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Os 50 Tesouros do Pop Que (Quase) Ninguém Ouviu
�Adam Daniel toca para 150.000 pessoas em Los Angeles�.
�Paul McCartney afirma: �David Grahame é meu legítimo substituto�. �O álbum �Forever And Today� dos australianos The Richies alcança a marca de 1 milhão de cópias vendidas�.
�Cherry Twister chega ao posto nº1 da parada Billboard�.
Se o mundo fosse um lugar mais justo; se os bons sentimentos importassem mais que dinheiro; se sonhos de consumo se traduzissem em harmonias sonoras em vez de BMW's; se as pessoas de fato se interessassem por cantores que cantam afinados ou compositores que conhecem a fórmula da boa melodia, as manchetes acima fariam sentido.
Mas em verdade só se concretizariam em um mundo paralelo, outra dimensão ou na trama surreal do seriado Lost. Porém existe um consolo: se as manchetes são inverossímeis, os artistas e seus clássicos existem. E emocionam.
Qualquer dos 50 álbuns escolhidos � e poderiam ter sido 100, 150 � tem potencial pop para tocar no... seu coração. Ignorados pelo grande público, estas obras se diferenciam dos considerados �clássicos injustiçados da música� � que normalmente são trabalhos complexos, experimentais, densos, difíceis, cerebrais � por músicos e críticos.
Estes são títulos essencialmente pop na sua estrutura. Sem pretensões artísticas, vanguardistas, políticas, sociais ou revolucionárias: oferecem canções assobiáveis, melodias colantes, harmonias ensolaradas e estética sixtie. A pretensão é marcar um sorriso no rosto de quem ouve, fazer seu dia um pouco melhor.
Descobertas e conhecidas por poucos , estas pérolas da música mundial, mereciam melhor sorte que estar sob o título �que (quase) ninguém ouviu�. Mas se estes �poucos� puderem e quiserem compartilhar suas �preciosidades�, terão feito a sua parte.
Alguns destes títulos não venderam sequer 1000 cópias, outros estão fora de catálogo: mas todos são dignos de atenção. Não vão mudar sua vida, mas vão te causar um tremendo bem-estar.
(Nota: As definições a seguir não têm o intuito de serem análises profundas ou definitivas. Apenas apontam a direção sonora de cada banda e servem como ponto de partida para pesquisa por quem se sentir instigado por elas. A seqüência numérica não indica preferência ou grau de importância).
 1. “Bronco Bullfrog” – Bronco Bullfrog - 1998
Assim como o filme que inspirou o estranho nome da banda inglesa, Bronco Bullfrog, o álbum, poderia ter sido concebido 30 anos antes. Gravado em estúdio caseiro e baseado em um invejável arsenal de melodias contagiantes e harmonias vocais perfeitas, o disco dos três rapazes de Leicester orgulhariam os mestres Beatles, Who e Beach Boys.
 2. “At Home With” – Cherry Twister - 1999
Direto da casa de Steve Ward, em Lancaster (EUA), vem esta gema pop – disputada a tapas por power poppers do mundo inteiro. Com baixo orçamento e poucos recursos, “At Home With” joga luz ao talento de Ward em adornar canções com beleza harmônica e melódica de grandeza inexistente no mainstream atual. A música “Charlotte B.” seria clássico imortal se tivesse nascido nos sixties.
 3. “Here's The Deal” – Second Saturday - 2002
Então com 22 anos, o menino-prodígio de Nashville Wyatt Funderburk, pegou suas melhores referências sessentistas – Beatles e Beach Boys - adicionou pitadas modernas de Rentals e Silver Sun e produziu um híbrido com harmonizações vocais intrincadas, melodias celestiais, distorção mastodôntica e piruetas nos teclados Moog.
 4. “Big Money Item” – The Greenberry Woods - 1995
Abertura de shows para Debbie Harry; contrato com a Sire Records (divisão da Warner) e coleção de potenciais hits não garantiu sucesso ou reconhecimento ao quarteto americano de Maryland. Seu segundo e derradeiro álbum é um desfile de canções pop com forte acento radiofônico. “Love Songs”, “Super Geek” ou “Smash-up” deveriam ter rendido milhões de doletas ao Greenberry. Renderam desilusão. O núcleo central da banda – os irmãos Huseman – comanda hoje o ainda mais desconhecido Splitsville.
 5. “Cloud Eleven” – Cloud Eleven - 1999
Banda de um-homem-só, Cloud Eleven é Rick Gallego. Depois de capitanear a banda californiana Jiffipop, Gallego focou sua habilidade maestra em polir com esmero canções pop perfeitas. Com um vocal macio de timbre acetinado, preparou, em estúdio caseiro, melodias emocionantes e envolventes como em “Superfine”, “Rainbow Station” e “Spiral (Come Way Down)”.
 6. “Chewy Marble” – Chewy Marble – 1997
Outra cria do grande celeiro power pop do mundo, a Califórnia, Chewy Marble é projeto do ex-Wondermints Brian Kassan. Mesclando referências sixties e seventies – do bubblegum ao sunshine pop – Kassan pontua seu teclado sobre harmonias vocais na melhor tradição “pa-pa-pa” e acordes daqueles que viciam o ouvinte desde a primeira audição.
 7. “Jetstream Lovers” – Captain Soul - 2003
Do alto de sua experiência como descobridor de Oasis e Teenage Fanclub, Alan McGee não poderia estar enganado. Contratou o passe dos ingleses do Captain Soul para seu selo, o Poptones. Criando melodias arrebatadoras, harmonias de sonho e duelos de guitarras Rickenbaker com órgãos Hammond, o Captain se pós-graduou na escola Beatles/Byrds de composição. E produziu provavelmente o mais belo álbum de 2003.

