FORMAS COMPOSTAS DE PHYCODES
AFF. CURVIPALMATUS POLLARD,
1981 NO JURÁSSICO DA BACIA LUSITÂNICA (PORTUGAL): ESTRATÉGIA ETOLÓGICA
ADAPTATIVA DE CRUSTÁCEOS DECÁPODES
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por
NETO
DE CARVALHO, C.1,2 & RODRIGUES, N. P. C.2,3
1
Curso:
Mestrado em Geologia Dinâmica; Departamento de Geologia, Faculdade de Ciências
da Universidade de Lisboa, Ed. C2, 5º piso, 1700 Lisboa. e-mail: praedichnia@hotmail.com
2
Grupo PALEO - Grupo de
Paleontologia do Museu Nacional de História Natural de Lisboa.
3
Curso:
Geologia; Departamento de Paleontología, Facultad de Ciencias Geológicas de la
Universidad Complutense de Madrid, Ciudad Universitaria E-28040 Madrid. e-mail:
nuno.carla@teleline.es
Palavras-Chave:
Phycodes aff. curvipalmatus; Decapoda; Paleoecologia; Paleoetologia; Jurássico.
A
biodiversidade não é apenas o resultado de constrangimentos bióticos e climáticos,
mas também reflecte um controlo explícito dos mecanismos de geodinâmica
interna expressos na actividade tectónica. No caso da Bacia Lusitânica, uma
bacia de rift associada à abertura do
Atlântico, variações fortes no grau de subsidência do soco varisco após
episódios de empolamento térmico e estiramento crustal aliados às principais
fases de rifting provocaram inúmeras
variações verticais e laterais das condições ecológicas, potencializando o
desenvolvimento de vida. O presente
trabalho sintetiza os aspectos dinâmicos que levaram à adopção de inúmeras
estratégias comportamentais expressas numa grande icnodiversidade, de que Phycodes
aff. curvipalmatus POLLARD e as paleoicnocenoses onde se enquadram são o
reflexo directo de um regime tectonossedimentar muito activo e em constante mutação.
Os organismos produtores de Phycodes aff.
curvipalmatus POLLARD mostram a adopção de uma estratégia
comportamental similar para condições paleoambientais tão distintas quanto
aquelas descritas para o Jurássico inferior de Peniche e para o Jurássico
superior de Sintra. No primeiro caso integram uma comunidade em equilíbrio,
fortemente relacionados com sistemas de galerias do tipo Thalassinoides em ambiente offshore
proximal, de baixo regime hidrodinâmico porém aeróbio. No segundo caso,
correspondem a uma população exótica, provavelmente alóctone, transportada
para um ambiente profundo hostil na base e sob a influência de um talude
recifal. Esta instalação oportunística
forçada foi favorecida por características
ecofisiológicas inatas e um padrão etológico passível de comportar variações
face a condicionalismos paleoambientais de natureza física e bioquímica, de
que se salienta o abundante afluxo de debris e matéria orgânica por proximidade a uma barreira recifal,
de forte produtividade orgânica, bem como a disponibilidade de nutrientes
preservados abaixo do RPD local. Tanto as condições redox como a consistência
do substrato e a abundante presença de alimento terão condicionado os
produtores das estruturas exaeróbicas de Phycodes
aff. curvipalmatus POLLARD a um tier
superficial. A evolução do comportamento assumida nos três estádios
morfológicos gradacionais de Phycodes aff.
curvipalmatus POLLARD reflecte variações estratégicas numa
exploração pioneira, inicialmente radial, de um substrato rico em matéria orgânica
a partir de uma galeria vertical estacionária, condicionada pela anoxia, que
posteriormente se desenvolveu no sentido da complexificação das estruturas em
apenas 1 a 3 componentes vectoriais.
A atribuição de Phycodes aff. curvipalmatus POLLARD a crustáceos com a morfologia e ecologia dos decápodes reptantes (glypheoídeos e anomurídeos) é amplamente discutida. Os mesmos critérios paleoicnológicos utilizados permitem reconhecer o significado paleoecológico de grupos de organismos desprovidos de uma estrutura esquelética fortemente mineralizada, de reduzido ou nulo potencial de preservação, possibilitando o conhecimento da sua existência, processo evolutivo e determinar com precisão a sua paleobiologia.