DIVERSIDADE E CLASSIFICAÇÃO DOS MONERAS
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A organização simples da célula procarionte indica sua primitividade. Há evidências de que organismos procariontes primitivos foram os ancestrais de todas as formas de vida atualmente existentes em nosso planeta. Restos fósseis mostram que os procariontes dominaram a Terra até cerca de 1,5 bilhão de anos atrás, quando surgiram os eucariontes. Apesar da simplicidade de sua organização celular, os seres procariontes são muito versáteis, e podem ser encontrados nos mais diversos tipos de ambiente, desde as geleiras polares até o fundo dos oceanos. Nos últimos anos o grande desenvolvimento da Biologia Molecular permitiu comparar ácidos nucléicos e proteínas de diferentes espécies de moneras, e, com isso, pôde-se estabelecer suas possíveis relações de parentesco evolutivo. Com base nessas comparações, os cientistas concluíram que, há quase 3 bilhões de anos, surgiram duas linhagens distintas de procariontes: uma delas originou as arqueobactérias (do grego arqueos, antigo) e a outra, as eubactérias (do grego eu, verdadeiro). Do ramo que originou as arqueobactérias surgiram os eucariontes. |

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Figura 1. Árvore filogenética dos grandes grupos de seres vivos construída a partir da comparação entre sequências de bases do RNA ribossômico.
O termo "arqueobactéria" faz alusão à antiguidade desse grupo de bactérias. Possivelmente as arqueobactérias sofreram poucas modificações em relação aos seres procariontes que as originaram, bilhões de anos atrás. As arqueobactérias são hoje representadas por um número reduzido de espécies que vivem em condições ambientais extremamente rigorosas e pouco convidativas aos outros seres vivos, talvez semelhantes àquelas que existiam na Terra primitiva. Existem arqueobactérias halófilas (do grego halos, sal, e philos, amigo) que vivem em poças d'água dezenas de vezes mais salgada do que a água do mar. Outras arqueobactérias, as termoacidófilas vivem em fontes termais ácidas, onde a temperatura oscila entre 60 e 80ºC. Existem ainda arqueobactérias metanogênicas, que vivem em pântanos e no tubo digestivo de cupins e de animais herbívoros e produzem gás metano, que confere um cheiro típico a esses ambientes.
O grupo das eubactérias é muito grande e expressivo, contando com milhares de espécies descritas. Estas diferem quanto ao metabolismo e quanto à forma das células. Muitas espécies de eubactérias formam colônias, sem divisão de trabalho entre as células associadas. O tipo de associação colonial é, assim como a forma da célula, uma característica importante na classificação desses organismos. |