OPINIÃO

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

O que Vem por Aí

Estamos a caminho de dois anos de existência, a serem completados em 10/11/2008. Inicialmente a idéia era a de dotarmos a Barra da Tijuca, onde Mariangela e eu residimos, de mais um palco onde poetas pudessem se reunir para dizer poesia. Na verdade não havia na Barra, há cerca de dois anos, espaços onde se realizassem com regularidade saraus ou encontros poéticos. Tivemos informações de que, antes de 10/11/2006, houve tentativas nesse sentido, mas os eventos não se tornaram freqüentes.
O Poveb veio então preencher este espaço e acreditamos que com êxito, pelo menos até agora. Nesses quase dois anos pudemos motivar excelentes poetas, como é o caso de Paulo Siqueira, morador do Condomínio Novo Leblon, o nosso reduto natural, a participar de eventos dessa natureza e a voltar a produzir um número maior de poemas. Nesse curto espaço de tempo conseguimos também ser agraciados com o Prêmio ALAP Cultura 2007, concedido pela Academia de Letras e Artes Paranapuã (ALAP) a entidades que se destacaram em 2007 como incentivadoras da cultura.
E realmente tem sido essa a nossa preocupação, além de promover reuniões em que as pessoas possam recitar, declamar ou ler os seus textos. Isto é, o nosso objetivo é o de, valendo-nos de atividades artísticas, em que haja a preponderância da poesia, favorecer a disseminação das atividades culturais e a democratização da cultura. Estando embutida a esperança de que possamos provocar também a conscientização das pessoas a respeito de assuntos que sejam do seu interesse. Já que a poesia se encontra onde quer que estejamos e em quaisquer nichos da alma e da matéria que possamos imaginar.
A disposição de não nos limitarmos à nossa área de atuação principal – a Barra da Tijuca – levou-nos até localidades como Itacoatiara, Maricá e aos bairros de Campo Grande, Santa Teresa e outros. E a nossa participação pessoal em eventos em vários bairros da cidade colocou-nos em contacto com a alta qualidade da poesia carioca contemporânea, carioca no sentido da poesia que acontece em nossa cidade. Além de podermos verificar que ela ocorre em toda a zona sul, no centro e em bairros da zona oeste como Campo Grande, Pedra de Guaratiba e outros. Faltava a Barra. Que agora se integra ao panorama poético do Rio em que acontecem cerca de 50 (cinqüenta) ou mais eventos de natureza poética.
Não temos dúvida em afirmar que esse verdadeiro movimento artístico, com a presença maior da poesia, terá como conseqüência natural, a médio ou longo prazo, o contágio da população em termos, ao mínimo, de dotá-la de uma consciência crítica capaz de fazer com que as pessoas possam reconhecer e exigir maiores índices de qualidade de vida.


Rio, 22/05/2008
Aluízio Rezende

Poveb – Poesia, Você Está na Barra


As andanças pelas ruas do Rio. Os saraus em muitas esquinas. A emoção nos muitos encontros com os poetas. A aflição em chegar ao microfone. Que falar sem o uso dele é pra quem pode. Sempre em diversos pontos, em diversas zonas, em diferentes locais do nosso Rio querido.


E por que não na Barra? Por ela ser mais bonita? Bonito é o lugar de que você gosta. Por ela ser apenas aflita ou mais do que comercial? Ou só artificial? Como se a poesia tivesse lugar pra nascer. Ou só fosse acontecer em condições ideais. Nada tão irreal.


Foi assim que surgiu o Poveb. Pra mostrar que a poesia não é prerrogativa de esquinas, de bares, de lugares. Porque ela nasce do sentimento. E ele é cria do momento. Que acontece onde menos se espera. Seja na aridez do deserto ou na plena paquera. Da lua ou da monja, ou da esponja que usamos pra limpar o talher.


Poesia é mulher. Ou o varão que vier, delicado ou machão, mas com toda a impressão de que vai conquistar todo o ar que respira ou que o sonho inspirar. Poesia é o chão que está na Zona Norte. E que, mesmo sem sorte, pinta na Zona Oeste. Já que na Zona Sul sempre teve mais gente.


Poesia é gente, que chora e sorri, faz a pedra sorrir ou o graveto chorar. Poderá conversar com o cavalo ou o cão. É a transformação do que não se inventou. Poesia é o amor, é a raiva e a calma. Poesia acalma a tristeza e a alegria. Poesia, um dia ainda vamos fazer.


