GEOMORFOLOGIA
COSTEIRA
O
DESENVOLVIMENTO E MANTENÇÃO DAS FORMAS TERRESTRES
- Dentro de
uma visão sistêmica a distribuição de Energia
Entrada
/ input
Transformação
/ processamento
Resultados
/ formas
1 - Diversas classificações utilizam-se
de conceitos que associam variações do nível dos oceanos às formas atuais.
Assim, classificações dividindo as costas em EMERGENTES e SUBMERGENTES
(Johnson 1919; Valentin 1952) são conceitos ainda utilizados. Esta
classificação sugere que as costas submergentes resultaram em Fijords ou em
Rias (reentrâncias, baias, enseadas) – isostasia/ tectonismo. Enquanto que as
costas emergentes podem acabar resultando em planícies de marés ou em ilhas de
barreiras. (neutras?).
2 - Outro grupo básico de classificação
usa conceitos estruturais de controle para distinguir entre os vários tipos de
formas costeiras. Assim é que Bloom (1978) definiu uma classificação
conceituando as formas litorâneas em COSTAS
ALTAS E COSTAS BAIXAS. Nesta classificação as costas altas estariam
associadas à presença de grandes blocos rochosos (paredões) onde os efeitos
erosivos que poderiam provocar alterações nas paisagens teriam atuação mais
fraca do que em outras áreas. Já nas costas baixas, desenvolvidas em planícies
aluviais, estariam mais sujeitas aos processos erosivos e conseqüentemente às
variações do nível do mar.
Mais recentemente, Inman e Nordstrm
(1971), desenvolveram uma classificação tectônica baseada na teoria da tectônica de placas. Eles distinguiram
e reconheceram pela localização quatro tipos de costas:
§
Em
placas ativamente divergentes (Mar Vermelho)
§
Em
placas convergentes (sistemas de arcos de Ilhas da Indonésia e Japão)
§
Em
grandes falhas transformantes (costa sudeste da Califórnia).
§
Costas
desenvolvidas em zonas placas estáveis (Índia, Austrália, Brasil).
Na realidade, esta classificação é uma
reminiscência de uma outra, mais antiga ( Suess – 1904), que definia apenas
dois tipos de costas – O TIPO ATLANTICO E O TIPO PACIFICO.
3 – Um terceiro grupo de classificação baseia-se nos
processos costeiros. Conhecida como
classificação de Shepard (1963) ela divide o ambiente costeiro em COSTAS
PRIMÁRIAS E COSTAS SECUNDÁRIAS.
Costas primárias são aquelas que
apresentam as mesmas condições que tinham ao final da última mudança no nível
do oceano, sendo pouco afetadas pelos processos marinhos e refletindo,
portanto, poucas alterações. As formas destas costas refletem processos
subaéreos que certamente moldaram as feições costeiras antes que as variações
eustáticas ocorressem.
Costas secundárias são aquelas que
efetivamente sofreram alterações devidas aos processos dinâmicos do
intemperismo por erosão, assoreamento e atividades dos organismos. Também neste
grupo encontramos as classificações de Davies (1980) e de Tanner (1960), onde
ambos classificam os tipos de costas de acordo com os níveis de energia que
elas recebem.
- Davies (1980) distinguiu entre ambientes
de ondas de tempestade, encontrados nas regiões das latitudes médias, e os ambientes de ondas de swell geralmente
encontrados nas baixas latitudes.
- Tanner (1960) estabeleceu
uma classificação onde considera os ambientes costeiros como podendo ser de alta, moderada ou de baixa energia.
Dentre os documentos que
procuram definir as formas e as funções das feições costeiras temos a
publicação de Tanner que tenta definir o conceito de equilíbrio das formas
costeiras, afirmando que:
“a idéia de equilíbrio e que
um sistema de energia de ondas irá estabelecer em relação ao tempo e à evolução
muitas complicações, um delicado ajuste balanceado entre as atividades,
geometria tridimensional e o transporte dos sedimentos tal que o sistema irá tender
a corrigir e amenizar as interferências”.
Este documento relata as
entradas de energia, os processos de transporte dos sedimentos e a morfologia
costeira dentro de um conceito sistêmico de equilíbrio funcional. A costa é uma
área de intensa entrada de energia; esta energia transportada pelas ondas, que
atingem a praia é, via de regra, disponibilizada para a realização dos
trabalhos. Como resultado, os sedimentos são colocados em movimentos e
transportados, ocasionando as alterações e mudanças da geomorfologia da área
costeira. Dentro deste conceito, e sob uma ótica terrestre, as linhas de costa
que tendem para a estabilidade, atuando preferencialmente na dissipação da
energia das ondas.
O mecanismo regulador das
formas costeiras mostra que as mudanças nas formas constituem-se em episódios
que ocorrem e necessariamente antecedem às variações na entrada de energia.
Caso a energia não seja dissipada, processos de ajustes passam a ocorrer e a
busca de novas formas passa a acontecer. A paisagem é alterada e novas formas
costeiras surgem.