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A POLÍTICA PRÉ-ESCOLA NO BRASIL Trabalho feito por : Mara Lucia T Brum INTRODUÇÃO Este
trabalho é dividido em duas partes mais o anexo. A primeira
parte relata a história do atendimento à infância. Brasileira a
partir de 1874, em creches e jardins de infância, maternidades e
publicações de encontros em defesa da criança, e surgiu a primeira
creche para filhos de operários e 2 anos depois foi criado o primeiro
jardim de infância. Por
iniciativa da equipe do instituto foi criado o departamento da criança
no Brasil cuja responsabilidade caberia ao Estado, e esse instituto só
foi reconhecido em 1920 um ano depois, onde as autoridades começam a se
mostrar favoráveis às crianças necessitadas. Com
o reconhecimento do setor público quanto à necessidade de cuidar das
crianças constata-se que a necessidade de preparar a criança de hoje
para ser o homem de amanhã e também o fortalecimento do Estado, e com
tudo isso tanto o Estado como a criança passam a ser vistos como
categorias neutras e abstratas. Passando a se valorizar a criança
como matriz do homem e redentora da pátria. Essa criança passa
a ser um ser único sem vínculo com sua classe social e sua história,
seus problemas pareceriam homogeneizados (ligados), por outro lado o
Estado não estaria ligado aos interesses de uma classe social, e com
isso o Estado liberal supostamente neutro estava em via de
fortalecimento. E
de uma educação elitista passa-se a uma defesa democrática do ensino,
porque a educação significava ascensão social e defendia o direito de
todas as crianças serem iguais (princípio da escola nova). Assim
a medicalização e a psicologização do trabalho educativo, em uma
concepção abstrata de infância, ajudada pelo Estado autoritário e
forte, deu-se a preocupação
com a massa de crianças brasileiras consideradas não aproveitados,
onde essa valorização seria gradativamente acentuada no ano de 1930. A
década de 30 é considerada como limite pelas modificações políticas,
econômicas e sociais ocorridas no cenário nacional. No
decorrer dos últimos 50 anos muitos discursos foram feitos, uns dizendo
que a criança era de responsabilidade oficial, outros diziam que era
particular, oras sobre ambas, e ora sobre a população, mas por outro
lado dois aspectos são constantes: a concepção abstrata e única da
infância e a multiplicidade dos órgãos com mesmos objetivos. Em
1933 foram introduzidos órgãos novos na aparelhagem da assistência à
infância tais como lactários, jardim de infância, gatas de leite,
consultórios para lactentes, escolas maternais. Reduziram-se as
campanhas em favor do aleitamento materno e contra as criadeiras
consideradas como uma das principais causas da mortalidade infantil. Havia
grande defesa das creches e do atendimento público à infância
desvalida e abandonada. Mas
foi o Ministério da Educação e Saúde Pública que criou mais tarde o
Departamento Nacional da Criança, órgão que centralizou o atendimento
à infância brasileira durante quase 30 anos. A
Medicina colocava a culpa na família pelos altos índices de
mortalidade infantil, e colocando a culpa na família se escamoteava. As
relações de classe existentes na Sociedade Brasileira, como também
fortalecia a responsabilidade e o poder do Estado, enfatizava-se as relações
entre criança e pátria, e introduzia-se uma nova argumentação, que
é formar uma raça forte e sadia, baseada no princípio do que era bom
para a nação, era bom para todas as crianças e suas famílias, e essa
idéia é reafirmada na constituição outorgada de 1937, onde coloca
dois capítulos dedicados a menores operários. As
tendências da época só serviam para ajudar a esconder que o problema
da criança se origina na divisão da sociedade em classes sociais. Diversos
órgãos oficiais voltados à assistência infantil foram criados, numa
espécie de movimentação democrática e administrativa, uns eram
ligados ao Departamento da Saúde, outros ao da Justiça e Negócios
Interiores, passando mais tarde ao da Previdência e Assistência
Social. Em
1941 foi criado o Serviço de Atendimento aos Menores, voltado a atender
menores delinqüentes e abandonados, menores de dezoito anos, que era
ligado ao Ministério da Justiça e dos Negócios Interiores. Quanto
as instituições privadas, existem a Organização Mundial Pré-Escolar
reform (ONEP), a UNICEF,
que tem desenvolvido alguns trabalhos no Brasil junto ao setor público.