8. “Godspeed The Shazam” – The Shazam – 1999
Nashville tem rodeios. Nasville tem I.P.O.(International Pop Overtrow festival). Nashville tem Shazam. Uma das bandas mais respeitadas do cenário power pop americano, o Shazam chegou à perfeição da simbiose entre o peso do rock setentista (Cheap Trick) e o clima melódico do sixties (Beatles) neste “Godspeed The Shazam”.
 9. “DT And The Disagreeables” – David Grahame – 2003
Fosse álbum solo de Paul McCartney lançado no início dos 70, “DT...” figuraria no panteão de clássicos absolutos do pop mundial. Grahame compõe na cartilha do velho Macca e produz canções de beleza estonteante como “Whirpool”, “Sexy Sadist” e “Emotions Running Wild”. Voz doce em abiências semi-acústicas transformando canções simples em obras primas do pop. As melodias geniais que os Beatles não fizeram, ele fez.
 10. “Forever And Today” – The Richies – 2003
Hegemônicos na produção pop do hemisfério sul, os australianos honram suas tradições em álbuns como este “Forever And Today”. Formado por membros do Pyramidiacs, mais o “power pop star” Michael Carpenter e o hitmaker Charley Davies, os Richies são os TheWonders dos '00. Hits da envergadura do sucesso mundial “That Thing You Do” são figurinha fácil no disco. Melodias adesivas que grudam no cérebro e fariam da banda uma “chartbuster” em qualquer mundo, plano ou dimensão. Menos no planeta Terra.
 11. “Big Ideas” – The Churchills – 2002
Em seu terceiro álbum, os novaiorquinos do Churchills alcançaram a maturidade em canções consistentes e equilibradas. Distorção pesada diluída no fluxo de riffs de guitarra e sobreposta pelos vocais ultra-melódicos. Se “Big Ideas” não traz um pop ensolarado, é luminoso na energia de seu instrumental vigoroso guiado por gentis melodias.
 12. “Summerman” – American Suitcase – 2003
Aos incautos os títulos acima sugerem: banda americana vinda da encalorada Califórnia. Fina ironia, quando se trata na verdade de europeus vindos da gélida Noruega. Mas que talham suas canções com as vibrações emanadas da produtiva safra de bandas sixtie da Califa. Seguidores de Byrds e Beach Boys, os noruegueses soam bem próximos ao Teenage Fanclub, com vocais agradáveis e melodias adocicadas.
 13. “Kontiki” – Cotton Mather – 1997
Toda vez que o espírito de John Lennon quer fazer contato baixa em Austin, Texas. E incorpora em um sósia de Paul McCartney chamado Robert Harrison... Talvez por isso os irmãos Gallagher do Oasis sejam fãs da banda. O timbre de voz de Harrison é idêntico ao de Lennon, o que em nenhum momento tira a identidade autoral dos texanos. “Kontiki” tem gravação com ambiência caseira porém inventiva na utilização de multiinstrumentos, indo de simples baladas a viagens psicodélicas; de canções pop a petardos rock. Já a homenagem explícita vai pra Brian Wilson na sugestiva “Church Of Wilson”. Lá de cima Lennon observa orgulhoso.
 14. “Living In A Holland Tunnel” – The Mockers – 2001
A dupla americana de hitmakers Seth Gordon e Tony Leventhal se conheceu na infância, quando os pais serviam em uma base militar ianque em solo espanhol. De volta à América deram vida ao Mockers e sua estética sixtie - herdada de Beatles e Zombies - moldada aos tempos modernos pela produção dos bambas do negócio, Mitch Easter e Brad Jones. Afinações, timbragens instrumentais e vocais, tudo perfeitamente calculado para a vitória maiúscula do pop.
 15. “Pacific Ocean Blues” – Gigolo Aunts – 2002
Com certa exposição na mídia americana uma década atrás, os veteranos de Boston são hoje maiores na Espanha que no país natal, vide que este “Pacific...” teve lançamento ibérico um ano antes que na América. Em tons mais reflexivos que os trabalhos anteriores, o álbum se destaca pela beleza melódica de suas canções-balada e alguns pequenos ataques mais incisivos do chamado “pop de guitarras”. De Beatles a Teenage Fanclub passando por Simon & Garfunkel, músicas feitas para emocionar.
 16. “Bubblegun” – The Merrymakers – 1999
A linhagem pop das bandas suecas sempre foi nobre: Beagle, This Perfect Day, Wannadies, Drowners, Rhinos... E a dupla de produtores de Estocolmo, Anders Hellgren e David Myhr não só mantém a herança no seu projeto The Merrymakers, como a eleva a um novo patamar em “Bubblegun”. Guitarras energéticas, riffs ganchudos, melodias e harmonias de quando o mundo colocava Tommy James, Cowsills, Archies e Ohio Express nos topo das paradas. A versão dupla do disco, traz cinco faixas do álbum anterior “No Life Til' Famous” em CD bônus.
 17. “Fancey” – Fancey – 2004
Projeto solo de Todd Fancey – guitarrista e tecladista da banda canadense New Pornographers – que explora a sonoridade do AM/pop setentista. Pianos Wurlitzer em profusão, backing vocals à la girl goups de Phil Spector, climas de Beach Boys a Todd Rundgren.“In Town” leva o título de canção mais bonita de 2004.

