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TRABALHOS -01
AVALIAÇÃO DAS ORIENTAÇÕES SOBRE O AUTOCUIDADO: VISÃO DOS ALUNOS INTEGRANTES DO PROJETO DE ASSISTÊNCIA AO OSTOMIZADO DA FACULDADE DE ENFERMAGEM DA PONTIFÍCIA UNIVERSIDADE CATÓLICA DE CAMPINAS
A construção de um ostoma ocorre muitas vezes na vida do paciente em meio a uma situação de grave crise, na qual a vida e a morte estão nitidamente presentes. Os pacientes, muitas vezes, se deparam com o ostoma em curto espaço de tempo, entre o diagnóstico e a cirurgia, ou, quando são submetidas à cirurgia de urgência, as adaptações da colostomia e/ou ileostomia processa-se em meio à adaptação, causada pelo desequilíbrio gerado pelo diagnóstico, e pela necessidade da construção da ostomia, sendo esta situação dominada pelo medo e insegurança (CEREZETTI, 1986).
Na indicação de uma ostomia intestinal, deve-se avaliar o paciente de forma holística; por isso é importante a realização da assistência sistematizada, voltada para suas necessidades, condições gerais, idade, a localização, caráter e tipo do ostoma.
A ostomia pode ser definida como uma nova boca, ou seja, uma comunicação de um órgão tubular ou oco com o exterior. (SILVA, 1997). Colostomia é uma derivação do intestino grosso através da parede abdominal para desviar o transito intestinal (SAMANA, 1986; SILVA, 1997). Já ZERBETTO (1981), define colostomia como uma comunicação da luz do intestino grosso com o exterior, indicada para o tratamento de várias afecções. Já a ileostomia é uma abertura cirúrgica do íleo, através da parede abdominal, para eliminações do conteúdo intestinal (SILVA 1997).
Os ostomas intestinais podem ser definitivos ou temporários, dependendo da afecção, da terapêutica indicada e do trauma sofrido.
A colostomia permanente é decorrente do fato de não haver possibilidade da continuidade do intestino grosso. Isso ocorre em pacientes portadores de determinadas patologias, tais como: doença de Crohn com comprometimento do reto, nas retocolites ulcerativas inespecíficas e nos cânceres de reto, em que o reto e o ânus são amputados. Observa-se hoje que tem diminuído de forma significativa a confecção de ostomias definitivas e isso se deve ao fato da existência de novas tecnologias, as quais permitem ao cirurgião realizar anastomoses mais baixas, evitando, portanto a criação do ostoma definitivo. Os cirurgiões se utilizam de todos os recursos tecnológicos para diminuir esta incidência, no entanto, quando a afecção ou tumor se encontra na porção inferior do reto, torna-se impossível a não realização da ostomia. Já as temporárias, geralmente em alças, podem ser construídas em situação de emergência ou em cirurgias eletivas. As ileostomias definitivas são decorrentes da colectomia total, sem a possibilidade de uma anastomose ileoretal, e as temporárias, por lesões ou traumas do ceco ou alça ascendente (GUIMARAES; APRILLI, 1997).
As ostomias são indicadas nos casos de câncer de cólon e reto, doença de Crohn, retocolite ulcerativa inespecifica, polipose múltipla, deiscência de anastomoses coloretais, síndrome de Fournier, traumas abdominais por armas de fogo e brancas, além dos traumas automobilísticos, podendo ainda haver outras indicações para sua construção.
Qualquer cirurgia seja ela eletiva ou não, é um evento estressante e complexo. Existe todo um medo, da anestesia ao procedimento cirúrgico. Qualquer procedimento deste tipo provoca uma reação emocional no paciente que pode ser óbvia ou oculta, normal ou anormal. Segundo BRUNNER; SUDDARTH (1998), homeostasia refere-se ao estado de equilíbrio do corpo, quando ocorre uma mudança ou uma situação de estresse com desvio de estabilidade, o que faz com que suas funções normais e de equilíbrio fiquem alteradas.
A cirurgia que leva à confecção de uma ostomia produz mudanças na imagem corporal da pessoa, o que irá influenciar vários aspectos de sua vida. O estado emocional do paciente, antes e logo após a cirurgia, pode mostrar importantes níveis de ansiedade, agressividade, regressão, depressão e receio de incapacidade para o trabalho, para atividades sociais e sexuais, além do medo da morte, que lhe parece iminente. É importante ressaltar que de nada vale a confecção de uma ostomia se não houver uma melhor qualidade de vida ao paciente.
Para CEREZETTI (1986), a situação de estresse causada pela cirurgia de ostomia pode ameaçar a segurança e a sensação de controle, a integridade e a autonomia do paciente. Afirma ainda que uma das principais fontes de estresse está relacionada à falta de clareza das informações que são dadas pela equipe que atende o paciente ostomizado.
É importante salientar que os pacientes ostomizados geralmente apresentam grande dificuldade diante da sua nova situação e da mudança de sua imagem física. São vários seus medos e receios, que vão desde a rejeição da família e amigos frente a essa situação, o não saber lidar com a ostomia, a reintegração social e a perda do emprego. Isso ocorre pelo fato de que, desde pequenos, aprendemos a controlar nossos esfíncteres (anal e urinário), tendo privacidade na realização das necessidades fisiológicas e, a partir da cirurgia, passa-se a evacuar numa bolsa coletora, que para muitos representa uma situação de constrangimento e ameaça à sua integridade, gerando desequilíbrio emocional, que interfere na aceitação de sua nova condição de vida.
Tanto os pacientes que são submetidos a uma ostomia definitiva como à temporária, expressam os mesmos medos e preocupações; frente a essa situação, torna-se necessário que os membros da equipe de saúde e da família estejam informados sobre suas condições, para que assim possam lhes dar apoio e segurança.
SILVA; TEIXEIRA (1997), relatam que o conhecimento de ser portador de um câncer é um impacto grande, mas a depressão é identificada na instalação de uma ostomia. Podemos observar por meio de pesquisas que o sexo dos pacientes também é fator de influência, pois as mulheres no período pré-operatório demonstram alto grau de depressão, desespero e medo, embora o tempo de adaptação tenda a ser menor que o dos homens. Citam ainda que os homens com problemas de impotência demoram ainda mais para se restabelecer.
