Revolta Incoteste
A revolta compreende
Essa juventude que me mata
Faz-me real adolescente
Minha lucidez fica afastada
De mil amores
Sobram lembranças
Com tantas dores
Sem esperanças
O vandalismo me possuindo
Já não respondo por minha alma
Tudo ao redor vou destruindo
Não há remédio...nada me acalma
Meu sentimento que está contido
Meu pensamento que abala o corpo
E meus ormônios que explodindo
Deixam mais vivo o que estava morto
(Vania-02/09/03)
Desencanto
Eu faço versos como quem chora
De desalento. . . de desencanto. . .
Fecha o meu livro, se por agora
Não tens motivo nenhum de pranto.
Meu verso é sangue. Volúpia ardente. . .
Tristeza esparsa... remorso vão...
Dói-me nas veias. Amargo e quente,
Cai, gota a gota, do coração.
E nestes versos de angústia rouca,
Assim dos lábios a vida corre,
Deixando um acre sabor na boca.
- Eu faço versos como quem morre
>
(Manuel Bandeira)
Versos infernais
Um poema leviano
Com palavras contundentes
Seus versos tão insanos
Que escrevo vorazmente
Inspiração contrária
De uma noite eloqüente
Sobre uma morte lendária
Que retrato amargamente
Um anjo melífluo
Cantando lindamente
Arpejos de angústia
Me fazem preeminente
Prosas vastas, infinitas
Recita voz infernal
Minhas ilusões foram trancritas
Num poema imortal
(Vania-17/08/03)
Sonhos & Solidão
Uma criança sonhadora
Contemplando a luz da lua
Aprecia a noite encantadora
Deslumbra-se em meio a tua luxúria
Desfruta do tempo que é precioso
Foge da aurora, procura dor
Um sofrimento impiedoso
Nasce num frio acolhedor
Almeja morte, eternidade
Venera tortura, escuridão
Não quer amor nem felicidade
Sua alma pede por solidão
Expressa pranto, melancolia
Pela angústia e dor que sente
Luta por vasta sabedoria
E sempre usa o que aprende!
(Vania-02/09/03)
O VAMPIRO
Tu que, como uma punhalada,
Em meu coração penetraste,
Tu que, qual furiosa manada
De demônios, ardente, ousaste,
De meu espírito humilhado,
Fazer teu leito e possessão
- Infame à qual estou atado
Como o galé ao seu grilhão,
Como ao baralho o jogador,
Como à carniça o parasita,
Como à garrafa o bebedor
- Maldita sejas tu, maldita!
Supliquei ao gládio veloz
Que a liberdade me alcançasse,
E ao veneno, pérfido algoz,
Que a covardia me amparasse.
Ai de mim! Com mofa e desdém,
Ambos me disseram então:
"Digno não és de que ninguém
Jamais te arranque a escravidão,
Imbecil! - se de teu retiro
Te libertássemos um dia,
Teu beijo ressuscitaria
O cadáver de teu vampiro!
(Charles Baudelaire, 1821-1867)