18. “Life On Planet Eartsnop” – Myracle Brah – 1998
Referência no power pop mundial, Andy Bopp e seu Myracle Brah vieram à baila com “Life On...” trazendo 20 canções de alto teor pop sem perder a voltagem rock. Soando ora com um Beatles lo-fi, ora como um Todd Rundgren turbinado, a banda imprime um sabor de “clássico” às suas músicas, justificando a fama de referencial. O relançamento do álbum vem com três faixas acústicas como bônus, gravadas nos estúdios de Abbey Road em 2000.
 19. “Things That Happened Then” – The Orgone Box – 2002
Mais um álbum que parece contar com ajuda de vozes do além. E outra vez de Lennon. A impressão ao se ouvir “Things That...” é de um “lost tapes” gravado em quatro canais de forma experimental como bem gostava o beatle mais ferino. Na verdade Orgone Box é o compositor inglês de Sheffield, Rick Corcoran experimentando sua arte de produzir peças de pop psicodélico de sotaque sessentista. Lançado um ano após o debut “Orgone Box”, “Things...” é um apanhado de gravações produzidas entre 1992-95, onde o charme está na baixa fidelidade e a aura é de raridade.
 20. “Blue Pop” – Adam Daniel – 1999
Único trabalho do músico e compositor Adam Daniel, “Blue Pop” permanece obscuro mesmo em meios especializados. Talhado para o sucesso, o álbum traz guitarras afiadas, levadas contagiantes e melodias colantes na voz amigável de Daniel. Com algumas faixas emplacadas em trilhas de seriados e filmes menores, o pop azul do americano é altamente radiofônico e em alguma outra dimensão deve ter vendido milhões de cópias.
 21. “Teenage Symphonies To God” – Velvet Crush – 1994
Instituição do power pop e mero desconhecido do grande público, o Velvet Crush chegou ao seu master-piece com “Teenage Symphonies to God” e que curiosamente é seu único disco lançado por uma major (Epic). Com ecos de Kinks, Who, Big Star e dos contemporâneos Teenage Fanclub, os americanos de Rhode Island consolidaram sua facilidade em assimilar e mesclar a aspereza das guitarras rock com a suavidade das melodias pop, criando a reboque uma fileira de refrãos memoráveis.
 22. “The Complete Pet Soul” – Splitsville – 1998
Os ex-Greeberry Woods, Matt e Brandt Huseman, resolveram preparar um espécie de ópera pop, que pretendia mesclar as influências dos revolucionários álbuns “Pet Sounds” e “Rubber Soul”. Utilizando-se de mellotron, acordeão, flauta, banjo, etc, o Splitsville produziu uma maravilha do pop moderno. Sem cair em pastiches ou clichês gratuitos, “The Complete...” aproveita ensinamentos do passado, apresenta novas possibilidades e dá oportunidade para a nova geração sentir o valor que tinha, há 40 anos, uma boa canção pop.
 23. “Harry, Beardo, Doc & Barry” – The Happy Losers – 2002
Bem longe de sofrer “patrulhas ideológicas de país-colônia recalcado”, o Happy Losers conta suas histórias, expressa suas opiniões e dá melodicismo às suas palavras em língua estrangeira. O quarteto de Madri, é uma das mais respeitadas da cena espanhola, tendo feito shows nos Estados Unidos e México além de duas apresentações no IPO. Com produção do músico e produtor australiano Michael Carpenter, “Harry, Beardo...” não inova, não revoluciona, não subverte. Mas valoriza as boas características do pop, com belíssimas harmonizações vocais, melodias inspiradas e arranjos valorosos com a utilização bem pontuada de violinos, cellos, trompetes e pianos. Em tempo: duas faixas são cantadas na língua pátria.
 24. “A Year In Pajamas” – Braden Blake – 2003