A família é o primeiro núcleo de relação do ostomizado, exercendo profunda influência nas reações e situações que envolvem a nova vida do ostomizado. O paciente busca na família apoio e segurança. Suas reações a respeito da ostomia são decisivas na recuperação não só física como também da auto-estima, autoconfiança e do retorno às atividades sociais.
SILVA; TEIXEIRA (1997, p. 198), citam:
"Onde as reações familiares são baseadas em afeição mútua, elas proporcionam apoio emocional importante para a resolução da depressão e restauração da função. Onde as relações são caracterizadas por hostilidade e tensão, a experiência da colostomia acentua esses problemas”.
Nas relações familiares, a relação conjugal e sexual surge de imediato para o ostomizado. Existe grande expectativa na forma de reação e aceitação da (o) companheira (o) e de como serão suas vidas. A sexualidade provou ser um dos aspectos mais afetados pós-cirurgia, alterando a vida sexual. Ocorrem sentimentos de vergonha, sujeira e repugnância, que são os mais encontrados (CREMA; SILVA 1997). Além disso, citam ainda que o distúrbio sexual no homem não se deve somente a um dano orgânico, mas também à perda da auto-estima e sentimentos de castração.
O apoio familiar é fundamental para o paciente ostomizado. O trabalho de instruir a família do ostomizado começa no hospital, durante o período de internação; a comunicação deve ser clara e honesta, e a família deve ser esclarecida, com clareza, sobre a situação do paciente.
Desta forma, segundo CIANCIARULLO (1996), conhecer a comunicação como processo colabora com a qualidade dos relacionamentos que deverão ser estabelecidos nas relações de trabalho, na assistência ao paciente e família. Além de ser fundamental para a comunicação do enfermeiro com o paciente e família, deve-se também considerar seus valores e crenças, além de se estabelecer com ele um relacionamento empático.
Os problemas enfrentados por um indivíduo hospitalizado e sua família aparecem nitidamente no decorrer da internação, comprovando que a comunicação com a equipe de enfermagem é de grande importância, pois é com o contato diário e constante que ela se depara com os temores e ansiedade, que serão ou tentarão ser aliviados, por meio de informações claras e coesas (GALVÃO; TEDESCO, 1998).
A orientação da família do ostomizado traz para o paciente ganho, tanto na qualidade de vida, quanto na auto-estima, pois com a aceitação da família, a situação para ele torna-se mais fácil. Por isso o aprendizado e as orientações devem começar no pré-operatório, de forma clara e constante. O enfermeiro deve interagir com o paciente de maneira informal e aberta para o esclarecimento de dúvidas. Deve-se avaliar os instrumentos utilizados para estudo acerca do estado biológico, psíquico, social e econômico dos pacientes e suas necessidades emocionais, o que é o mais difícil. Vale ressaltar a importância de nos currículos escolares haver conteúdos específicos, como também a vivência de experiências na assistência ao ostomizado, o que facilita a comunicação e ajuda na interação enfermeiro-paciente (ZERBETTO, 1981).
A formação universitária fornece orientações básicas sobre atendimento ao ostomizado, embora na atualidade já exista a formação de enfermeiros estomaterapeutas, que é uma especialidade da enfermagem, na qual são ministrados conteúdos adequados para se lidar com os ostomizados. Observamos que a assistência de enfermagem a estes pacientes é vista como um constante pesadelo, produz sentimentos de inadaptação na equipe de enfermagem, e essas emoções são silenciosamente transmitidas ao paciente que já apresenta distúrbios significativos (ZERBETTO, 1981).
Observamos também, que, muitas vezes, a equipe de enfermagem tem dificuldade de atender de forma satisfatória o ostomizado, tratando-o com indiferença, pois o próprio profissional não sabe lidar com essa situação. A formação do enfermeiro fundamenta apenas aspectos das necessidades dos pacientes, sendo que o enfoque da reabilitação só é fornecido na sua alta hospitalar.
Quando o paciente é admitido em uma unidade para submeter-se a uma ostomia, o enfermeiro deve iniciar seu plano de ação voltado à educação já no período pré-operatório, passando todas as orientações necessárias, tipo de cirurgia, explicar o que vem a ser uma ostomia, o porquê de sua construção, procurando acolher seus medos e receios, mostrando os equipamentos a serem utilizados e realizando a demarcação da ostomia.
Na demarcação o enfermeiro deve interagir com o paciente, transmitindo-lhe as informações já citadas, de forma clara e sucinta, pois é sabido que ele não absorve todas as informações, devido à situação de estresse em que se encontra, e tudo isso deve contar com a participação do paciente. A demarcação é uma fase importante na sistematização de enfermagem no período pré-operatório para o paciente ostomizado, estando ligada diretamente ao sucesso do processo de reabilitação, particularmente nas cirurgias eletivas (SANTOS, 1993). Ela consiste em marcar o local onde será feita a ostomia, conforme o tipo de cirurgia indicada, tendo em vista alguns parâmetros: o músculo reto abdominal, área suficiente para a fixação dos adesivos, fácil visualização, estar fora de proeminências ósseas, próteses e aparelhos, presença de dobras e pregas do abdome. Uma demarcação bem feita traz ao paciente muitos benefícios, entre eles melhores adaptação da bolsa e menor risco de acidentes.
Além da demarcação, no período pré-operatório, o enfermeiro deve preparar o paciente em vários níveis de atuação: psico-emocional, preparo físico, de sensibilidade ao dispositivo e preparo intestinal ou do cólon.
Por isso é muito importante que no serviço haja uma equipe multiprofissional, para que o paciente possa ser atendido de forma holística. Essa equipe deve ser formada por enfermeiros, médicos, nutricionistas, psicólogos, fisioterapeutas e assistentes sociais.