Na prática esses diversos órgãos se interrelacionam e muitas
vezes suas atividades se sobrepõem. Em
fim, na década de 60 houve
um enfraquecimento e um desmembramento progressivo de toda a estrutura
do Departamento Nacional da Criança, sendo vários dos seus serviços
assumidos pelo Ministério da Saúde. Reformulado
o Ministério da Saúde, o Departamento Nacional da Criança foi
transformado em Coordenação
de Proteção Materno-Infantil, cujo
objetivo central é reduzir
a mortalidade materno-infantil. O
patriotismo exagerado da política da época, refletia a política
educacional que possuía uma visão idealista de criança, com uma
concepção única de infância. O SAM fracionou e foi considerado uma
vergonha nacional. Em
1964, o SAM foi extinto e criada a FUNABEM que herdou as suas atribuições,
que se destinava ao bem estar do menor, sendo um órgão de caráter
normativo, seus recursos são
aplicados em planos de assistência técnica e de cooperação
financeira. O
campo de atuação do antigo SAM e da FUNABEM
extrapola a faixa pré-escolar,
voltando-se primordialmente aos menores abandonados, infratores, de
conduta anti-social ou em situação irregular. No
entanto, tanto a FUNABEM quanto a FEBEM não passavam de uma educação
compensatória. Em
1946, com o final da guerra a LBA passou por uma transformação; sua
política assistencial se voltou ao atendimento exclusivo da maternidade
e da infância através da família, passando, então, a constituir órgãos
de consulta do Estado. Em
1974 a LBA se propõe a executar o Projeto Casulo inserido no programa
de assistência, objetivando com pouco gasto atender maior número possível
de crianças. PROJETO
CASULO – visa atender crianças de 0 a 6 anos para prevenir a
marginalização e deixar as
mães com mais tempo livre para trabalhar fora e elevar a renda
familiar. O
projeto atende de 4 a 8 horas
diárias, fornecendo alimentação e material didático, e muitas vezes
as pessoas que trabalhavam, eram voluntárias. Este projeto não
preparava para uma escolaridade futura, sua tônica se centralizava no
atendimento às carências nutricionais
das crianças e por outro lado, na valorização de atividades
recreativas. A
maior dificuldade foi a falta de recursos humanos para a Supervisão;
como este projeto não tinha um caráter compensatório, visava atender
as diferenças concretas das crianças, levando em conta seu meio
social. A
POLÍTICA DA UNICEF – O objetivo principal era de socorrer as crianças
dos países devastados pela 2a Guerra Mundial. A UNICEF
realizou campanhas de vacinação e distribuição de alimentos,
principalmente do leite materno, assim como a fabricação de vacinas e
campanhas contra epidemia. A
UNICEF incentivou a política social com ênfase no bem estar da criança
e da família. A
partir de 1961, a UNICEF passou a se relacionar diretamente com
prioridade dos países auxiliares, onde a UNICEF
decidiu que a ajuda deveria
concordar com a a política dos países ajudados e mais uma vez
as crianças ficam a mercê do governo. No
Brasil, a UNICEF pode ser constatada em três momentos: 1a
– Através do Departamento nacional da Criança, que participava das
reuniões da Junta Executiva da UNICEF; 2a
– através da Fundação Nacional do Bem Estar do Menor, que
publicou as confer6encias da UNICEF; 3a
- através do financiamento
direto a projetos comunitários, obtidos por convênios com a Secretaria
de Desenvolvimento Social do Município do Rio de Janeiro. Em
fim, a influência da UNICEF não é homogênea e resulta de sua relação
com os governos. Caberia
um estudo para verificar quais as conseqüências que a ajuda