Rio, 25/10/2007
Aluizio Rezende

Quem Nasce Hoje

Quem nasce hoje precisaria ler ou escutar de alguém como as coisas aconteciam antes de sua chegada ao mundo. O samba, por exemplo, já foi uma manifestação musical proibida em salões da burguesia ou da sociedade estabelecida em determinada época. Com raízes genuinamente africanas, e em virtude de tudo o que de inferior pudesse ser atribuído à raça negra, não era permitido em espaços freqüentados por brancos.
Como aconteceu em Cuba, onde o “son” (primeiro gênero musical de Cuba, considerado um símbolo nacional e que reúne, de uma forma tipicamente cubana, as tradições africanas e da colonização espanhola), também com raízes africanas, era um tipo de música marginal, somente praticado às escondidas por pessoas consideradas de classe inferior, em que se destacavam os negros.
Na década de 30, e talvez mesmo durante a de 50, Gafieira (ou “dancing”, vocábulo roubado à língua inglesa) no Rio não era um lugar a que se devesse ir. Principalmente mulheres que tivessem uma vida normal, já que as que se encontravam nesses locais não tinham um comportamento aceitável pela sociedade. Gafieiras eram freqüentadas por mulheres consideradas de vida “suspeita”. Além disso, há qualquer momento poderia haver uma confusão, o que colocaria em risco a integridade das pessoas.
O adolescente de hoje só toma conhecimento desses fatos se recorrer a alguns livros sobre o assunto ou a pessoas mais velhas. E ele então irá observar que, apesar de toda a marginalização inicial, o samba acabou triunfando diante das polcas, marchinhas, marchas-rancho, frevo e outras modalidades musicais. Assim como o “son” conseguiu se impor, a partir dos “aires libres” (termo usado em Havana para os cafés e bares ao ar livre situados nas calçadas das principais ruas do centro da capital cubana), e tornou-se uma manifestação artístico-cultural aceita pela preconceituosa sociedade cubana pré-revolucionária.
Depois de Fidel, é possível que não só o “son”, mas de um modo geral a atividade artístico-cultural na ilha, tenha sofrido com as restrições impostas à movimentação das pessoas. Sobretudo no que se refere à entrada e saída de cidadãos, cubanos ou não, do país.
Do mesmo modo, observa-se no Brasil, depois de 1964 e durante os dolorosos vinte anos de duração do regime discricionário, batizado como o nome de Revolução (ou Golpe?) de 64, observa-se também em nosso país uma retração da atividade cultural, com uma abrangência muito maior que a ocorrida na ilha de Fidel. Não se acabou com o samba – o que seria, é claro, difícil, senão impossível, de se conseguir – e nem com nossos bares ao ar livre. Mas durante muito tempo nossos compositores tiveram que conviver com a censura imposta às letras de suas obras. E nossos cientistas e professores, notadamente os de Estudo Sociais, assim como vários profissionais de nível médio ou superior, tiveram que sair do país devido ao risco de vida que corriam por professarem uma ideologia incompatível com os ideais estabelecidos pelas Forças Armadas. Data desse período o início do esfacelamento da educação no país, em todos os níveis, observando-se o progressivo declínio da qualidade do ensino e da eficácia dos principais estabelecimentos escolares no Rio de Janeiro, sobretudo os de ensino público, por muito tempo considerados os melhores.
Mas o samba, como não poderia deixar de ser, triunfou. E com ele o Carnaval. Que já existia antes dele e, é claro, antes de 1964. E continua existindo até hoje. Mas quem nasce hoje não sabe o que foram as Grandes Sociedades, os Ranchos. Não sabe que as Grandes Sociedades e os próprios Ranchos tinham uma importância bem maior que as Escolas de Samba. Não sabe que as Escolas de Samba que desfilavam na Avenida Rio Branco ou na Presidente Vargas vinham confinadas em cordões de isolamento, como acontecia com qualquer bloco ou escola maior que se apresentasse em ruas do subúrbio da Central ou da Leopoldina (incrível, acabaram com ela há pouco tempo também).
Não sabe quem nasce agora que o acesso e a participação do povo no Carnaval eram muito maiores que hoje. Quando o Carnaval é produzido, dirigido e comandado por pessoas às vezes implicadas em procedimentos considerados ilícitos. E que para estarem no palco, ao lado de autoridades municipais, também co-participantes na organização do Carnaval, eventualmente carecem do benefício de instrumentos jurídicos como o “hábeas corpus”. Ou impudicos, como a imunidade parlamentar.
Mas tudo muda. Tudo tem que mudar. E o Carnaval não poderia ficar imune a mais essa lei da natureza. E não vale aquela tentativa de sofisma que nos leva à oração: “No meu tempo... era melhor”. E sabe por que não vale? Porque o adolescente, ou quem nasce agora, é de hoje. Não do nosso tempo.
Está tudo certo. Só que nós nos reservamos ao direito de, ao menos, não acompanhar (ou não poder acompanhar) a qualidade que hoje se verifica. E é por isso que morremos. Aceitar em toda a sua totalidade o que aí está é tarefa pra quem nasce hoje. Pra quem tem mais bala na agulha.


