FLORESTA AMAZÔNICA

A Floresta Amazônica é a maior e mais rica floresta tropical do mundo. Com cerca de 6 milhões de km2 ela ocupa territórios do Brasil, Bolívia, Peru, Equador, Colômbia, Venezuela, Suriname, Guiana e Guiana Francesa.

No Brasil, ocupava originalmente uma área de 55% do território, cobrindo os estados do Acre, Amazonas, Rondônia, Roraima, Pará, Amapá, Tocantins e parte dos estados de Mato Grosso e Maranhão.

Os rios da região formam a maior bacia hidrográfica do planeta, a Bacia Amazônica, que abrange 6,3 milhões de km2 e retém 1/5 de toda água doce mundial. Os principais rios formadores da bacia são o Amazonas, o Solimões, o Negro, o Xingu, o Tapajós, o Jurema, o Madeira, o Purus, o Branco, o Juruá, o Trombetas, o Uatumã e o Mamoré.

O Amazonas, principal rio da bacia, possui grande profundidade e a água que armazena em seu leito representa 17% de toda a água líquida doce do mundo. Nasce nos Andes e percorre mais de 6.500 km até chegar ao Oceano Atlântico. Ao longo deste percurso sua largura é variável, podendo chegar a 50 km em alguns trechos.

Os rios da região amazônica possuem diferentes características e por isso são subdivididos em 3 tipos: de águas brancas, de águas claras e de águas pretas. Os chamados rios de águas brancas, como Solimões, Amazonas e Madeira, possuem aspecto turvo, devido à grande quantidade de minerais e material orgânico suspensos em suas águas. Os rios de águas claras, como o Xingu, Tapajós e Trombeta, apresentam águas transparentes e pobres em minerais e nutrientes. Os rios de águas pretas, como o Negro e o Purus, são os mais característicos da região e possuem aspecto transparente de tonalidade marrom, devido à presença de substâncias húmicas.

Os rios da Bacia Amazônica sofrem cheias anuais que ultrapassam as margens de seus leitos e alagam temporariamente outras porções da floresta. As florestas inundáveis abrangem de 5 a 10% da Amazônia. O nível da água nessas regiões pode chegar a mais de 10 metros, por isso as plantas e animais, presentes nesse ambiente possuem adaptações especiais para sobreviver durante o período de cheias.

As regiões que sofrem alagamento pelas águas pretas são denominadas de florestas de igapó, e permanecem inundadas por longos períodos. As regiões alagadas pelas águas brancas e claras são denominadas de florestas de várzea e permanecem inundadas por um período menor.

As árvores das regiões alagáveis apresentam nos troncos e raízes adaptações para respiração, já que permanecem longos períodos submersas, e plantas flutuantes, como a vitória-régia (Victoria amazonica), acompanham a variação do nível das águas.

Áreas não atingidas pelas cheias dos rios são chamadas de florestas de terra firme e ocupam cerca de 90% da região Amazônica. Essa área é composta por diferentes fisionomias vegetacionais, como a floresta de cipós e a floresta de montanha (nas porções mais elevadas).

Cerca de 78% dos solos da floresta de terra firme são ácidos e apresentam baixa fertilidade natural. A nutrição da vegetação dessa região provém do material orgânico da própria floresta como galhos, folhas e frutos caídos ou animais mortos que se depositam sobre o solo. Esse material sofre um processo de reciclagem realizado pelos organismos decompositores, que mantém constante a camada de nutrientes do solo amazônico. Quando a floresta é derrubada, o ciclo de nutrientes é interrompido e o solo perde a camada nutritiva que sustenta a floresta.

Outro fator importante que contribui para a manutenção da Amazônia são as chuvas. O clima equatorial da região é caracterizado pela grande quantidade de chuvas (15 trilhões de m3 por ano). A metade delas são provenientes do Oceano Atlântico e a outra parte provém da própria floresta, através do processo denominado evapotranspiração. Desse modo, a diminuição da cobertura vegetal significa uma diminuição das chuvas e conseqüente perda de floresta.

Cerca de 50% da biodiversidade mundial encontra-se na Amazônia. A sua flora é a mais rica do planeta. As 30.000 espécies da flora amazônica já descritas representam cerca de 10% de todas as plantas conhecidas pelo homem. A diversidade de árvores varia entre 40 a 300 espécies por hectare. Na América do Norte a diversidade é de 4 a 25 espécies.