internacional acarreta no plano econômico dos países auxiliados e em
especial que tipo de vínculo fica estabelecido entre os países
desenvolvidos que subvencionam os projetos através da UNICEF. OMEP
– Organização Mundial para a Educação Pré-Escolar; tem como
finalidade atender crianças na faixa etária de 0 a 7 anos de todas as
classes sociais. Em
1968, ampliou-se a atuação da OMEP Brasil, foi firmado um convênio
com o Ministério da Saúde por dois anos e foram fundados os primeiros
centros de atendimento ao pré-escolar (Capes) em comunidades
desprivilegiadas do Rio de Janeiro. O
trabalho desenvolvido pela OMEP hoje, consiste primordialmente em fazer
despertar, tanto nos que trabalham em instituições pré-escolares,
quanto nos que tem poder decisório no país, a consciência da
necessidade de atendimento ao pré-escolar, pretende ainda chamar a atenção
para a relação existente entre a situação atual da criança e o
modelo econômico brasileiro. A
fragmentação tem como resultado o fato de ninguém se responsabilizar
pelo problema. Onde a Educação esbarra nas carências de alimentação
e nas precxárias condições de saúde. A
precariedade em cada um dos três – saúde, assistência, educação
– é apontada como causa, mas ela é ao contrário conseqüência das
condições de vida das classes sociais em que estão inseridas as crianças. II
- PEQUENA ANÁLISE HISTÓRICA (de 80 para cá) A
situação da saúde da criança no Brasil já melhorou muito em comparação
há anos atrás. Não morrem mais tantas crianças como antes pelos
descasos, seja de autoridades como dos próprios familiares. O mundo
também evoluiu e hoje milhares de crianças são salvas da morte todo
ano graças, por exemplo, aos programas de imunizações. Sarampo,
difteria, poliomielite, diarréia, pneumonia e tantas outras doenças
que assustavam pais e mães, hoje estão bem mais controladas. O acesso
a programas sociais, especialmente com a passagem de um Brasil rural
para um Brasil urbano, e o avanço das tecnologias na área da medicina
foram, sem dúvida, os dois grandes motivos que contribuíram para essa
grande redução especialmente da mortalidade infantil. Até há bem
pouco tempo atrás vivíamos num país onde morriam cerca de 100 crianças
para cada mil nascidos vivos, já no primeiro ano de vida. Hoje, a taxa
de mortalidade infantil está na casa dos 45 por mil. Existe
por parte de muitas instituições governamentais e não-governamentais
a decisão de trabalhar a favor da infância: -
Em 1983 inicia a Pastoral
da Criança, com o propósito de atuar nos bolsões de pobreza e de
miséria onde, trabalhando com líderes da própria comunidade, propunha
diminuir a mortalidade infantil e melhorar as condições de saúde,
nutrição e educação das crianças e suas famílias; -
Em 1984 cria-se o Programa
de Assistência Integral a Saúde da Criança pelo Ministério da Saúde; -
Em 1990 realiza-se em Nova
York a Reunião Mundial de Cúpula
em Favor da Infância, organizado pelo UNICEF, com participação da
OMS e outros organismos internacionais, onde o Brasil, juntamente com
outros 158 países, assumiu o compromisso de elaborar um plano de ação
nacional em favor deste grupo etário, que completasse 26 metas, sendo
19 referentes a atuação do setor saúde, e destas 13 metas de médio
prazo, a serem atingidas até 1995; (anexo 1) -
Em 1990 ratifica-se a Convenção
Internacional dos Direitos da Criança e é criado o Estatuto
da Criança e do Adolescente; -
Em 1992 desenvolve-se um dos
maiores movimentos da sociedade civil organizada em defesa dos direitos
da criança – o Pacto pela Infância.