As informações fornecidas ao paciente pela equipe de saúde devem traduzir a mesma mensagem. Este fato é fundamental para que a credibilidade e a confiança do indivíduo sejam asseguradas. As orientações devem ser graduais e progressivas. Tal assistência visa diminuir a ansiedade do paciente frente à cirurgia, buscando sempre atender as suas necessidades, expectativas e dúvidas e não as rotinas pré-operatórias, que satisfaçam as necessidades dos profissionais (FOULKES, 1989).
Observamos que, quando o paciente recebe orientações no período pré-operatório, sente-se mais seguro, e no pós-operatório encontramos melhor aceitação do mesmo, uma vez que já há uma boa interação entre paciente-enfermeiro.
A assistência de enfermagem no período pós-operatório envolve o atendimento das necessidades biopsicossociais do ostomizado, podendo-se afirmar que a reabilitação está diretamente relacionada ao atendimento dessas necessidades de maneira precoce, sistematizada e individualizada. Para CEZARETTI (1997), além da manutenção hemodinâmica e restauração das funções corporais afetadas pela doença e cirurgia, o cuidado de enfermagem em estomoterapia nesta fase, tem como objetivo: ajudar o paciente a desenvolver o autocuidado e treinar um indivíduo da família para esse cuidado; oferecer suporte emocional; prevenir e detectar complicações com o ostoma e pele periestoma; coordenar esforços para efetivação do processo de reabilitação voltada para a recuperação física, psicológica e reintegração social.
O enfermeiro, ao prestar assistência no período pós-operatório, deve sistematizá-la de forma a fornecer informações não só sobre o autocuidado, mas também com relação à alta hospitalar, ocasião em que ele deve informar sobre: a dieta; retorno as atividades da vida diária; onde conseguir o material para troca das bolsas; ensinar a reconhecer as complicações; orientar sobre o retorno ambulatorial; além do auto-cuidado, que já deve ter sido iniciado no período pré-operatório. Nessa fase, a instrução da família é fundamental, devendo ela receber as mesmas orientações fornecidas ao paciente ostomizado, a fim de desenvolver interação deste binômio, possibilitando assim que aqueles pacientes que não aceitam as orientações recebam apoio e cuidado adequados.
Para completa reabilitação do ostomizado, é necessário que a enfermagem seja habilitada para esse cuidado. Segundo GONÇALVES; SENA (1998), no Brasil o cuidado, que as autoras consideram como essência da enfermagem, ainda não tem merecido a devida atenção por parte dos enfermeiros, sendo que o conforto é um de seus objetivos. Para tanto, deve-se considerar a pluralidade das concepções teóricas de enfermagem destinadas a orientar a pratica, que tendem a valorizar o cuidado, a pessoa, a saúde e o meio-ambiente, divergindo da visão redutora do modelo biomédico. BARROS et al. (1997, p. 08), afirmam:
"Cuidar hoje, às portas do terceiro milênio só pode ser entendido como um cuidar cientifico, onde não haja lugar para a rotina irresponsável, o fazer por fazer, a irreflexão, o domínio da técnica sobre outras dimensões da pessoa doente”.
O enfermeiro não deve apenas assistir tecnicamente o ostomizado: o seu tratamento deve ser individualizado, com conhecimento técnico-científico, vendo o paciente de forma bio-psico-emocional.
Dadas as justificativas expostas, foi criado, em 1994, na Faculdade de Enfermagem da Pontifícia Universidade Católica de Campinas, um projeto sobre assistência ao paciente ostomizado. Hoje esse grupo é composto por uma enfermeira e onze acadêmicos do 3º e 4º anos da graduação, sendo um trabalho voluntário, continuo e diário. Nele, é prestada assistência de enfermagem sistematizada no período pré e pós-operatório. Nesse projeto o paciente é atendido mediante solicitação de interconsulta pela equipe médica ou pelas enfermeiras da clinica cirúrgica. Após avaliação do grupo, a assistência se dá desde o período pré-operatório até a alta hospitalar, incluindo a família, sendo exercida a função assistencial e educativa do enfermeiro. O trabalho é enfocado na orientação para o autocuidado, passo a passo; realiza-se a demarcação, sendo este o momento mais difícil da atuação do grupo de ostomia, em que o paciente toma ciência de sua condição, expressando sua angustia e sentimentos de insegurança e dúvidas, entre outras. O grupo de ostomia atua num Hospital Universitário, mantido pela Pontifícia Universidade Católica de Campinas, e tem uma atuação eficaz, atendendo pacientes ostomizados de todo hospital, com o objetivo de assistir o ostomizado de forma qualificada, contribuindo assim para sua recuperação mais rápida e sua reintegração à sociedade. O grupo vem também desenvolvendo um papel educativo junto aos enfermeiros e funcionários, não só do Hospital Universitário, como das demais instituições, que solicitam que seja passada essa experiência a outros profissionais da saúde.
Como aluno ingressante nesse projeto, em minha atuação pude avaliar o quanto são importantes as orientações sobre o autocuidado, o que me motivou a realizar esta pesquisa.
A partir dos dados coletados obtivemos os resultados expostos a seguir:
TABELA I – Distribuição do número e porcentagem dos acadêmicos integrantes do Projeto de Ostomia, segundo a faixa etária. PUC-Campinas, 2001.
|
FAIXA ETÁRIA |
N |
% |
|
20 I-------- 25 25 I-------- 30 30 ou mais |
07 02 01 |
70,0 20,0 10,0 |
|
TOTAL |
10 |
100,0 |
Analisando a Tabela I, vemos que 07 (70%) dos acadêmicos de enfermagem pertencentes ao Projeto de Ostomia estão na faixa etária de 20 e 24 anos, 02 (20%) entre 25 e 29 anos e apenas 01 (10%) acima dos 30 anos. Percebemos que em sua maioria (90%), são adultos jovens, sendo esta a característica preponderante entre os acadêmicos de enfermagem na atualidade.
