Rapaz de Gosto

Autor: Cacique / Paje

Eu inventei esta moda / Prá cantar em qualquer função / Onde tem moça bonita / Delicada de feição
Eu repico a viola / Prá dar mais inspiração / Sinto dentro do peito / Com mais sensação
Batendo depressa / O meu coração / Nas festas que eu canto / É uma tentação
As moças discutem / Por minha razão / Sempre fui rapaz de gosto Oi morena / Cheio de satisfação

A gente quando é violeiro / Sempre leva uma vidona / Em todas festas que vai / As moças sempre se apaixona
Mais o que eu gosto mesmo / Essas coroas choronas / Dos cabelos curtos / Que é mais cafona
Sou muito jeitoso / Já convenço a dona / Dou uma de pobre / E a velha me abona
Com meu gabarito / Eu sento na poltrona / Sempre fui rapaz de gosto Oi morena / Prá morena solteirona

Onde tem mulher bonita / Pode vêr que estou no meio / Cantando modas de viola / E fazendo saracuteios
A moçada me aplaude / Na sala que sapateio / Sou muito cortês / No meu galanteio
As modas que eu canto / Eu sempre floreio / No braço da viola / Cantando eu ponteio
Meu compasso é firme / Eu não perco o galeio / Sempre fui rapaz de gosto Oi morena / Não gosto de fazer feio

Sempre gostei de viola / Que não seja mentirosa / Meus dedo sempre percebe / Quando ela esta manhosa
As cordas ficam macias / Igual mulher carinhosa / A voz do meu peito / Sai mais caprichosa
Com muita cadência / Bem harmoniosa / Na meio da sala / Não se ouve prosa
Só sinto perfume / De flôres cheirosa / Sempre fui rapaz de gosto Oi morena / Minha vida é côr de rosa

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