Almeida
Garrett | ||
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A
Maria da Fonte, deu o sinal da luta ao levar os companheiros àquele acto de violência, os camponeses e depois os políticos secundaram-na. (...) Os homens mostravam-se com os rostos tostados pela soalheira, destacavam-se pedaços de saias vermelhas, aventais berrantes, lenços que cobriam cabeças insinuantes e um pedaço de pano vermelho ondeava, no alto de uma baioneta ferrugenta,improvidando-se assim a bandeira. Rocha
Martins |
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Maria
Angelina (...) dá o sonho, a cor e a energia à insurreição. Vestida de colete de lã e saiote encarnado, com duas pistolas metidas na larga faixa e carabina ao ombro, iluminou os talvegues, quebradas e cordilheiras. A sua presença desafiou o século, e foi mais do que o símbolo da sublevação feminina. Em pleno romantismo, foi título de jornal, inspirou escritores, jornalistas, poetas, dramaturgos, musicógrafos, pintores, caricaturistas e foi, por diversas vezes, litografada. Ana Maria Esteves também saiu da obscuridade por estar à cabeça das atroadas e ter arrombado, com golpes de machado, as portas e o alçapão da cadeia. Mas o verdadeiro herói está na rua: é o colectivo feminino. Luís
Dantas |
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...parece que de facto houve uma certa Maria da Fonte que soltou o primeiro grito da sedição. A rebeldia, fomentada pela nova legislação, declarou-se perante os excessos dos tiranetes locais, bacharéis enviados para o campo a ganhar jus a um lugar no Parlamento ou nas secretarias. Um desses chegara a ferir com um guarda-sol o pequeno de um lavrador; e o pai foi à torre da igreja e tocou a rebate. Acudiu o povo, queimou os arquivos, as papeletas da ladroeira, dando "morras" aos dois Cabrais (D. João de Azevedo, Os dois dias de Outubro), e marchou sobre Braga. (Macedo, Traços.) Nas vilas e cidades a tropa levava a melhor, porque o número vale aí pouco e muito as armas: eram fuzilados à queima-roupa. Mas nos campos podiam tudo: se a tropa viesse, abafavam-na. Nem tinham espingardas, nem pólvora: só cajados, foices, machados, chuços, e era o bastante. Oliveira
Martins |