Com sua banda - o Super Deluxe, de Seattle – em estado de hibernação e sem contrato algum na mão, Braden Blake resolveu aproveitar o ano que passou de molho em casa para produzir. Sob roupagem semi-acústica, Blake recolheu suas melhores influências e referências e com simplicidade criou inspiradas canções pop perfeitas. Macias, ultra-harmônicas, melódicas até a medula. Algo como os acordes de um Elliott Smith otimista com um Brian Wilson nos coros vocais.
 25. “Sound On Sound” – Beagle – 1992
Outro exemplo de banda com extremo potencial de expansão mundial de seu pop, que nunca se realizou. Avalizado pelo pedigree sueco e calcado no pop barroco do Left Banke, o Beagle lançou dois álbuns pela Polydor (subdivisão da antiga major Polygram), para depois sumir do mapa. Com canções que poderiam ter ido tão longe quanto qualquer uma de Robin Williams ou Coldplay, “Sound On Sound” é absurdamente pop, com refrãos ganchudos e igualmente memoráveis. Tudo milimetricamente pensado e feito para agradar aos sentidos.
 26. “Mach V” – Vandalias – 1995
Jim Jim, Bobby e Alan veneram carros velozes e garotas ingênuas. Amam Raspberries e são feitos de traços simples e multicoloridos. Assim como os Archies, e mais recentemente o Gorillaz, os personagens em desenho representam os membros da banda e só existem na ponta do pincel. No caso do Vandalias são o alter-ego de Dan Sarka. A banda virtual de Minneapolis toca como as que motivaram o surgimento do power pop: setentistas tentando soar sessentistas. Seguindo Badfinger, Big Star, Knack e principalmente Raspberries, alternam riffs invocados, belas baladas e afiadas canções pop.
 28. “Too Late Tomorrow – 1992-2002” – Phil Angotti & The Idea – 2003
Coletânea com o apanhado da produção do músico e compositor de Chicago Phil Angotti , compreendida entre os anos de 1992 e 2002, e que inclui cinco álbuns. Passeando pelo soft rock dos anos setenta e influenciado por artistas como Bread, Todd Rundgren, Marmalade, o trabalho de Angotti nos remete às paradas de sucesso das rádios flash-back. As canções soam como hits clássicos do passado, mas que produzidas atualmente ficam relegadas ao underground. Vocais gentis, climas suaves, produção enxuta, progressões harmônicas e melódicas que honram o ideário do verdadeiro e valioso pop.
 29. “Lejos” – Grand Prix – 2002
São os argentinos que dizem: o Grand Prix é a melhor banda power pop que já existiu em terras platinas. O nome entrega sua maior influência. É homenagem ao álbum clássico dos escoceses do Teenage Fanclub, e que se reflete diretamente no som dos argentinos de Buenos Aires. Alternando o inglês e o espanhol, são donos de um pop ao mesmo tempo refinado e energético, utilizando-se de cello, viola e violino. Musicalmente ficam entre o espanhol Happy Losers e o norueguês American Suitcase. Um dos pontos altos de “Lejos” é a versão na língua de Cervantes (“Nada Más”) para a jóia “I'm In Love” do Myracle Brah. Com o fim da banda seu líder Sebastián Rubín segue carreira solo como Rubín.
 30. “Silver & Gold” – Lolas – 2003
Um dos tesouros ainda não descobertos da América se esconde no Alabama. E é revelado nesta coletânea que junta o melhor dos álbuns “Balerina Breakout” (1999) e “Silver Dollar Sunday” (2001), lados B e raridades. Como um Ramones tocando composições dos Beatles tendo os Beach Boys nos backing vocals, o Lolas desfila um conjunto de hits instantâneos: “Ballerina Breakout”, “Silver Dollar Sunday”, “The Only People In The World”, “See Yer Picture Too”. Tudo engendrado pela mente criativa do hitmaker Tim Boykin. A versão espanhola traz um disco bônus comemorativo da tour pelo Japão em 2002, contento além de músicas do próprio Lolas, faixas de bandas da cena power pop japonesa.