TABELA II – Distribuição do número e porcentagem dos acadêmicos integrantes do Projeto de Ostomia, segundo o sexo. PUC-Campinas, 2001.
|
SEXO |
N |
% |
|
FEMININO MASCULINO |
09 01 |
90,0 10,0 |
|
TOTAL |
10 |
100,0 |
Na Tabela II percebemos que 09 (90%) dos acadêmicos integrantes do Projeto de Ostomia são do sexo feminino e apenas 01 (10%) do sexo masculino. Isso confirma que a enfermagem é uma profissão predominantemente feminina.
Segundo GASTALDO (1989, p. 07):
“a enfermagem é uma profissão feminina por excelência, por ter sido sempre o cuidado à saúde uma atribuição da mulher. A enfermagem profissionalizada caracterizou-se assim como extensão do trabalho domestico”.
Atualmente podemos verificar que há um crescente aumento do ingresso de homens na enfermagem, sendo esse número ainda pequeno, se comparado com as mulheres.
QUADRO I – Distribuição dos acadêmicos integrantes do Projeto de Ostomia, segundo o ano de início e tempo de permanência no projeto. PUC-Campinas, 2001.
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ANO DE INÍCIO NO PROJETO |
NÚMERO DE ACADÊMICOS |
TEMPO DE PERMANÊNCIA EM ANOS |
|
1999 |
05 |
02 |
|
2000 |
03 |
01 |
|
2001 |
02 |
< 01 |
A analise do Quadro I, relativo ao início e tempo de permanência no projeto permite observar que a maioria dos integrantes participa do projeto há dois (02) anos, aprimorando os conhecimentos adquiridos e vivenciando experiências, transmitindo-os aos novos integrantes do projeto e aos pacientes assistidos, contribuindo assim de forma significativa na construção da assistência de enfermagem qualificada. Com relação aos demais acadêmicos, faz-se relevante comentar que todos participam do projeto à aproximadamente um (01) ano, estando, portanto, aptos a desenvolver assistência especializada ao paciente ostomizado.
É importante observar que a permanecia dos acadêmicos no projeto varia de um (01) a dois (02) anos, em caráter voluntário. Os acadêmicos participantes são do 3º e 4º anos da graduação em enfermagem, que buscam na formação acadêmica, não só o conhecimento técnico-científico, mas também o compromisso com o aprimoramento e o crescimento de novas abordagens para o desenvolvimento da formação profissional.
TABELA III – Distribuição do número e porcentagem dos acadêmicos integrantes do Projeto de Ostomia, segundo o motivo que determinou seu ingresso no projeto. PUC-Campinas, 2001.
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MOTIVO DE INGRESSO NO PROJETO |
N |
% |
|
Conhecimento especializado e aprimoramento na área |
08 |
44,4 |
|
Interesse pelo assunto e satisfação pessoal |
04 |
22,2 |
|
Seriedade e comprometimento do projeto |
03 |
16,7 |
|
Conhecimento insuficiente na graduação da assistência prestada ao ostomizado |
02 |
11,1 |
|
Enriquecimento curricular |
01 |
5,6 |
|
TOTAL(*) |
18 |
100,0 |
* nº de respostas
É possível observar na Tabela III que 08 (44,4%) das respostas dos entrevistados, referem que, ao ingressar no projeto, buscavam conhecimento especializado e aprimoramento na área, isso mostra o interesse dos acadêmicos na busca de mais conhecimentos, e em desenvolver atividades extracurriculares. Podemos também verificar que 04 (22,2%) das respostas relatam o interesse no assunto e satisfação pessoal, no desenvolvimento da assistência ao paciente ostomizado, constatando assim a necessidade do conhecimento especializado, que sem dúvida contribuíra para a formação acadêmica. Vimos que 03 (16,7%), ingressaram no projeto pela sua seriedade e comprometimento. É importante ressaltar que, um projeto de extensão deve estar articulado com o compromisso e a seriedade, com o acadêmico, com a instituição hospitalar e a universidade, possibilitando assim a formação de profissionais competentes técnico e cientificamente e comprometido com a sociedade. Nota-se também que 02 (11,1%) das respostas, relatam que o conteúdo ministrado na graduação sobre o assunto é insuficiente, portanto seu ingresso possibilitou enriquecimento acadêmico, pessoal e profissional. Verificamos que 01 (5,6%), referia a importância do enriquecimento curricular, o que sem dúvida trata-se de um ganho para as partes envolvidas, melhorando a visão do todo para o acadêmico na sua formação geral.
Diante das colocações, SAVIANI (1981) comenta que o ensino, a extensão e a pesquisa não estão desvinculados, pois um depende do outro para que não se tenha o caráter tecnicista, e sim, possibilitando a formação de profissionais com competência técnica e científica e comprometido com a saúde.
TABELA IV – Distribuição do número e porcentagem dos acadêmicos integrantes do Projeto de Ostomia, segundo o conhecimento adquirido com a participação no projeto. PUC-Campinas, 2001.
|
CONHECIMENTO ADQUIRIDO |
N |
% |
|
Conhecimento técnico-científico |
09 |
31,0 |
|
Conhecimento didático-pedagógico |
08 |
27,6 |
|
Melhorou as relações interpessoais |
04 |
13,8 |
|
Melhorou a relação paciente-aluno |
08 |
27,6 |
|
TOTAL(*) |
29 |
100,0 |
* nº de respostas
Ao analisar a Tabela IV, com relação ao conhecimento adquirido pelos acadêmicos, podemos ver que 09 (31,0%) das respostas fornecidas pelos acadêmicos correspondem à aquisição de conhecimento técnico-científico com seu ingresso no projeto, 08 (27,6%), obtiveram conhecimento didático-pedagógico, 08 (27,6%) relatam que melhorou sua relação com os pacientes e 04 (13,8%) afirmam ter melhorado suas relações interpessoais.
Segundo CESARETTI (2000, p. 25),...”o saber técnico-científico do enfermeiro estomaterapeuta fundamenta o seu agir no cuidado de pessoas ostomizadas....”.
Podemos observar através das respostas dos entrevistados, que o Projeto de Ostomia proporciona um crescimento e vivência extracurricular de grande valia para os acadêmicos, dando-lhes condições para atuar com competência no campo profissional e melhorando as relações interpessoais.
