custos totais que depende da produção e por isso muda com a variação do volume de produção. Representam as despesas realizadas com os fatores variáveis de produção. Por exemplo: tolha de pagamentos, gastos com matérias-primas etc. Na contabilidade privada, são chamados de custos diretos.

Como na Teoria da Produção, a análise dos custos de produção também é dividida em curto e longo prazos:

* Custos totais de curto prazo: São caracterizados pelo fato de serem compostos por parcelas de custos fixos e de custos variáveis.

* Custos totais de longo prazo: São formados unicamente por custos variáveis. Ou seja, a longo prazo, não existem fatores fixos.

2.1. Custos de curto prazo

Suponhamos que uma firma realize sua produção por meio da utilização de fatores fixos e variáveis. Consideremos, a título de exemplo, a existência de apenas um fator fixo, identificado pelo tamanho ou dimensão da firma, e de um fator variável: mão-de-obra.

Assim, essa firma só poderá aumentar ou diminuir sua produção por meio da utilização do fator mão-de-obra, uma vez que seu tamanho é constante, não podendo ser aumentado ou diminuído em curto prazo.

Como o custo fixo total permanece inalterado, o custo total de curto prazo variará apenas em decorrência de modificações no custo variável total.

Custos Médios e Marginais

* Custo total médio (CTMc ou CMe): É obtido por meio do quociente entre o custo total e a quantidade produzida:

                           CT custo total (em $)
CTMe = CMe = -- = -------------------
                            q total produzido

Ou seja, é o custo por unidade produzida, também chamado custo unitário.

* Custo variável médio (CVMe): É o quociente entre o custo variável total e a quantidade produzida:

                     CVt custo varável total
CVMe = --- = ---------------------
                    q total produzido

* Custo fixo médio (CFMe): É o quociente entre o custo fixo total e a quantidade produzida:

                   CFT custo Fixo total
CFMe = --- = ------------------
                   q total produzido

* Custo marginal (CMg): É dado pela variação do custo total em resposta a uma variação da quantidade produzida:

         ACT     variação do custo total
CM9 = --- = -----------------------------------
          Aq     acréscimo de 1 unidade na produção

Como o custo fixo total não se modifica com as variações da produção, a curto prazo, o custo marginal é determinado apenas pela variação do custo variável total.

Formato das Curvas do Custos: a Lei dos Custos Crescentes

Para verificar o formato das curvas de custos, vamos utilizar os dados da tabela a seguir.

GRÁFICO PAG. 67


GRÁFICO PAG. 68

Como podemos observar nos gráficos, com o aumento do volume produzido, os custos totais, com exceção dos custos fixos, só podem crescer. Os custos médio e marginal, entretanto, podem ser decrescentes numa certa etapa do processo de produção.

O custo variável médio, o custo total médio e o custo marginal têm todos o formato em U: primeiro decrescem, para depois crescer. Isso porque, no início do processo de produção, a empresa trabalha com reservas de capacidade (muito capital e pouca mão-de-obra). Assim, os custos totais crescem menos que a produção, fazendo com que os custos médios e marginais decresçam (o "denominador" cresce mais que o "numerador").

Após um certo nível de produto, os custos totais passam a crescer mais que o aumento da produção, e os custos médios e marginais passam a ser crescentes.

Essa é a chamada Lei dos Custos Crescentes, que no fundo é a Lei dos Rendimentos Decrescentes, da Teoria da Produção, aplicada à Teoria dos Custos da Produção.

2.2. Custos de longo prazo

Conforme observado, uma situação de longo prazo caracteriza-se pelo fato de todos os fatores de produção serem variáveis, inclusive o tamanho ou dimensão da empresa. Ou seja, os custos totais correspondem aos custos variáveis, uma vez que não existem custos fixos a longo prazo.

É importante saber que o comportamento do custo total e do custo médio de longo prazo está intimamente relacionado ao tamanho ou dimensão da planta escolhida para operar em longo prazo.

Tomando como exemplo a curva de Custo Médio de Longo Prazo (CMeL), ela também terá um formato em U, como o custo médio de curto prazo, devido à existência de rendimentos ou economias de escala, pois o tamanho da empresa está variando em cada ponto da curva. No gráfico abaixo, até o ponto A, o aumento da produção da empresa leva a uma diminuição do custo médio (existem ganhos de produtividade), revelando a existência de rendimentos crescentes ou economias de escala. Após esse ponto, o custo médio de longo prazo tende a crescer, revelando rendimentos decrescentes ou deseconomias de escala.