31. “The Good Way” – The Waking Hours – 2003
A receita básica do quinteto californiano é unir em medidas iguais melodia e energia. E eles não erram a mão. “The Good Way”se apropria da virilidade do rock, adiciona a maciez do pop e tempera tudo com harmonizações vocais aprendidas com mestre Brian Wilson. A quina de faixas que abre o álbum – “Sunshine”, “Jade”, “Whispered News”, “Everything Alright Forever” e “Used To It” – deveria estar no hall de clássicos de todo power popper que se preze.

32. “Tan Simple Como El Amor” – La Casa Azul – 2003
Seguindo a estética sessentista dos Archies, utilizam a imagen de cinco jovens que encarnam os músicos da banda, que na verdade se resume ao espanhol de Barcelona Guille Milkway. Produtor e músico, Milkway é um expert em sunshine pop, am pop e europop. Conseguiu como um alquimista musical forjar uma das bandas mais adoráveis do planeta. A riqueza sonora aplicada a simples canções pop dá o tom. Mellotrons, vibrafones, decalques eletrônicos (e econômicos), coros na tradição girl groups dos fifties emolduram sonoridades absolutamente bubblegum. Criam melodias solares e ingênuas que às vezes nos remetem à infância e nos transmitem uma sensação de conforto e ilusão. É como bem definiu Daniel Campanella, do programa espanhol Pop Parade: “Em “Tan Simple...” você vai escutar as canções mais bonitas que pode imaginar”.