Os insetos representam a maior parte da biomassa animal constituinte das florestas de terra firme. Em uma única árvore amazônica já foram encontradas mais de 80 espécies de formigas, o que representa o dobro das espécies desses animais encontradas em toda as Ilhas Britânicas. A Amazônia também é recordista em abrigar os maiores insetos do mundo: besouros de 20 cm de comprimento ou moscas de 5 cm podem ser observados na região.

A bacia amazônica possui a maior diversidade de peixes de água doce do mundo. Os rios amazônicos abrigam cerca de 3.000 espécies de peixes, 15 vezes mais espécies que as encontradas em todos os rios da Europa, e 85% de todas as espécies da América do Sul.

Das 19 ordens de mamíferos existentes, 11 são encontradas na Floresta Amazônica, agrupando 550 diferentes espécies, 64 delas endêmicas. Diversas espécies encontram-se ameaçadas ou em risco de extinção, como é o caso do peixe-boi (Trichechus inungis), da ariranha (Pteronura brasiliensis), da onça-parda ou suçuarana (Puma concolor) e do uacari-branco (Cacajao calvus calvus).

A fauna de aves da região também é bastante rica, sendo encontradas cerca de 950 espécies incluindo a maior e mais forte das aves de rapina do Brasil, o gavião-real ou uiraçu-verdadeiro (Harpia harpyja), que se encontra ameaçado de extinção.

As áreas das florestas alagadas são ricas em répteis aquáticos, como tartarugas, jacarés e jibóias. A espécie de jacaré endêmica da Amazônia conhecida como jacaretinga (Palaeosuchus trigonatus), encontra-se ameaçada de extinção, assim como a tartaruga-verdadeira (Podocnemis expansa). A fauna de anfíbios também é ímpar, abrigando diferentes espécies das mais variadas cores e tamanhos.

Toda essa riqueza corre sérios riscos. O desmatamento, a mineração, as queimadas e a retirada de espécies animais vêm comprometendo o equilíbrio e a manutenção da Amazônia. Na década de 80, no estado de Rondônia, a taxa de desmatamento foi da ordem de 35 mil km2 por ano, o equivalente a um campo de futebol (1hectare) a cada 5 segundos. Calcula-se que hoje 15% da área original da Floresta Amazônica já tenha sido desmatada.


FLORESTA ATLÂNTICA

Ao desembarcar no litoral da Bahia, em 1500, os exploradores portugueses ficaram deslumbrados com a beleza da Floresta Atlântica. Naquela época a Floresta cobria 15% do território brasileiro, estendendo-se desde o Cabo de São Roque, no Rio Grande do Norte, até Osório, no Rio Grande do Sul. De costas para o mar, eles mediam com os olhos espantados aquela imensidão verde, a floresta densa, cheia de árvores frondosas que atingiam até 40 metros...     

Também conhecida como Floresta Ombrófila Densa, a Floresta Atlântica inclui formações vegetais variadas de acordo com a altitude, a temperatura, a freqüência das chuvas, a proximidade ao oceano e a composição do solo.

O solo é riquíssimo, uma vez que a elevada umidade acelera a ciclagem de nutrientes. Neste processo, restos de animais e vegetais se decompõem pela ação de microorganismos transformando-se em húmus. O húmus é incorporado ao solo formando uma cobertura capaz de alimentar bilhões de plantas. As árvores crescem e, ao envelhecerem, suas folhas e troncos serão transformados através da decomposição, devolvendo nutrientes ao solo. Este sistema é muito importante para a manutenção da vida na floresta.
    

Calcula-se que a Floresta Atlântica contenha mais de 20.000 espécies de plantas como o pau-brasil, o jequitibá, o jacarandá, o xaxim, o palmito, a figueira e a embaúba. Cerca de metade de suas espécies são endêmicas, ou seja, não podem ser encontradas em nenhum outro lugar do planeta.    

Abriga ainda cerca de 1,6 milhão de espécies animais: 261 espécies de mamíferos, 73 delas endêmicas; 620 de pássaros, sendo 160 endêmicas; 260 de anfíbios, 128 destas endêmicas e 143 de répteis.    

Toda essa biodiversidade corre perigo! Depois de anos de exploração contínua, mais de 90% da Floresta Atlântica já foi destruída. Árvores foram derrubadas para produção de madeira, matas foram abertas para dar lugar às atividades urbanas e agropecuárias. Desaparecendo a vegetação, diversos animais também perderam seu ambiente. Das 202 espécies animais brasileiras ameaçadas de extinção, 171 pertencem a este bioma. 

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