TABELA V – Distribuição do número e porcentagem dos acadêmicos integrantes do Projeto de Ostomia, segundo as orientações fornecidas ao paciente ostomizado. PUC-Campinas, 2001.
|
ORIENTAÇÕES |
N |
% |
|
Autocuidado |
33 |
48,5 |
|
Tipo de ostoma |
13 |
19,1 |
|
Reintegração social |
09 |
13,2 |
|
Aquisição de material |
04 |
05,9 |
|
Orientação familiar |
03 |
04,4 |
|
Auto-estima e apoio psicológico |
03 |
04,4 |
|
Orientações pré-operatórias |
02 |
03,0 |
|
Vida sexual |
01 |
01,5 |
|
TOTAL(*) |
68 |
100,0 |
* nº de respostas
Analisando os dados da Tabela V, podemos verificar que a orientação mais fornecida com 33 (48,5%) das respostas, refere-se ao autocuidado, 13 (19,1%) com relação ao tipo de ostoma, 09 (13,2%) sobre a reintegração social, 04 (5,9%) sobre onde e como ocorre a aquisição dos equipamentos utilizados pelos pacientes ostomizados, 03 (4,4%) reporta-se as orientações familiares, auto-estima e apoio psicológico, 02 (3,0%) refere-se as orientações pré-operatórias e 01 (1,5%) no que diz respeito a atividade sexual.
Através dos dados podemos verificar que a ênfase do Projeto de Ostomia é realmente o autocuidado. Segundo Oren apud GEORGE et al (2000), o autocuidado é a pratica ou desenvolvimento de atividades que os indivíduos realizam em seu benefício para manter a vida, a saúde e o seu bem estar, sendo a enfermagem exigida quando o paciente é incapaz ou possui limitações na realização do autocuidado efetivo.
Com relação ao tipo de ostoma, verificamos que os acadêmicos orientam aos pacientes sobre qual é seu ostoma, relações de normal e anormal, ensinando-o a se conhecer. Outro fato importante é ressaltar a importância da reintegração social, na qual o projeto também da muita ênfase, fazendo com que o ostomizado retorne a sua vida normal ou o mais próximo disso.
Um ponto falho que podemos observar esta na orientação familiar, e principalmente na atividade sexual. A orientação familiar é de suma importância, pois é sabido que os ostomizados em muitos casos se negam a aceitar seu ostoma e a realizar o autocuidado, onde se vê necessária a presença da família e mais do que isso, a família é peça fundamental no processo de adaptação do ostomizado, onde essa é responsável pelo sucesso ou fracasso deste processo, pois o ostomizado se sente fragilizado e necessita de todo o apoio, e o primeiro deve vir da família, por isso que essa orientação deve ser mais explorada, onde a cada alta, a família deva estar presente para receber as orientações necessárias, e se for preciso a família deverá acompanhar todo o processo de reabilitação do ostomizado, participando ativamente do processo. Já a atividade sexual, precisa ser trabalhada junto aos acadêmicos, pois é de suma importância esta orientação, antes e depois da cirurgia, onde os ostomizados apresentam vários medos e são vitima de muitos preconceitos.
É interessante lembrar o que cita FREUD (1969, p. 107) com relação aos dejetos anais:
“... deve ser esta a primeira ocasião em que o infante vislumbra um ambiente hostil e seus impulsos instintivos, em que ele aprende a separar sua própria entidade dessa outra estranha e em que ele realiza a primeira repressão de suas possibilidades de prazer. Desta época em diante, o que é anal persiste como símbolo de tudo que deve ser repudiado e excluído da vida...”
Então podemos ver com essa colocação que o paciente ostomizado acaba por repudiar e a sentir vergonha de seu próprio corpo, e também aparece o medo de acidentes durante o ato sexual, além de ter muitas vezes o preconceito do(a) parceiro(a), e há casos em que o paciente ficará impotente devido ao tipo de cirurgia realizada , tal como a amputação de reto, cabendo ao cirurgião e ao enfermeiro orienta-lo, sobre os possíveis problemas sexuais futuros.
Durante algumas cirurgias podem ocorrer lesões nos nervos e vasos que irrigam a região genital, isso pode levar o paciente do sexo masculino a ter problemas de disfunção erétil ou até a impotência, devendo estas informações serem passadas aos pacientes ainda no período pré-operatório, afim de evitar maiores problemas no período pós-operatório, pois como percebemos em nossa vivencia, o paciente ostomizado só toma ciência deste fato, quando esta já esta em sua casa e recuperado da cirurgia.
TABELA VI – Distribuição do número e porcentagem dos acadêmicos integrantes do Projeto de Ostomia, segundo a orientação na qual julga ser mais difícil de fornecer ao paciente ostomizado. PUC-Campinas, 2001.
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ORIENTAÇÕES |
N |
% |
|
Atividade sexual |
03 |
27,2 |
|
Apoio emocional |
02 |
18,2 |
|
Reintegração social |
02 |
18,2 |
|
Aceitação do paciente ostomizado |
02 |
18,2 |
|
Apresentação do material |
01 |
9,1 |
|
Demarcação |
01 |
9,1 |
|
TOTAL(*) |
11 |
100,0 |
* nº de respostas
Quando analisamos a Tabela VI, podemos verificar que a orientação que os acadêmicos julgam ser mais difícil de fornecer com 03 (27,2%) das respostas, temos a atividade sexual, 02 (18,2%) referem-se ao apoio emocional, a reintegração social e no que diz respeito a aceitação do ostomizado com relação a sua nova condição de vida, e com 01 (9,1%) com relação a apresentação dos equipamentos e a demarcação.
Podemos perceber que as orientações com relação à atividade sexual representam uma dificuldade para o projeto de ostomia e para a equipe de enfermagem: “... por não conhecer como o paciente lida com sua sexualidade...”, e também para o paciente ostomizado. Acreditamos que isso se deva ainda ao despreparo do grupo em lidar com situações tão delicadas, sendo necessário avaliar cada caso, averiguar junto ao prontuário e ao cirurgião se houve comprometimento cirúrgico ou não, o qual possa comprometer o desenvolvimento das atividades sexuais.