Nesta ocasião, 24 estados brasileiros elaboraram seus Planos
Estaduais de Ação; -
Ainda em 1992, o processo de descentralização das metas da Cúpula
teve seu início em nível municipal, com o compromisso de vários
prefeitos reunidos em Itajaí, ao elaborarem Planos Municipais de Ação
pela Criança, impulsionados pelo Estatuto da Criança e do Adolescente;
-
Em 1994, 28 países,
incluindo o Brasil, estiveram reunidos em Bogotá onde assinaram o
Compromisso de Nariño que coloca o desenvolvimento humano como
prioridade na política econômica e social dos países da região,
referendando as metas da Cúpula em favor da Infância. -
E 1994, a questão da mortalidade na infância é introduzida na
agenda política do governo com a implantação
do Projeto de redução da
Mortalidade na Infância, fato que se deu após denúncia
feita pela Pastoral da criança que a mortalidade infantil estava
aumentando. Este projeto também faz parte das prioridades do
Programa Comunidade Solidária da Presidência da República e tem como
objetivo ampliar a capacidade do setor de saúde de atender, de forma
integral, a criança de 0 a 5 anos, cabendo também promover a articulação
com setores da educação, saneamento, agricultura, segurança
alimentar, meio ambiente e a participação comunitária. Foram
selecionados 913 municípios de risco de todas as regiões, incluindo
as nove capitais do Nordeste
e três do Norte. -
Hoje, conforme os dados do primeiro trimestre deste ano, a Pastoral da
Criança está presente em todos os estados do Brasil, atuando em 22.357
comunidades de 2.563, onde acompanha através de líderes comunitários,
voluntários e mais de 3 milhões de crianças menores de 6 anos e 143
mil gestantes de 2.143 famílias que vivem na pobreza ou na miséria. Outros
países latino-americanos e
da África que nos visitaram ou os quais visitamos, já implantaram a
mesma experiência, com bons resultados, tais como o Paraguai,
Argentina, Peru, Colômbia, Equador, Guiné-Bissau, Angola e outros. Uma
das nossas principais conquistas é a redução da mortalidade infantil
em mais da metade nas 22 mil comunidades onde estamos presentes. Isso
significa que, só no ano passado, o trabalho da Pastoral da Criança
salvou cerca de 5 mil crianças da morte prematura. A
mortalidade das crianças
menores de um ano acompanhadas foi 17,8 por mil, o que representa um
grande avanço, mas ainda pode ser reduzido mais. Outra conquista é a
redução da desnutrição de 26% para 10%. A terceira conquista é o
fato de que, das mais de 2 milhões de famílias que acompanhamos por
trimestre, não se tem conhecimento de uma só criança que vai
às ruas. Isso porque as famílias e as
comunidades assumem em conjunto suas crianças. Ou seja, além de
prevenir a desnutrição e a mortalidade
infantil, a Pastoral da Criança faz também um trabalho de prevenção
da marginalidade e da violência no ambiente familiar; resultados podem
ser analisados pelos documentos anexos, tais como a redução do baixo
peso ao nascer, a amamentação exclusiva ao seio, a reidratação oral,
o desenvolvimento infantil, a vacinação completa para a idade, a referência
aos serviços. Por
fim, gostaria de lembrar que o combate à mortalidade infantil e a luta
pelo desenvolvimento integral da criança não pode perder de vista a
urgente necessidade de superar o estado de miséria de nossa população.
Os bolsões de miséria no Brasil, bem como nos países pobres se
perpetuam por diversas razões, que vão da falta de um planejamento sério,
passam pela corrupção e chegam à
dívida externa, que sangra nossos países empobrecidos. Estas
questões devem igualmente unir todos
nós numa só luta em favor dos mais excluídos da sociedade.
Aqui é necessário uma união que vai além da região, raça, cor e
posições políticas de cada um . Estamos
vivendo hoje, no Brasil, um novo período, de muito mais esperança; a
estabilidade da moeda, fez com que os mais pobres pudessem comer melhor,
o analfabetismo está diminuindo; as mulheres já são mais de 50% que
chegam até as universidades, entretanto, como em todos os países em
desenvolvimento há necessidade urgente de se reduzir a violência que
está cada vez mais expressiva e não poupa nenhuma classe social. Na
educação da criança de 0 a 6 anos, o nível de renda, aparece como
principal causa e discriminação educacional das crianças provenientes
de famílias com renda inferior, residentes em zonas rurais ou em núcleos
urbanos de pobreza. Na faixa de 4 a 6 anos de idade, apenas um terço da
população recebe o atendimento educativo e a oferta deste serviço nas
famílias de baixa renda atinge 18%, enquanto nas famílias com renda
mensal “per capita” superior a dois salários mínimos, este
percentual se eleva a mais de 60%. Na faixa de 0 a 3 anos, considerada
como o período fundamental para o desenvolvimento psicossocial da criança,
apenas 5% das crianças
freqüentam creches, sendo 2,7% nas classes de menor rendimento e 14,1%
naquelas de renda mais elevada. Sendo a família o centro da educação
da criança ainda pouco se tem feito para informar e apoiar os esforços
na área do desenvolvimento infantil pelas famílias. Embora
se tenha conseguido atingir o expressivo índice de 86% de escolarização
na faixa etária de 7 a 14 anos, há estados e municípios no Brasil,
onde este índice situa-se em torno de 65% ou menos. Cerca de 3,5 milhões
de crianças ainda permanecem sem a possibilidade de acesso ao ensino
fundamental. Contudo,
a produtividade do sistema
educacional, baixa, principalmente nas séries iniciais do ensino
fundamental. Nos Estados do Norte e Nordeste, a taxa de repetência
situa-se acima de 30%, chegando em algumas localidades brasileiras perto
de 50%, mais elevadas as taxas de evasão, atingindo uma/dia, ponderada
de 17% . Os alunos que
abandonaram o sistema escolar conseguiram concluir
torno de 3,7% séries ou seja, menos que a quantidade mínima
para tornar irreversível e duradoura a aquisição da alfabetização.
