PROSPECÇÃO BATIMÉTRICA
A técnica da batimetria é utilizada à partir da geração de impulsos
acústicos sequenciados na água e do registro dos ecos do fundo do mar.
Esta técnica possibilita obter imagens do fundo, à medida que o navio avança,
através um perfil contínuo do assoalho marinho.
De forma simplificada, o sonar ou a ecosonda compõem-se de um
amplificador de potência, um receptor, um transceptor e um registrador. O
conjunto, denominado de transdutor, é rebocado pelo navio, por meio de cabo ou
é instalado no lado externo do casco dos navios oceanográficos.
A energia acústica é gerada por meio de campos elétricos ou magnéticos,
alternados, com as freqüências usuais de 12 kHz e 3,5 kHz. A alta freqüência
fornece uma definição mais acurada do piso marinho, mas é a freqüência
menor que tem a capacidade de penetrar e produzir imagens das camadas do subsolo
marinho. Neste sentido, em estudos geofísicos sobre o subsolo marinho adota-se
a freqüências de 3,5 kHz que dá mais penetração do que o de 12 kHz. Como
a pesquisa oceanográfica envolve detalhes importantes além da mera
profundidade do mar, o sistema de baixa freqüência é o preferido.
O transceptor tem as funções de enviar ao emissor a onda de 3,5 kHz ou
12 kHz, ao receber o sinal do hidrofone, arnplificár e transmitir ao
registrador. O registrador é um dispositivo eletromecânico que grava o sinal
em papel termossensível, na escala proporcional à profundidade. Conforme a
espessura da lâmina de água e do ruído ambiental às vezes tem-se de
amplificar a potência da onda que alimenta o emissor.
As informações batimétricas podem ser adquiridas podem ser registradas
com PDR (Precision Depth Recorder), através
de perfis. O PDR registra os dados em escalas ampliadas, o que aumenta a precisão
das medidas de profundidade e permite o estudo mais minucioso das condições do
fundo, a saber:
a) investigação do relevo e do microrrelevo
submarinos;
b) avaliação da estratigrafia quaternária,
onde o ecobatímetro passa a atuar, de fato, como ferramenta sísmica de baixa
freqüência de penetração e alta resolução.
Em algumas áreas, é possível construir mapas de litofácies a partir
da correlação dos registros com testemunhos. Em sedimentos pelágicos a
penetração é maior (cerca de 70m), enquanto que em sedimentos hemipelágicos,
com áreas de lamas da plataforma, a penetração fica nos 20m.
Existe também o sonar de varredura lateral (SYL), que, ao invés de
apenas um perfil, produz imagem do piso marinho com extensão lateral. Na
realidade, trata-se de duas imagens obliquas, uma à esquerda e outra à
direita, separadas por estreita faixa central cega. São obtidas por um
"peixe" submerso, rebocado a baixa velocidade (cerca de cinco pés),
algumas dezenas de metros acima do fundo.
(Ref. - Christofoletti, A. , “Geomorfologia”, São Paulo, Edgard Blücher, 2.ª ed., 1980)
Prof. Agenor - ICBA