De acordo com Lacretelle (1985) apud ANDRADE et al (1999, p. 40) acerca do significado do ato sexual humano:
“É impossível reduzir a vida sexual do homem ao exercício de uma função. O ato sexual humano é verdadeiramente um ato, não é como os animais, um gesto mecanicamente comandado. Tem um duplo caráter, que lhe é próprio: é livre e misterioso”.
A reintegração social do paciente ostomizado representa um grande desafio para todos os profissionais envolvidos no processo de reabilitação, aonde o paciente nega e renega seu ostoma, tornando assim, difícil a compreenssão e a apreensão das orientações que a ele são fornecidas (OLIVEIRA; NAKANO, 2000).
Observamos que é fundamental o apoio da família para que o ostomizado aceite melhor sua nova condição de vida e que sem duvida, facilitará e melhorará a integração familiar e social.
TABELA VII – Distribuição do número e porcentagem dos acadêmicos integrantes do Projeto de Ostomia, segundo a preparação para o fornecimento das orientações ao paciente ostomizado. PUC-Campinas, 2001.
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ENCONTRA-SE PREPARADO PARA FORNECER AS ORIENTAÇÕES |
N |
% |
|
Sim |
09 |
90,0 |
|
Não respondeu |
01 |
10,0 |
|
TOTAL |
10 |
100,0 |
Um fato positivo que podemos ver na Tabela VII, é que 09 (90%) dos acadêmicos referem sentir-se seguros para fornecer as orientações aos pacientes ostomizados, e apenas 01 (10%) não respondeu a questão.
Podemos verificar que os acadêmicos relatam sentir segurança, no desenvolvimento da pratica educativa como instrumento, fazendo isto refletir no cuidado. Essa pratica fundamenta-se nas relações interpessoais, onde a convivência e a troca de sabedoria popular com o cientifico, facilitam o aprendizado de ambos os lados, trazendo segurança e competência aos acadêmicos (MARTIN, 2000).
TABELA VIII – Distribuição do número e porcentagem dos acadêmicos integrantes do Projeto de Ostomia, segundo as dificuldades encontradas no atendimento ao paciente ostomizado. PUC-Campinas, 2001.
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JÁ ENCONTROU DIFICULDADE DURANTE O ATENDIMENTO |
N |
% |
|
Sim |
06 |
60,0 |
|
Não |
04 |
40,0 |
|
TOTAL |
10 |
100,0 |
Diante do que foi relatado na Tabela VIII, podemos verificar que 06 (60%) dos acadêmicos do Projeto de Ostomia, já enfrentaram algumas dificuldades na prestação da assistência ao paciente ostomizado e 04 (40%) não encontraram dificuldades ao assistir ao paciente.
Podemos verificar que segundo os acadêmicos as maiores dificuldades são: o paciente não aceita realizar o autocuidado; dificuldades físicas para adaptar os equipamentos, principalmente em recém-nascido; a continuidade da assistência pela equipe de enfermagem do hospital universitário local, e a demarcação.
Com relação ao desenvolvimento e a aceitação da realização do autocuidado, alguns pacientes ostomizados se negam até mesmo a olhar para seu ostoma, como forma de não aceitação e medo do desconhecido. Essa postura dificulta o aprendizado. Como compreendemos que esse momento no pós-operatório é difícil para o paciente, procuramos respeitar-lo, passando as orientações de forma gradativa, tendo como apoio um familiar mais próximo do mesmo, o qual possa ajuda-lo nesse momento difícil. Nessa oportunidade orientamos o familiar para que depois esse possa estimular o paciente a realização do seu autocuidado.
Com relação às dificuldades na adaptação dos equipamentos, a principal causa relatada pelos acadêmicos foi a ma localização dos ostomas, que muitas vezes por se tratarem de cirurgias de emergência, não são devidamente demarcadas no pré-operatório. A demarcação é considerada pelos acadêmicos como sendo o procedimento mais difícil, pelo caráter técnico e principalmente pelo emocional. Muitas vezes é nesse momento que o paciente toma real consciência da necessidade da construção do ostoma, e apresenta manifestações de tristeza e revolta, que acaba por sensibilizar o acadêmico, tornado assim difícil não só para o paciente, mas também para o acadêmico, que vivenciando a situação, sente a necessidade de apoio psicológico para poder lidar com a situação.
TABELA IX – Distribuição do número e porcentagem dos acadêmicos integrantes do Projeto de Ostomia, segundo a conduta frente a uma dificuldade durante o atendimento ao paciente ostomizado. PUC-Campinas, 2001.
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CONDUTA FRENTE À DIFICULDADE |
N |
% |
|
Tenta resolver sozinho,buscando conhecimento bibliográfico |
05 |
15,6 |
|
Chama ao médico |
05 |
15,6 |
|
Resolve sozinho |
03 |
9,4 |
|
Consulta outro integrante do projeto |
10 |
31,3 |
|
Consulta a professora responsável pelo projeto |
08 |
25,0 |
|
Consulta o enfermeiro do setor |
01 |
3,1 |
|
TOTAL(*) |
32 |
100 |
nº de respostas
A Tabela IX refere às condutas dos acadêmicos, quando estes encontram alguma dificuldade durante o atendimento ao paciente ostomizado, sendo que 10 (31,3%) das respostas fornecidas, reporta-se a consultar outro integrante do projeto, já 08 (25,0%) consultam a professora responsável pelo projeto, 05 (15,6%) relatam que algumas vezes tentam resolver sozinhos, buscando conhecimento científico e/ou chamando o médico responsável pelo paciente, 03 (9,4%) tentam resolver sozinhos e 01 (3,1%) chama ao enfermeiro responsável pelo setor para auxilia-lo.
Podemos verificar com a analise desta tabela que os acadêmicos procuram sempre se reportarem a alguém, não tomando atitudes precipitadas, que possam comprometer a sua atuação e que principalmente cause algum dano ao paciente ostomizado. Mostrando assim sua responsabilidade e amadurecimento na resolução de problemas.