Em relação ao analfabetismo, na faixa de 10 a 14 anos, o índice é de
14,4%, sendo que entre crianças e adolescentes da mesma faixa etária
pertencentes a famílias com renda “per capita” de meio salário mínimo,
a taxa se eleva para 28% (PNAD, 1990). Insuficientes
condições pedagógicas e de infra-estrutura, baixos padrões de
remuneração e qualificação dos
professores, dentre outros fatores, redundam na
comprometida qualidade da educação demonstrada nos índices
modestos de desempenho escolar. Verifica-se, ainda, baixa efetividade e
relevância do ensino, no desenvolvimento das competências fundamentais
requeridas para a plena participação na vida econômica, política,
social e cultural do país; especialmente, a necessidade do mundo do
trabalho. QUANTO
A LDB, PROPONHO: Um
olhar geral sobre a LDB, com o objetivo de resgatar outras que podemos
considerar positivas, sem, entretanto, buscar esgotar o assunto.
Procurando não incidir em detalhes tópicos, vamos realçar o seguinte: *
a parte reservada à educação infantil é certamente pequena,
constando apenas de três artigos (Arts. 29 a 31), mas pode-se afirmar
que está bem colocada, no geral (Amar Amar 1996; Bairrão e Tietze
1993); é definida como a primeira etapa da educação básica, e está
destinada ao desenvolvimento integral da criança até seis anos de
idade; existe aqui um primeiro ganho de causa, tanto na visão
interdisciplinar quanto na integração no sistema da educação básica;
conserva-se ainda a nomenclatura anterior, ou seja, creche para até três
anos, e pré-escola de quatro a seis anos, mas está já fora de
qualquer dúvida que serão, substancialmente, instituições educativas
que formam o primeiro patamar da educação básica; o risco de separação
entre instituições educativas e assistenciais perdura, mas temos um
caminho legal claro para evitar isso; defende maneira própria de
acompanhamento e avaliação do desenvolvimento da criança, como já
vimos, mas recai no que podemos chamar de “visão pré-escolarista”
(Art. 31), que imagina salvaguardar melhor o sentido da educação
infantil separando-a da educação fundamental; certamente, a educação
infantil não deverá ser subserviente à fundamental, mas é só prejuízo
para a criança, sobretudo pobre, não se alfabetizar para poder
usufruir dessa vantagem que toda criança rica já tem; por fim, as
atuais creches e pré-escolas terão o prazo de três anos para
integrar-se no respectivo sistema educacional (Art. 89); *
quanto à educação infantil, o Art. 31 preconiza um tipo especial de
avaliação, marcado pelo “acompanhamento e registro do seu
desenvolvimento, sem o objetivo de promoção, mesmo para o acesso ao
ensino fundamental”; embora seja de todo recomendável que a avaliação
não se oriente pela promoção, o texto incorre numa visão estreita,
defendida freqüentemente pelos profissionais da área, que, no afã de
garantir para a educação infantil espaço próprio, insistem em
excesso no descolamento perante o 1o grau; trata-se de um
tipo de teoria e prática que pode satisfazer aos estudiosos, mas não
às crianças, que só têm a ganhar se aproveitarem o tempo para
aprender, inclusive se alfabetizar, desde que respeitado o ritmo de
desenvolvimento infantil; *
o atendimento gratuito em creches e pré-escolas às crianças de zero a
seis anos, o que significa grande ousadia, tendo em vista nosso atraso
na área (principalmente no atendimento até três anos) e os custos
implicados (IV); *
pode-se ver também um avanço também na concepção da educação básica
(Art. 21), em primeiro lugar, compreendida como sistema de “educação”,
não de “ensino”, e, em segundo lugar, abrangendo desde a educação
infantil até a educação média; discrepa nesse caminho a salada
terminológica: sob o teto da educação básica, somente a infantil é
“educação”, ao passo que as outras duas ainda são chamadas de
“ensino”(fundamental e médio); mesmo assim, sob essa ótica podem