33. “Dusk At Cubist Castle” – The Olivia Tremor Control – 1997
Imagens surreais, cores saturadas, viajens psicodélicas, título de maior álbum de pop psicodélico dos 90, complexidade de extremos... Sons estranhos, desconexos, às vezes bizarros, flutuam, desaparecem, reaparecem e se chocam com canções pop perfeitas memoráveis. Funcionando como “trilha de um filme não realizado” e interligado conceitualmente, “Dusk At...” é o disco mais esquisito e bonito que você já ouviu. Bill Doss e Will C. Hart, de Athens, EUA, beberam na fonte de chá alucinógeno do Pink Floyd, fuçaram no manancial pop de Beatles, Zombies, e Beach Boys, e aditivaram com pitadas de folk e kautrock. Pode anotar: as faixas “Jumping Fences”, “No Growing”, “Marking Time” e “NYC 25” estão entre os maiores clássicos do pop psicodélico de todos os tempos.

34. “Age Of The Sun” – Sunshine Fix – 2002
Projeto do solo de Bill Doss - a primeira metade criativa do Olivia Tremor Control – o Sunshine Fix carrega menos a mão na psicodelia e experimentações se comparado à sua banda irmã. A sensibilidade pop de Doss permanece intacta e em alguns momentos fica difícil diferenciar SF da parte mais acessível do OTC. Camadas de mellotron, órgão Wurlitzer, piano Rhodes sobre efeitos sonoros, loops e aquelas melodias inspiradas que Doss exercitou por anos no Olivia (depois de bem absorver as lições de “Odessey & Oracle” do Zombies). “Age Of The Sun” traz pelo menos mais três clássicos para a memória do pop psicodélico: “Digging To China”. “Better Way To Be” e “Cycles Of Time”. O que faz o dono da banda se achar uma entidade se auto-intitulando thebilldoss.

35. “Year Of The Rhinos” – The Rhinos – 2003
Quando perguntados qual a maior reivindicação a ser feita a seu governo, os jovens da Suécia responderam: mais sol! Talvez isso explique em grande parte a direção sonora tomada pelos suecos do Rhinos. Dedilhando suas Rickenbaker 12 cordas sob a cartilha dos californianos do Byrds, eles só querem cantar sobre amores de verão. Como um dia fizeram os ídolos Beach Boys, mas agora com características hiper-melódicas retiradas da influência escocesa do Teenage Fanclub. O que esses suecos branquelos procuram é o bronze espiritual da Califa.

36. “The Wonder Of It All” – Blue Cartoon – 2002
Do aparentemente improvável Texas, vem mais um dos campeões do pop perfeito. Baseado em Austin, o Blue Cartoon figura na lista de artífices daquilo que os gringos chamam de “true pop” – o pop que não se baseia na condição de popular pelo viés comercial e sim pela estrutura sonora agradável e palatável de suas canções. “The Wonder Of It All” é um colar de pérolas do true pop, com melodias que num mundo “normal” seriam consideradas radiofônicas. Refrãos inesquecíveis, progressões harmônicas viciantes, climas amigáveis, ou seja, a bula do remédio que faz a vida parecer melhor.

37. “Beachwood Sparks” – Beachwood Sparks – 2000
Vovô Willie Nelson entupido de bolinhas. Lennon e McCartney laçando novilhos com a linha do horizonte. Os Zombies de chapéu cowboy verde-limão e cintos de fivela em espiral. Ou o Flying Burrito Brothers tentando soar como Left Banke depois de doses generosas de chá de cogumelo. O quarteto californiano de cowboys psicodélicos produziu a inusitada mistura de country, pop sixtie e psicodelia. De forma harmoniosa e criativa “Beachwood Sparks”, o álbum, trouxe o slide guitar para as colagens sonoras, colocou acento pop nas belas melodias do country de raiz. E abriu caminho para o sucesso dos irlandeses do Thrills três anos depois.

38. “Tone Soul Evolution” – The Apples In Stereo – 1997
A paixão obsessiva de um grupo de músicos amigos pelas experimentações sonoras de Brian Wilson, pela pureza melódica dos Beatles e pelo pop mezzo barroco mezzo psicodélico dos Zombies, deu vida ao coletivo e selo Elephant 6. Diversas bandas intercambiando membros e colaborações. O idealizador e catalisador da família E6, Robert Schneider, é o líder do Apples In Stereo. Na gravação de “Tone Soul...” o músico utilizou um gravador analógico de 24 canais, pianos, órgãos, mellotrons, metais e pede que o ouvinte use um headfone para reparar nos detalhes sonoros. Dono de uma voz de tom juvenil, Schneider exercita sua habilidade em criar peças sônicas ao mesmo intrincadas - ao usar camadas de instrumentos, efeitos e colagens – e simples – ao preparar canções melódicas de apelo fácil ao coração.