TABELA X – Distribuição do número e porcentagem dos acadêmicos integrantes do Projeto de Ostomia, segundo os fatores que interferem na compreensão do ostomizado sobre o autocuidado. PUC-Campinas, 2001.
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FATORES |
N |
% |
|
Nível sócio-econômico |
06 |
15,0 |
|
Comprometimento emocional |
06 |
15,0 |
|
Aceitação e insegurança medo Idade |
06 06 05 |
15,0 15,0 12,5 |
|
Gravidade do estado de saúde do ostomizado Religião |
03 03 |
7,5 7,5 |
|
Adaptação ambiente hospitalar |
02 |
5,0 |
|
Sexo |
02 |
5,0 |
|
Escolaridade |
01 |
2,5 |
|
TOTAL* |
40 |
100,0 |
* nº de respostas
A Tabela X refere-se aos fatores que interferem na compreensão dos ostomizados, em relação ao autocuidado, na visão dos acadêmicos, onde 06 (15,0%) das respostas referem-se ao nível sócio-econômico, ao comprometimento emocional, a aceitação e insegurança e ao medo. Já 05 (12,5%) reporta-se a idade avançada dos pacientes, 03 (7,5%) referente a gravidade do estado de saúde do paciente e a sua religião, 02 (5,0%) no que diz respeito a adaptação hospitalar e ao sexo do paciente e 01 (2,5%) a escolaridade.
Observamos que alguns pacientes atendidos pelo Projeto de Ostomia são idosos, com idade superior aos 60 anos, e geralmente se submetem a cirurgias de urgência, são oriundos de varias cidades, de classes sociais diferentes, predominando a classe com baixo poder aquisitivo, com pouca instrução, o que acaba por dificultar a compreensão do paciente ostomizado com relação as orientações fornecidas. Ocorre o medo do desconhecido, a insegurança com o futuro, o que dificulta a aceitação da sua nova condição de vida. É importante ressaltar que desde cedo aprendemos a realizar nossas eliminações fisiológicas em ambiente reservado. Os ostomizados realizaram suas eliminações sem controle esfincteriano, podendo ocorre a qualquer momento, muitos deles se sentem inseguros relatando receio da bolsa coletora se descolar e cair em ambiente público.
TABELA XI – Distribuição do número e porcentagem dos acadêmicos integrantes do Projeto de Ostomia, segundo o momento em que realizam o feedback junto ao paciente ostomizado. PUC-Campinas, 2001.
|
MOMENTO EM QUE REALIZAM O FEEDBACK |
N |
% |
|
No início das orientações |
03 |
15,8 |
|
Durante a internação |
08 |
42,1 |
|
Na alta hospitalar |
07 |
36,8 |
|
Não realiza, pois não julga necessário |
01 |
5,3 |
|
TOTAL(*) |
19 |
100,0 |
nº de respostas
Podemos ver, na analise da Tabela XI, que os acadêmicos realizam o feedback com 03 (15,8%) das respostas no início das orientações, 08 (42,1%) durante todo o período de internação, 07 (36,8%) realizam no momento da alta hospitalar e apenas 01 (5,3%) não realiza o feedback, pois não julga ser necessário.
Verificamos que o feedback é um instrumento muito utilizado pelos acadêmicos, onde é realizado principalmente durante o período de internação e na alta hospitalar. Segundo SIQUEIRA; CASAGRANDE (1995) a tarefa do educador é fazer com que os seres humanos desenvolvam suas habilidades e se interajam na sociedade em que vivem. Através disso, é que podemos ver a importância do feedback, pois é através dele, que verificamos o quanto o paciente ostomizado esta assimilando das orientações fornecidas pelos acadêmicos do Projeto de Ostomia.
TABELA XII – Distribuição do número e porcentagem dos acadêmicos integrantes do Projeto de Ostomia, segundo a conduta tomada quando o paciente se recusa a aceitar as orientações fornecidas. PUC-Campinas, 2001.
|
CONDUTA |
N |
% |
|
Solicitar um familiar |
03 |
23,1 |
|
Conversar com o paciente e explicar a importância |
03 |
23,1 |
|
Respeitar a opinião do paciente |
03 |
23,1 |
|
Estabelecer confiança |
02 |
15,3 |
|
Chamar outro profissional |
01 |
7,7 |
|
Fornecer as orientações em etapas e aos poucos |
01 |
7,7 |
|
TOTAL(*) |
13 |
100,0 |
nº respostas
Podemos verificar na analise da Tabela XII, que ao se deparar com um paciente que se recusa aceitar as orientações, 03 (23,1%) das respostas dos acadêmicos refere-se a solicitar um familiar, a conversar com o paciente e explicar a importância das orientações, e a respeitar a sua opinião, 02 (15,3%) relatam tentar estabelecer a confiança junto ao paciente e 01 (7,7%) relata chamar outro profissional e/ou fornecer as orientações em etapas e aos poucos.
TABELA XIII – Distribuição do número e porcentagem dos acadêmicos integrantes do Projeto de Ostomia, segundo os sentimentos expressados pelo paciente ostomizado. PUC-Campinas, 2001.
|
SENTIMENTOS |
N |
% |
|
Medo |
07 |
24,1 |
|
Insegurança |
03 |
10,3 |
|
Rejeição |
03 |
10,3 |
|
Preocupação com a família, emprego e sexualidade |
03 |
10,3 |
|
Depressão |
02 |
7,0 |
|
Nojo |
02 |
7,0 |
|
Ansiedade |
02 |
7,0 |
|
Indiferença e preconceito |
02 |
7,0 |
|
Revolta |
01 |
3,4 |
|
Descrença |
01 |
3,4 |
|
Vergonha |
01 |
3,4 |
|
Isolamento |
01 |
3,4 |
|
Agradecimento |
01 |
3,4 |
|
TOTAL(*) |
29 |
100,0 |
nº de respostas
Pela Tabela XIII, os acadêmicos relatam os principais sentimentos expressados pelos pacientes ostomizados, dentre eles com 07 (24,1%) temos o medo, com 03 (10,3%) a insegurança, a rejeição, a preocupação com a família, emprego e a sexualidade, com 02 (7,0%) a depressão, o nojo, a ansiedade, a indiferença e o preconceito, e com 01 (3,4%) a revolta, a depressão, a vergonha, o isolamento e também o agradecimento.