frutificar várias expectativas importantes para o futuro; * tornar de acesso livre a todos, todos os níveis da educação básica, deixando para trás a idéia pouco sólida de obrigatoriedade apenas entre 7 e 14 anos, mesmo porque as teorias do desenvolvimento infantil não apoiariam tal corte; *
superar a educação infantil como mera pré-escola, mas, por outra,
enfocando-a no contexto globalizante do desenvolvimento integral da
criança; *
consagrar, aos poucos, que os níveis inseridos na educação básica são
os mínimos exigidos para dar conta de um projeto próprio de
desenvolvimento, ultrapassando-se as definições restritivas e antigas
de analfabetismo; *
destacar o que é “básico” na educação, ou seja, o compromisso
com o saber pensar e o aprender a aprender, levando-o para os
fundamentos da educação permanente; *
abrir, desde logo, a possibilidade de matricular
na educação fundamental crianças de seis anos de idade (Art. 87, d
3o, I). Cito
algumas diretrizes para a Educação,
conforme órgãos estudados para este trabalho: 1)
Socializar conhecimentos sobre a Educação infantil junto às famílias,
creches e pré-escolas. 2)
Garantir que o atendimento da criança de zero a seis anos seja
ampliado, envolvendo articuladamente as áreas da Educação, Saúde e
Assistência Social. 3)
Garantir a obtenção de melhores resultados das crianças e
adolescentes nas escolas, assegurando o acesso, regresso, permanência e
o sucesso. 4)
Assegurar que seja ampliada a cobertura do atendimento Educacional à
população em idade escolar. 5)
Assegurar que sejam reduzidos os índices de repetência sobretudo de 1a
a 5a séries. 6)
Implementar e acompanhar a distribuição dos recursos financeiros para
a Educação, de forma a garantir a ampliação do percentual do gasto público
em Educação. 7)
Garantir a ampliação do atendimento a adolescentes no ensino
fundamental. 8)
Garantir que todas as escolas de ensino fundamental, urbanas e rurais,
estaduais, municipais, sejam dotadas de condições básicas de
funcionamento. 9)
Garantir o atendimento aos portadores de necessidades educativas
especiais integradas ou não na rede regular de ensino. 10)
Garantir a participação dos pais, individualmente ou através de
associações representativas, no processo educacional de seus filhos. 11)
Garantir a capacitação permanente e a troca de experiências entre
professores e diretores da Educação Básica. A
seguir apresento a proposta para a Educação infantil em Belo
Horizonte, onde faz uma bela ligação com o vídeo assistido em sala de
aula, ao qual deu origem a esse trabalho CONCLUSÃO Concluindo o presente trabalho percebe-se que a Educação Infantil caminha de forma lenta, mas vem apresentando grandes avanços, como podemos notar ao longo dos tempos. Mas
tanto a primeira parte do trabalho quanto a Segunda do trabalho se
identificavam com a mesma problemática, que a Educação Infantil está
muito ligada com a problemática social, na qual estão inseridas as
crianças. Portanto,
enquanto não se achar uma solução para os problemas, como saúde,
desnutrição e condições de vida dos familiares, dificilmente se
conseguirá uma Educação Infantil de alta qualidade, nos países da América
Latina. 1.
C.B.I.A. Proposta da Política Nacional de Defesa dos Direitos da Criança
e do Adolescente. 2.
CONSELHO NACIONAL DA DIREITA DA CRIANÇA E DO ADOLESCENTE.
COMANDA – 4 de outubro de 1995. Brasília, DF. 3.DEMO,
Pedro. A nova LDB ranços
e avanços. Campinas, SP: Papirus, 1997. 4.
FUNDAÇÃO ABRINQUE PELOS DIREITOS DA CRIANÇA 5.KRAMER,
Sônia. A política pré-escolar no Brasil. São Paulo: Cortez, 4a
ed., 1992. 6.
MEC. SEF. DPE. Atuação do
MEC na Educação Fundamental. Brasília: 1995/1998. 7.
NEUMAM, Zilda A. CONGRESSO DA OMEP. 12o Congresso Brasileiro
da Educação Infantil. Campo Grande, 20 a 24 de julho
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web Mara Brum 17/03/05.
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