39. “Take Me, Take Me” – The Zinedines – 2004
Distante no tempo e no espaço da Califórnia psicodélica doas anos 60, os irmãos espanhóis de Palma de Mallorca, Manel e Miquel Martinez, criaram sua própria ode ao psych-pop na língua de Shakespeare. Mais para Sunshine Fix que Olivia Tremor Control, mais para Zombies que Beatles, “Take Me...”, explora paisagens de céus cor-de-rosa, nuvens azuis e pastagens alaranjadas. Onde mellotrons flutuam sobre melodias pop e harmonias vocais pairam sobre harpas indianas.

40. “The Green Hour” – Autumn Defense – 2000
Primeiro álbum da dupla John Stirratt (baixista do Wilco) e Pat Sansone, “The Green Hour” vai além do alt.country que algumas publicações especializadas podem sugerir: mistura em seu caldeirão sixtie pop, americana, folk, rock alternativo. Pop na sua essência, o Autumn Defense dá consistência às suas belas melodias com arranjos enriquecidos no uso de banjos, vibrafones, hammonds, pianos e mellotrons. Canções ora ensolaradas, ora reflexivas, por vezes até melancólicas. Confira as gemas “Long Forgotten Love”, “Make It Through The Summer”, “This Kind Of Day”, “Full 5 Paces” e “Put On The Ground”.

41. “Rolling Ball” – Michael Carpenter – 2004
Multiinstrumentista e produtor australiano, Michael Carpenter chegou à sua obra prima com “Rolling Ball”. Com vasto conhecimento sobre a música pop dos últimos 40 anos, o músico trafega com facilidade, tanto pela tradição da música americana – folk e americana – como pelas nuances do pop moderno. Toques de psicodelia, baladas levadas na guitarra doze cordas, espaços preenchidos com órgãos hammond, harmonizações vocais beach boynianas, revelam em Carpenter um domínio maestro dos meandros do pop.

42. “Grape Or Red” – Betty Drake – 2003
Egressos da banda de Minneapolis, Beatifics, Andy Schultz e Paul Novak partiram para nova empreitada no Betty Drake. Servindo à tradição power pop de guitarras energéticas, batida vigorosa, vocais melódicos e bem harmonizados, “Grape Or Red” não tem pretensões artísticas, apenas traz para si a responsabilidade de capturar o ouvinte pelo carisma pop das canções. Hits a escolher - para paradas de rádio, trilhas de comercial ou filmes juvenis - não garantiram maior exposição à banda, nem mesmo no mundinho já subterrâneo do power pop.

43. “The Trouble With Sucess Or How You Fit Into The World” – Paula Kelley – 2003
Já longe da adolescência, essa americana de Boston canta como uma ninfeta perigosamente ingênua e encantadora. O timbre vocal de Kelley lembra o da musa indie Juliana Hatfield e o calibre pop da potência de um Sixpence None The Richer ou Paula Cole. Refina seu pop contagiante e radiofônico com orquestrações bem pontuadas e sem economia de instrumentos nos arranjos: violino, viola, celllo, flauta, clarineta, trumpete, oboé, vibrafone, piano, órgão Hammmond. “The Trouble...” vai com desenvoltura do clima festeiro às ambiências oníricas; da batida rock à balada romântica. A moça vê além da concorrência.

44. “Every Other Sunday” – Badger – 2002
Gunar canta, Sindre toca bateria, Inge e Borge manejam as guitarras e Maseide assume o baixo. Todas as faixas foram gravadas em Trondheim, com exceção da 5, 6 e 8, registradas em Tromso. Lá fora os 20 graus negativos do inverno norueguês congelam os ossos. E quando não transforma uma reunião de jovens em uma banda de black metal, monta uma pequena filial da Califórnia sessentista nos fiordes da Noruega. Se encaixa no segundo caso o quinteto Badger (não confundir com banda dos anos 70 de mesmo nome), que ganhou certa visibilidade no cenário americano depois de se apresentar no IPO. A voz expressiva de Gunnar Hammer remete ao timbre marcante de John Fogerty do Creedence Clearwater Revival, e as texturas sonoras são um misto de Byrds e Teenage Fanclub. O que leva a sugerir que a faixa “Norman” (“Você nunca erra/com aquela canção especial”) seja uma homenagem ao líder do Teenage, Norman Blake.

