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Oceanografia I - ICBA - USU

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TIPOS DE MARGENS DE PLACAS TECTÔNICAS

 

                A teoria da Tectônica de Placas representa um arcabouço teórico sólido no qual inúmeras observações da Terra se combinam para formar um modelo geral da dinâmica de crosta terrestre, onde a origem e a evolução das feições estruturais da Terra são resultantes de um sistema de placas litosféricas em movimento. Os conjuntos de rochas e as suas respectivas deformações podem ser relacionadas às interações das diversas placas. Dessa forma, a teoria da Tectônica de Placas é capaz de explicar fenômenos geológicos como a formação de cadeias de montanhas, a distribuição espacial dos vulcões e dos terremotos, a composição das lavas expelidas pelos vulcões, o surgimento e a evolução das bacias oceânicas, bem como a migração e extinção de plantas e animais.

                A litosfera se apresenta hoje dividida em sete grandes placas tectônicas e em muitas outras menores, as quais se movimentam entre si. As placas se comportam, geralmente, como corpos rígidos fazendo com que a maior parte das interações fique concentrada ao longo das bordas entre as placas. Consequentemente, pode-se observar uma nítida relação entre o tipo de margem entre placas, o tipo e a intensidade da deformação resultante, e as características dos fenômenos geológicos envolvidos.

                As margens entre as placas tectônicas podem assumir, de uma maneira geral, um caráter divergente, convergente (por colisão ou subducção) ou transformante. Nesse sentido, os processos que se desenvolvem em cada uma dessas situações apresentam-se bem distintos. Assim, as margens divergentes se caracterizam pela ocorrência, entre outros fenômenos, de vulcanismo basáltico e de terremotos com focos bastante rasos. Por outro lado, regiões de margens convergentes por subducção, se caracterizam por vulcanismo andesítico e terremotos com focos bem profundos. As feições superficiais costeiras resultantes em cada tipo de margem dessas placas, também se apresentam individualizadas e com características próprias. Podemos relacionar dois tipos básicos de margens:

 

                a - Margem Atlântica - divergente, assísmica, ou margem passiva, que ocorre em lados de estabilidade, local de subsidência e de grandes camadas de acumulação de sedimentos, que algumas vezes dificultam a determinação dos seus limites.

                b - Margem Pacífica - este tipo é subdividido em:

                                - tipo Chilena

                                - tipo Arcos de Iha ou Mariana

                - são margens convergentes e destrutivas, que têm como características, possuírem estreitas plataformas continentais, com a presença de profundas fossas, logo após o talude, ou mesmos sistemas de fossas. São margens sismicamente ativas, caracterizadas por freqüentes terremotos e intensas atividades vulcânicas. Representam os limites das zonas destrutivas de duas placas convergentes de diferentes densidades, que resultam em mergulho ou subducção de placas mais densas para a Zona de Benioff (Zona de fusão de placas).

 

                Movimento de Placas Tectônicas

 

                As placas tectônicas têm-se movimentado ao longo do tempo geológico. Várias evidências têm mostrado que a velocidade de uma certa placa tectônica raramente foi constante. De fato, tais movimentos apresentaram fases de aceleração e/ ou desaceleração ao longo do tempo geológico. Os registros mostram, também, que a velocidade pode variar muito de placa para placa. Por exemplo, enquanto a Placa Sul Americana apresenta velocidade entre 2  e 5cm/ ano, a Placa do Pacífico apresenta valores entre 9 e 18cm/ ano. Acredita-se que tais diferenças de velocidade estão relacionadas, entre outros fatores, à quantidade de crosta existente na placa. Dessa forma, o movimento das placas sem a presença de crosta continental em suas bordas (Placa do Pacífico) tenderiam a ser mais rápidas do que aquelas com a presença de crosta continental, como a da Placa Sul Americana.

                A velocidade relativa das placas tectônicas é estimada, na maioria das vezes, através do mapeamento das anomalias magnéticas registradas no fundo dos oceanos. Uma anomalia magnética observada num certo ponto do fundo oceânico pode ser datada através da magneto-estratigrafia. A velocidade relativa pode, então, ser estimada ao dividirmos a distância entre o ponto em questão e o eixo da margem divergente, em geral uma cadeia meso-oceânica, também pode sofrer movimento.

                Para que a velocidade absoluta de uma placa tectônica seja obtida, precisa-se de um ponto de referência fixo, esterno ao sistema em movimento. Os famosos Pontos Quentes (Hot Spots) representam tal ponto de referência. Os Pontos Quentes são colunas delgadas de rochas quentes que ascendem lentamente em direção à superfície, arqueando a crosta e formando feições vulcânicas. Como tais Pontos Quentes são relativamente fixos no espaço, a passagem de uma placa tectônica sobre eles cria, geralmente, ilhas vulcânicas. O estudo dessas feições lineares nos permite identificar a direção do movimento das placas. A velocidade absoluta pode, então, ser obtida a partir da datação do material constituinte do cone vulcânico e da mensuração da distância desse material ao Ponto Quente.

 

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