Rio, 15/02/2008
Aluizio Rezende

Apresentação (Primeira Coletânea do Poveb, 2007)

O mundo literário sempre norteou o dia a dia dos Coordenadores do Poveb.
Acompanhando de perto alguns saraus e recitais de poesia em diversos pontos de nossa cidade, pensamos em trazê-los para a Barra da Tijuca sob a forma de um dizer poético diferenciado. O Novo Leblon aceitou a parceira e juntos crescemos, sua Administração mostrando-se sensível ao encanto da arte de Bilac e muitos outros.
A grande preocupação nos nossos encontros é que o bem-estar dos participantes possa se confundir ou decorrer de uma liberdade prazerosa que eles tenham para declamar ou ler os seus textos ou os de outros autores. E isso tem se verificado, na medida em que percebemos cada vez mais claramente a sensibilidade e competência poéticas demonstradas pelos amigos que têm vindo ao Poveb. Os minutos passam rapidamente e ao término de cada nova rodada de poesia fica um gostinho de quero mais. O que faz com que possamos ter a certeza de que os novos encontros nos darão a chance de vivenciar momentos extremamente gratificantes.
A Barra da Tijuca merecia um movimento como o nosso, que prioriza a poesia sem desprezar outras atividades artístico-culturais.
Como coroamento de todo um trabalho desenvolvido com muito amor e carinho, recebemos o convite da Editora Multifoco para a edição de uma coletânea dos textos dos poetas com presença mais assídua nos encontros do Poveb.
Essa coletânea certamente se constituirá num marco na existência do nosso movimento, no que se refere à poesia na Barra e talvez até em nossa cidade. É possível que exista um Poveb antes e outro depois dessa antologia.
Dedicamos também algumas páginas aos poetas que, pelo amor e dedicação ao mundo poético, já se tornaram mais conhecidos. Também esses poetas se aproximaram mais do Poveb ao longo desse primeiro ano da sua existência.
A Primeira Coletânea do Poveb representa, além da vontade de inovar, o amor pela poesia, que não tem hora e nem motivo para acontecer.
Desse modo, o Poveb comemora o seu primeiro aniversário com o lançamento da sua primeira coletânea, resultado de um trabalho sério, vanguardista e sem outros compromissos que não seja o de levar às pessoas a chance de terem razões para sentirem-se, ao menos momentaneamente, de bem com a vida.

Rio de Janeiro, 04 de agosto de 2007



Mariangela Mangia

Professora, Educadora
Fundadora e Coordenadora do Poveb

Duas Diárias

Essa pequena viagem a Conservatória me fez pensar em como foram sacaneados os escravos (e os índios também). No século 19, nessa área aqui do Rio, que viria a ser próspera na produção de café (o ouro verde), um senhor possuía 400 escravos. A Ponte dos Arcos foi construída por eles. Como também o Túnel que Chora. O cara tinha em sua casa um quarto para a sua mucama especial, sendo obviamente a esposa sabedora. Isso depois de ler o Evangelho, que recomendava ao homem não desejar uma mulher que não fosse a sua. Só que escrava não era mulher, nesse caso. Mas o era, é óbvio, para o caso da fornicação. Vem daí muito da hipocrisia que domina as pessoas, e toda uma nação. E também o mundo ocidental. Tal qual o aprendemos.
É chorar sobre o leite derramado? É romance? É retórica dispensável? Não, trata-se apenas da comunicação de uma emoção. Que prometo não sentir de novo para não ter que incomodar a ninguém. Talvez haja melhor coisa pra se ler. Recomendo mais uma vez Tolstoi, em que se lê muito do que se vê neste país de injustiça. E, até mesmo por preguiça, a gente deve aprender.


Conservatória, RJ, 30/06/2007
Aluizio Rezende

Opinião sobre o Poveb

Cara Aluízio,


Entrei no site do POVEB, li tudo sobre o Movimento poético da Barra. Você e seus pares estão de parabéns por fomentaem a cultura na zona oeste, sem desânimo. Conheço o Sérgio Gerênimo de longa data, que também é um batalhador da poesia. Parabéns a todos pelo trabalho incansável.

Rio de Janeiro, 10 de julho de 2007

CONCEIÇÃO ROSA GOMES

Um agradecimento

Aluízio,

agradeço sua gentileza de encaminhar, por duas vezes um agradecimento pelo fato da minha apreciação pela sua bela mensagem no Recanto. Entrei sim no site que vc me enviou e parabenizo você e sua equipe por tão nobre trabalho aí no Rio. Quanto a este e-mail...posso divulgar sim. Quando eu puder também entrarei em sua página no Recanto. Fico pouco aqui no computador, mas também aprecio muito ler e escrever e por mais simples que sejam meus textos eu os faço com o coração...Espero que um dia você também entre na minha escrivaninha do Recanto...

abraço fraterno

Rio de Janeiro, 10 de julho de 2008.

Vanderli

Opinião sobre o Poveb e o site do Poveb

Aluizio,

Maravilhoso o projeto de vocês!Já adicionei como um dos sites favoritos,com tantas poesias bonitas!Parabéns a você e a todos que participam do Poveb.

Afetuoso abraço,

Anne Lieri

Aluízio Rezende indica outros sites de poesia

Acesse também:

Recanto das Letras - Página do Aluízio Rezende

Blog Poveb

 

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