45. “Low To The Ground” – Waxwings – 2000
Poderíamos estar em 1969, quando músicas como “Sugar, Sugar” dos Archies, atingiam o primeiro lugar nas paradas, ou o terceiro, como “Little Woman” de Bobby Sherman. Tempo em que boas canções ainda interessavam ao jovens. O Waxwings, de Detroit, poderia ter estado lá com “Low To The Ground” soando puro sixtie pop e brigando pelo topo das paradas com os hits “Keeping The Sparks”, “Low Ceiling” e “Untied”. Mercadologicamente deslocado no tempo, o disco serve para mostrar aos nascidos nas últimas três décadas como se fazia música na era-de-ouro do pop – mesmo tendo sido composto e executado por garotos de 20 e poucas primaveras no ano 2000.

46. “The Restoration Of Culture After Genghis Khan” – Jupiter Affect – 2003
Álbum conceitual que conta história do conquistador Genghis Khan através de suas 12 faixas. Idealizado pelo líder Michael Quercio (ex- Three O'Clock e Permanent Geen Light), “The Restoration...” viaja pelo tema pouco popular, mas climatiza as estórias com o melhor do pop barroco moderno e do chamado “power pop progressivo”. Canções de refrãos extremamente ganchudos e adesivos, emolduradas por theremins, sintetizadores Moog, flautas, pianos e metais. São californianos tentando dar um toque de erudição à sua pop music.

47. “Bubblegum Love” – Montana – 2003
É de se estranhar que o Montana continue um ilustre desconhecido. Honrando a tradição australiana de grandes bandas de rock melódico, “Buubblegum Love” é uma usina de hits e teria tudo para agradar críticos antenados e caçadores de hypes. Porque o vocal de Paul Scott é cool, porque os caras têm riffs de guitarras poderosos com refrãos colantes, porque destilam influências de britpop, de punk 77 e Beatles, porque têm uma mocinha no baixo que faz backing vocals. Ou seja, como diz o título da faixa de abertura, “The Koolest Band”.

48. “Moustache - With Extra Wax” – Farrah - 2002
Eis a banda menos britânica da Inglaterra. Mais próximo do pop ianque e do rock sueco, o Farrah poderria seguir os passos do Fountains Of Wayne. Com seu pop energético de canções rápidas e bubblegum, as ondas do rádio seriam ótimas condutoras da sonoridade do trio inglês. A cover do mega hit “I Wanna Be Your Boyfriend” dos Rubinnos, entrega o rol de influências e a intenção sintomática de se atingir maiores audiências.

49. “Where The Change Is” – The Flashing Lights – 2000
Graduado com louvor na escola sixtie, o quarteto canadense conseguiu forjar um clássico do power pop. Liberando a energia faiscante e crua do Who sobre melodias acetinadas e envolventes dos Beatles, os rapazes transformaram “Where The...” em referência para as novas gerações interessadas nos ecos do passado. O álbum traz ainda as faixas bônus “Never Let You Like It Down” e “The Flashing Lights Are On” gravadas ao vivo nos estúdios da rádio CBC em Vancouver.

50. “The Other Half” – The Other Half – 2001
A cópia original de “The Other Half” não passa de um CD-R feito pela própria banda. Isso só pode ser sintoma de uma indústria musical surda e burra. Com potencial pop de bandas como Phantom Planet, Rooney e, porque não, Weezer, o Other Half merecia melhor sorte. Amparados por hits do brilho de “She Lies” (um híbrido Rentals-Weezer), “Make Believe” (andamento das canções de bailinho dos sixties, soando Weezer cinco anos do álbum de mesmo nome), “Chesire Charade” (vocal macio, pré-chorus chicletudo, refrão memorável), “Loser” (balada pop para trilha de filme juvenil), os americanos do Other Half permanecem um dos segredos mais bem guardados da América pop.
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