DINOPHYTA (Dinoflagelados)

CARACTERÍSTICAS GERAIS

O grupo das dinófitas (do grego dino, rodopiar), também chamadas pirrófitas (do grego pyrrho, vermelho, flamejante), tem representantes em quatro dos cinco reinos, o que indica razoável variedade morfológica e estrutural entre as algas aqui incluídas. De uma forma geral, têm tamanho que pode variar de micrômetros a milímetros; a maioria é de vida unicelular e isolada, podendo formar colônias, e as filamentosas que ocorrem não são espécies planctônicas. A maioria é marinha, podendo fazer parte do plâncton ou do bênton, havendo exemplares continentais; há algas autotróficas ou mixotróficas, móveis ou não; a maioria é de vida livre, mas há espécies simbióticas e parasitas.

Células coloridas não são necessariamente puramente clorofilianas. Na verdade, os pigmentos encontrados (clorofilas a e c2, excepicionalmente, clorofila c1, e mais peridinina, dinoxantina, fucoxantina e derivados, ß-caroteno) não indicam que se pode excluir o hábito do fagotrofismo, pois isso foi observado. O material de reserva é o amido extraplastidial e glóbulos lipídicos. O núcleo é caracterizado como dinocariota ou mesocariota, pois possui características bacterianas e também eucarioóticas; os cromossomos estão sempre condensados, separando-se uns dos outros nos processos de divisão sem utilizar centrômeros, e ficam inseridos na membrana nuclear; note-se ainda a ausência de histonas.

As células são dotadas de dois flagelos que são bem diferentes um do outro, um saindo de um sulco transversal, também chamado equatorial ou cíngulo, dotado de uma ultraestrutura complexa (cordão estriado, mastigonemas unilaterais, etc); e outro saindo de um sulco longitudinal, estando relacionado à propulsão do movimento. Há uma proteção característica, o anfisema, constituído por um sistema de placas celulósicas. O corpo, quanto ao formato, nas dinofíceas, lembra bolas ou discos, a teca (placas) tendo, ainda, ornamentações características, em determinados gêneros.

A observação do protoplasto revela que ele se divide em duas regiões: uma interna, onde são encontrados um núcleo e diversos vacúolos, e uma externa, onde há cromatóforos. Na divisão celular, geralmente se observa, na seqüência, a bipartição das seguintes estruturas: primeiro, o núcleo, e em seguida o citoplasma e a membrana, sendo que as células-filhas regeneram a parte faltante da membrana que lhes fica faltando. As células são, ainda, capazes de formar quistos, que podem conter até duas células se formando no seu interior, e de formar gametas. Muitas exceções são observadas, por causa da variedade de formas neste grupo. Numa análise, um mesmo dinoflagelado pode apresentar várias formas (ex. se estiver fora de sua carapaça para bipartição) e diferentes dinoflagelados podem ser muito semelhantes; as células vegetativas são normalmente haplóides, com homotalia e isogamia, mas quando se formam gametas, eles próprios podem ser confundidos com exemplares vegetativos menores. Além disso, há diversas estruturas que são exclusivas ou características de dinófitas.


IDENTIFICAÇÃO DE ALGUMAS ALGAS


Enquadramento Taxionômico

  • CLASSE: Dynophyceae
    SUB-CLASSE: Dinoflagelatae
    ORDEM: Peridiniales
    FAMÍLIA: Peridiniaceae
    GÊNERO: Peridinium

  • CLASSE: Dynophyceae
    SUB-CLASSE: Dinoflagelatae
    ORDEM: Peridiniales
    FAMÍLIA: Ceratiaceae
    GÊNERO: Ceratium
  • CLASSE: Desmokontae
    ORDEM: Dynophysalidales
    FAMÍLIA: Ornithocercaceae
    GÊNERO: Ornithocercus


Descrição dos Gêneros


Peridinium

Células com ou sem cromatóforos, menores que 1 a 2 mm.
Células que não em forma de fuso nem globosas, sempre providas de flagelos, quando estes não tenham se desprendido acidentalmente. Células com sulcos, que podem estar reduzidos secundariamente (e mesmo não estarem evidentes); os flagelos se originam de um poro situado na face ventral; células nuas ou com parede celular, com o revestimento formado por uma única ou por mais de cinco peças. Células com envoltório rígido, quase sempre divididas em placas, cuja forma se conserva perfeitamente após fixação. Células com eixo longitudinal mais longo, igual ou pouco mais curto que o transversal; com ou sem apêndices.Envoltório subdividido em mais que 3 pares de placas e sem sutura contínua no plano sagital. Sulco transversal fundido em forma de canal ou, pelo menos, limitado por duas expansões laminares que sobressaem da célula; em alguns Ceratium o sulco pode estar parcialmente inconspícuo. Células sem chifres grandes, mas podem mostrar chifres curtos cheios de plasma ou espinhos maciços mais ou menos longos. Sulco transversal na parte mediana da célula. Não há chifre retorcido na hipovalva. Tabulação com suturas visíveis; se as placas são areoladas, o relevo não é tão marcado como no grupo anterior e, em todo o caso, não passa por cima das suturas.

  • Sem área especial na parte ventral da epivalva
  • Célula terminada posteriormente por dois chifres cônicos, ocos, lisos e curtos
  • Células não ou pouco deprimidas; sulco longitudinal bem marcado e estreito


Ceratium

As células não são globosas e não chegam a 1mm de diâmetro. Células de outras formas, que não a de fuso ou globo; providas de flagelos, quando estes não se desprenderam. As células possuem sulcos e há um revestimento de parede celular. O envoltório é rígido e a forma das células foi preservada na fixação. O eixo longitudinal é mais longo que os demais, e há apêndices. O envoltório subdivide-se em mais que 3 pares de placas. O sulco transversal é visível. As células possuem chifres grandes. Células de conformação diversa, mas não há chifre contorcido na hipovalva.


Ornithocercus

As células são menores que 1 mm. Células de outras formas que não a de globo ou fuso, providas de flagelos. A célula possui sulcos. O envoltório é rígido e a forma da célula foi preservada quando da fixação. O eixo longitudinal é maior que o transversal, e há apêndices. O envoltório é formado por três pares de placas simétricas ao plano sagital; e o sulco transversal é próximo ao extremo anterior da célula, tendo rebordos desenvolvidos. Célula globosa ou de outra forma, mas o sulco transversal não aparece com uma parte anterior estirada e adelgaçada. Hipovalva com expansões aliformes; o sulco transversal está limitado por rebordos em forma de amplas "gorguerras", unido ao ápice da célula. A epivalva não é muito pequena, e a expansão aliforme do limite superior do sulco transversal tem a base relativamente larga.



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