Diante os dados acima, podemos ver que o medo é o principal sentimento expressado. Por ser algo desconhecido, como lembra ANDRADE et al (1999), que a condição de ostomizado, implica diretamente em mudanças no estilo de vida, não só do ostomizado, mas também da família e principalmente do parceiro, gerando ai, vários conflitos, que vão desde financeiros até a perda do parceiro. Além disto, aparece a insegurança, por nem saber lidar com seu ostoma, a rejeição das pessoas próximas e principalmente da família. Pode ocorrer também a depressão, levando ao isolamento, que muitas vezes é motivado pela eliminação de odores e flatos, levando-o a marginalização social, onde o paciente ostomizado passa a ser prisioneiro dentro de seu próprio lar (SANTOS, 1992).
Um sentimento citado, e muito gratificante, é o agradecimento, pois os acadêmicos passam a ser referências aos pacientes ostomizados, sendo o momento do atendimento, muito esperado pelos pacientes, pois é para os acadêmicos do projeto, que eles se abrem e expõem seus sentimentos, esperando receber palavras de apoio e conforto.
TABELA XIV – Distribuição do número e porcentagem dos acadêmicos integrantes do Projeto de Ostomia, segundo a interferência dos sentimentos apresentados pelos ostomizados no fornecimento das orientações. PUC-Campinas, 2001.
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INTERFERÊNCIA |
N |
% |
|
Sim |
07 |
70,0 |
|
Não |
03 |
30,0 |
|
TOTAL |
10 |
100,0 |
Na Tabela XIV, podemos ver que para 07 (70%) dos acadêmicos integrantes do projeto, os sentimentos apresentados interferem no fornecimento das orientações, “... pois tento dar o melhor de mim, e muitas vezes em vão”. Os pacientes se mostram indiferentes àquilo que os acadêmicos estão lhe passando, se mostram deprimidos, “... pois você se envolve com os problemas deles, e causa uma ansiedade em procurar resolve-los....”.
Já para 03 (30%) dos acadêmicos relatam que os sentimentos expressados não interferem na sua atuação: “... às vezes não interferem, ajudam”.
O Grupo de Ostomia é um projeto de extensão, no qual fazem parte acadêmicos do 3º e 4º anos da graduação em enfermagem, sendo coordenado por uma docente da Faculdade de Enfermagem da Pontifícia Universidade Católica de Campinas. O grupo tem como objetivo orientar e desenvolver a realização do autocuidado aos pacientes ostomizados. Podemos ver na analise da tabela V que, 48,5% das orientações fornecidas aos pacientes reporta-se diretamente ao autocuidado, sendo estas orientações fornecidas aos ostomizados de forma gradual e progressiva. Durante o período de internação o grupo fornece orientações a respeito da confecção do ostoma, dos equipamentos que serão utilizados em sua nova condição de vida, entre outras. Analisando as respostas dos acadêmicos, vimos que os pacientes relatam muitas duvidas e receios durante o período pré e pós-operatório, cabendo ao grupo o papel educativo no desenvolver do autocuidado.
É possível analisar e concluir que os acadêmicos obtiveram amadurecimento e responsabilidade, sendo estes capazes de identificar problemas e solucioná-los sozinhos, desenvolvendo assim iniciativa, autoconfiança e autonomia, qualidades estas importantes na formação do futuro profissional. Através deste projeto os acadêmicos desenvolvem a relação interpessoal, o trabalho em grupo, além do comprometimento com o fazer no atendimento ao paciente ostomizado, onde os acadêmicos acabam por desenvolver a capacidade de interagir com o paciente e equipe de saúde.
É importante ressaltar que os acadêmicos enfrentam algumas dificuldades durante o atendimento ao paciente ostomizado, tais como a rejeição, a não aceitação dos pacientes de sua nova condição de vida. É importante lembrar que os acadêmicos possuem limitações, principalmente no que diz respeito às orientações sobre atividade sexual, como também problemas emocionais, como é citado por eles na tabela VI. Sugiro ao Projeto de Ostomia apoio psicológico, ficando como proposta, o acompanhamento psicológico para todo o grupo e a possibilidade de maior entrosamento com o curso de Psicologia.
E concluindo este estudo, trazemos como proposta para o Projeto de Ostomia, uma ficha de avaliação das orientações fornecidas aos pacientes ostomizados, onde, durante o período de internação, os acadêmicos irão registrar nesta ficha as orientações fornecidas, e no momento da alta devera ocorrer a realização do feedback com o paciente, onde será verificado se o mesmo desenvolveu boa assimilação das orientações fornecidas, e tem ou não condições de se autocuidar. Essa ficha pretende suprir uma lacuna observada a respeito das orientações, principalmente com relação à atividade sexual e familiar, pois na ficha encontra-se as principais orientações, ficando também como um roteiro a ser seguido pelo acadêmico.
8. CREMA, E; SILVA, R. Estomas uma Abordagem Interdisciplinar. 1a ed., Uberaba: Ed. Pinti, 1997.
19. SANTOS, V. L. C. G. Reabilitação do ostomizado: em busca do ser saudável. Rev. Texto e Contexto, v. 1, nº 2, 1992, p. 180-90.
20. SANTOS, V. L. C. G., Buscando o lugar certo. Revista Paulista de Enfermagem, vol.12, nº 3, set/dez. 1993. Pg. 103-06.
23. SILVA, Rosemary; TEIXEIRA, Rosimeire. Aspectos Psico-sociais do Paciente Ostomizado. In: CREMA, E; SILVA, R. Estomas uma Abordagem Interdisciplinar. 1.a ed., Uberaba. Ed. Pinti, 1997. pg. 193-202.
24. SIQUEIRA, M. M.; CASAGRANDE, L. D. R. Noções gerais sobre abordagem sistêmica à ação educativa do enfermeiro. Rev. Bras. De Enfermagem, Brasília, 38 (1):63-69, jan./mar. 1995.