GRÁFICO PAG. 69

Dessa forma, o formato em U da curva de custo médio de longo prazo deve-se as economias de escala, com todos os fatores de produção variando, incluindo o próprio tamanho ou escala da empresa, enquanto o formato em U do custo médio de curto prazo deve-se à lei dos custos crescentes (Lei dos Rendimentos Decrescentes), que supõe um fator fixo de produção.

3. Diferenças entre a visão econômica e a visão contábil-financeira dos custos de produção

Existem muitas diferenças entre a ótica utilizada pelo economista e a utilizada nas empresas, por contadores e administradores. Em linhas gerais, pode-se dizer que a visão econômica é mais genérica, olhando mais o mercado (o ambiente externo da empresa), enquanto na ótica
contábil-financeira a preocupação centra-se mais no detalhamento dos gastos da empresa específica.

As principais diferenças estão nos seguintes conceitos:

* custos de oportunidade e custos contábeis
* externalidades
* custos e despesas

3.1. Custos de oportunidade versus custos contábeis

Os custos contábeis são os custos como normalmente são conhecidos na contabilidade privada, ou seja, são custos explícitos, que sempre envolvem um dispêndio monetário. É o gasto efetivo da empresa, na compra ou aluguel de insumos.

Os custos de oportunidade são custos implícitos, que não envolvem desembolso monetário. Representam os valores dos insumos que pertencem à empresa e são usados no processo produtivo. Esses valores são estimados a partir do que poderia ser ganho no melhor uso alternativo (por isso são também chamados custos alternativos).

Os custos de oportunidade não são contabilizados no balanço das empresas, como por exemplo:

a) o capital que permanece parado no caixa da empresa; o custo de oportunidade é o que a empresa poderia estar ganhando se aplicasse esse capital no mercado financeiro;
b) quando a empresa tem prédio próprio, ela deve imputar um custo de oportunidade correspondente ao que pagaria se tivesse de alugar um prédio.

Para o economista, as curvas de custos das firmas devem considerar, além dos custos contábeis, os custos de oportunidade, pois assim estariam refletindo a verdadeira escassez relativa do recurso utilizado. Ou seja, quanto custa efetivamente para a sociedade (o custo social).

3.2. Externalidades (economias externas)

Como já observamos no Capítulo 3, as externalidades (ou economias externas) podem ser definidas como as alterações de custos e benefícios para a sociedade derivadas da produção das empresas, ou também como as alterações de custos e receitas da empresa devidas a fatores externos.

Temos uma externalidade positiva (ou economia externa) quando uma unidade econômica cria benefícios para outras, sem receber pagamento por isso. Por exemplo, uma empresa treina a
mão-de-obra, que acaba, após o treinamento, transferindo-se para outra empresa; a beleza do jardim do vizinho, que valoriza sua casa; uma nova estrada; os comerciantes de um mesmo ramo que se localizam na mesma região.

Temos uma externalidade negativa (ou deseconomia externa) quando uma unidade econômica cria custos para outras, sem pagar por isso. Por exemplo, poluição e congestionamento causados por automóveis, caminhões e ônibus; uma indústria que polui um rio e impõe custos à atividade pesqueira; a construção de uma barragem etc.

Essas externalidades podem ser incorporadas (internalizadas) com a aplicação adequada de taxas ou impostos sobre a fonte causadora.

3.3. Custos versus despesas

Na Teoria Microeconômica tradicional, não é feita uma distinção rigorosa entre os conceitos de custos e despesas, como é feito na Contabilidade.

A definição contábil coloca que custos são os gastos associados ao processo de fabricação de produtos, enquanto as despesas são associadas ao exercício social e alocadas para o resultado geral do período (como despesas financeiras, comerciais e administrativas).

Os custos são normalmente divididos em diretos (que correspondem aos custos variáveis) e indiretos (que se referem aos custos fixos).

Os custos diretos são os salários da mão-de-obra direta, custo das matérias-primas e componentes, e gastos correntes com o estoque de capital, tais como energia, manutenção e reparação. Os custos indiretos referem-se aos salários da administração, aluguel do prédio, depreciação do equipamento e das instalações, retorno sobre capital fixo e provisão para risco.

Dentro do campo da chamada Teoria da Organização Industrial, que é um desenvolvimento relativamente recente da Teoria Microeconômica, as definições de custos e despesas são tratadas com mais precisão, pelo fato de essa Teoria ter muita proximidade com os conceitos contábeis e financeiros utilizados nas empresas.

Nos manuais de Ecónomia, essa diferenciação normalmente não é feita, subentendendo-se que o conceito de custo fixo engloba também as despesas financeiras, comerciais e administrativas.




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